VIAGENS NA MINHA TERRA, de Almeida Garrett

 
 Uma viagem feita por Garrett de Lisboa a Santarém, a convite de Passos Manuel, foi o embrião desta obra genial. 
    Publicada em folhetins na Revista Universal Lisbonense, em virtude da crítica social e política aos agiotas do cabralismo, chegou-se a atribuir-lhe intuitos políticos. 
    Como se realiza Garrett nas Viagens? 
    O equilíbrio que o Classicismo desenvolvera em Garrett e que ele testemunha nas suas produções, sofre uma grande rotura com a segunda grande paixão da sua vida pela Viscondessa da Luz. Fez dele o poeta ardente da Folhas Caídas e o diletante das Viagens. Aqui, Garrett encontra-se a si próprio. Por isso, esta obra que se biparte no seu conteúdo, oferece-nos, na primeira parte, o trabalho de um espírito digressivo, amante de novidades, a lembrar o repórter atento à captação do pormenor mais inédito para o sensacionalismo da notícia do jornal. O crítico e o humorista, na sua gala de erudição, passa de um assunto para o outro, por associação de ideias, o que, de certo modo, desnorteia o leitor menos preparado. Mas, oferecendo a novidade do estilo coloquial, logo capta a sua atenção.
    Distinguem-se três partes na obra:

    1ª) Descrição da Viagem a Santarém, onde se revela o romântico na forma como viu e sentiu a paisagem do Ribatejo, nos momentos em que faz transposição da realidade para o sonho e no seu bem vincado amor às coisas nacionais: monumentos, costumes.

    2ª) Inteiramente entrelaçadas na obra, as divagações do autor - o elemento mais pessoal - , onde se vinca bem a crítica ao materialismo no contraste entre:
D. Quixote - imagem do frade - espiritualista;
Sancho Pança - barão - materialista.

    3ª) A novela da Menina dos Rouxinóis, a partir do capítulo X, sempre cortada por divagações.
 
 
 
 
 
 
 

 

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