CORÉIA DO NORTE

Pela defesa incondicional do
armamento nuclear do Estado operário norte-coreano!

A Coréia do Norte lançou no último dia 5 de abril, o satélite experimental de comunicações Kwangmyongsong-2, a bordo do foguete Unha-2. O lançamento do satélite norte-coreano foi acompanhado pelo dirigente máximo do país, Kim Jong-Il. Ele elogiou os cientistas e técnicos que “desenvolveram tanto o foguete de transporte de múltiplas etapas como o satélite, com o seu próprio conhecimento e tecnologia” (Folha de S.Paulo, 09/04). Como havia sido informado aos organismos internacionais, o lançamento foi realizado desde Tonghae, na costa do Mar do Leste. Segundo fontes do país o satélite entrou em órbita. O aparelho levou a bordo equipamentos de medição e difunde comunicações na banda de 470 MHz.

Existem informes contraditórios sobre o êxito do lançamento. A Coréia do Norte diz que o foguete portava um satélite, que agora está na órbita ao redor da terra. Os EUA, por sua parte, dizem que o foguete caiu no Oceano Pacífico. Segundo o New York Times, “Funcionários e analistas em Seul disseram que o foguete voou menos 3.200 quilômetros, duplicando o alcance de um foguete anterior provado em 1998 e aumentando seu potencial para disparar um míssil de longo alcance” (Sítio Rebelión, 08/04).

O lançamento do satélite e do foguete ganhou ainda mais importância porque serviu para divulgar imagens de Kim Jong-Il, de 67 anos, após este ter sofrido um acidente vascular cerebral. Antes ele havia participado do encontro anual do parlamento. O recém-empossado parlamento norte-coreano renovou o mandato de Kim Jong-Il no posto de líder supremo militar, marcando sua aparição pública no momento em que o país comemora o que chamou de “triunfal lançamento do satélite", ao mesmo tempo em que sofre pressões da ONU e demais potências capitalistas que acusam o lançamento de ser um teste de míssil disfarçado. Para saudar os dois eventos, o governo norte-coreano organizou uma gigantesca manifestação de massas na capital Pyongyang.

O ato provocou a reação enfurecida do imperialismo ianque. Washington e seus aliados na região alegam que o lançamento viola a resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU, já que foi utilizado um foguete balístico de longo alcance para alcançar tal objetivo. Os EUA intensificaram sua campanha de condenação ao Estado operário norte-coreano, seguido por Alemanha, França, Grã-Bretanha, Japão e Coréia do Sul. A imprensa pró-imperialista faz todo um alarde acerca dos testes nucleares promovidos pela Coréia do Norte, afirmando serem uma “ameaça à humanidade". Oculta, criminosamente, que só na Coréia do Sul, um enclave criado e militarizado pelos EUA, há um contingente militar acima de 40 mil soldados, mais de mil ogivas nucleares apontadas para o Norte. Como explicar que a Coréia do Norte não pode lançar um satélite ou inclusive testar um míssil de longo alcance, se quem a condena, os EUA têm 439 satélites em órbita, sendo 98 deles para uso especificamente militar?

O Pentágono mobilizou para as águas na península coreana não menos de cinco navios armados com mísseis interceptores, da mesma forma fez o Japão com três modernos destruidores do tipo Aegis e a Coréia do Sul, que despachou outro navio desse tipo. As autoridades japonesas também deslocaram as suas baterias de mísseis Patriot-3 do centro do país para zonas do nordeste do arquipélago caso fosse necessário abater o foguete norte-coreano.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, afirmou que o governo dos Estados Unidos avalia que o lançamento do satélite tem como objetivo “mascarar o desenvolvimento de um míssil balístico intercontinental” (O Globo, 03/04), que teria como objetivo final alcançar o território do país através do Alasca. Gates declarou que o plano da Coréia do Norte, em longo prazo, é armar um míssil dessas características com uma ogiva nuclear.

O debate sobre uma possível sanção ao país permanece emperrado no Conselho de Segurança, pois a China e a Rússia pedem moderação no caso para melhor chantagear a Coréia do Norte a colocar seu programa de armamento nuclear totalmente sob o controle da ONU, ou seja, do imperialismo ianque. O vice-embaixador norte-coreano na ONU, Pak Tok Hun, qualificou o Conselho de Segurança como “não democrático", por perseguir seu país e permitir que outras nações realizem lançamentos de satélite.

OBAMA IMPÕE OFENSIVA DIPLOMÁTICA, ECONÔMICA E MILITAR
CONTRA A CORÉIA DO NORTE

A tentativa de Washington de impor mais sanções a Pyongyang através do Conselho de Segurança da ONU (CS) está em curso. Durante a reunião, convocada em caráter de emergência horas depois do lançamento, a embaixadora norte-americana, Susan Rices, afirmou que a Coréia do Norte teria violado resolução da ONU que proíbe a realização de testes com armas nucleares e mísseis balísticos.

Como a Rússia deseja ser a interlocutora privilegiada, junto com a China, no disciplinamento da Coréia do Norte, optou por vetar temporariamente a sanha os EUA e convidou os EUA a abrir novas negociações com Kim Jong-Il. “Não tem sentido essa sessão convocada pelo Conselho de Segurança. O lançamento da Coréia do Norte não é uma violação das resoluções em relação a esse país, e não podemos usar a força nos organismos internacionais para resolver diferenças de opinião em relação aos modelos políticos e econômicos aplicados por diferentes países", sublinhou Konstantin Kosa-chev, presidente do Comitê Parlamentar russo de Relações Internacionais. O chanceler Serguei Lavrov defendeu em encontro com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que é necessário aprofundar o processo de negociação na região asiática. O representante da China, Zhang Yesui, manifestou que era inútil desrespeitar os direitos dos países ao desenvolvimento científico.

O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, afirmou que os EUA contam com a capacidade de destruir o foguete lançador em vôo, porém funcionários do Departamento de Defesa disseram que, por enquanto, Obama não escolheu esse caminho. Washington pretende aumentar as pressões diplomáticas sobre Pyongyang, provocando o bloqueio econômico por meio de restrições internacionais financeiras e comerciais em punição ao lançamento. Uma semana depois do lançamento norte-coreano, Obama declarou na Turquia que “é o momento de dar uma resposta internacional forte. A Coréia do Norte deve saber que o caminho da segurança e do respeito não se fará mediante ameaças e armas ilegais” (Sítio Rebelión, 08/04).

A Coréia do Norte havia advertido que responderia militarmente a qualquer ação para interceptar o satélite artificial. Uma declaração do Estado Maior Geral do Exército Popular da Coréia (EPC) foi diretamente dirigida às forças do Japão estacionadas na área em frente à costa norte-coreana, bem como dos Estados Unidos e Coréia do Sul. Esses três países têm coordenado suas respectivas posições com respeito ao satélite, qualificando o lançamento de “ameaça e uma provocação".

O Estado Maior Geral do EPC critica em particular o Japão. Considera que foi o país quem pior se portou em relação ao lançamento do satélite experimental de comunicações Kwangmyongsong-2. “Diante desta grave situação, o Estado Maior Geral declarou solenemente que, se Japão interceptar o satélite, o EPC abrirá um fogo implacável contra os meios interceptores, bem como contra outros alvos importantes", prossegue o documento emitido pelo EPC. A declaração aconselha os Estados Unidos a evacuar suas forças. Também advertiu a Coréia do Sul, para que não procure realizar ações que impedissem o lançamento do satélite.

UMA HISTÓRIA DE PROVOCAÇÕES CONTRA-REVOLUCIONÁRIAS ORQUESTRADAS PELOS EUA

O Estado operário norte-coreano é produto de um longo combate iniciado por volta de 1900, contra o domínio e a ocupação japonesa na região. Na década de 30, Kim Il Sung inicia a luta contra a invasão japonesa. Em 1945, um acordo feito pela URSS, EUA e Grã-Bretanha divide a Coréia em duas, quando foi criada a República Popular Democrática da Coréia. Em 1950 começa a guerra de libertação, visando expulsar da península os EUA e levar a cabo a unificação do país. A reação do imperialismo ianque foi brutal. A Coréia do Norte foi devastada pela guerra, que durou de 1950 a 1953, com três milhões de coreanos mortos. Desde então, travou uma dura luta para reconstruir a infra-estrutura do país. Mesmo submetida a um selvagem bloqueio econômico e a uma divisão artificial, o Estado operário conseguiu criar emprego e habitação para toda a população, com educação e saúde gratuitas.

No final de 2002 o imperialismo ianque intensificou sua política de embargo à Coréia do Norte, sobretudo, no setor energético e de comunicações. Numa reunião do Conselho de Segurança Nacional norte-americano, Bush tomou a decisão de que os embarques de óleo cru para o Estado operário norte-coreano cessariam a partir de dezembro do mesmo ano, posição que contou com o alinhamento dos governos títeres da Coréia do Sul e Japão ao referendá-la durante a reunião do KEDO (Korean Península Energy Development Organization), consórcio multinacional composto pelos EUA, UE, Coréia do Sul, Japão, Canadá, Austrália, Argentina, Uzbequistão, etc. responsável pela construção dos reatores de água leve na Coréia do Norte.

Essa criminosa política de provocar o estrangulamento energético da Coréia do Norte com a suspensão do fornecimento de óleo cru que alimenta as termelétricas no período do inverno, durante o qual os lagos congelam e as hidrelétricas perdem sua capacidade de produzir energia, é uma forma de desestabilizar o regime, provocando uma crise social com o genocídio da população submetida ao rigoroso inverno com temperaturas de 15 graus negativos. Soma-se a isso, a sabotagem do KEDO que não entregou os reatores necessários a produção de energia à Coréia do Norte em 2003, por orientação direta do imperialismo ianque. Recentemente, ainda na administração Bush, a Casa Branca exigiu a implosão de um reator nuclear em troca de ajuda econômica, no que foi atendida pela burocracia stalinista, em prova de capitulação vergonhosa ao imperialismo ianque, através de um acordo negociado pela China e Rússia.

Agora, como está claro, os EUA e seus satélites mentem descaradamente acerca do projeto nuclear norte-coreano que, segundo eles estaria voltado exclusivamente à indústria bélica. Na verdade, o desenvolvimento dos programas de energia nuclear e comunicação na Coréia do Norte é uma necessidade de obtenção de uma alternativa de fonte energética e de monitoramento climático-militar diante do brutal bloqueio a que o país está submetido, tecnologia fundamental para possibilitar que Estado possa desenvolver projetos nesse setor com condições de enfrentar os períodos de adversidade climática, marcado também por secas e inundações.

Nesse sentido, esta estrutura de energia atômica legitimamente desenvolvida também pode e deve ser utilizada pelo Estado operário norte-coreano para se defender das ameaças do imperialismo norte-americano através de seu enclave, a Coréia do Sul e do Japão, onde os EUA mantém bases militares desde o final da Segunda Guerra Mundial.

A cruzada política, econômica e militar contra o Estado operário norte-coreano foi retomada após o 11 de setembro de 2001, quando o país foi incluído pelo Pentágono no chamado “eixo do mal", ao lado do Iraque e Irã. Não por acaso, em 2006 a ONU vem eleger como seu novo secretário geral, o sul-coreano Ban Ki-Moon, quem prometeu “atitudes mais enérgicas” deste covil de bandidos imperialistas, recrudescendo a ofensiva contra alvos estratégicos na Ásia como, neste momento, a Coréia do Norte, e posteriormente, contra a China.

Um pequeno Estado operário armado com bomba atômica provoca um profundo ódio de classe na burguesia mundial. Por isso, os EUA querem aprovar na ONU novas sanções draconianas à Coréia do Norte (eliminação de seu arsenal nuclear, impedimento de lançamento de satélites, proibição de entrada e saída de materiais que podem beneficiar o urânio, controle de portos, rodovias etc.). Contra tais medidas, encaradas por Pyongyang como uma declaração de guerra, o regime stalinista anunciou que irá fazer novos testes em curto período de tempo, em uma espécie de barganha com os EUA para negociar concessões em melhores condições.

POR UMA CORÉIA UNIFICADA SOBRE BASES SOCIALISTAS! PELA DERROTA E EXPULSÃO DO IMPERIALISMO DA PENÍNSULA COREANA

O Estado operário norte-coreano tem defendido seu direito a lançar ao espaço um satélite via foguete de longo alcance, rechaçando a política dos Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul. “Os EUA utilizam o lançamento do Kwangmyongsong 2 como pretexto para justificar um sistema antimísseis na Ásia. O nosso país não vai abrir mão da sua independência, ainda mais se tratando de um artefato experimental de comunicações já anunciado há mais de um mês e meio", assinalou o Comitê de Tecnologia Espacial (CTEC). “O nosso país tem se desenvolvido em todos os setores e conseguido aplicar a ciência para resolver as necessidades da população porque não se deixa intimidar pelos países imperialistas", acrescentou a organização.

A Coréia do Norte defendeu publicamente o lançamento. Recusou nas últimas semanas as ameaças dos Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul de promover sua penalização no Conselho de Segurança da ONU e também de aplicar medidas de represália unilaterais. Pyongyang advertiu que qualquer pronunciamento do organismo internacional implicará a retirada do país das negociações a seis lados e resultará no fim do processo da desnuclearização pactuado sobre pressão da Rússia e da China. Alega que se o tema for levado ao foro internacional, também teriam que ser apresentados a ele todos os outros países que enviaram satélites ao espaço.

Os marxistas revolucionários defendem incondicionalmente a Coréia do Norte e suas conquistas materiais: economia planificada e a propriedade dos meios de produção controlada pelo Estado, o controle do comércio exterior, sistema financeiro estatal, recursos e meios de produção como a indústria e a mineração como propriedade do Estado, fornecimento de energia elétrica subsidiada a toda a população, educação e saúde estatal gratuitas (99% da população norte-coreana esta alfabetizada).

Apesar dos genuínos revolucionários defenderem a necessidade da revolução política para colocar a frente do Estado operário um autêntico partido comunista em oposição à empedernida burocracia stalinista comandada por Kim Jong-Il, lutando pela unificação da Coréia e a expulsão do aparato militar imperialista no sul da península através da revolução social, com a expropriação das empresas capitalistas tipo Hyundai e Samsung, jamais nos somamos à sórdida e criminosa campanha da Casa Branca que sataniza o regime político da Coréia do Norte para, fragilizando o Estado operário, incrementar a sua ofensiva com o objetivo de restaurar o capitalismo no norte da península coreana.

Como herdeiros das lições deixadas por Leon Trotsky, nos opomos frontalmente à frente política contra-revolucionária comandada por Obama para estrangular um Estado operário burocratizado, vergonhosamente integrada pela maioria das correntes da chamada esquerda reformista mundial, as quais, não por acaso, estiveram lado a lado com o imperialismo na defesa da queda da URSS e do Muro de Berlim em nome do combate à “ditadura totalitária stalinista". Com o fim da URSS e a perda dos parceiros comerciais do Leste europeu a Coréia do Norte viu sua economia contrair-se em 30% nos cinco anos que se seguiram a 1991.

A melhor forma de defender as massas norte-coreanas e suas conquistas, preparando as bases da revolução política, é estabelecer uma frente única militar com o Estado operário ameaçado, chamando o proletariado a se mobilizar em todo o mundo contra o bloqueio e as sanções orquestradas por Obama, assim como em defesa do legítimo direito de defesa da Coréia do Norte, inclusive utilizando seu arsenal bélico nuclear para se opor as provocações imperialistas.


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