BALANÇO DA PLENÁRIA NACIONAL DOS ESTUDANTES DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS E ESCOLAS TÉCNICAS EM GREVE

Consenso reformista entre PSTU e
PSOL não organiza luta unificada dos estudantes para derrotar a ofensiva do governo Lula-FMI contra a educação pública

Ocorreu nesta quarta-feira, 12 de outubro, na Universidade Federal Fluminense, a Plenária Nacional dos Estudantes de Universidades Federais e Escolas Técnicas em greve. Estiveram presentes 170 ativistas, além de diversas entidades (DCE’s de cerca de 15 universidades e CEFET´s), com representações de organizações políticas como PSOL, PSTU, LBI, MEPR e OMP. Esta plenária foi convocada com o objetivo de organizar os estudantes em apoio à greve dos professores universitários e técnicos-administrativos que já dura quase dois meses.

A princípio, o PSOL se opôs a construir um Comando Nacional estudantil na plenária, defendendo a “unidade das lutas”, inclusive com os DCEs governistas controlados pela diretoria da UNE, ainda que esta entidade chapa-branca esteja convocando para o dia 14 um encontro de DCEs para subordinar a luta estudantil à política de preservação do governo Lula através de um “Comando de (fura) greve da UNE” (como fez na greve de 2001) ou coisa do gênero. Vale lembrar que as entidades nacionais dos professores e funcionários (ANDES e Fasubra) não se incorporaram à campanha salarial dos servidores públicos federais no primeiro semestre para priorizar as mesas de negociação (embromação) do governo Lula que resultou no óbvio, a manutenção do arrocho salarial das duas categorias, obrigando as entidades nacionais a realizar a atual greve isoladamente.

O PSTU propôs a formação de um Comando provisório estudantil ao qual o PSOL se incorporaria em uma nova plenária em Brasília no dia 19 de outubro. Para tanto, o PSTU se opôs ao chamado que fez a Juventude Bolchevique para que a plenária deliberasse pela unificação das lutas com o eixo de construção da greve geral que derrotasse a reforma universitária e pela derrubada revolucionária do governo Lula, apontando para a construção de uma alternativa de poder dos trabalhadores. O PSTU renunciou declaradamente inclusive ao eixo que ele próprio apresentou formalmente na marcha do dia 17 de agosto de “Fora todos, fora Lula!” e “Greve Geral”, que foi aprovado pelo Encontro Nacional da Conlute no dia 18 de agosto. Como fez no Encontro Nacional da Conlutas (18/08), e nas manifestações das capitais que se seguiram, o PSTU retirou sua própria consigna em troca de um eixo rebaixado consensuado com o PSOL.

A Juventude Bolchevique defendeu em plenário a estatização do ensino privado e a formação de assembléias unificadas e a eleição de comandos tripartite de greve entre os servidores, professores e estudantes para dirigir a greve em cada universidade. Além dessa proposta foi aprovada, por unanimidade, a moção de repúdio ao governo Lula pela prisão política do representante das FARC no Brasil, Olivério Medina, a mando do imperialismo e a continuidade da luta nas universidades por sua libertação imediata e contra sua extradição para a Colômbia.

Os limites impostos pelo PSTU e o PSOL à plenária expressa que é necessário construir uma verdadeira direção revolucionária para a juventude que, além de superar a política dos governistas da UNE, delimite-se com a orientação rebaixada que vem assumindo a direção da Conlute frente a greve nas universidades federais e CEFET´s.

Rio de Janeiro, 12 de outubro de 2005.


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