CdC-Galiza

 

O mito do caracter revolucionário do bolchevismo (e o que representa)

 

 

1. O partido socialdemócrata ruso, dirigido pola intelectualidade radical e baseado na luita contra o zarismo e os restos feudais, nom esperava mais que a revoluçom burguesa antes de 1917. Somentes Lenin, e logo umha minoria de dirigentes, cambiaram de rumo na calor dos acontecimentos, que se iniciaram co derrube da monarquia zarista. (Depóis, este giro repentino foi mistificado meiante a distinçom ideológica entre “revoluçom de Fevreiro” e “de Outubro”, o que leva a perder de vista todos o nexos de continuidade do processo histórico e das forças actuantes nel.)

 

2. Isto significa, de por si, que o partido bolchevique nom tinha, como tal, nengumha conceiçom prática clara do socialismo antes de 1917, nem tampouco da transiçom entre capitalismo e socialismo -além das que já foram esboçadas por entom no movimento socialdemócrata, a mais conhecida e influinte a teoría do “capitalismo organizado” de Hilferding (O capital financeiro, 1910).

 

3. Esta mesma problemática marca a transiçom nas obras de Lenin, entre as Duas tácticas da socialdemocracia na revoluçom democrática e O Estado e a Revoluçom. Como chefe do partido, a sua evoluçom era tamém a máxima expressom teórica do partido, mas nom ultrapassou as teorias económicas socialdemócratas. Isso supuxo a traslaçom efectiva das conceiçons socialdemócratas à  táctica revolucionária de toma do poder, resultando o modelo de transiçom ao socialismo meiante o desenvolvimento do capitalismo de Estado.

 

4. A posterior divisom interna do bolchevismo, entre os grupos de oposiçom xurdidos em meio do processo revolucionário e o grupo dirigente leninista, foi o reflexo da diferente relaçom de intelectuais e oposiçom obreira respeito do processo revolucionário. As posiçons da Oposiçom Obreira ou dos Comunistas de Esquerda -que nom passaram de reduzidas minorias- eram o reflexo do autodesenvolvimento espontáneo do movimento da classe na revoluçom, a tendência política dos comités de fábrica. O grupo de Lenin era o reflexo das aspiraçons da intelectualidade radical e a tendência política que, polo seu programa efectivo, representava os interesses do Capital. A concepçom leninista da praxis política, do partido e das relaçons coas massas, demonstrou a sua adequaçom essencial a esta tarefa de desenvolver o capitalismo nas condiçons específicas de Rúsia.

 

5. A raiz da centralidade do proletariado, actividada no processo revolucionário, a classe obreira inicia o processo de transiçom de potência a acto das suas próprias capacidades de transformaçom social. Sem embargo, a intelectualidade carece de interesses revolucionários por sí mesma, ainda que tamém careza (por falta de força) dum projecto próprio em desenvolvimento. Os seus interesses ordinários derivam-se da sua funçom social de monopolizar o conhecimento e as funçons directivas (entenda-se amplamente o concepto de Intelectualidade, pois no capitalismo nom se limita às funçons teóricas, mas tende a assumir as funçons práticas de direcçom). A sua própria existência representa, em germe, a divisom intelectual-manual do trabalho em que se funda a sociedade de classes. A sua ideologia social é umha expressom da sociedade burguesa e, aplicada no movimento obreiro, consiste em restringir a consciência proletária e reintroduzir ou forlalecer a consciência dominante (ou seja, conservadora, autoritária e alienada). Levada à direcçom do movimento revolucionário tem que desvia-lo à restauraçom do capitalismo.

 

6. Só o proletariado pode construir umha organizaçom de vangarda revolucionária comunista.

 

7. Para avançar, o proletariado necessita efectuar umha crítica revolucionária teórico-prática das teorias e do papel da intelectualidade na sociedade capitalista, no seu próprio movimento e na revoluçom proletária.

 

8. A revoluçom proletária só pode preparar-se construindo um programa de totalidade durante décadas antes da Revoluçom. Nom porque a classe obreira nom seja capaz de desenvolve-lo experimentalmente, directamente na prática, mas porque tal programa é um resorte necessário para paliar as suas debilidades, ocasionadas pola sua própria experimentaçom e a falta de consciência -debilidades que, continuamente, som aproveitadas polo capital para impôr-se e desarticular ou anular os seus esforços. Mas trata-se dum programa que nom foi nem será elaborado por um grupo qualquer -por mais que a sua elaboraçom seja um processo histórico no que as suas aportaçons participam-; como programa de autolibertaçom d@s proletari@s como classe, somentes pode ser obra do conjunto d@s proletari@s.

 

9. A Intelectualidade é umha força essencial na perpetuaçom do estado presente do movimento de classe. É umha força reaccionária e conservadora, umha força que se opóm ao desenvolvimento realmente revolucionário do movimento defendendo as velhas conceiçons ultrapassadas ou a ideologia burguesa, e cujos interesses como classe estám na perpetuaçom do capitalismo baixo a forma que seja.

 

10. O desenvolvimento da autonomia proletária é a superaçom da Intelectualidade: a supressom da mesma e o seu ultrapassamento criativo, suprimindo a divisom intelectual-manual do trabalho polo desenvolvimento e a energia da classe obreira mesma.

 

11. A força da Intelectualidade reside em última instáncia na sua capacidade mental e na sua vinculaçom ao movimento de massas. A força revolucionária do proletariado reside na cooperaçom entre iguais para os interesses comuns, e na consciência que autoproduz meiante essa cooperaçom. Embora, a diferência fundamental entre as relaçons sociais promovidas por umha ou outra parte, consiste em que a primeira reproduz a escala colectiva a alienaçom individual (seguindo o modelo da cooperaçom alienada dentro da produçom capitalista). A cooperaçom do proletariado revolucionário, porém, produz a escala colectiva a libertaçom individual -sitúa o desenvolvimento livre do indivíduo como condiçom da autonomia colectiva: a separaçom da sociedade capitalista e o autodesenvolvimento no sentido comunista.

 

12. Somentes como parte dessa cooperaçom autónoma, que suprime a divisom alienante do trabalho, pode a intelectualidade ser integrada como elemento da revoluçom proletária. A importáncia política da intelectualidade e o grado de desenvolvimento da divisom intelectual-manual do trabalho dentro do movimento proletário, som um indicativo da sua madurez revolucionária.

 

 

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