INTRODUÇÃO
A partir do século XVII e até cerca do século
XIX podia-se ler nos tratados de física "o que se chama vulgarmente
fogo não é mais que um corpo em brasa ........... é
um fluido ao qual se tem dado sucessivamente os nomes de princípio
inflamável, princípio do calor, matéria do calor e
que os modernos chamam calórico".
Isto advinha de que os antigos se limitavam a aproveitar as manifestações
do fogo sem aprofundar as suas causas em fenómenos como a
ebulição, a fusão, etc.. Até Aristóteles
escreveu : "o calor não é constituído por movimento
mas produzido pelo éter, excitado pelo sol ou as estrelas".
Galileu, também ele assumiu esta ideia de Aristóteles
a que se veio juntar, mais tarde, Newton. Para aumentar a confusão
Kepler ( contemporâneo de Galileu ) defendia a ideia de Roger Bacon
(1214-1294 ) de que o calor tem a sua origem nos movimentos das partículas
internas dos corpos.
Só em 1783, com as criticas de Lavoisier e Laplace é
que esta ideia de calórico como fluido material começou a
ser contestada, embora mesmo assim esta noção perdurasse
até meados do século XIX.
Em 1842 Julius Robert Mayer ( 1814-1878 ) deu um dos primeiros grandes
passos no sentido de uma correcta descrição do "calor", embora
não se deva esquecer o contributo de Sadi Carnot ( 1796-1832 ),
pois este deixou as bases não apenas do segundo princípio
da termodinâmica mas também algumas luzes para a construção
do primeiro princípio.
Convém salientar o facto de que foi J. Black quem descobriu
a noção de calor latente (1761) e quem mostrou a necessidade
de distinção entre temperatura e calor.
A Lavoisier deve-se a noção correcta de calor específico
e de ser o primeiro constructor do calorímetro. (ver anexo 4 e 5
)
No que respeita à construção e utilização
dos primeiros termómetros convém salientar as dificuldades
que surgiram principalmente no que toca à definição
das escalas termométricas.
Sabe-se que o primeiro termómetro clínico deve-se a um
médico da universidade de Pádua, em 1612, embora o termo
termómetro só apareça pela primeira vez em 1624 com
Leurechon ( 1593-1670 ).
A partir daqui muitos físicos interessaram-se pelo aperfeiçoamento
do termómetro, de entre os quais Fahrenheit ( 1686-1736 )
que dedicou toda a sua vida à construção destes aparelhos.
Em meados do século XVII fez-se sentir a necessidade de utilização
de escalas termométricas e em 1694 surge Renaldini ( 1615-1698 )
que escolheu como pontos fixos dum termómetro a fusão do
gelo e a ebulição da água.
A partir de 1717 Fahrenheit constrói diversos termómetros
e chega à conclusão que deve assentar no valor 32 para a
fusão do gelo e no valor 96 que era a temperatura do sangue
humano.
Foi Celcius ( 1701-1744 ) quem construiu o termómetro com a
escala centígrada, ou seja, 0 para a fusão do gelo e 100
para a ebulição da água.
Com o termómetro surgiu a seguinte questão:
- como pode ele medir a temperatura de outro corpo se cada termómetro
nada mais pode medir que a sua própria temperatura?
A resposta a esta questão assenta no seguinte princípio
da termodinâmica:
- Num recinto isolado, dois ou mais corpos postos em contacto, trocam
entre si calor até se encontrarem à mesma temperatura.
O CALÓRICO E O PRIMEIRO PRINCÍPIO
TEORIA DO FLOGISTO
O PROBLEMA DA COMBUSTÃO
Em 1660 Robert Boyle divulgou consideráveis experiências
que tinha realizado com a sua bomba pneumática. A bomba pneumática
era obviamente vantajosa na investigação do papel do ar na
combustão. As suas experiências indicaram-lhe que alguma substância
vital do ar era necessária para sustentar a chama e a vida. Também
descobriu que a calcinação requer a presença
da atmosfera e que o resíduo metálico pesa mais do que o
metal donde foi produzido. Todas as suas experiências indicam que
combustão, respiração e calcinação são
processos similares e que usam acima do ar algum princípio vital
pertencente ao ar. O esforço de Boyle para medir a quantidade de
ar perdido foi mal sucedido. Tentou medir o ar perdido a partir da pressão
num recipiente de ar contendo um rato. O rato morreu, mas a pressão
continuou a mesma. Em 1674, John Mayow (1641-79) efectuou a mesma experiência
num recipiente sobre a água e mediu a perda de ar quando um rato
o respirava ou quando uma vela consumia o ar queimando-o. Nas experiências
de Mayow o gás carbónico produzido por combustão e
respiração dissolveu-se na água, ao passo que nas
experiências de Boyle, isso não acontecia.
Contudo, existia uma substância que se desconhecia a sua
acção em presença do ar, é a nossa conhecida
pólvora. Robert Hooke (1635-1702) na sua "Micrographia" de 1655
e Mayow no seu "Tractatus quinque" de 1674 ambos concluíram que
era o salitre, ou nitrato de potássio, o qual se encontrava dentro
da pólvora, que fornecia o princípio vital necessário
à combustão. O enxofre e o carvão, os outros ingredientes
da pólvora, consumiam-se no ar mas não por si mesmos no vácuo.
Assim, deveria ser uma substância comum ao nitrato de potássio
e ao ar que sustentava a combustão. Mayow chamou-lhe espírito
(aéreo) de nitro ou partículas de ar nitroso.
Hooke considerou uma teoria muito semelhante. Reivindicou que o fogo
era a "dissolução de corpos queimados pelo maior dissolvente
universal de todas as substâncias sulfurosas, nomeadamente o ar".
Esta era uma velha ideia proveniente da alquimia e que se descobriu
na tardia idade madura, mas com as investigações experimentais
de Boyle, Hooke e Mayow adquiriram uma notável precisão científica
e enorme respeitabilidade.
A TEORIA FLOGÍSTICA
Na Alemanha, a química tinha fechado sociedade com a exploração
mineira e a fundição de minério, daí resultou
uma teoria competitiva que deu um maior esclarecimento sobre a combustão.
Johann Joachim Becher (1635-82) na sua "Physica subterrânea"
(1669), reconheceu diferentes tipos de terra. De acordo com a sua teoria,
os corpos combustíveis contêm terra gordurosa que era libertada
durante a combustão, deixando ao solo um aspecto duro.
Georg Stahl estendeu grandemente a teoria de Becher no seu "Specimen
beccherianum" de 1703. Deu novo nome à terra gordurosa -o FLOGISTO.
De acordo com a teoria do flogisto, a principal combustão realizava-se
de preferência no combustível do que no ar. Quando o carvão
é consumido pelo fogo, liberta-se o flogisto, deixando apenas poucas
cinzas. Por isso, o carvão deve ser muito rico em flogisto. A respiração
expele o flogisto, como a calcinação. Os resíduos
metálicos podem regressar ao estado metálico, fornecendo-lhes
calor conjuntamente com o carvão, pois como temos vindo a ver, o
carvão é uma fonte muito rica em flogisto, o qual é
absorvido pelos resíduos por forma a produzir o metal.
Quando Stahl perguntou a um trabalhador da fundição qual
era a função do carvão na passagem da redução
de resíduo ao metal, ele disse-lhe que o resíduo metálico
no carvão oculta nele mesmo a capacidade de fuga ao calor do fogo.
Ao observar a acção do carvão quando queimado temos
que: os resíduos metálicos dentro do forno de fundição
deixam cair pequenos fragmentos de carvão para cima dos próprios
resíduos. Onde quer que o carvão caia, uma pequena quantidade
tornar-se-à visível. Parece ser evidente que o carvão
inclui algum ingrediente que é absorvido pelos resíduos originando
a criação do metal. Por consequência, todos os metais
contêm flogisto, o qual explica as propriedades comuns de densidade,
brilho e maleabilidade.
Combustão, calcinação e respiração
param quando o ar é saturado e envenenado pelo flogisto. O ar é
essencial. Actua como uma esponja absorvendo o flogisto, mas por vezes
é poluido pelo flogisto e perde a sua elasticidade não suportando
por muito tempo a combustão. Boyle verifica que o resíduo
metálico (sem flogisto) pesa mais do que o metal (o qual contém
flogisto) donde ele é originado. Poderia o flogisto pesar menos
do que o nada ? Aristóteles supôs que os elementos do fogo
respeitavam o princípio da leveza, enquanto Cavendish falava do
ar inflamável (hidrogénio), pensando que pela maneira como
o ar era queimado poderia ser um flogisto puro, sendo menos denso do que
o ar comum, mas o conceito de peso negativo não era uma noção
muito atractiva no séc.XVIII.
Tranquilamente, o flogisto impôs-se como fenómeno oferecendo
garantias de boa qualidade, vindo posteriormente a ser um valoroso instrumento
teórico.
Stahl foi um dos principais químicos da sua época,(séc.
XVIII), possuidor de um poder distinto, mas viria a cometer um erro ao
assumir que a teoria do flogisto era pautada pela química com incontestada
autoridade, por um longo tempo.
Os mais populares manuais em França durante a primeira metade
do séc.XVIII pertenciam a Boerhaave e Nicolas Lemery. Nem um nem
outro mencionavam o flogisto. Mas cerca de 1750 a crescente procura da
indústria , especialmente na metalurgia, causou grande atenção
nos textos alemães de química, muito dos quais foram traduzidos
para francês entre 1750 e 1760. Em 1756, uma versão editada
por Lemery "Cours de chimie" (1675) apareceu com um comentário sobre
flogística. Em, 1757, J. F. Demachy (1728-1803) traduziu o
livro de Johann Juncker (1679-1759) "Conspectus of chemistry" (1730) e
publicou-o com outro título - "Elements of chemistry according to
the principles of Becher and Stahl". Baron d'Holback, foi o responsável
por artigos de minerologia e metalurgia na Enciclopédia, foi um
defensor da teoria do flogisto, e em 1766 traduziu "Zufällige Gedancken
... über den Streit von den sogenannten Sulphure" livro de Stahl,
provavelmente com a exposição mais clara da teoria.
O mais importante químico alemão foi Andreas Sigismund
Marggraf (1709-82), cujos escritos nas Memórias da Academia de Berlim
durante 1740 e 1750 mereceram a admiração dos químicos
franceses.
A afluência de textos de origem alemã coincidiu com o
renascimento da química francesa pela mão de Guillaume-François
Rouelle (1703-70), que começou as suas famosas leituras de química
no Jardim do REI em 1742. Os principais químicos franceses estudaram
com Rouelle, o qual lentamente atraiu a atenção dos químicos
alemães adoptando uma modificação no modelo da teoria
flogística. Quando Lavoisier começou a fazer experiências
sobre combustão em 1772, estando sempre atento às conferências
de Rouelle, a teoria do flogisto desfrutou de uma popularidade geral em
França e em Inglaterra aproximadamente durante 20 anos.
EXPERIÊNCIAS DE LAVOISIER SOBRE COMBUSTÃO
Existem poucas actividades de Lavoisier antecedentes a 1772 que revelem
algum interesse na combustão.
Estudou no Colégio das Quatro Nações, o qual lhe
deu a melhor preparação científica, vindo mais tarde,
e no prosseguimento dos seus estudos, a estudar astronomia com o seu primeiro
professor Abbé Nicolas-Louis de Lacaille (1713-62) e acompanhou
o seu professor de botânica Bernard de Jussieu (1699-1777) numa excursão
a várias regiões de Paris. Desde 1763, que Lavoisier começou
a ajudar o geólogo Jean-Etienne Guettard (1715-86) no atlas geológico.
Admitido na academia em 1768, rapidamente se viu envolvido numa questão
prática e que estava relacionada com o melhoramento da água
que abastecia Paris. Já desde os estudos de geologia com Guettard
que se interessava pela origem mineral, e os debates na academia sobre
testes de pureza da água levaram-no a investigar a antiga ideia
de que quando a água se evapora uma pequena parte dela é
absorvida pela terra. O método que Lavoisier usou nas análises
de água caracterizou-se no facto das suas subsequentes investigações
científicas serem bastante cuidadosas.
Usando um laboratório técnico, deitou a mão
a problemas práticos, sempre com o olho na teoria (ver anexo 2 ).
Foi o grande responsável pela superioridade francesa durante a Revolução
Francesa e Guerra Napoleónica devido à constante utilização
da "sua" pólvora, e esforçou-se na reforma do sistema de
pesos e medidas.
No Verão de 1772, começou a pensar nos problemas anteriores
relacionados com o "ar" chegando à mesma conclusão teórica
de Turgot, a qual falava sobre o estado de vapor da matéria.
Duas outras academias nas suas ocupações diárias
trouxeram o problema da combustão à atenção
de Lavoisier.
A primeira está relacionada com a destruição de
diamantes. Já há muito tempo se sabia que o diamante, mineral
mais duro até então conhecido, poderia ser destruído
pelo calor, mas não havia certeza se o diamante era consumido pelo
fogo ou se evaporava na caldeira. Lavoisier, conjuntamente com químicos
Pierre-Joseph Macquer (1718-84), Louis-Claude Cadet (1731-99) e Mathurin-Jacques
Brisson (1723-1806) realizaram experiências com diamantes a elevadas
temperaturas. Esta temperatura foi obtida através de uma grande
lente de inflamação da Academia de Ciências. Estas
experiências serviram para verificar que os diamantes queimavam-se
no ar mas nunca se evaporam.
Entretanto uma segunda academia também inclinou-se para os trabalhos
de Lavoisier. Ao analisar um papel sobre o fósforo, o farmacêutico
Pierre-Francois Mitouard verificou que quando queimado o fósforo
aumentava de peso, sugerindo que tal facto tinha alguma coisa a haver com
o ar.
Lavoisier tinha decidido concluir as suas experiências, e chegou
até Mitouard por forma a obter o fósforo. Em Setembro de
1772, começou a realizar experiências sobre calcinação
de metais. Na Primavera desse ano a academia publica o livro de Louis-Bernard
Guyton de Morveau ( 1737-1816 ) " Digressions Académiques " que
contém a primeira demonstração clara de que todos
os metais ganham peso na calcinação, vindo a ser um ponto
de vista muito discutido pelo facto de que a teoria do flogisto não
conseguia explicar facilmente tal ocorrência, na medida em que dava
a sensação que a perda de flogisto produzia um aumento de
peso, não em circunstâncias pouco usuais mas em qualquer instante
da calcinação de metais.
Nunca se saberá exactamente que associação de
ideias e as circunstâncias que levaram Lavoisier a empreender um
estudo sobre a combustão, mas está claro que a disposição
das peças do puzzle falam todas dele.
Os conhecimentos que provavelmente contribuíram para a sua inspiração
foram :
1. levar em linha de consideração o papel do ar
na combustão do diamante
2. o entendimento do aumento de peso provocado pela combustão
do fósforo e da calcinação de metais
3. a possibilidade de utilização de alguma informação
imprecisa e incompleta acerca do trabalho sobre pneumática de químicos
ingleses
4. a familiaridade de Lavoisier com a teoria de Turgot do estado
de vapor da matéria no qual todos os factos experimentais viriam
a ser naturalmente ajustados
A 10 de Setembro de 1772, Lavoisier escreveu no seu livro de anotações
laboratoriais que se propunha investigar qual do fósforo absorvia
ar quando era consumido pelo fogo.
A 20 de Outubro apresenta um relatório à academia, de
que na realidade o que foi referido anteriormente era de facto um caso,
no qual a combustão do fósforo na presença de ar produzia
um ácido fosfórico ( que ele denominou por espírito
ácido de fósforo ), e que a absorção do ar
era quem aparentemente causava a acidez.
Realizou a mesma experiência, mas agora com enxofre e obteve
resultados semelhantes. Estas experiências com enxofre e fósforo
têm uma notável concordância com experiências
de calcinação efectuadas por Guyton de Morveau. Com o objectivo
de ver que ar era absorvido na calcinação, Lavoisier reduziu
o litargírio com carvão e observou que no momento em que
o resíduo de metal muda para o metal propriamente dito, uma quantidade
de ar era libertada.
Manifestamente, o ar também era fixado no resíduo metálico.
Lavoisier começou a suspeitar que a absorção do
ar na calcinação e combustão poderia ser explicada
pela teoria de Turgot, mas a identificação de diferentes
tipos de ar a partir das propriedades químicas é complicada
e viria a ser a sua maior tarefa.
Uma vez que já conhecemos a resposta, agora a solução
para se resolver o puzzle da combustão e calcinação
parece ser evidente. De momento já sabemos que o fósforo
e o chumbo aumentam de peso porque combinam-se com o oxigénio no
ar. Na redução do resíduo metálico com carvão,
o carbono contido no carvão combina-se com o oxigénio do
resíduo originando o dióxido de carbono ( ar fixo ) o qual
é libertado durante a reacção deixando para trás
o metal. O gás que combina com o metal na calcinação
( oxigénio ) não é o mesmo gás que é
libertado na redução do resíduo metálico (
dióxido de carbono ). Esta explicação exige que, haverá
diferentes tipos de ar e que o ar atmosférico será uma mistura
destes diferentes tipos.
O facto de que diferentes gases eram absorvidos e libertados na calcinação
e redução tornava difícil descobrir o papel do ar
na combustão e calcinação. Quando Lavoisier reduziu
o resíduo metálico ( cal de chumbo ) com carvão, estava
satisfeito por ter recolhido largas quantidades de ar, mas era um ar fixo.
Este era suposto ser o ar que era absorvido da atmosfera quando o metal
era calcinado, porque era o ar libertado na redução do resíduo
metálico, mas a calcinação não tinha lugar
numa atmosfera de ar fixo. Por esse motivo dificilmente conseguirá
ter um ar fixo que conduz à sua absorção.
Em resumo do que aqui foi escrito temos que :
Segundo a teoria do flogisto
chumbo = cal de chumbo + flogisto
cal de chumbo + carvão(fonte de flogisto) = chumbo
Segundo Lavoisier
chumbo + ar comum = cal de chumbo
+ calórico
cal de chumbo + carvão = chumbo
+ ar fixo*
A interpretação moderna
2Pb + O2 = 2PbO
2PbO + C = 2Pb + CO2
SEGUNDO PRINCÍPIO
TEMPERATURA ABSOLUTA
ENTROPIA ( TERCEIRO PRINCÍPIO )
TRANSMISSÃO DE CALOR
CONDUTIBILIDADE TÉRMICA
Este processo começou a ser estudado em 1812 por Fourier mas
só em 1822 se sabia alguma coisa a este respeito, visto ter só
sido nesta altura que publicou os seus trabalhos.
Dado que Fourier não tinha conhecimentos dos movimentos das
moléculas responsáveis pelo calor, este partiu da hipótese
que uma molécula aquece porque ela absorveu uma certa quantidade
de calor, podendo ela própria também irradiar à sua
volta certas quantidades de calor.
A construção da sua teoria para além desta hipótese
teve como base mais duas muito importantes:
- a quantidade de calor cedida por uma molécula a outra
durante um intervalo de tempo é proporcional a esse tempo, à
diferença de temperatura entre as duas moléculas e
é função da distância entre essas
moléculas.
( q = T.f (r).dt )
CALOR RADIANTE
Desde muito cedo que o homem se apercebeu que o calor se podia transmitir
sem o auxilio de qualquer meio material, mas só em 1804, Rumford
provou isto, ao mostrar que o calor se transmite no vácuo. Para
isto, colocou no centro de um balão um termómetro, fez o
vazio dentro do balão e mantendo-o fechado, colocou-o em água
quente verificando que o termómetro mostrava uma subida de temperatura.
Mesmo assim, a hipótese do calórico não foi totalmente
abandonada, sendo-o só com o aparecimento do primeiro princípio
da termodinâmica, como já se viu.
A partir daqui várias experiências foram feitas, mas as
dificuldades eram muitas dadas as perturbações existentes
no fenómeno que se queria estudar. Estas dificuldades reduziram-se
com o aparecimento de aparelhos que mediam a quantidade de calor absorvido,
mas só por radiação.
Um primeiro aparelho a aparecer foi o "par termoeléctrico" descoberto
por Seebeck-1822. Com a ajuda destes pares termoeléctricos, Kirchoff-1882
estabeleceu uma lei já por ele falada em 1859 :
- A razão entre o poder emissivo e o poder absorvente
é a mesma para todos os corpos à mesma temperatura.
Também ele no mesmo ano chegou ao conceito de corpo negro, conceito
este que veio permitir progressos científicos que não se
conseguiram com a utilização de corpos reais.
Em 1879 - Stefan - descobre que a energia total irradiada pelo corpo
negro é proporcional à quarta potência da temperatura
absoluta.
CONCLUSÃO