BALANÇO DO I SEMINÁRIO DO MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO BANCÁRIA/CEARÁ Debate é polarizado entre oposição de luta classista e unidade oportunista entre Intersindical e os governistas da DS/PT e PCdoB Aconteceu no dia 24 de janeiro na Associação dos Professores do Ensino Superior do Ceará (APESC) o primeiro seminário do Movimento de Oposição Bancária que contou com a participação de militantes e ativistas de bancos públicos e privados, assim como observadores de outras categorias e bancários de outros estados
. O objetivo do evento foi iniciar as discussões, de forma clara e fraterna, no sentido de fortalecer o MOB, política e organizativamente, para enfrentar os desafios de se construir como uma alternativa classista de direção na categoria. Ainda mais, considerando que ocorrerá eleições para o sindicato nesse semestre, o que impõe ao MOB a tarefa de construir uma chapa de oposição à burocracia sindical governista do PT/CUT e PCdoB/CTB encastelada na diretoria do sindicato. Para subsidiar o rico debate sobre a conjuntura atual, a crise capitalista e a estratégia de como se estruturar um movimento combativo foram apresentadas três contribuições políticas das forças que impulsionam o MOB. A primeira, da TRS/LBI, quem iniciou a construção da Oposição Bancária no Ceará como entidade da Conlutas e outras duas do PSTU e PSOL/Intersindical. A principal preocupação da LBI na categoria é criar um pólo combativo não apenas a varrer com os agentes patronais do sindicato, mas, sobretudo, forjar um novo sindicalismo classista e pela base, capaz de derrotar a ofensiva patronal contra os trabalhadores. Nas discussões foram levantadas muitas bandeiras e preocupações comuns: a situação de extrema exploração da categoria pelos banqueiros, o papel venal das direções sindicais, com o rebaixamento das reivindicações, a necessidade da defesa da democracia operária e independência política dos trabalhadores, a liquidação da farsa da mesa única da Fenaban, oposição de classe ao governo burguês de Lula e suas reformas antioperárias, etc. Entretanto, como o MOB é um movimento embrionário, sendo politicamente heterogêneo conforme revelaram as contribuições escritas para o seminário, apesar das convergências, o debate revelou também a necessidade de amadurecer posições políticas divergentes. As principais giraram em torno do próprio caráter político do MOB como um organismo de frente única, a definição de um programa que modele sua fisionomia política na base e, consequentemente, o próprio arco de alianças com vistas às próximas eleições sindicais. Nesse sentido, nós da Oposição Bancária da TRS/LBI, que ajudamos a fortalecer o MOB numa perspectiva classista, defendemos que a chapa do MOB fosse coroada numa convenção do MOB, amplamente convocada na base e consideramos que a independência política dos sindicatos frente aos patrões, o Estado capitalista e seus governos burgueses é a condição primeira de uma verdadeira alternativa de direção combativa. Por isso, não podemos conceber qualquer aproximação política, com vistas a formação de uma chapa do MOB, com setores governistas e comprovadamente traidores como a CTB/ PCdoB ou mesmo com a chamada "esquerda" da CUT/PT como a DS que está à frente da Prefeitura de Fortaleza atacando os trabalhadores, e a TM que tem nada menos que o vice-governador da gestão burguesa de Cid Gomes. Afinal, que tipo de projeto de combate aos patrões é este que precisa "unificar-se" justamente com aqueles que são os responsáveis (PT e PCdoB) pela implementação da ofensiva capitalista contra os trabalhadores, desde o governo Lula até Luizianne Lins? Mas infelizmente, esta tem sido a política oportunista defendida pelo PSOL e amparada pelo PSTU no interior do MOB. Chegam ao cúmulo de evitar identificar o PCdoB/CTB como um dos setores governistas do sindicato, e mesmo, referir-se ao governo Lula como apenas "governo federal", numa clara política de evitar choques com o governo e seu séqüito de corruptos. Para nós revolucionários, tanto MOB como qualquer outra composição sindical oposicionista, não deve orientar-se simplesmente pela disputa e conquista do aparato sindical a qualquer preço, sacrificando princípios, esquecendo contra quem combatemos e denunciamos durante as lutas da categoria. Pois se assim for, apenas dará lugar ao surgimento de uma nova burocracia de "esquerda" contaminada pelo aparelhamento governista, ávida por aparato sindical, desvinculando-o completamente de uma ferramenta de luta contra a exploração da classe. Este debate polarizou o seminário que tirou como encaminhamentos a realização de um novo seminário para 14 de março. O objetivo é avançar na definição sobre essas questões determinantes, uma melhor estruturação financeira, inclusive com apoio de entidades sindicais. No plano organizativo, é preciso avançar para uma regularidade do jornal e das reuniões, um referendo da coordenação provisória do MOB e a continuação de um trabalho ostensivo de visita às agências permanente, utilizando o meio eletrônico das listas e e-mails como aspectos acessórios desse trabalho. É preciso compreender que a eleição para o sindicato não é um fim em si mesmo, mas apenas um dos terrenos onde se trava uma batalha contra o regime de exploração capitalista, e pelo resgate dos organismos da classe para a luta. Sem esta perspectiva os sindicatos se transformam em meros órgãos domesticados e disciplinados no marco do regime. Só com uma política classista, extirpando do interior do movimento os partidos que são correia de transmissão da política governista, é que os bancários poderão enfrentar as condições adversas de enfrentamento contra os banqueiros e o governo da Frente Popular. ![]() ![]() ![]() |