Após o massacre em Gaza, eleições fortalecem regime nazi-sionista para desencadear nova ofensiva ianque no Oriente Médio

O massacre de Gaza debilitou ou fortaleceu o regime nazi-sionista? Quais as conseqüências da ação israelense em Gaza para os objetivos imperialistas no Oriente Médio e para a ofensiva capitaneada agora por Obama sobre os povos oprimidos?

Em 22 dias Israel bombardeou e ocupou Gaza com armas de destruição jamais utilizadas por qualquer ação militar na história. Não bastasse o horror causado pelo fósforo branco que penetra na pele e queima com calor intenso até os ossos das vítimas e do urânio empobrecido que apodrece o corpo através de radiação, já usados contra o Hizbollah e a resistência iraquiana, novas armas também foram testadas no ataque a Gaza. O explosivo de metal inerte de alta densidade (DIME, sigla em inglês), desenvolvido pelas FFAA dos EUA, como toneladas de outros armamentos fornecidos ao enclave sionista, é feito com tungstênio. Muitos dos que sobrevivem à explosão instantânea do bombardeio inicial falecem rapidamente por septcemia e colapso dos órgãos como ocorreu com a modelo brasileira Mariana Bridi. Em Gaza, 1.330 palestinos (400 crianças e mais de 200 mulheres) foram mortos e seis mil ficaram feridos por este tipo de ataque cujas seqüelas os corroerão nos próximos dias e meses. Os que foram contaminados por tungstênio e sobreviveram à septcemia tendem a desenvolver um câncer mortífero conhecido como rabdomiosarcoma que se aloja no tecido e ainda não possui qualquer tratamento. Ao constatar a existência de ferimentos incomuns e danos expandidos em seus pacientes em Gaza, o renomado médico norueguês Mad Gilbert, declarou que “existem fortes suspeitas de que Gaza está sendo usada agora para laboratório de provas para novas armas” (Alternet, 16/02/2009).

Os palestinos estão sendo vítimas em massa de monstruosas experiências da indústria da guerra para fortalecer a máquina mortífera do novo Reich. A cada nova revelação das dimensões desta tragédia humana, o massacre de Gaza assume no século XXI a envergadura que a seu momento tiveram Guernica, Stalingrado e Auschwitz.

Escolas, mesquitas, hospitais, universidades, nada foi poupado e até os edifícios e funcionários da ONU foram propositadamente bombardeados para demonstrar que não pode haver limites de ordenamento internacional e muito menos morais para que o terrorismo nazi-sionista alcance seus objetivos.

O REGIME NAZI-SIONISTA SE FORTALECE ANTES DAS BATALHAS ESTRATÉGICAS PARA ‘REDESENHAR O MAPA DO ORIENTE MÉDIO’

O objetivo da operação foi fechar a fase de revezes políticos e militares, revertendo à correlação de forças aberta em 2006 com a vitória eleitoral do Hamas sobre a colaboracionista Fatah em Gaza e a derrota militar histórica de Israel para o Hizbollah, no Líbano, para estabelecer as bases da nova ofensiva imperialista capitaneada por Obama. A primeira carnificina da era Obama apontou que o novo mandatário não será uma mera continuidade da recolonização de Bush, buscará aprofundar a ofensiva contra os povos oprimidos para fazê-los arcar com a fraudulenta crise econômica mundial, estimulada pelo grande capital que acentua a concentração financeira e desenvolverá de sobremaneira a indústria armamentista. Daí o teste com novas armas. Tudo indica que o que ocorreu em Gaza seja o ensaio de algo ainda mais sinistro que vem sendo preparado pelo imperialismo ianque para levar adiante seu plano de “redesenhar o mapa político do Oriente Médio” a partir de onde Bush não conseguiu avançar. Homens da inteligentsia ianque já adiantam o que vem por aí, “a incorporação de Gaza ao Egito e da Cisjordânia a Jordânia” como propôs o ex-embaixador dos EUA na ONU, John Bolton em um artigo cínico em que propunha a resolução do problema palestino através de “três Estados” ao Washington Post em 23 de janeiro.

Para esta missão seria necessário primeiramente substituir o frágil governo israelense, que dede o fiasco da segunda guerra do Líbano ingressou em crise permanente, por uma nova coalizão, mais belicosa, que atacasse primeiro para depois abrir negociações mais favoráveis ao imperialismo.

A ação militar foi executada pelos dois principais partidos da coalizão governista. O Kadima do moribundo primeiro ministro Ehuld Olmert e da chanceler Tzipi Livni e, pelo Trabalhista, liderados por Ehud Barak, ministro da Defesa. No entanto, ao assumirem na prática o eixo político belicoso da extrema direita sionista, não fizeram mais do que abrir o caminho para a mesma melhor representada pelo Likud de Benjamin Netanyahu e pelo Israel Beytenu (IB, “Nossa Casa é Israel”).

Nas eleições para o Knesset de 10 de fevereiro, o Kadima perdeu uma cadeira em relação à legislatura anterior, ficando com 28 parlamentares. O Likud saltou de 12 para 27, um dado consistente do giro à direita da sociedade israelense. O IB subiu de 11 para 15, convertendo-se em terceiro maior partido. O Trabalhismo despencou de 19 para 13 parlamentares. Sua pior votação na história, que vem provocando o questionamento entre analistas políticos de por que este partido não se extingue ou se funde logo com o Kadima. Na verdade, como o nazi-sionismo é a destilação quimicamente pura da ideologia imperialista aplicada à recolonização do Oriente Médio, os partidos deste regime possuem concepções e mais ainda atuação política e militar muito pouco distinguíveis. Por exemplo, definir o carniceiro Partido Trabalhista israelense com a imprecisa caracterização como “de esquerda” não faz mais do que induzir a um erro, identificando fascismo com reformismo. No entanto, é inegável que identifique na esteira do massacre um recrudescimento ainda maior do próprio regime fascista.

O NOVO GOVERNO ISRAELENSE SERÁ UM ARÍETE A SERVIÇO DE OBAMA PARA DOBRAR A RESISTÊNCIA PALESTINA

De fato, o Israel Beytenu, que ficou em terceiro lugar, é o grande vitorioso das eleições. Foi formado por falangistas neonazistas do antigo Kach, uma seita religiosa sionista fundada nos EUA. Depois de posto na ilegalidade por ter organizado o assassinato de Yitzhac Rabin em 1995 “por sua traição em consumar os acordos de Oslo com Arafat”, os membros do Kach ingressaram no Likud para logo romper, acusando Netanyahu de moderado com os palestinos. Durante sua campanha, o IB defendeu a execução dos candidatos árabes israelenses e que se jogassem os presos palestinos no Mar Morto. Avigdor Lieberman é o dirigente do novo fenômeno da reação e quem possui a chave para a formação do novo governo nazista. “Menachem Hofnung, professor de ciências políticas da Universidade Judaica, disse que ‘será Lieberman quem formará a próxima coalizão. Lieberman saiu dessas eleições como o fiel da balança. Ele é o verdadeiro vencedor desta eleição, e quem conseguir seu apoio nas próximas duas semanas será escolhido como primeiro-ministro’”. (Brasil de Fato, 11/02).

Netanyahu conseguiu, mas Lieberman condicionou seu apoio à conformação de uma ampla coalizão que comprometa o Kadima com a estabilidade do novo governo, embora o Likud e seus aliados como o IB e o ultraortodoxo Shas já possuam mais do que a quantidade de cadeiras necessárias (61) para montar o governo das 120 existentes no Knesset. Seja como for, o novo governo israelense será um aríete utilizado pela diplomacia de Obama para chantagear e dobrar a resistência palestina e árabe. O regime foi recomposto com suas reservas mais reacionárias para as batalhas estratégicas contra a Síria e o Irã enquanto acossa o Hamas para ceder terreno ao colaboracionista Fatah. Neste sentido, no dia 18 de fevereiro uma “comissão parlamentar de alto nível” presidida pelo ex-candidato presidencial democrata John Kerry visitou Gaza arrasada para concluir que a culpa da tragédia tinha sido inteiramente do Hamas por provocar a ira de Israel ao disparar foguetes para o outro lado da fronteira.

O ISOLAMENTO DO HAMAS E A NOVA ONDA MUNDIAL XENÓFOBA
ANTIMUÇULMANA

Outro elemento que atesta a trágica derrota palestina foi o isolamento completo da resistência que corroborou com o cerco israelense. Não falamos da União Européia, Rússia ou China que costuraram um cessar fogo ao gosto de Tel Aviv, ou dos governos árabes serviçais dos EUA como o Egito, a Arábia Saudita e a Jordânia ou da Turquia, maior aliado muçulmano de Israel da qual o premiê, Tayyip Erdogan, encenou um desentendimento com o presidente israelense, Shimon Peres, no Fórum de Davos para reverter a sua queda de popularidade em Ankara. Também não falamos das burguesias latino-americanas que como Lula limitaram-se a criticar a “desproporção das forças” sionistas ou de Chávez e Evo que no máximo fizeram gestos diplomáticos e midiáticos para consolo dos fãs bolivarianos. Nos referimos aos próximos alvos imediatos que serão a “bola da vez” após o massacre de Gaza. Os covardes governos do Irã e Síria que esperaram quase em silêncio que os nazistas do século XXI e praticamente deram as costas aos lutadores palestinos que poderiam ter sofrido muito menos se contassem com a ajuda militar de poderosas máquinas estatais e exércitos a seu lado.

Para quem não se lembra, as hostilidades que desataram a segunda guerra do Líbano nasceram quando em resposta aos ataques sionistas sobre Gaza, o Hizbollah iniciou o lançamento de foguetes em direção a Israel. Desta vez, Nashallah disciplinou seus milicianos e combateu qualquer possibilidade de solidariedade ativa com os palestinos. Por trás de um vazio apoio moral e de tímidas palavras contra o massacre, a direção xiita, patrocinada pelas burguesias iraniana e síria, abraçou o cretinismo parlamentar tendo em vista as eleições libanesas de sete de junho.

Alguns incautos argumentam que Israel perdeu porque não alcançou nenhum de seus objetivos, ou seja, o aniquilamento do Hamas ou de sua capacidade de lançar foguetes. Para além dos arroubos de campanha, não era objetivo do sionismo a destruição completa do Hamas e nem sequer diminuir o lançamento de foguetes, inócuos tanto do ponto de vista balístico quanto pela enorme superioridade militar do gendarme artificial. Por sua vez, o Hamas, em que pese ter resistido heroicamente ao cerco fatal, não armou ao conjunto da população de Gaza contra o invasor para transformar a resistência em uma terceira Intifada que em vez de pedras estivesse equipada com balas, rifles e metralhadoras, nem convocou ao conjunto das massas oprimidas da região a iniciar uma grande conflagração antiimperialista, temendo mais uma insurreição palestina, que uma vez vitoriosa sobre o sionismo questionasse seu controle teocrático burguês sobre o mega-campo de concentração, que ao próprio inimigo nazi-sionista.

Por fim, no plano internacional o massacre desencadeou uma nova onda antimuçulmana. Em sua primeira decisão real como comandante em chefe das FFAA ianques (o fechamento da prisão de Guantánamo não passa de uma promessa incerta para daqui a um ano) Obama autorizou o aumento de 17 mil soldados no Afeganistão, elevando em 40% o contingente ianque no país islâmico. Para ampliar seu exército invasor, Obama cumprirá de maneira enganosa uma promessa de campanha, dar cidadania estadunidense aos imigrantes latinos que ingressarem nas FFAA ianques, recorrendo a uma medida do império romano, alforriar escravos que se alistarem para o exército e os que sobreviessem na arena do Coliseu. O imigrante terá o “Green card” na condição de virar bucha de canhão no Afeganistão, Iraque ou fazendo o trabalho sujo contra qualquer outro povo agredido pelos EUA.

Já na Itália do fascista empavonado Berlusconi, em fevereiro, o senado aprovou uma emenda que obriga os médicos a denunciar perante um juiz aos imigrantes ilegais que atenderem nos centros de saúde, abolindo o princípio internacional da confidencialidade.

Na mesma linha, segundo a edição de 18 de fevereiro do jornal The Guardian, o governo britânico instituirá em março uma nova lei para isolar os muçulmanos britânicos do resto da população inglesa. A nova iniciativa é uma tentativa de legalizar a expulsão dos muçulmanos britânicos da Grã-Bretanha. De acordo com o diário, a lei enquadrará como “extremista”, passivo de sofrer um apartheid aqueles que não condenarem o assassinato de soldados britânicos no Iraque ou no Afeganistão ou advogar a resistência armada em qualquer lugar no mundo, incluindo a resistência guerrilheira palestina contra o exército de Israel.

Diante desta nova onda reacionária anti-árabe irradiada pela vitória sionista em Gaza é preciso opor um claro programa classista e revolucionário. O triunfalismo como apregoa a LIT “a destruição de Israel está mais próxima” (declaração da LIT no site do PSTU, 23/01) ou a ilusão em uma solução para a questão como o estabelecimento de “uma palestina laica democrática e não racista” nos marcos burgueses só fazem jogar terra nos olhos das massas oprimidas, distanciando-as das tarefas necessárias para a conquista de suas aspirações nacionais. As burguesias árabes laicas ou teocráticas traíram historicamente a causa palestina e apenas os métodos da revolução permanente, unindo as tarefas da revolução burguesa com as da revolução socialista poderiam abrir o caminho para a libertação dos povos do oriente médio da milenar opressão das classes dominantes ocidentais e de seus sócios nativos. Para conter a ofensiva recolonizadora e tornar efetivamente mais próxima a destruição de Israel é preciso construir um partido revolucionário trotskista mundial que combine a luta pela expulsão do imperialismo e vitória militar dos grupos guerrilheiros de resistência com uma estratégia por uma Palestina soviética de conselhos operários árabes, palestinos e hebreus nos marcos da luta por uma Federação das Republicas Socialistas do Oriente Médio.


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