Sabotagem

Três anos luitando pola libertaçom do conhecimento na área lusófona.

 

  Hai três anos que o Coletivo Sabotagem iniciou a sua actividade dedicada à distribuiçom gratuita de livros digitalizados. Mas, nom, nom se trata dum projecto mais de e-books. Sabotagem dirige a sua actividade abertamente contra os direitos de propriedade privada intelectual, sem qualquer ánimo de lucro, co objetivo de luitar polo livre fluxo do conhecimento. Como apoio a este projecto publicamos os dous documentos disponhíveis nos que expressam os seus pontos de vista.

 

 

O Movimento Somos Nós!

 

  Um movimento formado por retículas capilares no território, mas sem um território, como um rizoma, uma multiplicidade de conexões sem sujeito e/ou objeto. Assim podemos caracterizar a crescente rede no cyber-espaço entre rebeldes, contestadores do estado de coisas existente, hackers, "pirateadores" etc. E foi no meio desse cadinho de loucos que os membros do Coletivo Sabotagem se encontraram de uma forma espontânea sem instituir princípios comportamentais e morais.

 

  Mas o que nos fez convergir para um objetivo em comum, qual utopia queríamos dividir? Se tentássemos responder essa pergunta desgastaríamos o "ouvido" do leitor, porque são várias, diferentes e até contraditórias as respostas, mas identificamos uma prioridade para começarmos: as múltiplas dificuldades impostas pelo mercado de acesso a livros de boa qualidade literária e, principalmente, de críticas coerentes e independentes à nossa sociedade atual. Localizado o problema fomos pra prática: transformando livros, textos e idéias em dados digitais e o resto é história! Como alguém disse certa feita (não lembro quem e não importa quando): para cada foco particular de poder se desenvolve uma luta; ou dito de outra forma: no centro da própria engrenagem há que se criar a contra-mola que resiste; ou ainda, mais simplesmente, bradar: o Rei está nu!...

 

  A perspectiva de sabotar o mecanismo relacional da produção e do consumo da cultura, terá, por sua vez, implicações na estruturação do regime de gerência da propriedade intelectual, nas leis que a regem e nos lobbies de grandes editoras corporativas que agem dentro dos parlamentos. É claro que tudo isso não ocorrerá com a publicação ilícita de meia dúzia de títulos por um punhado de idealistas, dependerá do alastramento desse tipo de iniciativas na Internet e principalmente na impressão irrestrita de obras, numa clara atitude de violação das leis que ditam os direitos autorais. Fazendo essa violação abertamente, publicamente, motivados pela ilegitimidade da instituição dessas leis, que só favorecem o truste das empresas editoriais. Designar os focos de poder, denunciá-los, falar deles publicamente, forçando a rede de informação institucional é uma primeira inversão de poder. Informações, idéias e invenções não tem dono, não são propriedades. A partir do momento que ela foi externalizada, seja por qualquer meio, esta perde seu progenitor: fica sendo da humanidade. Quer o mercado queira ou não...

 

Sabotagem, 12 Agosto do 2004.

 

 

 

Conhecimento não se compra! Se toma!

 

  Na dita "sociedade da informação" o bem mais precioso, como o próprio nome já diz, é a informação. Rumores fazem despencar bolsas, uma informação mal contada pode levar países a bancarrota, segredos privilegiados podem transformar qualquer vendedor de cachoro quente em um novo magnata. Os conhecedores dos poderes quase milagrosos da informação detêm um monopólio cada vez maior desse bem precioso. O conhecimento que poderia ser usado na intenção de engrandecer a humanidade como um todo e promover uma melhor comprensão de si e das coisas à sua volta, se transforma, ou se mantém, no mesmo status de um bem material qualquer, sob a regência das flutuações do mercado. E as leis, que segundo dizem alguns, deveriam proteger o cidadão e elevar a todos à um nível de igualdade, misteriosamente são moldadas a partir dos interesses desses mercadores de informação.

 

  Os homens que agora restringem o conhecimento protegidos por leis absurdas se esquecem que eles próprios se aproveitam do conhecimento deixado pelas gerações passadas portadoras de pontos de vistas para além do seu próprio umbigo, consideravam que suas idéias poderiam beneficiar as gerações futuras de um modo geral para além dos poucos que podem pagar. Foi neste contexto de desigualdade crescente que um grupo de bravos tomados de grande furor e espírito desbravador jogou sua nau na rede e hasteou a bandeira negra para terror e desespero do império. A distribuição de livros de forma gratuíta mais do que a simples violação de leis que consideramos injustas é acreditar que através do conhecimento, cultura e arte podemos buscar ser algo melhor, é não temer o futuro e acima de tudo teimar em ter esperança no homem.

 

Sabotagem, 16 de Setembro de 2004.

 

 

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  Por último, recomendamos duas importantes contribuiçons deste site:

 

  - O livro Maio de 68 que fora elaborado polo grupo Solidarity, que foi o mais importante agrupamento da esquerda revolucionária británica desde o ano 60 até começos dos 80 do século XX. (Outros textos deste grupo podem encontrar-se em espanhol na web do CICA ou neste link: Vivir y luchar, pensar y actuar - Solidarity.)

 

  - O livro Urgência das ruas - Black block, Reclaim the streets e os dias da açao global, que recolhe relatos, comunicados, artigos e entrevistas das gentes que participaram nas acçons de protesta com motivo das reunions dos organismos capitalistas globais.

 

 

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