Após quase dois meses de
resistência, Na assembléia geral dos estudantes da USP do dia 21 de junho, 50º dia da ocupação da reitoria, uma frente composta pelo PSOL, PSTU e LER defendeu a proposta de Serra para acabar com a ocupação da Reitoria da USP, a mais duradoura, realizada na maior universidade do país. Esta apunhalada ocorreu na semana onde as lutas das demais universidades paulistas, UNESP e a UNICAMP, seguindo o exemplo da USP, ocuparam reitorias e diretorias, o mesmo que vinham fazendo estudantes de várias outras universidades federais Brasil afora, também tendo a Universidade de São Paulo como vanguarda. O governo Serra não ficou parado e desencadeou uma ofensiva sem precedentes enviando a tropa de choque para fazer o despejo da Diretoria da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp de Araraquara. O governador tucano, que não havia conseguido dobrar a disposição de luta dos estudantes das estaduais paulistas, descarregou sua fúria executando a reintegração de posse no campus do interior do estado, onde a visibilidade de sua agressão covarde era menor, além de punir exemplarmente os que levantaram-se em solidariedade à USP, e seguiram seu método da ação direta. Não poucos estudantes se insurgiram contra a operação desmonte da greve que contou com a participação de uma comissão de “desocupação” formada por professores como Chico Oliveira e Paulo Arantes (ligados ao PSOL). Passando-se por “salvadores” da negociação, nos últimos dias cessada pela reitoria, trouxeram a mesmíssima proposta rejeitada inúmeras vezes em assembléia, como se fosse uma grande panacéia! Migalhas que nem sequer foram requentadas e todas sob a promessa de serem cumpridas a partir de 2008, figuravam ao lado de outras medidas que serão estudadas por comissões formadas em sua maioria por professores indicados pela reitoria. O documento apresentado como “proposta de negociação costurado com a Reitora” não passou de um “mandato de reintegração de posse da reitoria por vias pacíficas” que concluía com um ultimato pela desocupação as 16h do dia seguinte. Provando que as direções traidoras ainda são as melhores armas de nossos inimigos, os reformistas conseguiram a proeza que as ameaças da tropa de choque não conseguiram. E com a vantagem de que nem os “notáveis”, nem a direção reformista do movimento estudantil, tocaram no assunto dos decretos de Serra... que foram o estopim da ocupação da USP! Em suma, os estudantes e funcionários desocupavam a reitoria, para terem suas reivindicações ainda avaliadas por uma comissão “chapa-branca” no futuro! Dentre estas avaliações futuras, constava ainda que haverão punições dirigidas àqueles que, segundo a ótica do Estado e da Justiça capitalistas, cometeram “abusos e excessos”. Quem irá julgar os “abusos e excessos” será uma sindicância que como define claramente o “mandato de reintegração da reitoria” defendido pela frente PSTU-PSOL-LER será uma “comissão definida pela Reitoria”, ou seja, pelos mesmos interesses dos que chamam os ativistas de vândalos, que reprimiram os estudantes e trabalhadores quando rumavam ao Palácio do Governador, desocuparam a UNESP via tropa de choque e, no primeiro dia do mandato, começou a baixar decretos para quebrar com a autonomia das universidades paulistas, facilitando a intensificação de sua privatização há muito tempo em curso. Aqui é preciso fazer uma clara diferença entre um setor dos ocupantes do movimento que não vendo mais perspectiva para a luta sob direções políticas vacilantes decidiu recuar após 50 dias de resistência e as direções que desde o primeiro momento queriam abortar a ocupação. Os primeiros se esforçaram para levar a luta ao triunfo, os segundos conspiraram desde o princípio para enterrá-la, justamente no momento em que os companheiros de Araraquara mais precisavam da solidariedade de seus irmãos da USP! Desta forma, o PSOL, PSTU e LER, substituíram perfeitamente o DCE (PT-PCdoB-PMDB) fura-greve e atuaram como avalistas das promessas tucanas, enquanto correntes covardes como a TPOR, preferiram sequer mostrar a cara neste momento, não comparecendo a esta assembléia decisiva. A Juventude Bolchevique, que desde o primeiro dia defendeu em todas as assembléias e fóruns a greve e a ocupação contra as ameaças de Serra e as manobras das direções colaboracionistas, compreende que agora o movimento estudantil não terá mais nenhum instrumento de pressão, ou seja, a ocupação já terá sido desmantelada por estes meninos de recado da reitoria que fará o que quiser (e o que não quiser), já que todas as decisões estarão fora de controle daqueles que estiveram na linha de frente das lutas, onde as reivindicações e, menos ainda, as aspirações cruciais do movimento foram desprezadas. Que mais esta lição seja apreendida pelos lutadores da USP e do movimento operário e estudantil brasileiro: as direções reformistas, pela sua própria concepção de respeito à civilidade e à institucionalidade burguesas, são adversários do método da ação direta das massas. Os explorados brasileiros necessitarão, no calor das batalhas, forjar uma autêntica direção revolucionária para que nossas lutas não sejam inglórias! O ativismo combativo da USP ainda irá se recompor deste golpe, o PSOL, o PSTU e seus satélites, não! São Paulo, 22 de junho de 2007. |