As chuvas ácidas são um fenómeno, cujo conhecimento
já data do século passado. Com efeito, foi em 1872 que o
cientista britãnico Angus Smith analisou a ligação
entre a forte poluição industrial na atmosfera de Manchester
e o alto teor da acidez das chuvas locais. Ao longo do nosso século
o problema tem sido seguido com atenção, nomeadamente através
da medição da presença de iões de hidrogénio
na água das chuvas, isto é, o valor do seu pH.
Nos anos recentes, a acidez da água da chuva e dos lagos cresceu,
passando o seu pH do valor habitual de 5,6 para 4 e muitas vezes para valores
mais baixos ainda. A designação de " chuva ácida "
é utilizada para chuvas com pH inferior a 5,6.
Independentemente do concurso de outros factores naturais são
as actividades económicas essenciais do nosso perfil de civilização
as grandes responsáveis pelas chuvas ácidas.
Os principais intervenientes são o dióxido de enxofre
(SO2 ) e o dióxido de azoto ( NO2), os quais por reacção
com a humidade do ar e determinados comprimentos de onda da radiação
solar, vão originar ácido sulfúrico e ácido
nítrico.
S8 (s) + 8O2 (g) =
8SO2 (g)
SO2 (g) + H2O (l) = H2SO3 (aq)
( ác. sulfuroso )
2H2SO3 (aq) + O2 (g) = 2H2SO4 (aq)
( ác. sulfúrico )
Na combustão do carvão e do petróleo, o enxofre
existente como impureza, origina dióxido de enxofre. Este reage
com a água das chuvas e das gotas de água na atmosfera formando
ácido sulfuroso (H2SO3). Este por reacção com o oxigénio
atmosférico passa a ácido sulfúrico (H2SO4).
Também compostos de azoto existentes como impurezas nos combusíveis
originam óxidos de azoto, os quais, lançados na atmosfera
são responsáveis pela formação de ácido
nítrico (HNO3).
Quer o ácido sulfúrico quer o ácido nítrico
são ácidos fortes ( constante de dissociação
bastante elevada ), o que implica que pequenas amostras de ácido
contribuem para um efeito considerável va acididade da água.
Paralelamente a circulação do gigantesco parque automóvel
dos países industrializados, adicionada aos resíduos da extração,
purificação e aplicação industrial de minérios
lançam para o ar enormes quantidades de chumbo, cobre, cádmio
e outros metais pesados cuja combinação com outros elementos
se revela altamente tóxico, lesiva do crescimento e do metabolismo
dos organismos vivos para além de determinados limites.
Quanto maior for a permanêmcia dos poluentes na atmosfera, maiores
são as hipóteses de que reajam com a humidade, originando
precipitações ácidas ou deposições húmidas.
Havendo ventos fortes, os óxidos e ácidos podem permanecer
na atmosfera durante vários dias e serem transportados ao longo
de muitas centenas de quilómetros, atravessando frequentemente as
fronteiras entre países. As deposições húmidas
- tal como as secas - podem causar danos no ambiente de várias maneiras.