BALANÇO DA GREVE DOS CORREIOS Fentect, sindicatos governistas e Conlutas soltam fogos, cantando vitória com acordo cavalo de tróia que introduz banco de horas e divide a categoria Por 21 dias de greve, os trabalhadores da ECT puseram o governo e a empresa contra a parede. Lula orientou o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, a assumir pessoalmente as negociações. Mas, quando a correlação de forças apontava para uma vitória dos trabalhadores, a direção da Fentect (PT, PCdoB, PSTU e PSOL) reuniu-se com o ministro para assinar um acordo antioperário, fez com que os trabalhadores acreditassem que haviam conquistado uma grande vitória, enquanto sofriam uma profunda derrota e ajudou a empresa a encerrar o movimento. Na hora em que a categoria se sentia mais forte, o governo lhes presenteou com um cavalo de tróia adornado pelos sindicalistas governistas e a Conlutas. Os trabalhadores ecetistas lutavam exigindo que o governo cumprisse os compromissos que havia firmado como parte das conquistas da greve de 2007 (o pagamento do adicional de risco) e combatiam a sobrecarga de trabalho que a empresa quer impor através de um famigerado Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS). Mas, os dirigentes sindicais selaram um acordo com Hélio Costa, que introduz de contrabando o odioso mecanismo do banco de horas, uma medida de sobre-exploração da mão-de-obra até então inédita para os trabalhadores ecetistas e divide a categoria, concedendo ganhos (incertos) apenas para uma parte dela. Como cretinamente reconhece a Fentect, ficaram de fora dos supostos benefícios do acordo, o direito ao adicional de risco, os OTTS, operadores de triagem e transbordo que correspondem a quase 40 mil trabalhadores. Se antes o governo simplesmente descumpriu seguidamente o que assinara, o que juridicamente era um instrumento em favor dos trabalhadores, agora, a ata da reunião Ministro/ECT/Fentect deixou já registrado e por duas vezes as intenções futuras do governo por anular os novos benefícios, quando a correlação de forças lhe for mais favorável. Na reunião também já assegurou de antemão ao TST a tutela sobre a formatação futura do PCCS após a data-base de agosto. PSTU, BRAÇO DIREITO DOS PELEGOS CUTISTAS Prestes a sofrer uma profunda derrota pela terceira greve consecutiva em menos de 10 meses, o governo conseguiu embutir dentro de um presente de grego vários golpes contra os ecetistas, inclusive um duríssimo ataque ao tempo livre e ao direito constitucional a remuneração adicional pelas horas extras trabalhadas. Tudo isto graças à cumplicidade da Fentect (CUT/Conlutas)! A operação desmonte foi orquestrada em todos seus mínimos detalhes em nível nacional. O comando de negociação da Fentect assinou a proposta do governo sem submetê-la a aprovação de nenhuma assembléia da base e em seguida tratou de consumar a patifaria, montando um cenário de festa com direito a fogos e papel picado em todas as assembléias do país para que as mesmas simplesmente avalizassem em clima de triunfalismo e embriaguez o golpe já consumado. Neste ataque, em que o governo que provocou a categoria com sua proposta de PCCS e com a suspensão do pagamento do adicional de risco saiu fortalecido, o PSTU/Conlutas teve um papel fundamental na política de tapeação da categoria. Em uníssono com os burocratas descaradamente governistas, vendeu gato por lebre em cima dos carros-de-som para reforçar o teatro pelego e anunciou que a “greve vitoriosa dos trabalhadores nos correios derrota Empresa, Lula e sindicalistas governistas.” (Nota da Oposição/Conlutas as direções do Sintect/SP e Fentect, 21/07/08). Diante da traição orquestrada entre o governo e a direção governista da Fentect uma corrente revolucionária com influência suficiente para dirigir sindicatos da categoria poderia organizar uma rebelião das bases que passasse por cima das direções pelegas e derrotasse o golpe contra os trabalhadores. No entanto, tal direção não existiu, pelo contrário, na retaguarda da traição, para desmoralizar qualquer reação séria e conseqüente à mesma, como expressão farsante de oposição a direção a Fentect encontra-se a corrente cutista, Ecetistas em Luta, ligada ao PCO. PCO, A DESAGREGAÇÃO DO OPORTUNISMO ESQUIZOFRÊNICO O PCO, que é conhecido por sua política de fura-greves, como na campanha salarial de 2007, com argumentos aparentemente “esquerdistas”, também sabotou a greve de julho. Os sindicatos que este agrupamento influencia foram justamente onde os índices de paralisação foram os menores do país. Como disfarce desta política, o PCO lançou um chamado “Aos sindicatos de todo o país” (Boletim Ecetistas em Luta, 04/07/08) conclamando um ato público em frente ao palácio do governo em Brasília. Uma proposta que naquele momento, somente três dias após iniciada a paralisação, não passava de um recurso midiático, distracionista para encobrir a desmobilização dos trabalhadores nos sindicatos que assinavam o documento: MG, ES, RR e PI. Quando a Federação orientou aos sindicatos filiados a assinarem o acordo antioperário, em uma risível bravata o PCO, anuncia que “Ecetistas em luta e seus sindicatos, Minas Gerais, Espírito Santo e Roraima irá rejeitar a proposta e manter a greve.” (Boletim Ecetistas em Luta, 21/07/08). Todavia, na prática, o PCO segue os pelegos avalizando o acordo, usando um truque já recorrente de acabar a greve nos sindicatos que dirige um dia depois dos governistas. Tudo não passa de uma formalidade, uma vez que era reduzidíssimo a adesão a greve na base dos sindicatos ligados a Ecetistas em Luta. A tal “rejeição da proposta inaceitável”, “a manutenção da greve” e a propalada “ampla campanha nacional de denuncia dos traidores” não passam de uma fraude completa. Note-se também que de um boletim de Ecetistas em Luta para outro, inexplicavelmente, o Sindicato do Piauí desaparece como apoiador das propostas do PCO. Já é bem sabido o costume do PCO em aglutinar oportunistas aventureiros tanto no terreno do cretinismo eleitoral como sindical. Em meio à greve dos correios o fenômeno se repetiu. Sem a pressão e o controle da base dos trabalhadores para disciplinar os burocratas da “Ecetistas em Luta” as forças centrífugas resultantes da pressão governista esfacelaram a frente sindical sem princípios conduzida pelo PCO. Por anos a fio o PCO alardeava que o “Sintect-PI se tornou uma referência no Nordeste de sindicalismo combativo, com ampla participação dos trabalhadores e de luta contra o sindicalismo governista e patronal do bloco PT-PCdoB-PSTU.” (sítio do PCO, 27/11/04) e que “o Sintect-PI realizará atividades no dia de amanhã para garantir a continuidade e a ampliação da paralisação. O bloco PT-PCdoB-PSTU-Psol já está querendo entregar a greve nos seus estados. A Corrente Ecetistas em Luta, deliberou continuar a mobilização.” (sítio do PCO, 04/04/08). Acabada a greve de julho, o PCO passa a declarar: “nos demos conta que estes diretores sindicais [José Rodrigues dos Santos Neto e Jaílson Tavares Lima] passaram-se completamente para o Bando dos Quatro que exerce na categoria uma atividade completamente corruptora com distribuição de cargos na empresa e favores diversos”. (site do PCO, 25/07/08). Os que até então eram “referencia de sindicalismo combativo de luta contra o sindicalismo governista e patronal do bloco PT-PCdoB-PSTU” agora “passaram com toda a bagagem para o sindicalismo patronal, traidor e corrupto” (idem). A sua maneira, esquizofrênica, o PCO corrobora com a política governista dos pelegos da direção da Fentect. Somente uma nova direção política, não maculada pelas traições cometidas pelo conjunto da Fentect e pelos que se dizem oposição seria capaz de retomar a luta em agosto, aproveitando-se da data-base, conduzindo os trabalhadores ecetistas a rasgarem este acordo fraudulento, derrotando o banco de horas, lutando pelo reajuste salarial de toda a categoria, reivindicando a Escala Móvel de Salários para superar as perdas com a inflação e constituir um comando nacional de greve eleito nas assembléias de todo o país para derrotar o governo Lula e seus agentes na Fentect, sejam eles da CUT ou da Conlutas!
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