EDITORIAL
Uma forte inclinação à direita do O cenário político deste trimestre aponta para uma aguda inflexão à direita do regime, tendo como centro o processo de completa “refenização” do governo Lula por parte dos setores mais reacionários e obscuros da burguesia nacional. A entrega do controle do parlamento a máfia do PMDB e a subordinação do governo ao presidente do STF, quadrilheiro Gilmar Mendes, são apenas a ponta do iceberg da vereda que a frente popular procura imprimir na próxima etapa da luta de classes. A consolidação de um projeto de poder de longo prazo da centro-esquerda burguesa em todo a América Latina, vem alimentando no interior do PT a compreensão que sua viabilidade no Brasil está diretamente ligada à capacidade de ampliar ao máximo o núcleo de poder estatal, reduzindo a inserção da oposição demo-tucana a setores ultra-marginais das classes dominantes. Esta delicada operação política cobrará um alto custo às próprias pretensões dos petistas históricos e ainda vinculados aos movimentos sociais. Na esteira da nova ofensiva mundial imperialista, desencadeada a partir do crash financeiro em 2008, o governo Lula deixa de mãos livres a direita recomposta sob sua proteção, para investir contra o movimento camponês, refugiados políticos e organizações de esquerda. Na outra ponta a patronal, com a cobertura de seus agentes sindicais, inicia uma onda de demissões tentando já criar uma atmosfera política de retirada de direitos e conquistas, sob a justificativa da crise econômica. O encontro de Lula e Obama em Washington selou uma profunda identidade de estratégias, além de avalizar as intenções da frente popular em prosseguir no seu curso estatal, seguindo a receita monetarista e de subsídios à bancarrota da burguesia cassineira. Acuados pela hegemonia lulista, a “oposição conservadora” assiste passiva ao crescimento da candidatura oficialista da ministra Dilma Roussef à presidência da República. A cúpula tucana sequer consegue ter a unidade necessária para lançar o nome do partido para 2010. Já a chamada “oposição de esquerda” vê a cada dia decrescer a influência da ex-senadora Heloísa Helena, mais dedicada no momento a tentar colar a imagem de “herói nacional” no reacionário delegado Protógenes, órfão da burlesca operação Satiagraha. Como balizador do “projeto Dilma” o PMDB e o conjunto de suas alas mafiosas vai abocanhando o botim estatal, sob o silêncio da chamada opinião pública, além de neutralizar as tendências mais a “esquerda” da frente popular. Mas a senha para se decifrar a razão fundamental da forte inclinação à direita do regime político é a ausência de uma resposta conseqüente do conjunto do movimento de massas à ofensiva burguesa ora em curso. Quando a quase totalidade das correntes de esquerda se encontra atada à orientação de colaboração de classes, a patronal sente-se completamente a vontade para desferir duros golpes contra o proletariado, seja no campo econômico ou político. Frente à onda de demissões, a esquerda revisionista repete a velha política de exigências ao governo Lula, como se este estivesse em seu primeiro ano de mandato, depositando as energias revolucionárias da classe em lobby institucional absolutamente inócuo e descolado de um plano nacional de mobilizações, como greves e ocupações das fábricas que demitam seus operários. Lula diante de tantas “demandas” sindicais (proíba as demissões!) atua como bonaparte em favor dos grandes monopólios e ainda consegue passar incólume graças à política suicida e traidora das direções revisionistas. A paralisia do movimento operário vem concedendo uma extraordinária margem de manobra à burguesia que, mesmo diante da profunda crise estrutural do capitalismo, consegue manter a plena estabilidade do regime e ainda encontra espaço político suficiente para aprofundar seu giro fascistizante, sem encontrar a menor resistência da esquerda reformista. Apoiando-se nas tendências da conjuntura internacional, Lula consolida seu modelo de gestão estatal, passando-a a exportá-lo como exemplo de contenção da luta de classes diante do momento delicado para os planos globais de dominação imperialista. Caracterizar corretamente a atual correlação de forças entre as classes, longe de ser um sinal de desânimo para o proletariado significa redobrar sem ilusões os esforços para a reversão do quadro e preparar uma resposta ofensiva aos ataques patronais. O primeiro passo é saber quem são os aliados e inimigos da classe operária para esta empreitada. No campo dos adversários é preciso ter absoluta clareza que se encontram o governo da frente popular e toda a sua base de sustentação, a velha direita corrupta e decrépita agora travestida de “democrática”, os velhos e novos pelegos traidores agrupados nas centrais chapa branca, além dos revisionistas eleitoreiros do PSOL e sua autodenominada “oposição de esquerda”. Na trincheira dos aliados, a classe operária deve buscar a mais ampla unidade para a ação direta, ou seja, o campesinato, os estudantes, a população marginalizada das favelas e guetos, são as forças sociais para sedimentar a unidade das massas sob a orientação de um autêntico programa revolucionário. Somente com a unidade pela base, passando por cima dos velhos aparelhos contra-revolucionários, o proletariado poderá desmantelar a ofensiva reacionária da burguesia e preparar as condições políticas para sua vitória histórica, a instauração da ditadura do proletariado e o socialismo em escala mundial. ![]() ![]() ![]() |