REUNIÃO NACIONAL DA CONLUTAS 29/02 - 02/03

PSTU e PSOL sacrificam a
independência política da Conlutas
em favor da unidade com o MST e a Intersindical. É preciso fortalecer o Pólo
da Esquerda Revolucionária da Conlutas!

A Conlutas realizou sua primeira reunião nacional de 2008 no Rio de Janeiro. Iniciada na sexta-feira, 29 de fevereiro, no Sind-Justiça, a reunião teve que se transferir para o Auditório do Sindsprev nos dois dias seguintes (01 e 02/03) devido a que o número de participantes superou em muito as expectativas da Coordenação Nacional. 333 ativistas foram credenciados e ao total quase 350 que participaram da atividade. No entanto, apesar da expectativa da vanguarda nacional em torno da atividade que reflete a prévia do que se espera do próprio I Congresso da Conlutas, a política da direção majoritária da entidade, PSTU e PSOL, desvia o ímpeto de luta deste setor da vanguarda para uma política de unidade sem princípios com os governistas (PCdoB, MST, Igreja), para-governistas da Intersindical e o próprio eleitoralismo da chamada “frente de esquerda”.


Wiliam Ferreira militante da TRS/LBI e membro da oposição bancária
de São Paulo intervém no plenário da reunião nacional

O debate sobre conjuntura internacional, Venezuela e América Latina, foi montado para projetar as posições políticas das correntes hegemônicas na Conlutas, PSTU e PSOL (MES e CST). Apesar de haver cinco contribuições inscritas para participar do debate, as três correntes tiveram 50 minutos cada para expor suas posições, enquanto as demais contribuições como a da LBI só tiveram 10 minutos para falar ao plenário. Todo este tempo não foi suficiente para Valerio Arcary dizer, nem na abertura, nem no fechamento do debate uma só palavra para explicar porque a corrente internacional do PSTU, a LIT, fez campanha pelo Não no plebiscito sobre a reforma constitucional na Venezuela em conjunto com a oligarquia golpista financiada pela CIA. Tampouco conseguiu explicar porque a “seção” da LIT na Venezuela defendeu a reeleição de Chávez em 2006, após sete anos de governo bolivariano, a quem Valério criticava de não poder ser levado a sério nem como nacionalista. Certamente, tamanho ziguezague centrista, do chavismo à frente plebiscitária com o golpismo, denunciado pela LBI, através de seu orador Érico Cardoso, não poderia ser explicado de modo convincente. Por isto, o representante do PSTU preferiu silenciar precisamente sobre o tema que foi convidado a palestrar. Pedro Fuentes, pelo MES, defendeu a seu modo o socialismo pela via reformista e de quebra instou o plenário a dar um crédito a Obama. O candidato democrata de rosto negro criado para descarregar sobre as costas do proletariado estadunidense e mundial a crise imperialista, como caracterizou o representante da LBI no debate.

Nos debates do dia 02 de março, a LBI, que passou cerca de uma centena de jornais na atividade, e as demais correntes do Pólo da Esquerda Revolucionária da Conlutas combateram o processo de fusão liquidacionista da Conlutas com a Intersindical, a continuidade em 2008 (a partir do Dia Mundial da Mulher Trabalhadora, da marcha cutista do funcionalismo a Brasília, 1º de abril como dia de mobilização contra a transposição do rio São Francisco, 1º de Maio), da política de unidade com as entidades governistas já vista durante todo o ano de 2007.

Os oradores do Pólo Revolucionário denunciaram o enquadramento da Conlutas à legalidade burguesa. Sob efeito das críticas do Pólo Revolucionário o PSTU ficou isolado neste debate, momento em que seus dirigentes quase entram em desespero. A direção do Andes e muitos delegados do PSOL que não estão diretamente vinculados aos mesmos interesses burocráticos que fazem o PSTU defender obstinadamente a legalização se abstiveram nesta votação. Sobre este ponto merece destaque o vergonhoso silêncio da direção nacional acerca da conduta criminosa do Sinjep do Pará de invocar o STF para se posicionar a respeito do direito de greve do funcionalismo público. Como resultado da orientação legalista do PSTU, a justiça patronal fez o que nem a ditadura militar ousou fazer, proibiu juridicamente o funcionalismo público de fazer greve e desencadeou a partir de então uma ofensiva de perseguição ao direito de manifestação e organização sindical da classe trabalhadora brasileira. Como denunciou o orador da TRS/LBI e membro da oposição bancária de São Paulo, Willian Ferreira, sobre este tema espinhoso para a política legalista-desastrosa do PSTU, a direção Conlutas estava agindo como o ex-ministro da economia Rubens Ricupero, através da política “do que é ruim agente esconde” e fugindo desta discussão como o diabo da cruz. Fortemente criticada por sua conduta, a direção da Conlutas manobrou até o final da reunião para ganhar tempo e não se posicionar sobre o tema.


Maria Aparecida da TRS/LBI e da oposição do Sindiute do Ceará

A oradora da TRS/LBI, Maria Aparecida, da oposição do Sindiute do Ceará, desmascarou as justificativas falaciosas da direção majoritária da Conlutas sobre a política de unidade com os governistas e paragovernistas, perguntando: Se, como defende o PSTU, ao fazer frente com a Conlutas “a contradição era deles” (MST, PCdoB, Intersindical), por que era sempre a Conlutas que rebaixava seu programa em favor da política de unidade, livrando nos documentos e atividades realizadas em comum o governo Lula, deixando de desmascará-lo para a base das organizações governistas? A direção majoritária da Conlutas pretende reeditar em 2008 a política de sacrificar a independência política da entidade em favor da unidade com os governistas já marcando uma reunião para 10 de março com a Intersindical e o MST.

O mesmo oportunismo da direção majoritária se viu no debate sobre o direito da mulher ao aborto às vésperas do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. O PSTU e PSOL se opuseram a denunciar a dirigente número 1 deste último, Heloísa Helena, por fazer uma ampla campanha reacionária aliada à Igreja Católica e aos partidos burgueses contra o direito elementar da mulher trabalhadora a decidir sobre seu próprio corpo.

20 teses se inscreveram para o Congresso da Conlutas. A próxima reunião nacional foi marcada para 16 a 18 de maio em São Paulo. No dia 01 de março foi realizada uma reunião da LBI, LRT, Unipa, CCR e dirigentes sindicais combativos. Foi realizado um balanço daquela reunião nacional da Conlutas e debatida a organização da intervenção da esquerda revolucionária da Conlutas nas próximas reuniões nacionais, lutas e debates programáticos nos estados, assembléias estaduais para tirada de delegados e para o I Congresso da Conlutas. Em todos estes enfrentamentos se faz cada vez mais urgente superar os obstáculos à luta por um programa revolucionário, em defesa da democracia operária e contra a política reformista de liquidação da Conlutas por sua direção majoritária, a fim de criar uma direção revolucionária para o movimento de massas.


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