GENOCÍDIO NO ORIENTE MÉDIO

Obama: cúmplice ou protagonista do massacre sionista contra o povo palestino?

Muito se tem escrito sobre o suposto “silêncio” do presidente eleito dos EUA, Barak Obama frente ao massacre sionista perpetrado na Palestina. Para reforçar tal idéia distracionista o próprio Obama já declarou que “O presidente Bush responde pelos Estados Unidos até 20 de janeiro e nós respeitamos isso” enquanto seus assessores afirmam que “há apenas um presidente de cada vez”.

A claque obamista comodamente recorre a tal farsa para preservar o novo chefe do imperialismo da responsabilidade direta pelo genocídio que está ocorrendo na Faixa de Gaza. Afinal de contas o acordo entre Bush, Obama e os nazi-sionistas é de que a ação terrorista do enclave de Israel se prolongue, no máximo, até a véspera da posse de Obama para que este entre em cena como o “artífice” de uma trégua... baseada na paz dos cemitérios, sobre as ruínas da Gaza, o cadáver de quase 1000 palestinos, sendo mais de ¼ crianças e o máximo debilitamento militar e político do Hamas.

A chamada intelectualidade pequeno-burguesa que apresentou Obama como paladino da “mudança” e sua eleição como um fato histórico que representaria um freio na ofensiva belicista contra os povos orquestrada por Bush se limita a criticar o “silêncio” do democrata, no máximo denunciando-o como “cúmplice” do massacre. O escritor português José Saramago sintetizou bem tal posição ao escrever o artigo “Obama: cumplicidade no crime”, em que adverte o novo presidente ianque em tom indignado, na qualidade de um apoiador traído: “Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a ‘relação especial’ que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta”.

Entre essa “gente” que nutre expectativas em Obama e se sente frustrada pela sua “cumplicidade” com o massacre sionista, estão tragicamente grupos revisionistas do trotskismo como o PSTU brasileiro e o PO argentino.

Esses dois partidos, além de reproduzirem sem qualquer ressalva o artigo de Saramago em seus sítios e jornais, compartilhando assim do mesmo sentimento de desapontamento do escritor português com Obama, também trataram de “denunciar” o “silêncio” do novo chefe do imperialismo mundial, como se ele tivesse se comprometido a abrir a boca para declarar algum tipo de solidariedade aos palestinos ou reprovar a ação israelense.

O PSTU foi direto. Lançando mão de sua surrada política de “exigências e denúncias” em um artigo sintomaticamente intitulado “O silêncio de Obama”, o partido-mãe da LIT reclama: “O presidente Obama já é bem diferente do candidato Obama. O candidato afirmava que atuaria desde o primeiro minuto para encerrar os conflitos palestino-israelenses, mas o presidente mantém-se em silêncio” (PSTU – Especial Palestina).

Já o PO argentino tratou de “teorizar” a mesma posição que minimiza a responsabilidade de Obama. O Prensa Obrera 1068 (18/12) anuncia: “Crise política antes de chegar a Casa Branca - Vazio no coração do governo”, alertando que “A ‘transição’ entre um presidente constitucionalmente no cargo, tragado pelo ‘vazio de poder’, e um presidente eleito que começa a perder sua autoridade antes de jurar, está em crise”. Segundo a risível “análise”, elaborada justamente no momento em que os EUA acionavam Israel para massacrar o povo palestino com objetivo de impor em melhores condições sua política de controle sobre a região, recrudescendo a ofensiva política e militar imperialista na Palestina, a Casa Branca estaria mergulhada em uma crise que a paralisa em meio a um descomunal “vazio de poder”. Não por acaso esses senhores anunciam “uma rebelião mundial” (PO 1067) quando o imperialismo ianque responde à crise financeira que enfrenta com o aprofundamento do ataque às conquistas operárias e o recrudescimento de sua sanha belicista contra os povos e nações oprimidas.

Tamanha miopia política é produto de uma envergonhada política de conselhos a Obama, que acaba por nutrir ilusões no novo presidente ianque. A ofensiva militar na Palestina foi traçada em comum acordo entre Obama, Bush e os sionistas. O enclave de Israel, uma máquina de guerra instalada artificialmente no coração do Oriente Médio, só iniciou o ataque no dia 27 de dezembro depois de um rigoroso planejamento em comum com o Pentágono, a CIA e o alto-comando militar ianque, os verdadeiros chefes das forças nazi-sionistas, inclusive do Mossad. Isto significa dizer que quem deu a ordem para o massacre foi Obama que já comanda de fato a política norte-americana, tanto na área econômica, como militar e diplomática. Obama é tão responsável pela ação genocida como os principais membros do gabinete israelense,  Ehud Barak e Tzipi Livni  e não apenas um mero cúmplice como vende a esquerda revisioinista.

Para provar o papel ativo de Obama nesta ofensiva em curso basta dizer que ele manteve o general Robert Gates como Secretário de Defesa, ex-diretor da CIA e defensor entusiasta da invasão do Iraque, como responsável pela política militar do novo governo. Dizer que Obama, um dos principais patrocinadores do genocídio em Gaza, protagonista do massacre perpetrado pelos sionistas na Palestina é apenas um cúmplice, criticando-lhe simploriamente pelo suposto silêncio, é no mínimo, isso sim, ser cúmplice ativo da farsa montada pela claque obamista e a intelectualidade pequeno-burguesa voltada a fabricar uma aura “progressista” para o novo chefe do imperialismo mundial. De fato, PSTU e PO parecem, por sua extrema miopia política, serem fãs incondicionais das posições políticas de Saramago, não por coincidência autor do romance “Ensaio sobre a cegueira”!!!

Não bastassem serem cegas, essas correntes são surdas! O alegado “silêncio” de Obama só existe no mundo criado por esses filisteus pseudotrotskistas. Basta “ver” o que declarou Obama ainda em campanha. Este já havia vociferado apoio aos ataques de Israel antes mesmo de ser eleito: “Algum país acharia aceitável ver chover mísseis sobre as cabeças de seus cidadãos? (...) seria reticente em negociar com um grupo que não representa um Estado, que não reconheceria nosso direito de existir, que utiliza o terror como arma e que está profundamente influenciado por outros países” (The New York Times, junho/08). Logo depois afirmou: “Eu nunca farei concessões no que diz respeito à segurança israelense. Não quando ainda há vozes que negam o Holocausto, não enquanto terroristas seguem comprometidos com a destruição de Israel”. Não bastasse isso, Obama criticou Bush por... ser conivente com a eleição do Hamas: “Foi por isso que eu me opus às eleições palestinas de 2006 com o Hamas na cédula eleitoral. Israel e a Autoridade Palestina nos advertiram quanto a isso, mas este governo (do presidente americano George W. Bush) levou isso adiante” (Correio da Cidadania, dezembro/08). Como Bush, Obama foi co-patrocinador do ato antiterrorismo palestino de 2006, que conclamava todos os países a evitar contatos com o Hamas. Tudo isso foi novamente declarado em alto e bom som, em Washington, na reunião da AIPAC o mais poderoso lobby judaico dos Estados Unidos.

Já sua Secretária de Estado, Hillary Clinton, responsável por traçar a política externa ianque tem posições ainda mais reacionárias que Obama. A ex-senadora por Nova York declarou: “Sei que o senador compartilha da minha visão de que o próximo presidente tem de dizer ao mundo que a posição americana é imutável. Os Estados Unidos estão ao lado de Israel agora e para sempre”. Hillary tem se demonstrado um falcão de fazer inveja ao próprio Bush. Já se revelou implacável inimiga do Irã, taxando-o de a principal ameaça aos Estados Unidos e Israel. Chegou ao ponto de criticar o atual fascistizante ocupante da Casa Branca, que teria perdido tempo com negociações diplomáticas com o Irã em vez de apelar logo para sanções econômicas e ameaças. Todas as ações de Israel na Palestina vêm sendo aplaudidas pela futura secretária como o muro de Sharon, que corta cidades da Cisjordânia, anexando grandes porções do território árabe. Coerente com seu arqui-sionismo, ela protestou contra a Corte Internacional de Justiça por ter condenado o muro. Na invasão do Líbano, aprovou as ações militares de Tel Aviv apoiando textualmente “o que fosse necessário para defender Israel contra o Hamas, o Hizbollah, o Irã e a Síria”. Hillary na campanha eleitoral chegou a censurar Obama, por ter declarado que, eleito presidente, negociaria com o Irã, a Síria, a Coréia do Norte e a Venezuela. “Irresponsável e ingênuo”, fulminou, pois esses “inimigos” usariam as reuniões para propaganda anti-americana!!! De acordo com dados da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos, nas últimas eleições, Hillary Clinton foi quem recebeu mais financiamentos do lobby de Israel, excedendo por larga margem todos os outros democratas e republicanos.

Depois de escolher Hillary e Gates como secretários, Obama não por acaso disse: “Vamos reforçar nossa capacidade de derrotar nossos inimigos e de apoiar nossos amigos”. Para os marxistas revolucionários, as palavras do novo chefe do imperialismo mundial são claras e sua responsabilidade pelo massacre do povo palestino não pode ser acobertada como o faz a esquerda revisionista. Denunciamos esse inimigo número um dos povos do planeta como protagonista pelo massacre sionista do heróico povo palestino em Gaza. Já para os pseudotrotskistas, Obama não passa de um mero... cúmplice silencioso de Israel! As estrondosas bombas sionistas lançadas sobre a Palestina, financiadas pelos EUA, que deixam diariamente dezenas de mortos, provam que o único “silêncio” que Obama e o imperialismo ianque desejam escutar é o da paz dos cemitérios na Faixa de Gaza. A Saramago, ao PO, PSTU e seus congêneres nos resta avisar: o pior cego é aquele que não quer ver!


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