Ataque a Gaza e a esquerda: derrota ou vitória sionista?

O governo nazi-sionista aponta para o aumento da pressão sobre os palestinos para naturalizar a condição de campo-de-concentração de suas cidades, extinguindo definitivamente a unidade territorial entre Gaza e a Cisjordânia. A renúncia de uma estratégia revolucionária contra o sionismo conduziu amplos setores da esquerda mundial à prostração e impotência que favorecem a ofensiva imperialista. Tapando o sol com a peneira para encobrir seu pacifismo cúmplice que não vai além de frases piedosas para com os martirizados palestinos, formou-se um consenso mundial enganador entre os reformistas de que Israel e o imperialismo haviam saído derrotados, apesar da vitória militar, da recomposição política do gabinete israelense e da fragilização do Hamas e de toda infra-estrutura vital em Gaza.

Para o PSOL, por exemplo, “o estado israelense sofreu uma derrota moral” e “O massacre sionista questionou globalmente a política de Israel” (Depois do massacre em Gaza, sítio do PSOL, 21/01/2009). Nada mais falso. Na II Guerra, as piores atrocidades nazistas só aumentaram o domínio de Hitler e não foram os clamores piedosos nem uma condenação moral, mas a ação decisiva do exército do Estado operário soviético o que derrotou o nazismo. Para o PO argentino “depois desta guerra o regime sionista está condenado”. (Balanço da guerra, entrevista com Jorge Altamira, sítio do PO, 20/01). Lamentavelmente, deste massacre, o proletariado palestino, árabe e também hebreu saiu em condições mais desfavoráveis e desorganizadas para combater Israel, sendo este setor social da região os único que pode condenar de maneira conseqüente ao enclave sionista. O MAS argentino fala em “bancarrota da legitimidade do Estado de Israel” (SoB 143, 20/01). É risível a evocação do MAS à suposta perda de legitimidade do Estado artificial, acreditando em um giro anti-sionista na chamada opinião pública mundial – dominada pela mídia controlada pelo lobby sionista – quando o grande vitorioso das eleições, o partido Israel Beytenu (IB), reafirmou abertamente e de forma cristalina o caráter racista de Israel, apostando na limpeza étnica como cavalo de batalha para governar a suposta “única democracia do Oriente Médio”. Sem a menor importância política, mas como expressão extremada deste triunfalismo revisionista em pleno delirium tremens, a seita PCO proclama que ao final do ataque houve uma “derrota de Israel, derrota do imperialismo!” (Jornal Causa Operária, 25/01).

Ironicamente os nazi-sionistas Likud e o IB fizeram o mesmo balanço que a esquerda revisionista latino-americana: o cessar fogo unilateral e a retirada das tropas teriam sido uma derrota moral para o exército israelense. Mas o que é uma ofensiva arma de propaganda eleitoral, no caso dos partidos nazi-sionistas, não passa de uma conclusão estúpida dos “socialistas” para desarmar e conformar os lutadores sociais após a carnificina israelense. Desde o princípio ficou evidente que esta foi uma guerra que tinha um prazo pré-estabelecido irrevogável para terminar: a data da posse de Obama, 20 de janeiro. E assim aconteceu, como prova inconteste de que todo o massacre foi tramado em comum acordo entre o império e seu enclave para limpar o terreno da ofensiva futura no Oriente Médio.

Um dos elementos fundamentais para determinar se o massacre de Gaza foi progressivo ou não para a causa do proletariado, ou seja, se foi uma derrota ou uma vitória imperialista é compará-lo com a segunda guerra do Líbano (2006), esta sim uma vitória militar dos povos oprimidos, que fragilizou o staff sionista até o recente massacre a Gaza.

Ehuld Olmert fez sua ascensão política como um dos líderes mais promissores para a estratégia israelense. Foi primeiro prefeito de Jerusalém pelo Likud. Arquitetou a provocação em Al Aqsa que levou Ariel Sharon ao poder e deu início a uma ofensiva que foi momentaneamente freada com a II Intifada palestina (2000). Era o braço direito do carniceiro Sharon e foi o primeiro a segui-lo quando este rompeu com o Likud para fundar o Kadima em 2005. A morte de Sharon abriu o caminho para Olmert tornar-se o dirigente do Kadima e logo o primeiro-ministro do enclave no ano seguinte. Em seu primeiro discurso oficial anunciou: “Estamos firmemente pelo direito histórico do povo de Israel a toda Terra de Israel.” (Conferencia de Herzliya, 24/01/2006). Mas todas suas ambições caíram por terra após a humilhante derrota para o Hezbollah. O primeiro fracasso da máquina assassina israelense em seus 60 anos de guerra quase permanente pelos interesses imperialistas no Oriente Médio resultou no início do declínio da ofensiva de Bush, fortalecendo a resistência iraquiana e reanimando a afegã. Da mesma forma, todos os planos de Olmert e do Kadima pareciam estar arruinados depois do desastre de sua aventura no Líbano. O antes promissor premiê e seu partido foram brutalmente desmoralizados, apareceram denúncias de corrupção e crises generalizadas nas Forças Armadas a ponto de, em 2007, formar-se uma comissão judicial que responsabilizou Olmert e ao alto comando da Defesa israelense composto pelos trabalhistas pelo resultado humilhante da aventura militar.

A crise de governabilidade do Estado artificial precisava ser encerrada com uma nova guerra que reafirmasse seu papel histórico de algoz dos povos oprimidos a serviço da recolonização imperialista. Produziu-se então o ataque a Gaza e, como seu subproduto, a eleição de Netahianhu, expressões do recrudescimento da ofensiva nazi-sionista no Oriente Médio.


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