Pela imediata reintegração do companheiro Dirceu Travesso, dirigente da Conlutas e do MNOB/SP, demitido político do Banco Nossa Caixa!

No dia 08 de maio, a direção tucana do Banco Nossa Caixa demitiu arbitrariamente, sem justa causa, o companheiro Dirceu Travesso, militante histórico do PSTU, dirigente da Conlutas e coordenador nacional do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB).

Este é mais um ato de truculência política do governo Serra contra o ativismo sindical e sua organização política. Desde que o processo de privatização do Banco Nossa Caixa começou em 2005, também se incrementou a perseguição e demissão de ativistas e militantes. Aliás, privatização e demissões são duas faces da mesma moeda. A fórmula dos governos burgueses de rifar as estatais ao capital financeiro, combinada à perseguição política para silenciar os lutadores classistas, é implementado pelo governo Lula que, em conluio com o PSDB, autorizou a venda da estatal. Não é à toa que São Paulo é o Estado que mais se destaca pelo número de Parcerias Público-Privada (PPPs), aprovada por Lula em 2004 para acelerar o desmonte de estatais como a CESP, o Metrô, a Sabesp, etc.

Nesse sentido, o caráter político da demissão de Dirceu revela-se ainda mais fortemente porque acontece às vésperas da inscrição da chapa da Oposição Bancária/SP para as eleições do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Evidentemente, a ofensiva patronal articulada pelo governo do PSDB serve para fragilizar a luta contra a privatização do banco e debilitar a chapa da Oposição Bancária ao Sindicato dos Bancários, dirigido pela burocracia governista da CUT chapa branca, cuja iniciativa, frente a esta demissão, foi divulgar, através de uma lacônica nota, uma “defesa” formal do companheiro, pautada pela habitual e conhecida demagogia dos governistas.

Diante desse criminoso ataque patronal, nós da TRS e da LBI, que já tivemos diversos militantes nessa situação, chamamos o movimento operário e popular a solidarizar-se pela ação direta e de forma ativa com o companheiro, amplificando a campanha pela sua imediata reintegração.

PSTU VACILANTE EM DEFENDER MILITANTES DE OUTRAS CORRENTES DEMITIDOS PELA PATRONAL!

No entanto, ao mesmo tempo em que defendemos o companheiro Dirceu das garras da patronal, repudiamos o método “seletivo”, de dois pesos e duas medidas, com que a Conlutas/PSTU e a própria Oposição Bancária/SP tratam companheiros da TRS/LBI que também foram perseguidos e demitidos politicamente pelo exercício de sua militância revolucionária, pouco tolerada pelos governos burgueses do PT e PSDB, como foi com a companheira Hyrlanda Moreira e William Ferreira, ambos militantes bancários, demitidos pelo Bradesco e Nossa Caixa.

A Conlutas apresenta corretamente Dirceu como seu dirigente, o que já era um fato, independentemente se o Estado burguês, através da lei 11648 de 31/03/08, reconhece legalmente a Conlutas como Central ou não. No entanto, quando a companheira Hyrlanda Moreira, dirigente da LBI e da Oposição Bancária/Ceará, foi a primeira demitida arbitrariamente, logo após a privatização do BEC pelo governo Lula em 2006, e recorreu à Conlutas para obter uma declaração de que era dirigente da entidade para anexá-la ao seu processo judicial, o companheiro José Maria de Almeida, da coordenação nacional, negou-se a fornecê-la, alegando impedimento estatutário, fornecendo apenas um informativo de que a Oposição Bancária/CE participava das reuniões da Conlutas. A forma “legalista”, com que se revelou a “boa vontade” do dirigente do PSTU em defender a companheira, está na contramão de princípios elementares da solidariedade de classe e até mesmo da necessidade de se utilizar todos os recursos para proteger os ativistas das garras da lei e dos patrões. A conduta torpe do PSTU no caso da demissão da companheira Hyrlanda fica atrás até mesmo da direção do sindicato dos bancários de SP que se dispôs a comprovar que Dirceu era dirigente sindical pela posição política que ocupa na Conlutas.

Outro exemplo diz respeito ao companheiro Wiliam Ferreira, ativista do MNOB/SP e militante da TRS/LBI que foi perseguido e também arbitrariamente demitido pelo Banco Nossa Caixa em 2007 após oito anos de trabalho na área de processamento de dados do banco. Durante a greve da campanha salarial de 2006, Wiliam teve destacado papel na organização dos piquetes o que motivou sua demissão. Na época, não houve por parte da Conlutas nem do MNOB qualquer campanha em solidariedade pela reintegração do companheiro, alegando que se tratava de um “terceirizado” e que, portanto, não pertencia à categoria bancária.

O companheiro William, além de sofrer a perseguição patronal, ainda tem que tolerar a discriminação e perseguição política por parte da própria Oposição Bancária/SP, dirigida pelo PSTU que o ameaça e tenta impedi-lo, inutilmente, de participar das reuniões da Oposição e da Convenção para escolher os membros da chapa da Oposição Bancária de São Paulo, marcada para o dia 15 de maio, alegando que ele é demitido e não pertence mais à categoria! Não se pode aceitar o endosso, por qualquer motivação de disputa política, a perseguição patronal a companheiros, comprovadamente lutadores, ainda mais quando as demissões em questão adquirem um caráter abertamente político, numa clara violação ao direito de organização e de expressão política da classe trabalhadora. Denunciamos e repudiamos a tentativa em curso da Conlutas/PSTU e da Oposição Bancária/SP em reproduzir os piores métodos da burocracia governista da CUT que mede sua solidariedade a companheiros punidos pelo grau de aproximação e adesão programática à sua orientação partidária.

Ao contrário desse método estranho à tradição dos trabalhadores, nós da TRS/LBI adotamos o método histórico da classe operária que não permite que diferenças no campo de classe impeçam a defesa real de qualquer companheiro do movimento de massas dos ataques da burguesia. A defesa deve ser incondicional, apesar das divergências ou críticas que se tenha ao companheiro.

Convocamos todas as organizações e o conjunto dos ativistas do movimento operário e popular a defender seus lutadores, perseguidos e demitidos pela patronal, além de repudiar os métodos viciados que deforma fatos, critérios e princípios para poder caber nas conveniências políticas de ocasião das correntes majoritárias. Portanto, é tarefa da Conlutas e do MNOB e do conjunto da vanguarda do país construir uma alternativa classista de direção, capaz de defender a democracia operária, a política de independência de classe e a livre expressão política e o direito à organização, atacada e criminalizada pelo governo Lula.

 

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