~~~~~~~~ Informativo No. 373 / 31.07.2003 ~~~~~~~~~ (Trecho do boletim de 31.07.2003) Fiquei devendo, no início deste mês, um texto sobre a carreira de Buddy Ebsen, que faleceu recentemente. Aí vai finalmente. Agradeço a Cíntia Martin pelo auxílio sempre luxuoso na coleta das informações mais relevantes. Tentarei inclusive ilustrar este boletim dentro do site do Divulgando com fotos de várias fases da carreira de Ebsen, capas dos livros, etc., incluindo uma dele, já velhinho, onde aparece segurando um álbum de fotos vestido de "Homem de Lata": leia abaixo a respeito. ORIGEM Christian Rudolph Ebsen nasceu em Belleville, Illinois, EUA, em 02 de abril de 1908. Mudou-se com os pais e quatro irmãs para West Palm Beach, na Flórida, quando tinha 12 anos. Estudou dança na escola de seu pai e fez balé clássico.NA BROADWAY Por problemas financeiros, Buddy Ebsen deixou a escola e foi tentar a vida em Nova York."I arrived in New York with $26.25 in my pocket and a letter of introduction to a friend of a friend's cousin," ele lembrava. "I got a job in a road company, but the producer said, 'That boy one foot taller than the rest of 'em -- out!'". Mas os primeiros passos de Ebsen no show business foram mesmo na Broadway, na década de 20. A princípio fazendo parte de coros, ele formou posteriomente uma dupla com sua irmã Vilma, com a qual executava números de Vaudeville, também na Broadway. Ebsen fez participações, entre outras, em : "Whoopee" (1928), "Flying Colors" (1933), "Ziegfield Follies" (1934), "Yokel Boy" (1939), "Showboat" (1945), "Male Animal" (1953). CHEGADA A HOLLYWOOD Em 1935, Buddy Ebsen chegou a Hollywood, onde foi escalado para o primeiro filme de Eleanor Powell para a MGM, "Broadway Melody de 1936". Sua irmã, que participou com ele do filme, desistiu da carreira pouco tempo depois, enquanto Buddy Ebsen participou de dois outros filmes da MGM com Eleanor Powell. Em seus primeiros filmes para o cinema sempre esteve bem acompanhado: com Shirley Temple, dançou em "Captain January" (1936), com Frances Langford, em "Born to Dance" (1936), e com Judy Garland em "Broadway Melody of 1938". Buddy Ebsen não virou "astro protagonista" no cinema, mas seu currículo na tela grande inclui créditos como ter sido galã de Barbara Stanwyck ou marido de Audrey Hepburn. Foi um grande coadjuvante e só trocou Hollywood pela TV porque, como disse, "eles (os executivos dos estúdios) resolveram me aposentar e eu queria seguir trabalhando".
Por sinal, adorava contar histórias. Barbara Stanwyck já era uma estrela quando fez "Um Romance no Mississippi" (1936, direção de John Cromwell) e Ebsen, já com 28 anos, confessou posteriormente que perdera a fala ao receber seu primeiro beijo na telona justamente de uma estrela daquela grandeza. "Esqueci o diálogo e virei motivo de chacota da equipe", lembrava ele. Nada convencional, Buddy Ebsen era descrito como "angular, moved with a smooth, sliding shuffle, his arms gyrating like a wind-blown scarecrow". Em 1938, Louis B. Mayer, o todo poderoso da MGM (onde Ebsen ganhava US$ 2.000 por semana, em valores da época), ofereceu a ele um contrato de exclusividade, que ele não aceitou. Segundo a lenda, o diálogo teria sido: "Ebsen, in order to give you the parts you deserve, we must own you", ao que Ebsen teria respondido: "I'll tell you what kind of a fool I am, Mr. Mayer, I can't be owned." Mayer teria dito então a ele que Ebsen nunca mais conseguiria qualquer trabalho em Hollywood novamente. Ebsen foi para Chicago e ficou mais um ano em cartaz, em "Good Night, Ladies", mas mantinha Hollywood em em seus planos. PASSAGEM PELA TERRA DE OZ Curiosamente, Buddy Ebsen acabaria sendo convidado logo em seguida para um papel marcante num dos mais famosos filmes de todos os tempos: seria dele o papel de Espantalho em "O Mágico de Oz", no célebre ano de 1939, considerado por muitos críticos como o ano de ouro do cinema americano. Em uma primeira versão da história, Ebsen teria concordado em trocar de papel com Ray Bolger, que na verdade faria o Homem de Lata. Mas Ebsen teria ficado doente, e então o papel de Espantalho acabou ficando com Ray Bolger e o do Homem de Lata com Jack Haley. Na verdade, há outra versão: o papel na verdade seria o do Homem de Lata, mas a maquiagem de tinta alumínio teria causado uma séria alergia em Buddy Ebsen, e então o papel teria ido direto para Jack Haley (Ray Bolger, portanto, não teria nada a ver com essa história).
Ebsen teria até parado numa tenda de oxigênio, por insuficiência respiratória. A rodagem do filme foi complicada, vários realizadores revezaram-se na direção, e por tudo isso há quem jure (outra lenda do cinema) que algumas de suas cenas foram aproveitadas e passaram despercebidas pelos críticos e fãs do filme (que oficialmente foi creditado ao diretor Victor Fleming, o mesmo de "....E o Vento Levou").
Ebsen participou ainda de outros importantes filmes como : "O Anjo do Farol" (o já supracitado "Captain January", de David Butler, de 1936), pertencente à série que o diretor Butler fez com a menina prodígio Shirley Temple. "Morte Sem Glória" ("Attack", 1956, de Robert Aldrich), integrando o pelotão comandado por Jack Palance. e do cultuado e imperdível "Bonequinha de Luxo" ("Breakfast at Tiffany's"), de Blake Edwards, 1961), como Doc Golightly, o marido que revela a verdade sobre o passado de Lulamae Barnes (Holly Golightly), vivida pela inesquecível Audrey Hepburn. SUCESSO NA TELEVISÃO Ebsen fez mais de 50 participações em filmes e séries de TV e cinema, incluindo o papel de George Russel dentro do programa Disneylândia, levado para o cinema como "Davy Crockett, King of the Wild Frontier" (de 1954) e "Davy Crockett and the River Pirates" (de 1956), sempre contracenando com Fess Parker. "A balada de Davy Crockett" fez muito sucesso entre a criançada da época. Posteriormente faria muito sucesso também na TV com a série "The Beverly Hillibillies" ("A Família Buscapé"), que ficou no ar na TV americana de 1962 a 1971: durante os primeiros dois anos, "A Família Buscapé" foi o programa de TV número 1 nos Estados Unidos, atraindo mais de 60 milhões de telespectadores a cada semana. A série tratava de uma família que mal tinha o que comer numa cidadezinha chamada Ozark. Depois de descobrir petróleo nas suas terras, os Clampetts iam parar em Beverly Hills, podres de ricos, aprontando todo tipo de gafe e confusão.
Ebsen também estrelou a versão de "A Família Buscapé" para o cinema, em 1993, dirigida por Penelope Spheeris. Ainda na TV, Buddy Ebsen ficou bastante conhecido e fez muito sucesso como o detetive particular "Barnaby Jones" na série de mesmo nome, de 1973 a 1980.
NOVOS RUMOS Com o passar dos anos, Buddy Ebsen também encontrou tempo para escrever shows musicais, como "Turn to the Right" e "Champagne Dada," e uma peça de teatro, "The Champagne General." Entre livros, litogravuras e aparições em eventos, cinema e TV, até marinheiro ele foi: consta que com seu "Polynesian Concept", venceu uma prova entre Los Angeles-Honolulu em 1968, e que ele chegou a participar da fabricação de catamarãs ! Nos últimos anos, se aposentou (ou "foi aposentado", como ele dizia) da TV, mas ainda com muita energia e querendo se manter na ativa, iniciou, já nonagenário, outra carreira. Seu primeiro romance, Kelly's Quest, de 2001, quando ele já tinha 93 anos, virou um best seller nos EUA.
FALECIMENTO Buddy Ebsen faleceu no último dia 06 de julho de 2003 no Torrance Memorial Medical Center em Torrance, California, de complicações advindas de uma pneumonia, aos 95 anos. Ebsen era casado com Dorothy Knott, sua terceira esposa a partir de 1985: anteriormente, fora casado com Ruth Cambridge (1936), com quem teve 2 filhas, e depois com Nancy Wolcott, de 1944 a 1985, com quem teve 4 filhas e 1 filho. Sua esposa atual e seus filhos Alexandra, Susannah, Cathy, Bonnie, Kiki e Dustin, além de seis netos, estavam ao seu lado no momento de sua morte. Deixa uma autobiografia, "The Other Side of Oz".
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