Trecho 1 - Ao Norte do Chui (Rio Grande - Chui)

Saímos de São Paulo no dia 12 de Outubro de 2000. Tínhamos como destino a nossa maior aventura (até hoje!!). Os sentimentos eram os mais variados: Alegria (afinal de contas tinha chegado a hora de iniciar a viajem que tanto planejamos), apreensão (estávamos indo para um país desconhecido e não sabíamos nem como seria para embarcar as bikes), ansiedade, medo, etc....

Depois de esperar algum tempo nos aeroportos de São Paulo e Porto Alegre, finalmente desembarcamos no aeroporto de Rio Grande! Estava um dia ensolarado, porém ventava muito. Dava para sentir o que enfrentaríamos... Pegamos nossa bagagem (que chegou inteirinha) e fomos para o hotel. À noite, montamos as bikes (tivemos que trocar uma câmera que havia furado, aliás a única da viagem) e demos a última organizada para, no dia seguinte iniciarmos nossa aventura.

Saímos do Rio Grande na manhã do dia 13 de Outubro. Estava muito frio e o vento já castigava. Sabíamos que este dia seria pesado, pois a Estação Ecológica do Banhado do Taim (o destino do primeiro dia) ficava as uns 90 km de Rio Grande. Fomos até Quinta, um vilarejo a 20 e poucos quilômetros, com um pouco de movimento, principalmente de caminhões. Logo após Quinta a estrada, um retão só, foi ficando cada vez mais vazia. Nossos companheiros eram os pássaros, que aumentavam em número e espécies conforme seguíamos. Além dos pássaros, vimos também o Rato do Banhado. Havia muitos deles próximo ao acostamento mas, conforme chegávamos perto, eles logo se escondiam. Essa região do sul do Brasil é realmente muito bonita. É possível ver lagoas e banhados durante grande parte do percurso e a diversidade da fauna é incrível.

Chegamos no Taim, outro vilarejo, e perguntamos para uma senhora num bar (onde comemos alguma coisa) onde havia lugar para acampar. Não havia!! Ela gentilmente nos ofereceu seu quintal. Preferimos seguir até a estação ecológica para conhecer e ver se podíamos acampar lá.Chegando perto da estação a paisagem, que já era bonita, ficou maravilhosa. Tivemos até a sorte de ver duas Capivaras e algumas aves bem grandes. Pena que nosso companheiro Vento não dava folga.Quase chegando à estação encontramos com um cicloturista vindo em nossa direção. Ficamos muito felizes de encontrar um similar em lugar tão distante. Santiago, esse é o nome dele, é um argentino que estava fazendo uma cicloviagem de Buenos Aires até Santos!! Parte do percurso que ele já fizera nós estávamos prestes a fazer. Nos despedimos de nosso amigo e seguimos. Chegamos na estação perto da seis horas da tarde e tivemos e maravilhosa notícia de que ali não se pode acampar! Descobrimos também que havia um ônibus que poderia nos levar até a próxima cidade, Santa Vitória do Palmar, e que passava no Taim às 20:30 h. Voltamos para o Taim cansados mas curtindo a linda paisagem. No Taim só havia bolacha água e sal para se comer. Compramos um pacote e fomos conversar com o argentino (ele iria dormir lá). O frio só aumentava. Às 20:30 h, como previsto, embarcamos no ônibus. Chegando em Santa Vitória do Palmar fomos para um hotel, que por coincidência era o hotel onde o argentino havia passado a noite anterior. Acho que o dono do hotel nunca havia visto tanto cicloturista junto!

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