E. F. AMAPÁ

Reportagem

Transcrevemos a seguir resumo de reportagem sobre a Estrada de Ferro Amapá, feito por Sergio Martire.

  • MIDIA –JORNAL -"O ESTADO DE SÃO PAULO
  • TITULO -HOMENS QUE FAZEM O BRASIL
  • SUB-TITULO –ANTUNES , O QUE UNE NEGÓCIOS E FILOSOFIA
  • DATA -20 DE JUNHO DE 1982
  • AUTOR- CRISTINA PINHEIRO MACHADO-

RESUMO POR SERGIO MARTIRE

EXTRATOS DA ENTREVISTA : AUGUSTO TRAJANO DE AZEVEDO ANTUNES

" O HOMEM QUE COMPROU O JARI "

Era tempo de guerra, 1940 . A Inglaterra precisava de mineiro de ferro e os Estados Unidos de manganês. Nasceu nessa época a Companhia Vale do Rio Doce para atender aos acordos firmados em Washington.

Azevedo Antunes também resolveu exportar. Fez acordo com os ingleses da mineração Morro Velho, para explorar ferro e manganês. Em 1942, arrendou deles o Pico de Itabira, em Itabirito- MG, que integra hoje a maior jazida privada de minério de ferro do Pais, e pertencente a Minerações Brasileira Reunidas. Naquele tempo de guerra, a empresa chamava-se ICOMI- Industria e Comercio de Minérios Ltda., o negocio era pequeno e explorava-se o minério com pá e picareta.

O manganês era mais difícil de trabalhar do que o ferro. Ele varia de uma jazida para outra. Vendia-se também, especialmente quando a siderúrgica de Volta Redonda, Companhia Siderúrgica Nacional, começou a funcionar. A Icomi forneceu manganês, ferro e calcário para a primeira corrida de aço e que começou com 250 mil toneladas de aço por ano. Era uma demanda pequena. Havia também a Central do Brasil para atrapalhar, devido as suas limitações de estrutura, pequena para o tanto de gente que precisava embarcar suas mercadorias, esse era o principal entrave para quem quisesse crescer.

Em 1946 a noticia correu célere: No Amapá, território criado em 1943, haviam jazidas de manganês. Em dezembro de 1946, Azevedo Antunes, foi para lá. Navegou por um rio "que passava entre paredões de verde". Era o rio Amapari. Encontrou um minério de qualidade, com grande afloramentos. Era a Serra do Navio . Ao governador do Território Federal, disse "...que a serra apresentava grandes quantidades de minério, precisava de muita pesquisa para confirmar a qualidade, quantidade e requeria um porto de embarque e que seriam necessários cerca de 15 milhões de dólares para o empreendimento...", cifra que despertou, para a época grande espanto -- Após o termino do projeto essa cifra atingiria o total 100 milhões de dólares Norte-Americanos.

Já existia decreto, desse mesmo ano de 1946, qualificando as jazidas de reserva nacional, estipulando que sua exploração, feita pelo governo ou pela iniciativa privada, deveria reverter em beneficio para o Amapá. Duas grandes mineradoras internacionais disputavam a exploração do manganês, a Hanna Mining e a U.S.Steel. A Icomi entrou na concorrência, Em dezembro de 1947, assinava-se o contrato para explorar o manganês do Amapá. Em janeiro de 1948 Azevedo Antunes foi para lá com 100 homens.

Surgiram novos entraves ao empreendimento: para se montar infra-estrutura de exploração que as minas exigiam e mereciam era preciso muito dinheiro. Corria o tempo de Guerra Fria, a União Soviética bloqueou o fornecimento de manganês para os Estados Unidos. A reserva do Amapá tornou-se estratégica. Novamente o Amapá estava em destaque, pois durante a 2a Guerra Mundial, os Estados Unidos construíram base militar na cidade de Amapá (distante de Macapá 200 Km ) para dar apoio aos seus aviões que iriam para a África; novamente os Estados Unidos vieram ao território em busca de segurança. A Icomi aceitou encomendas – o contrato com o governo americano assegurava o fornecimento de 5,5 milhões de toneladas de manganês, que seriam previamente financiadas sem garantia de entrega e pelo preço mínimo estipulado na ocasião.

Em 1949, Azevedo Antunes foi a Washington e trouxe assinado em junho de 1949, contrato, cujas condições vigoram até hoje (1982, data da entrevista). O sócio escolhido foi a Bethlehem Steel , que aceitou a parceria de 49% contra 51% do sócio brasileiro, ficando a comercialização do minério no Brasil. A Bethlehem Steel compra 20% da produção.

Nota do WebMaster. Essa é portanto, em resumo, a história desse empreendimento que é a ICOMI e, por conseguinte, a Estrada de Ferro do Amapá.

Voltar

 

1 1