Divulgando o Sapateado Por Aí !
~~~~~~~~ Informativo No. 373 / 31.07.2003 ~~~~~~~~~   

Pelo segundo ano consecutivo, o sapateado emplaca um dos prêmios
especiais do "Festival de Dança de Joinville", e mais uma vez a
cidade de São José dos Campos confirma o crescimento desta arte a
cada ano na região. Em 2003, entre todas as modalidades de dança, o
grupo "CBS Tap Factory", da Companhia Brasileira de Sapateado,
conquistou a Medalha de Ouro e um prêmio de R$ 10.000,00 como Melhor
Grupo de todo o evento, com o número "Taiko Sounds", primeiro
colocado na categoria Sapateado Avançado na noite de sapateado do
festival. 

Ficam os efusivos parabéns a Adriana Brunato, coreógrafa da CBS, a
todos os sapateadores de seu estúdio, que deram todo seu empenho
para mais essa conquista, e à cidade de São José dos Campos, por
mais essa premiação.

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A professora Andréa Kopp (PR) informa que está voltando a dar aulas
no Studio D, em Curitiba, no horário de terças e quintas às 19h
(Adiantado Adulto) e terças e quintas às 20h (Intermediário Adulto).
Maiores informações: (0xx41) 242-9937 ou andytap@brturbo.com.br

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A mestra Kika Sampaio (SP) pede para parabenizar os grupos de
sapateado participantes da edição 2003 do "Festival de Dança de
Joinville", onde foi professora e jurada este ano, em especial a já
citada Companhia Brasileira de Sapateado pelo prêmio especial
conquistado: "Parabéns a todos os grupos que mesmo não ganhando o
primeiro lugar deixaram sua marca registrada nas nossas memórias."

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A mestra Cíntia Martin (RJ) pede para avisar que está há alguns dias
com problemas em seu e-mail e não tem recebido nem respondido as
últimas mensagens a ela enviadas. Até a resolução do problema, que
deve acontecer em no máximo uma semana, as mensagens mais
imprescindíveis serão recebidas e respondidas pelo e-mail
(provisório):

cintiarainho@hotmail.com

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Fiquei devendo, no início deste mês, um texto sobre a carreira de
Buddy Ebsen, que faleceu recentemente. Aí vai finalmente. Agradeço a
Cíntia Martin pelo auxílio sempre luxuoso na coleta das informações
mais relevantes. Tentarei inclusive ilustrar este boletim dentro do
site do Divulgando com fotos de várias fases da carreira de Ebsen,
capas dos livros, etc., incluindo uma dele, já velhinho, onde
aparece segurando um álbum de fotos vestido de "Homem de Lata": leia
abaixo a respeito.

ORIGEM

Christian Rudolph Ebsen nasceu em Belleville, Illinois, EUA, em 02 de
abril de 1908. Mudou-se com os pais e quatro irmãs para West Palm
Beach, na Flórida, quando tinha 12 anos. Estudou dança na escola de
seu pai e fez balé clássico. 



NA BROADWAY

Por problemas financeiros, Buddy Ebsen deixou a escola e foi tentar a
vida em Nova York."I arrived in New York with $26.25 in my pocket
and a letter of introduction to a friend of a friend's cousin," ele
lembrava. "I got a job in a road company, but the producer said,
'That boy one foot taller than the rest of 'em -- out!'". 

Mas os primeiros passos de Ebsen no show business foram mesmo na
Broadway, na década de 20. A princípio fazendo parte de coros, ele
formou posteriomente uma dupla com sua irmã Vilma, com a qual
executava números de Vaudeville, também na Broadway. Ebsen fez
participações, entre outras, em :

"Whoopee" (1928), 
"Flying Colors" (1933), 
"Ziegfield Follies" (1934),
"Yokel Boy" (1939), 
"Showboat" (1945), 
"Male Animal" (1953).

CHEGADA A HOLLYWOOD

Em 1935, Buddy Ebsen chegou a Hollywood, onde foi escalado para o
primeiro filme de Eleanor Powell para a MGM, "Broadway Melody de
1936". Sua irmã, que participou com ele do filme, desistiu da
carreira pouco tempo depois, enquanto Buddy Ebsen participou de dois
outros filmes da MGM com Eleanor Powell. 

Em seus primeiros filmes para o cinema sempre esteve bem acompanhado:
com Shirley Temple, dançou em "Captain January" (1936), com Frances
Langford, em "Born to Dance" (1936), e com Judy Garland em "Broadway
Melody of 1938". Buddy Ebsen não virou "astro protagonista" no
cinema, mas seu currículo na tela grande inclui créditos como ter
sido galã de Barbara Stanwyck ou marido de Audrey Hepburn. Foi um
grande coadjuvante e só trocou Hollywood pela TV porque, como disse,
"eles (os executivos dos estúdios) resolveram me aposentar e eu
queria seguir trabalhando".



Por sinal, adorava contar histórias. Barbara Stanwyck já era uma
estrela quando fez "Um Romance no Mississippi" (1936, direção de
John Cromwell) e Ebsen, já com 28 anos, confessou posteriormente que
perdera a fala ao receber seu primeiro beijo na telona justamente de
uma estrela daquela grandeza. "Esqueci o diálogo e virei motivo de
chacota da equipe", lembrava ele. Nada convencional, Buddy Ebsen era
descrito como "angular, moved with a smooth, sliding shuffle, his
arms gyrating like a wind-blown scarecrow". 

Em 1938, Louis B. Mayer, o todo poderoso da MGM (onde Ebsen ganhava
US$ 2.000 por semana, em valores da época), ofereceu a ele um
contrato de exclusividade, que ele não aceitou. Segundo a lenda, o
diálogo teria sido: "Ebsen, in order to give you the parts you
deserve, we must own you", ao que Ebsen teria respondido: "I'll tell
you what kind of a fool I am, Mr. Mayer, I can't be owned." Mayer
teria dito então a ele que Ebsen nunca mais conseguiria qualquer
trabalho em Hollywood novamente. Ebsen foi para Chicago e ficou mais
um ano em cartaz, em "Good Night, Ladies", mas mantinha Hollywood em 
em seus planos.

PASSAGEM PELA TERRA DE OZ

Curiosamente, Buddy Ebsen acabaria sendo convidado logo em seguida
para um papel marcante num dos mais famosos filmes de todos os
tempos: seria dele o papel de Espantalho em "O Mágico de Oz", no
célebre ano de 1939, considerado por muitos críticos como o ano de
ouro do cinema americano. Em uma primeira versão da história, Ebsen
teria concordado em trocar de papel com Ray Bolger, que na verdade
faria o Homem de Lata. Mas Ebsen teria ficado doente, e então o papel 
de Espantalho acabou ficando com Ray Bolger e o do Homem de Lata com
Jack Haley. 

Na verdade, há outra versão: o papel na verdade seria o do Homem de
Lata, mas a maquiagem de tinta alumínio teria causado uma séria
alergia em Buddy Ebsen, e então o papel teria ido direto para Jack
Haley (Ray Bolger, portanto, não teria nada a ver com essa história).



Ebsen teria até parado numa tenda de oxigênio, por insuficiência
respiratória. A rodagem do filme foi complicada, vários realizadores
revezaram-se na direção, e por tudo isso há quem jure (outra lenda do
cinema) que algumas de suas cenas foram aproveitadas e passaram
despercebidas pelos críticos e fãs do filme (que oficialmente foi
creditado ao diretor Victor Fleming, o mesmo de "....E o Vento
Levou"). 



Ebsen participou ainda de outros importantes filmes como :

"O Anjo do Farol" (o já supracitado "Captain January", de David
Butler, de 1936), pertencente à série que o diretor Butler fez com a
menina prodígio Shirley Temple.

"Morte Sem Glória" ("Attack", 1956, de Robert Aldrich), integrando o
pelotão comandado por Jack Palance. 

e do cultuado e imperdível "Bonequinha de Luxo" ("Breakfast at
Tiffany's"), de Blake Edwards, 1961), como Doc Golightly, o marido
que revela a verdade sobre o passado de Lulamae Barnes (Holly
Golightly), vivida pela inesquecível Audrey Hepburn.

SUCESSO NA TELEVISÃO

Ebsen fez mais de 50 participações em filmes e séries de TV e
cinema, incluindo o papel de George Russel dentro do programa
Disneylândia, levado para o cinema como "Davy Crockett, King of the
Wild Frontier" (de 1954) e "Davy Crockett and the River Pirates" (de
1956), sempre contracenando com Fess Parker. "A balada de Davy
Crockett" fez muito sucesso entre a criançada da época.

Posteriormente faria muito sucesso também na TV com a série "The
Beverly Hillibillies" ("A Família Buscapé"), que ficou no ar na TV
americana de 1962 a 1971: durante os primeiros dois anos, "A Família
Buscapé" foi o programa de TV número 1 nos Estados Unidos, atraindo
mais de 60 milhões de telespectadores a cada semana. A série tratava
de uma família que mal tinha o que comer numa cidadezinha chamada
Ozark. Depois de descobrir petróleo nas suas terras, os Clampetts
iam parar em Beverly Hills, podres de ricos, aprontando todo tipo de
gafe e confusão.



Ebsen também estrelou a versão de "A Família Buscapé" para o cinema,
em 1993, dirigida por Penelope Spheeris. Ainda na TV, Buddy Ebsen
ficou bastante conhecido e fez muito sucesso como o detetive
particular "Barnaby Jones" na série de mesmo nome, de 1973 a 1980.



NOVOS RUMOS

Com o passar dos anos, Buddy Ebsen também encontrou tempo para
escrever shows musicais, como "Turn to the Right" e "Champagne
Dada," e uma peça de teatro, "The Champagne General." Entre livros,
litogravuras e aparições em eventos, cinema e TV, até marinheiro ele
foi: consta que com seu "Polynesian Concept", venceu uma prova entre
Los Angeles-Honolulu em 1968, e que ele chegou a participar da
fabricação de catamarãs !

Nos últimos anos, se aposentou (ou "foi aposentado", como ele dizia)
da TV, mas ainda com muita energia e querendo se manter na ativa,
iniciou, já nonagenário, outra carreira. Seu primeiro romance,
Kelly's Quest, de 2001, quando ele já tinha 93 anos, virou um best
seller nos EUA. 



FALECIMENTO

Buddy Ebsen faleceu no último dia 06 de julho de 2003 no Torrance
Memorial Medical Center em Torrance, California, de complicações
advindas de uma pneumonia, aos 95 anos. Ebsen era casado com Dorothy
Knott, sua terceira esposa a partir de 1985: anteriormente, fora
casado com Ruth Cambridge (1936), com quem teve 2 filhas, e depois
com Nancy Wolcott, de 1944 a 1985, com quem teve 4 filhas e 1 filho.
Sua esposa atual e seus filhos Alexandra, Susannah, Cathy, Bonnie,
Kiki e Dustin, além de seis netos, estavam ao seu lado no momento de
sua morte.

Deixa uma autobiografia, "The Other Side of Oz".



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Um grande abraço a todos,

Marcelo Batalha

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"Se procurar bem, você acaba encontrando, 
não a explicação (duvidosa) da vida, 
mas a poesia (inexplicável) da vida. 
(Carlos Drummond de Andrade)
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  DIVULGANDO O SAPATEADO POR AI 
  http://www.geocities.com/divulgando
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  Informativo periodico, sem fins lucrativos, a nao 
  ser o engrandecimento do sapateado brasileiro.
  Criado em abril de 1998 - Editor: Marcelo Batalha 
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  Agradeço a atencao. Participe enviando dicas.
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