BALANÇO DA PLENÁRIA NACIONAL DOS ESTUDANTES EM LUTA

Em defesa da política de “unidade” com os arquipelegos governistas, PSTU subordina as lutas estudantis à UNE fura-greve

Aconteceu neste dia 16 de junho, na reitoria ocupada da USP, a Plenária Nacional dos Estudantes em Luta, com participação de cerca de 400 estudantes de vários cantos do país, sendo a grande maioria oriunda de universidades em greve e ocupadas. Estiveram presentes de forma organizada estudantes do PSOL, PSTU, PCB, PCO, LER, CAS, PCR, Juventude Bolchevique (JB)/LBI, Coletivo Marxista (CM), UNIPA e MEPR. A Plenária ocorreu em um momento que a ocupação da Reitoria da USP demonstrou resistir a todas as ameaças e blefes do governo Serra e da Reitoria, quando a luta se expande nas demais universidades estaduais paulistas e por várias federais do país.


Wiliam Ferreira, militante do Núcleo da USP da JB intervém na
Plenária final do Encontro Nacional dos Estudantes em Luta

A plenária que foi aprovada em assembléia dos estudantes da USP e convocada a partir da necessidade dos próprios estudantes em luta de romper o isolamento imposto pelas instituições da burguesia (governos Lula, Serra, Globo, Veja, Estadão, Folha, burocracia universitária da USP...), pelos pelegos governistas (UNE e CUT) e organizar as mobilizações estudantis das quais a da USP é vanguarda em nível nacional, só foi realizada depois de um mês e meio de iniciada a ocupação da USP. A responsabilidade principal por este retardo prejudicial a nossa causa cabe à política da direção da Conlute, leia-se PSTU, que além de não convocar nenhuma reunião nacional da entidade por todo este período, aliou-se aos que de dento da diretoria da UNE tentaram a todo o momento sabotar a nacionalização da luta estudantil. O PSTU aliou-se tanto aos setores da chamada “esquerda” da UNE, chamada Frente de Oposição Estudantil (FOE, dirigida pelo PSOL) – com os quais conforma a mal chamada “Frente de Luta Contra a Reforma Universitária” – como com a própria direção arquipelega da UNE, do PCdoB, PT e MR-8/PMDB. Senão vejamos: o PSTU se opôs à ocupação da USP assim como o PSOL e o DCE da USP (PCdoB, PT e MR-8/PMDB); o PSTU se opôs à destituição do DCE fura-greve da USP por uma assembléia de 2 mil estudantes e se aliou com estes mesmos partidos no dia 23/05 contra “a política econômica do governo federal”, como se estes governistas não fossem os principais testas-de-ferro do governo neoliberal de Lula no movimento estudantil e logo, canalhas sabotadores de toda luta dos estudantes contra a reforma universitária privatista de norte a sul do país!

Neste contexto, o PSOL defende a UNE governista e opõe-se à constituição de uma organização estudantil alternativa e de combate à UNE. Há alguns anos, o PSTU ensaiou querer impulsionar esta alternativa, que poderia ser a Conlute, mas a política do PSTU de frente estratégica com o reformista PSOL, vem liquidando tanto a Conlute quanto a Conlutas como alternativas aos aparatos burocráticos governistas como a UNE e a CUT. A decadência precoce da Conlute na direção do movimento estudantil universitário é uma das principais demonstrações deste fenômeno. A Conlute e o próprio PSTU chegaram em meados de 2007 extremamente debilitados após ir fundo em sua linha seguidista do PSOL, desde a formação da frente eleitoral encabeçada por Heloísa Helena, perdendo quase a totalidade das entidades estudantis, DCEs e CAs que dirigia para o próprio PSOL ou para o PCdoB e PT. Por sua vez, o PSOL leva a melhor e ainda boicota como pode a Conlute, embora possua mais entidades estudantis não levou praticamente nenhum DCE e muito menos a sua base universitária à Plenária Nacional. Através de frentes cujos resultados políticos em nada contribuem para a unidade da classe trabalhadora ou da juventude explorada, o PSOL, um partido profundamente integrado e defensor do atual regime burguês e da democracia dos ricos, atua como correia de transmissão do regime, via FOE ou Intersindical, sobre a Conlute e a Conlutas, respectivamente, graças à política seguidista da direção do PSTU.

Como parte deste quadro, a Plenária começou com três horas de atraso, quando a discussão política foi suprimida com informes e painéis longamente apresentados também por membros do PSTU. Após pausa para o almoço, os 400 participantes foram dispersos em Grupos de Discussão (GDs) que terminaram às 18h coordenados por membros do PSTU e seus satélites. A plenária final, onde os demais estudantes e correntes políticas presentes puderam minimamente se posicionar, só teve início às 21h do sábado e ainda assim sob a pressão de que vários ônibus com delegações já tinham que retornar a seus lugares e estados de origem.

Não contente com atraso, os coordenadores da plenária trataram de colocar por último as principais discussões e divergências da plenária em favor de consensos e trivialidades sem qualquer resultados práticos para a luta que se desenvolve nas universidades em todo o país. Ainda assim, para evitar, na plenária final, polêmicas que se chocavam frontalmente contra sua política de “unidade” com a UNE (PCdoB e PSOL), a tática utilizada pelo PSTU foi defender que as propostas mais polêmicas nem fossem discutidas, pedindo meramente sua “supressão”. Esta forma rasteira de fugir ao debate, encontrou resistência principalmente da JB/LBI, da UNIPA e do CM. Este bloco combativo de estudantes e organizações políticas propôs como resolução à Plenária que: a UNE não falasse em nome dos estudantes em luta que ali se agrupavam.

A supressão da proposta foi taxativamente defendida pela meia dúzia de membros do PSOL que ameaçou romper a tal “Frente de Luta Contra a Reforma Universitária” se naquele fórum os ativistas presentes deliberassem por desautorizar a UNE, defensora da Reforma Universitária, a falar em seu nome. Em nome desta chantagem e contando falsas vantagens da falsa “Frente de Luta Contra a Reforma Universitária” o PSTU defendeu a supressão desta votação. Foi então que o PCO resolveu dar o ar da graça e também defender esta posição vergonhosa, mas aí não há qualquer novidade, afinal, o PCO é testa-de-ferro da UNE governista mesmo. Este partido que ficou mudo em todas as discussões políticas importantes na Plenária, se juntou ao PSOL, seu par ardoroso defensor da UNE mensaleira, tentáculo do governo Lula no movimento estudantil para sabotar a luta contra as reformas pró-imperialistas. A JB defendeu a manutenção do debate em conjunto com o CM. Por pouco, a votação foi ganha pelo frentão entre PSOL e PSTU e PCO. Vale notar que a LER, também muda na plenária final, não por acaso se absteve desta votação, contribuindo, a seu modo, para que a UNE fura-greve e governista continue praticando o estelionato político de representar os estudantes que fazem greve contra o governo.

No mesmo sentido, o PSTU defendeu a supressão da proposta defendida pela JB e apoiada por outras correntes combativas de “não a política de ‘unidade’ com a UNE governista que sabota nossas lutas e defende a reforma universitária privatista”. O PSTU saiu na defesa do acordo oportunista estabelecido entre Conlutas/Conlute, Intersindical (hegemonizada pelo PSOL, composta em grande maioria por sindicatos cutistas) e CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais, integrada pela UNE, CUT, MST, etc.), em abril. Vale lembrar que este “acordão” tinha como “cláusula pétrea” a blindagem política de Lula, cujo nome foi suprimido nos panfletos assinados em comum pelas entidades governistas-Conlutas-Intersindical. Um dos frutos deste acordo, o “Dia Nacional de Luta” do dia 23 de maio, resultou, na prática, no enterro de importantes greves como a dos bancários do Banco do Brasil, professores e metroviários de São Paulo, e na tentativa de desocupar a USP, sendo apenas esta última tentativa derrotada graças à força dos estudantes, que passaram por cima da política de “unidade” do PT, PCdoB, PSOL e PSTU. Nesta votação, novamente, a política de “unidade” com os governistas não perdeu por pouco, graças ao frentão, PSOL-PSTU e seus satélites.

Nesta mesma esteira, a famigerada Frente PSTU-PSOL se opôs à bandeira histórica do movimento estudantil: “pelo fim do vestibular e livre ingresso na universidade” para adotar uma formulação que adiasse a luta pelo fim do vestibular para o dia de são nunca.

Quando proposto à plenária aprovar a campanha de solidariedade a todos os perseguidos políticos dos movimentos sociais, a LER reivindicava que se fechasse a campanha nos trabalhadores da USP. Não há dúvida que é importante defender os trabalhadores da USP. Ocorre que a LER, que sofre de fobia crônica cada vez que pensa em pôr os pés fora da USP, não participou de nenhuma campanha contra os perseguidos políticos do governo Lula. Nem mesmo participa da campanha de solidariedade ao SINTUSP dentro do Comitê de Solidariedade aos Povos Árabes, diante do processo sofrido pelo Sindicato, impetrado pelos sionistas da Federação Israelita de São Paulo, por este ultrapassar o corporativismo uspiano e, durante os ataques da máquina de guerra sionista contra o povo libanês em 2006, defender a destruição do Estado de Israel.

Honrando os “compromissos” firmados com a base de apoio da Frente Popular, a CMS chapa-branca, o PSTU e o PSOL aprovaram a marcha de pressão ao parlamento corrupto, em detrimento da organização das lutas em curso para uma poderosa greve nacional das universidades contra Lula e suas reformas. Este outro “ato unitário” a ser realizado somente em outubro será uma reedição do dia 23 de maio, onde sua “construção” está baseada no sepultamento das lutas que estão ocorrendo e que irão ocorrer até lá.

Como produto de toda esta política do PSTU de “unidade” com os governistas sabotadores da UNE, no mesmo palco onde poucos dias antes se agrupavam mais de 2 mil estudantes em assembléia só da USP foi realizada uma plenária NACIONAL dos estudantes em luta com nada mais do que 400 ativistas! O movimento estudantil precisa abstrair as lições do que significou a luta na USP, primando pela ação direta e inspirando outras universidades pelo Brasil, mas que paulatina e criminosamente vão sendo derrotadas pelas direções do PCdoB ao PSTU. Somente uma direção revolucionária para o movimento operário e estudantil, poderá romper este cerco imputado pelas direções colaboracionistas, e canalizar o potencial de luta latente nas massas para a paciente construção da greve geral, a partir das bases sindicais e estudantis, de forma a derrotar o governo Lula e suas reformas encomendadas pelo imperialismo.

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