CARTA ABERTA AOS BANCÁRIOS Porque o MOB não integra a Chapa 2 para as eleições do Sindicato dos Bancários do Ceará* Nós, ativistas construtores do Movimento de Oposição Bancária (MOB), com atuação em bancos públicos e privados no esforço de construir uma direção classista e de luta para nosso sindicato, nos dirigimos ao conjunto da categoria para declarar que não integraremos nenhuma das duas chapas no processo eleitoral que se avizinha para disputar as eleições da diretoria do Sindicato dos Bancários do Ceará. Por mais de cinco meses nos reunimos semanalmente, atuando na base da categoria, nas assembléias e no interior das agências para montar uma verdadeira chapa de luta visando à disputa das eleições do sindicato, uma chapa que fosse independente do governo Lula e dos banqueiros, uma alternativa composta por bancários combativos e honestos para derrotar o arrocho salarial e que se opusesse aos métodos antidemocráticos que a CUT e CTB impõe há vários anos a nossa entidade. Infelizmente, às vésperas da inscrição da chapa, em uma conduta irresponsável, os companheiros do PSTU, que até então compunham o MOB, resolveram unilateralmente sair de nosso movimento, para integrar uma “outra chapa”, abrindo negociações à revelia de nossas deliberações com o objetivo de aliar-se a setores que vacilam em dar um combate direto ao governo Lula, como o PSOL/Intersindical ou mesmo correntes petistas (TM e DS) que se colocam como apoiadoras desse ex-operário inimigo dos bancários, que arrocha os salários no BB, CEF, BNB e BASA, copiando a conduta dos governos passados do PSDB. Não concordamos que em nome dessa aliança se vetasse ou excluísse qualquer setor que historicamente construiu o MOB na luta contra a burocracia sindical governista e em defesa dos interesses imediatos e históricos dos bancários. Tragicamente foi justamente isso que aconteceu. Primeiro o PSOL e depois o PSTU vetaram de forma absolutamente injustificável a companheira Hyrlanda Moreira na composição de uma chapa classista e de oposição à diretoria pelega de nosso sindicato. Exigiram a exclusão da chapa de uma ativista histórica e reconhecida do antigo BEC, hoje Bradesco, referência de luta em nossa categoria, assim como da corrente política que esta integra, a LBI, para melhor levar a frente suas negociações obscuras, sacrificando inclusive a representação dos trabalhadores de bancos privados na chapa, um setor importante da categoria. Para nós do MOB, a construção de uma chapa classista deveria ser transparente, definida coletivamente com o objetivo de unificar o conjunto dos lutadores, sem veto político-partidário a LBI ou qualquer outro grupo de oposição de luta; ao contrário, teria que unir as correntes políticas combativas e ativistas de oposição para construir um outro modelo de sindicato, classista, combativo, democrático, plural, respaldado pela base da categoria e sem “rabo preso” com os governos patronais, os partidos governistas e seus apoiadores no movimento sindical. Não por acaso, o MOB votou e rechaçou qualquer veto político, tendo a proposta do PSTU pela exclusão obtido apenas um único voto na reunião que discutiu a questão, demonstrando o compromisso fundamental do MOB pela construção de um sindicalismo verdadeiramente de classe, plural e democrático, sem ser refém do monolitismo partidário que exclui unilateralmente outras correntes políticas combativas dos debates e da composição de chapas para impor um hegemonismo que não fortalece a democracia no movimento sindical, uma prática que abominamos e que contribuiu decididamente para a burocratização da CUT. Entendemos que somente desta forma a categoria retomaria a confiança em seu sindicato, percebendo que através das assembléias e seus fóruns democráticos poderia não só participar plenamente das deliberações mas, acima de tudo, controlar democraticamente os destinos de sua entidade e impulsionar suas lutas e conquistas. Esta é nossa compreensão de como deve funcionar o sindicato classista que queremos construir. Infelizmente a conduta do PSTU e PSOL negou essa concepção plural, democrática e pela base, acabando por dividir a oposição, em nome de ter mais trânsito nas negociações com as correntes petistas e o PSOL. Após as falidas negociações para atrair até o PC do B, foi a vez dos que romperam com o MOB tentarem uma aliança com os petistas da TM e DS que, ironicamente, acabaram também por não integrar a chapa, disciplinados pela ordem da cúpula do PT local. Porém a subordinação à pressão dos governistas alcançou o objetivo que tanto almejavam: fragmentar o MOB a partir do assédio individual que foi prontamente rejeitado pela maioria esmagadora do nosso movimento que recusou a chantagem e a posição ultimatista do PSTU/PSOL para livrar-se dos companheiros que obstaculizavam esse tipo de aliança espúria, em nome de conquistar o aparato sindical a qualquer custo. Deste modo, fragilizaram a oposição e tornaram a composição montada pelo PSTU-PSOL, a Chapa 2, porta-voz de um programa rebaixado e genérico, que não defende a mesa única dos bancos públicos e não denuncia a CUT como uma central chapa branca nem o governo Lula como burguês e inimigo dos trabalhadores! Diante dessa realidade, em respeito a nossa coerência e, acima de tudo, a essa categoria que tem enfrentado bravamente e com greves históricas a truculência dos banqueiros e do governo Lula, não nos restou outra alternativa senão vir a público comunicar ao conjunto dos bancários que o MOB reuniu-se e decidiu democraticamente em sua plenária por não integrar nenhuma das duas chapas nesse processo eleitoral, nem mesmo a chapa 2 composta pelos setores (PSTU e PSOL) que romperam a unidade dos lutadores sob a base dos mesmos métodos torpes que a diretoria do sindicato ataca, cassa a voz dos companheiros da oposição e manobra com os legítimos anseios dos trabalhadores. Os que subscrevem esta Carta Aberta sabem que não foi responsabilidade dos membros do MOB dividir o nosso movimento em nome de acordos que não condizem com a democracia sindical e um programa de luta para nossa categoria, provocando uma trágica divisão que acaba por fortalecer a própria diretoria governista de nosso sindicato. Desde já, declaramos que continuaremos na luta e reafirmamos nosso compromisso de nas assembléias, assim como no interior das agências, mantermos nosso esforço de construir uma direção combativa para nossa entidade. Temos clareza, porém, que não abrimos mão de princípios para chegar a qualquer preço a diretoria da entidade, porque não desejamos formar uma nova burocracia sindical que reproduza os mesmos métodos antidemocráticos da CUT e da CTB em nossa entidade. Portanto, chamamos todos os bancários a participar e fortalecer o MOB, a continuar a batalha para derrotar a Mesa Única da Fenaban na campanha salarial que se aproxima assim como a não prestar nenhum apoio aqueles que traem nossa categoria e se negam a lutar consequentemente contra nossos algozes, o governo Lula e os banqueiros, política hoje claramente representada na Chapa 1, ligada ao PT-PCdoB e que controla a mais de uma década o nosso sindicato, sendo aliada servil do Palácio do Planalto e os banqueiros!
NENHUM VOTO NOS GOVERNISTAS DA CHAPA 1, DA CUT-CTB! Em uma prova concreta de que não somos movidos nem pelo sectarismo nem pelo ultra-esquerdismo mais sim pela coerência na luta resolvemos coletivamente não dividir a oposição para beneficiar os governistas da CUT e CTB. Mesmo denunciando nesta Carta Aberta a conduta irresponsável e antidemocrática dos que romperam o MOB, ou seja, PSTU e PSOL, chamamos de público os bancários a VOTAR CRITICAMENTE NA CHAPA 2 - AUTONOMIA, DEMOCRACIA E INDEPENDÊNCIA. Adotamos essa posição coerente porque apesar das limitações do programa desta chapa e de sua conduta oportunista e vacilante, ela acabou por não está integrada pelas correntes petistas DS e TM que apóiam Lula, Cid e Luizianne, ainda que o verdadeiro desejo do PSOL-PSTU fosse tê-las compondo a chapa. O MOB, apesar de não integrar, chama a votar criticamente na Chapa 2 para as eleições da diretoria do Sindicato dos Bancários do Ceará porque esta expressa o sentimento da base da categoria de votar na oposição para combater o arrocho salarial e os ataques às conquistas levados a frente pelo governo Lula e os banqueiros, que não encontram qualquer resistência na atual direção do sindicato que tenta se reeleger mais uma vez para seguir fechando acordos espúrios com a patronal contra os bancários! Temos lado nesta disputa eleitoral! Compreendemos que neste momento o apoio crítico e com independência política a Chapa 2 representa um passo importante para derrotar o neopeleguismo da CUT encastelado há anos em nossa entidade, abrindo caminho para a construção de um sindicato classista, de luta, democrático e pela base! Nenhum voto nos governistas! Votar Chapa 2 para derrotar o governo Lula e os banqueiros! Assinam esta Carta Aberta:
• Hyrlanda Moreira - Bradesco * Texto aprovado na plenária do Movimento de Oposição Bancária (MOB) do Ceará
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