FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Um encontro de bandidos Desde 2001, data da primeira edição do Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Porto Alegre, já ocorreram seis encontros internacionais do chamado “movimento altermudista”. Este conclave, uma verdadeira Internacional da contra-revolução mundial, reúne um arco bastante vasto de forças políticas de “esquerda” e governos burgueses ditos progressistas e nacionalistas sob o slogan de “Um outro mundo é possível”. Segundo a Carta de Princípios do FSM este é “um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo, e estão empenhadas na construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e destes com a Terra”. Com a vitória da frente popular encabeçada por Lula no Brasil em 2002, antecedida pela ascensão de Chávez à presidência da Venezuela em 1998 e, posteriormente, seguida com a eleição de um cinturão de governos da centro-esquerda burguesa no continente latino-americano (Kirchner, Tabaré, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo), esses setores, que incluem a social-democracia européia, traidores reformistas de vários matizes, a Igreja Católica “engajada” e sindicalistas cooptados ao molde da CUT brasileira, foram sendo paulatinamente desmascarados na medida em que os governos que apóiam e dirigem se mostraram fiéis defensores da ordem capitalista e da manutenção da propriedade privada dos meios de produção. Essas forças são coniventes com a rapina imperialista sobre os povos e as nações oprimidas ou diretamente parceiras do imperialismo ianque e europeu em sua sanha belicista e privatista. Completamente desmoralizado, o FSM que se realiza agora em Belém, busca se oxigenar usando como tábua de salvação a chamada “crise capitalista mundial”. Nesse momento, os arautos da “catástrofe”, em coro, sejam de “direita” ou de “esquerda” unem-se para defender a teoria de que se abriu uma nova etapa mundial desde o estouro do crash de Wall Street em setembro de 2008. Para a direita organizada em Davos trata-se simplesmente de “regular melhor o mercado financeiro” para prevenir crises futuras e jogar seu ônus sobre os trabalhadores, pela via das guerras como o genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza perpetrado em comum acordo entre Bush, Obama e Israel que deixou mais de 1000 palestinos mortos, a ocupação imperialista no Iraque, as demissões e o aumento dos ritmos de produção. Por sua vez, para a centro-esquerda burguesa e reformista que patrocina o FSM, cujos porta-vozes são a ATTAC e o jornal “Le Monde Diplomatique”, é hora de um novo desenvolvimentismo estatal, um “Bretton Woods” reciclado para estabelecer um pacto por uma ordem capitalista “pós-neoliberal” que preserve a propriedade privada e mantenha o proletariado adormecido por meio de miseráveis políticas compensatórias gerenciadas por um Estado que intervém nos conflitos em busca de estabilizar a ordem social. Este é o novo “mundo possível” desses senhores. Não por acaso, Lula volta a se fazer presente no FSM de Belém trazendo a presidenciável petista Dilma Roussef à tiracolo para defender tal política “realista”. Nesse sentido, nada melhor que escutar da boca de Ana Júlia Carepa, governadora do Pará e anfitriã do FSM a “receita” para o momento, baseada na velha divisão internacional do trabalho que mantém a cadeia de espoliação entre as metrópoles capitalistas e as semicolônias. Questionada sobre como enfrentar a crise, a petista declarou: “Defendemos um desenvolvimento que depende menos dos centros financeiros do mundo, que funciona a partir dos nossos recursos naturais e da valorização deles. Eu particularmente já estive na Inglaterra, a convite do Príncipe Charles e nos Estados Unidos a convite do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, para mostrar que é necessário aprovar uma compensação para que a população aqui possa fazer com que o desmatamento seja evitado. É a compensação pelo desmatamento evitado e isso é justo e legítimo. É mais do que justo que para que a floresta seja mantida em pé, as pessoas que vivem na floresta recebam por isso. Eles estão cuidando de um patrimônio que beneficia não só o povo do Pará, mas o povo do mundo. Nós estamos fomentando esse novo modelo de desenvolvimento. A marca do nosso governo é a inclusão social. Estamos transformando esperanças e sonhos em realidade. Isso é fundamental e vamos mostrar que é possível” (Agência Carta Maior, dezembro/2008). Dentro dessa ótica canalha, Emir Sader, intelectual a soldo da frente popular brasileira, enumera quais serão as tarefas políticas deste FSM: “Serão temas centrais no Fórum de Belém, uma nova arquitetura financeira mundial, a definição de plataformas pós-neoliberais, a construção de processos de paz justos, o avanço na organização da imprensa pública alternativa, os caminhos da luta por um mundo multipolar. É o momento da construção de alternativas concretas ao neoliberalismo... É oportunidade do Fórum se reciclar e se colocar à altura do maior desafio que se coloca à esquerda na entrada do novo século. A América Latina tem avançado significativamente nessa direção. Resta ao FSM aceitar o desafio e reinsentar-se claramente na construção do ‘outro mundo possível’, que já começou, neste lado do mundo, justamente onde o FSM escolheu para sua sede privilegiada”. A plataforma apresentada pelos mentores do FSM é um engodo para impedir que o proletariado possa por meio de um programa revolucionário e de uma estratégia comunista enfrentar a crise capitalista, expropriar a burguesia e dirigir uma alternativa política e social de poder para o conjunto dos explorados que coloque abaixo a ordem capitalista mundial. Esta ordem é sustentada por governos como Lula, Chávez, Lugo, Evo, Correa que agora tem um parceiro a altura, o negro Obama, como chefe do imperialismo mundial. Em uníssono, os paladinos da fraude chamada “Socialismo do Século XXI” junto com Lula e Obama devem formar uma nova maioria planetária construída para subsidiar as perdas financeiras dos grandes trustes e monopólios. Tragicamente, os revisionistas que se postam como a “ala extrema-esquerda” do FSM, acreditam e patrocinam entre a vanguarda militante o conceito de que o colapso financeiro norte-americano desencadearia por si só a reação das massas rumo ao socialismo. Tal cantilena alardeada vislumbra o socialismo como um determinismo oriundo do crash financeiro, alheio à ação revolucionária consciente do proletariado mundial. Para estes senhores a aguda crise capitalista que atinge as metrópoles centrais imperialistas por si só “decretaria” a morte do regime capitalista sem que fosse necessária a ação consciente da vanguarda operária, através de um partido comunista revolucionário conduzindo a classe trabalhadora a instaurar um novo modo de produção por meio da ditadura do proletariado. Com esta “tese” em cujo palco propício é o museu de velhas novidades chamado FSM, se pretende traficar um conceito espontaneísta de revolução que prescinde da organização leninista de partido. Em meio a esse encontro de bandidos social-democratas e traidores reformistas a serviço da contra-revolução mundial, auxiliados por revisionistas de todos os matizes, os marxistas revolucionários denunciam o FSM como um instrumento político arquitetado por setores da burguesia e do próprio imperialismo para bloquear a luta pela revolução proletária mundial. Não por acaso a gestão da frente popular comandada por Lula em conjunto com o governo petista do Pará patrocina em parceria com bancos, fundações privadas e empresas capitalistas o FSM com recursos da ordem de 129 milhões reais. Essa verba milionária está a serviço de cooptar e esterilizar a vanguarda com a proposta de um “mundo possível” dentro da ordem capitalista. É tarefa dos revolucionários prepararem a resistência aos planos do imperialismo e de suas marionetes “progressistas”, forjando com o melhor da vanguarda militante a construção do partido mundial da revolução proletária, a IV Internacional, para estabelecer um combate sem quartel àqueles que travestidos de “neokeneysianos” e “pós-neoliberais” desmoralizam as massas e acabam por fortalecer as tendências à barbárie e à fascistização como resposta do capital à crise que este submete o conjunto da humanidade. ![]() ![]() ![]() |