Didi, Cabral, Wiliam e agora
Brandão, avançam as demissões políticas no governo da frente popular. No governo Lula, os ativistas sindicais que lhe fazem oposição vêm sendo demitidos por perseguição política como nos momentos mais sombrios da ditadura militar.
Em maio, Dirceu Travesso, dirigente do PSTU e da Conlutas foi demitido pela Nossa Caixa quando teve início o processo de venda deste banco para o Banco do Brasil (BB), uma grande maracutaia entre Lula e Serra, às custas dos bancários e dos trabalhadores correntistas. Em novembro, a multinacional Johnson & Johnson demitiu Wellington Cabral, dirigente da tendência CST do PSOL e da Conlutas e mais dois outros diretores do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos em represália a uma paralisação dos trabalhadores da empresa por 24 horas contra a flexibilização trabalhista e a redução salarial. Poucos dias depois, o BB demitiu pela segunda vez Wiliam Ferreira, dirigente da LBI, destacado ativista da oposição bancária de São Paulo e membro da Conlutas. O banco, cujo patrão é o próprio Lula, já havia demitido o companheiro durante a greve nacional dos bancários e foi obrigado a reintegrá-lo pela força da paralisação que pressionou a justiça do trabalho. Mas, após a derrota da greve por obra da política da burocracia sindical governista da CUT, o BB aproveitou-se para desligar Wiliam novamente. Agora, em dezembro, foi a vez de Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, representante dos funcionários no Conselho Universitário e militante da LER. Brandão foi demitido pela reitoria da USP por liderar piquetes de greve em 2005 e 2006. Este ato truculento é uma medição de força que prenuncia novos e duros ataques aos trabalhadores e estudantes da universidade que não podem deixar passar este grave precedente. Em todos estes casos, a ofensiva patronal simplesmente ignorou a própria legislação burguesa. Esta situação se agravou com o gradual acirramento da luta de classes provocado pela crise financeira mundial. É parte dos ataques preventivos da burguesia e da ofensiva global do imperialismo ao movimento operário, ceifando primeiro sua vanguarda política. Em que pese a fraseologia antiimperialista dos governos da centro-esquerda burguesa, eles são os executores desta política na América Latina. Basta notar que é justamente na Venezuela, onde esta perseguição ao movimento operário tem sido levada à eliminação física de sindicalistas, como foi, no dia 27 de novembro, o assassinato dos três dirigentes sindicais da UNT e militantes da UIT, corrente internacional a qual é vinculada a CST/PSOL, após terem participado de atividades em apoio à greve dos trabalhadores da multinacional Alpina. Os assassinatos ocorreram poucas horas depois de ter havido repressão policial aos trabalhadores em luta contra a exploração patronal.
A derrota desta ofensiva só será dada através da ação direta
dos trabalhadores. Não podemos depositar nenhuma confiança nas instituições
burguesas, e menos ainda na justiça patronal que, por exemplo, mandou reintegrar
o companheiro Wiliam e depois avalizou sua demissão. É preciso potenciar nossas
lutas, cobrir de solidariedade os companheiros perseguidos e impulsionar greves
unificadas do conjunto dos trabalhadores e explorados com ocupação de locais de
trabalho. Pela ação direta das massas para combater a demissão de todos os
trabalhadores e reintegrar imediata e incondicional todos os demitidos
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