CONTRIBUIÇÃO DA TENDÊNCIA REVOLUCIONÁRIA SINDICAL À
1ª PLENÁRIA NACIONAL DA GLBT DA CONLUTAS

Construir um movimento GLBT com programa classista para derrotar o governo Lula e avançar na luta pelo fim
da homofobia!

Nos últimos anos, com o aumento da organização do movimento homossexual e do combate à homofobia, os homossexuais estão cada vez mais se assumindo mais cedo. O acesso às informações pela Internet e uma pequena abertura dos meios de comunicação nesta área (até como busca de conquistar um novo filão para o mercado, o público consumidor GLBT) também foram fatores importantes neste processo. No entanto, os crimes homofóbicos vêm crescendo a cada década.

A HOMOFOBIA NA HISTÓRIA

A homossexualidade surge com a humanidade. Relatos e vestígios de grupos primitivos levam a crer, entre os pesquisadores mais renomados, que a homossexualidade é tão antiga quanto a humanidade. Então, podem pensar os desavisados, a homofobia também deve ter o seu início desde o surgimento da humanidade. Ledo engano. Durante décadas e décadas de milênios, a humanidade esteve livre deste mal que hoje permeia muitas mentes preconceituosas.

Homofobia é a aversão, o ódio, o medo mórbido dos homossexuais masculinos ou femininos, que leva a milhares de agressões e mortes todos os anos no mundo e no Brasil. No período 1980-2000 ocorreram 1.960 assassinatos homofóbicos no Brasil, 69% de gays, 29% de travestis e 2% de lésbicas, o que resulta em uma média de um homicídio a cada dois dias.

A homofobia não parte nem nasceu de manifestações isoladas da “população preconceituosa”, as idéias dominantes são as idéias da classe dominante. A não aceitação daquele que não segue os padrões permitidos pela sociedade burguesa é a essência da homofobia, impulsionada por valores da cultura machista; pela religiosidade cristã, que condena a homossexualidade como um desvio inaceitável; e por um Estado capitalista que hipocritamente diz se opor ao preconceito, mas é homofóbico.

Por outro lado, aproveitando-se desta realidade, setores da burguesia, ou membros enriquecidos da classe média, como grandes e médios comerciantes, aproveitam o crescimento contínuo do público homossexual na classe média para explorá-lo em boates, casas de show, saunas, bares, etc., onde são obrigados a pagar bem mais caro por estarem em ambientes onde não seria permitida, em tese, a violência contra o homossexual.

O INÍCIO DA SOCIEDADE DE CLASSES E DA HOMOFOBIA

As classes dominantes cultivam o senso comum de que o mundo é machista deste o começo dos tempos, e de que entre os grupos primitivos a primazia do macho era incontestável. Na verdade, já no século XIX, vários antropólogos, descobriram, seguindo as idéias de Darwin, que as mulheres eram figuras centrais nas sociedades anteriores a existência da propriedade privada e das classes sociais. Friedrich Engels, em seu livro “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, baseado em pesquisas do cientista americano e historiador da sociedade primitiva Lewis Henry Morgan, vai definir estes grupos primitivos como matriarcais. No século XX, machistas, feministas burguesas e antropólogos positivistas se uniram em uma verdadeira cruzada em defesa da existência atemporal da propriedade privada e contra as teorias socialistas para “provar” que jamais houve uma sociedade matriarcal. Não por acaso, vários destes estudos se basearam na ritualística religiosa, ou seja, na condenação do sexualmente herético pela religião e não no verdadeiro modo de vida das sociedades primitivas.

Nas sociedades matriarcais a mulher não dominava o homem, pois os dois sexos conviviam em harmonia, mas sua opinião era fundamental em toda a fase de evolução humana cuja organização social é denominada de “comunismo primitivo”, assim denominado porque tudo o que era caçado, colhido da natureza e produzido pelo grupo dividia-se igualitariamente entre todos. A mulher podia ter vários parceiros sexuais, assim como o homem. A figura do pai quase não existia e muitas vezes este não morava com os filhos, pois a mulher vivia com seus irmãos e sua mãe.

Neste período primitivo, o homossexual era encarado com naturalidade. Atos homossexuais eram comuns na passagem à vida adulta, até como parte de rituais. Ou seja, antes de ser instituída a sociedade de classes, o sexo era encarado com naturalidade, sem preconceitos religiosos, como uma necessidade orgânica compartilhada livremente, sem ciúmes, sem culpas, sem interesses patrimoniais ou monetários que hoje são o centro de grande parte das relações "afetivas".

O Homo sapiens sapiens (“homem sábio sábio”), isto é os modernos humanos, apareceram pela primeira vez entre 100 e 150 mil anos atrás. Inicialmente, a terra cultivada era considerada coletiva e permanecia o “comunismo primitivo” entre os vários agrupamentos humanos. A humanidade só conheceu a propriedade privada a partir do excedente de produção, depois do cultivo de cereais na agricultura mesopotâmica, que data aproximadamente de 8.000 a.C.. E mesmo após formada as primeiras civilizações, a antiga cultura sexual continuou prevalecendo por muito tempo, principalmente a cultura homossexual. A homossexualidade é uma das formas naturais de expressão sexual da humanidade, ao contrário da homofobia, que surge graças ao preconceito difundido a partir da sociedade de classes.

Na nova sociedade patriarcal que emergia da sociedade dividida entre classes proprietárias (escravocratas, senhores feudais, capitalistas) e despossuídas (escravos, servos, operários), os direitos sexuais foram limitados, principalmente entre as mulheres e homossexuais, oprimidos cada vez mais com a ajuda da religião patriarcal que surgirá e servirá como base de apoio desta sociedade. Por estarem fora do padrão patriarcal, monogâmico e dos objetivos das relações de procriação para deixar herdeiros, acabaram gradativamente sendo excluídos da sociedade.

O DESENVOLVIMENTO DE UMA RELIGIÃO PATRIARCAL

As sociedades mais primitivas eram politeístas e tinham vários rituais que aliavam a adoração aos deuses com o sexo. Em vários desses rituais, o papel do homossexual masculino e feminino era de destaque. No entanto, com o início da sociedade de classes era necessário fazer avançar as práticas religiosas para que refletissem a nova classe dominante. Foi a partir do êxodo dos hebreus, que surge uma religião patriarcal monoteísta (a idéia de um único deus masculino), aproximadamente em 1.250 a.C., que virá a condenar uma série de atos sexuais e lutar por destruir os últimos resquícios das práticas religiosas típicas da sociedade matriarcal.

A religião dos hebreus era o judaísmo, que até hoje adota como sua bíblia apenas o antigo testamento (Torá), tendo como principal profeta Moisés. Após a adoção fanática do monoteísmo, esta civilização passou a punir severamente os atos homossexuais, até para diferenciar-se das outras civilizações que historicamente eram suas inimigas por problemas territoriais. Por isso, nos escritos Talmúdicos, a homossexualidade é associada a um comportamento dos cananeus, primeiros habitantes das terras conquistadas pelo povo de Abraão (daí o nome de terra de Canaã, que hoje se localiza no Líbano e foi severamente bombardeada na última guerra perdida por Israel contra o Hezbollah), dos caldeus e outros povos inimigos. No Código Mosaico adotado pós-êxodo, dentre os crimes punidos com morte, a metade era sobre atos sexuais. Aqueles que praticassem atos homossexuais seriam punidos com o apedrejamento, a pena mais dura. “13 Aquele que dormir com macho, abusando dele como se fosse fêmea, morram ambos de morte, como quem cometeu um crime execrável: o seu sangue recaia sobre eles. 14 Aquele que depois de ter se desposado com a filha, se desposar com a mãe, cometeu um crime enorme: ele será queimado vivo com elas ambas; e uma ação assim detestável não ficará impune no meio de vós.” (Antigo Testamento. Levítico, 20: 13-14).

Foi entre os hebreus onde surgiram as primeiras manifestações mais severas de homofobia, desenvolvendo a religião judaica um papel ideológico fundamental de sustentação desta nova cultura homofóbica. A homofobia, portanto, é cultural, ou seja, é algo criado pelo homem e passado de geração em geração pela sociedade. Muitos religiosos fanáticos cristãos insistem em combater os homossexuais através de citações bíblicas.

A HOMOFOBIA CRISTÃ E CAPITALISTA

Não é por acaso que na América Latina e no Caribe colonizados pelo cristianismo ibérico onde dominaram os Tribunais do Santo Ofício é o continente mais homofóbico e machista do planeta. Como conseqüência deste passado colonial e do escravagismo, uma característica significativa observada na maior parte dos países latinoamericanos e caribenhos está o alto grau de violência física e opressão moral que se exerce contra travestis, gays y lésbicas. Os bispos da igreja católica e, ultimamente e com maior fervor, as igrejas protestantes fundamentalistas, atacam violentamente aos homosexuais nas TV´s e cultos, censurando as campanhas de prevenção da AIDS para gays e obstaculizando a legislação de união civil para pessoas do mesmo sexo. Essas mesmas seitas patrocinam clínicas de “cura” para homosexuais. Pelo mesmo motivo, na América Latina e no Caribe é onde ocorre a maior quantidade de crimes homofóbicos do mundo, seja em termos relativos quanto absolutos.

Atualmente, a Igreja Católica, que influencia a maioria dos brasileiros, continua atacando, sempre que pode, os homossexuais. A arcaica moral sexual católica foi recrudescida com a eleição do papa Bento XVI, que antes de ser papa era o responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé, nome atual do antigo Tribunal da Santa Inquisição, ou do Santo Ofício. Bento XVI, é autor de declarações do tipo: "as relações homossexuais são grave depravação e intrinsecamente desordenadas, não podendo em caso algum receber qualquer aprovação", ou ainda: "A Igreja classifica os casamentos homossexuais como imorais, artificiais e nocivos". Nada estranho para um ex-combatente nazista!

A Igreja Católica é contra as relações sexuais antes do casamento e o uso de contraceptivos. Também rejeita a utilização de preservativo (camisinha) por questão de segurança contras as DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis), considera a homossexualidade um desvio gravíssimo e tem estado na linha de frente da luta contra a aprovação, em alguns países, de leis que permitam a união civil de casais homossexuais! Dizer que a homossexualidade é um desvio e continuar defendendo o celibato para os padres e freiras é uma completa inversão de papéis. A homossexualidade é prática normal da humanidade desde o seu surgimento, porém, o celibato, a abstenção completa de sexo, esta sim é uma aberração contra a natureza humana, porque sexo é uma necessidade básica de todos, homens e mulheres. No fim das contas, dentro da Igreja Católica encontramos inúmeros homossexuais, que acabam procurando este caminho para serem mais “aceitos” pela sociedade. E a hipocrisia religiosa comanda o processo dentro da igreja.

As religiões em geral servem de apoio ideológico ao regime opressor capitalista que hoje se impõe no mundo, reprimindo a sexualidade natural do ser humano, principalmente a homossexualidade. Como dizia Marx: “É o ópio do povo”! Também para os espíritas kardecistas, a homossexualidade é vista com preconceitos, apesar de não ser entendida como desvio, mas uma etapa a mais de provação do espírito na terra, ou seja, a religião não reprime porque é algo que já estava pré-determinado, mas acaba expressando os preconceitos cristãos ao dizer que é mais uma provação.

Para se ter uma idéia da homofobia em diversas religiões atualmente no Brasil, vale a pena vermos algumas frases de religiosos conhecidos, ou que foram veiculadas em programas religiosos televisivos, citadas no livro de Luiz Mott e Marcelo Teixeira “Matei porque odeio gay”: “‘O homossexualismo é, simplesmente, uma aberração ética.’ [D. Amaury Castagno, Bispo de Jundiaí]; (...) ‘Os homossexuais cínicos e agressivos devem merecer dos católicos o repúdio votado a todos os pecadores públicos e insolentes, que se declaram ou se comportam como inimigos de Deus e de Sua Santa Lei. Homossexuais assim são como células cancerosas e pútridas no corpo social. Devem ser repudiados com nota de execração. Que Nossa Senhora livre o Brasil dessa infâmia. E não permita seja aprovado no Congresso Nacional o torpe projeto de lei que institui o “casamento” entre homossexuais. Isto constituirá uma insolente ofensa feita a Deus e a Nossa Senhora pelos legisladores do País, e que atrairá sobre o Brasil grandes castigos, pois será a legalização e a legitimação oficial de um pecado infame que clama a Deus por vingança, alinhando-nos a Sodoma e Gomorra...’ [Cônego José Luiz Marinho Villac, SP]; ‘O comercial do Ministério da Saúde (mostrando uma família que aceita seu filho gay) é uma safadeza por fazer apologia ao homossexualismo: o governo federal está jogando dinheiro fora.’ [Pastor Silas, da Associação Vitória em Cristo, RJ]; ‘A homossexualidade é um castigo e distúrbio do comportamento sexual. O homossexual é alguém que em vidas passadas abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos. As relações homossexuais de hoje comprometem as encarnações futuras, de modo que os gays e lésbicas parecem estar condenados a um aumento contínuo do seu atraso espiritual.’ [Américo Domingos, médico e escritor espírita, MG]; ‘A união de pessoas do mesmo sexo é uma coisa extremamente nojenta. Tenho muito nojo destas pessoas.’ [Evangélica entrevistada num programa de televisão da Igreja Universal do Reino de Deus, SP]” (Luiz Mott, Matei Porque Odeio Gay, 2003).

O avanço do capitalismo, em alguns lugares, trouxe uma relativa diminuição da histeria homofóbica com o advento da revolução francesa, que tirou, de seu código, os crimes por prática de relações homossexuais, o que, de imediato, não foi seguido pelos demais países. Em muitos países, até hoje, essas leis persistem. O reconhecimento de direitos aos homossexuais, na prática, só serviria para a grande burguesia industrial e comercial da época, enquanto continuava a opressão da grande maioria de homossexuais.

Na II Guerra mundial: o nazismo, em sua sanha homofóbica, vai executar cerca de 100 mil homossexuais nos campos de concentração na Alemanha, sendo estes diferenciados dos outros presos, obrigados a usar roupas com um triângulo cor-de-rosa. A teoria da pureza racial e do eugenismo, que vai inspirar o nazismo nos anos 30, esclarece o fato de, posteriormente, a lobotomia ter sido indicada para os homossexuais.

Por volta de 1870, a homossexualidade passa a ser encarada como uma doença psicológica, falácia que a psicologia só vai abandonar um século depois, em 1970. Pouco depois, surgirá também a AIDS, o que vai inicialmente ampliar o preconceito, porque logo a princípio a doença foi associada ao homosexualismo, mas, ao mesmo tempo, vai gerar toda uma luta pelos direitos dos homossexuais.

A HOMOFOBIA NA EX-URSS E EM CUBA

Logo após a revolução bolchevique, em dezembro de 1917, o novo governo da ex-URSS acabou com todas as leis que consideravam como crimes os atos homossexuais. Esta medida, assim como outras com a finalidade de libertação da mulher, foram consideradas parte integrante da revolução socialista em andamento. Para os bolcheviques, a homossexualidade era uma opção individual, e não uma questão em que o Estado e sua legislação devesse se meter. Portanto, relações sexuais eram de estrito cunho privado, a não ser em caso de agressões físicas.

No entanto, com a ascensão do stalinismo e morte de Lênin, houve uma contra-revolução política que burocratizou o novo regime, criando um câncer dentro do novo Estado operário. A posição sobre a homossexualidade foi se modificando gradativamente. Os homossexuais perderam seus direitos à liberdade sexual, assim como os operários perderam a liberdade de expressão e liberdade de organização, as mulheres perderam o direito ao aborto etc.

O stalinismo foi prejudicial para o avanço da revolução e das liberdades sexuais na URSS e no mundo. Mestre em criar novas realidades ideológicas de acordo com os seus interesses e convicções o stalinismo passou a desenvolver o mito de que a “homossexualidade era um produto da decadência do setor burguês da sociedade”, ou ainda uma conseqüência da “perversão fascista”. Logo iniciaria uma purga no partido comunista e, em 1934, houve detenções massivas de homossexuais em Moscou, Leningrado, Kharkov e Odessa, sendo condenados a vários anos de prisão e exílio na Sibéria, provocando pânico em massa nos homossexuais, levando a vários suicídios, inclusive no Exército Vermelho. Uma lei federal é promulgada em 1934 sob orientação direta de Stálin, condenando a 8 anos de cadeia aqueles que praticassem atos homossexuais!

Os demais Estados operários formados após a ex-URSS já nascem burocratizados e com a mesma orientação homofóbica stalinista. Em Cuba, a homossexualidade é vista como resquício da época em que o país não passava de um prostíbulo dos EUA, ou seja, não passava de uma expressão da decadência burguesa. A homossexualidade em Cuba foi reprimida violentamente, sendo mandado seus praticantes para o campo, obrigados a trabalhar para o aumento da produção. Esta histeria homofóbica só contribuiu para o enfraquecimento da revolução. Constata-se claramente que a luta homossexual não é apenas para destruir a propriedade privada dos meios de produção, responsável pelo início gradual de sua opressão histórica, mas também pela desconstrução ideológica da homofobia. Assim como Trotsky dizia, nos Estados operários ainda existentes é necessário fazer uma revolução política, garantindo aos operários seu direito de participação direta nos rumos do governo do país, assim como as liberdades para a expressão da diversidade natural sexual dos seres humanos.

A HOMOFOBIA NO BRASIL

No Brasil, existem até leis favoráveis aos homossexuais, no entanto, a homofobia é imensa. O preconceito contra o homossexual chega a ser mais acentuado que o racismo contra o povo negro, por ser mais aceito socialmente.

Atualmente, o movimento homossexual organizado utiliza algumas siglas e palavras ainda pouco conhecidas entre as pessoas em geral para se autodenominar. Se antes usava-se a sigla GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), que ficou bem conhecida, hoje, utiliza-se a sigla GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros, que engloba não só os transexuais e travestis, mas também os transformistas e drag-queens).

A homofobia se expressa na família, que reproduz o padrão da sociedade vigente; no trabalho, na mídia, entre os políticos, nos cultos de várias religiões, nos lugares de lazer etc. A cultura do “macho” faz com que as crianças, desde cedo, tenham preconceitos homofóbicos, para “não se contaminar com esse mal”.

O homossexual, devido à homofobia, vive em constante tensão. Quando sua sexualidade começa a entrar em conflito com sua religiosidade, geralmente, é acometido de constantes sentimentos de culpa, por estar “pecando”, etc. No adolescente, tais sentimentos muitas vezes geram traumas psicológicos profundos. Além disso, o homossexual é tão vitimado pela homofobia no Brasil, que não se sente à vontade de, por exemplo, namorar em locais públicos, ou sequer paquerar pessoas por quem sente atração em locais abertos. Tudo porque sente medo de ser agredido seja verbalmente ou mesmo fisicamente. E o medo tem razão. As agressões a homossexuais ocorrem em toda parte e inúmeros são os assassinatos devido à homofobia.

O governo Lula, por sua vez, tenta iludir o público GLBT com promessas vazias de verbas para campanhas contra a homofobia, mas vemos que nada sai do papel e das velhas hipocrisias eleitoreiras. Seus grandes parceiros, como a Igreja Universal, por sua vez, tratam de continuar sua sanha homofóbica de ataque ao amor entre iguais.

A MAIOR “PARADA GAY” ESCONDE O PAÍS COM MAIS ASSASSINATOS HOMOFÓBICOS DO PLANETA

Em 28 de junho de 1969, a polícia de Nova Iorque invadiu um bar homossexual, chamado Stonewall In, obrigando os fregueses a saírem para a rua. Porém, os homossexuais, liderados por travestis, resistiram, trancaram os policiais no bar, incendiaram o lugar e jogavam pedras e garrafas quando os policiais tentavam sair. Houve quatro noites de confronto entre a polícia e os homossexuais. A partir daí, o movimento ganhou grande dimensão e foi formada a Frente de Libertação Homossexual.

Ao completar um ano da revolta de Stonewall, cerca de 10.000 homossexuais saíram às ruas em Nova Iorque, contra a discriminação e a homofobia, gritando: “Ser homossexual é bom”. Esta passeata militante fez surgir grupos homossexuais no mundo inteiro, principalmente nos Estados Unidos, onde o movimento organizado derrubou uma série de leis homofóbicas. A data passou a ser reconhecida como o Dia do Orgulho Gay, sendo hoje celebrada como o Dia da Consciência Homossexual com as chamadas "Paradas Gay".

Até hoje, as marchas, ou paradas, como são conhecidas atualmente, do movimento GLBT são realizadas como uma continuidade desta luta iniciada na rebelião de Stonewall. Apesar do caráter alegórico de muitas paradas realizadas atualmente, que são transformadas em verdadeiros carnavais, estes movimentos em si abrem um grande espaço de discussão na sociedade sobre a homossexualidade e contra a homofobia.

O Brasil é o país que mais realiza paradas pela diversidade sexual. A parada de São Paulo já se tornou a maior do mundo, sendo o evento do ano que mais atrai turistas para a cidade, o que obviamente atrai também a burguesia hoteleira e de tantos outros setores, que se aproveitam para explorar este filão do mercado consumidor, crescente a cada ano. Sob as direções burguesas as Paradas tornaram-se algo meramente alegórico e perderam seu caráter de luta contra a institucionalidade burguesa homofóbica e foram assimiladas pelo regime e pelos setores mais reacionários da classe dominante. A integração destes eventos a ordem capitalista em todo o país, envolvendo o apoio de prefeituras, ONG's, ministérios, etc., denota que as Paradas que ocorrem atualmente nem de longe lembram o caráter combativo de Stonewall. Tudo isto esconde um recorde macabro. É tão grave a homofobia no Brasil, que em nenhum outro lugar do mundo, mesmo nos mais preconceituosos e onde ainda existem leis punitivas aos atos homossexuais, são assassinados tantos gays, de acordo com levantamentos da International Lesbian and Gay Association e a International Gay and Lesbian Human Rights Comission, fontes fidedignas de informação sobre a homossexualidade no mundo.

Tabela 1 – Homossexuais assassinados no Brasil – 1963/2002:

ANO

TOTAL

1963-1969

30

1970-1979

41

1980-1989

503

1990

134

1991

153

1992

83

1993

149

1994

97

1995

99

1996

126

1997

130

1998

116

1999

169

2000

130

2001

132

2002

126

TOTAL

2.218

(Tabela do livro de Luiz Mott, Matei Porque Odeio Gay, 2003).

A violência contra os homossexuais exige uma resposta organizada através da ação direta destes para combatê-la. Recorrer à polícia piora o problema. Muitas agressões partem dos policiais. É comum policiais fingirem que vão fazer algo e, depois, não resolverem nada por acharem que os responsáveis pelas agressões, no fundo, são os “viados provocadores”. Por isso, é necessário organizar grupos de autodefesa dos homossexuais, para impedir a continuidade da violência de gangs fascistóides e da polícia, e combater a cultura homofóbica existente, garantindo a liberdade de expressão da sexualidade e do amor entre iguais.

A EXTINÇÃO HOMOFOBIA E DO MACHISMO SÓ SERÃO POSSÍVEL COM A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA E O SOCIALISMO!

A homofobia não é natural do ser humano, infelizmente, já perdura por quase 3.300 anos; diferentemente da homossexualidade, prática comum em todas as sociedades, desde o surgimento do homem, ou seja, durante mais de 100.000 anos antes, a humanidade conviveu em harmonia com a sua diversidade natural de expressão sexual. O machismo e a homofobia nasceram com a propriedade privada e só serão extinta se também a propriedade for coletivizada. A cultura homofóbica, alimentada hoje pela ideologia burguesa deve ser destruída, através da informação, da educação de jovens e da organização e mobilização do movimento homossexual aliado a todos os demais oprimidos da sociedade, a luta histórica do proletariado pela socialização da propriedade privada dos meios de produção, exterminando a propriedade privada e a sociedade de classes que plantou as bases para a homofobia.

Porém, acabar com a propriedade privada é apenas um dos passos, porque é necessário construir uma nova cultura que respeite a sexualidade individual e conviva com a diversidade sexual coletiva. Temos a certeza de que é possível atingirmos essa nova sociedade solidária, fraterna, igualitária socialmente e que respeite a diversidade sexual de todos. Essa será a sociedade socialista mundial rumo ao comunismo, defendida pelos bolcheviques no início da Revolução Russa de 1917, por Marx, Engels, Lênin e Trotsky.

Apesar da demagogia dos governos e da mídia capitalistas, a violência e o preconceito contra o homossexual estão cada vez maiores. A unidade do público GLBT e de heterossexuais simpatizantes da causa nas paradas transformam o movimento, tirando-o do caráter de gueto, impondo por alguns momentos a vontade de se ter uma sociedade que respeite a diversidade sexual. No entanto, é preciso ter claro que a luta do movimento GLBT trabalhador e revolucionário não pode deixar-se cooptar e corromper pelo regime burguês, impulsionador da homofobia e do machismo e inimigo da diversidade sexual. É preciso combater a transformação desta luta em uma fraude, em uma mercadoria que oculta a continuidade e o crescimento da opressão homofóbica. É preciso criar Paradas alternativas com caráter de luta contra a institucionalidade patronal homofóbica, denunciando abertamente a direções burguesas e governistas do movimento GLBT, reprodutoras da propaganda enganosa do capitalismo e dos seus governos de plantão, a frente popular do PT e os governos dos estados, municípios para construir um movimento GLBT com programa classista para derrotar o governo Lula e avançar na luta pelo fim da homofobia!


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