VII. Conclusons e perspectivas do comunismo de conselhos na Galiza.
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Lidas as teses precedentes, resultará evidente por que, além dos motivos relativos à nossa oposiçom ao sindicalismo e os partidos (que nom vamos a tratar aqui), os comunistas revolucionári@s nom podemos militar na esquerda independentista. E, ainda mais, quanto destas motivaçons está ligado, em realidade, à oposiçom ao bolchevismo e ao reformismo, nom a dar umha importáncia menor à problemática nacional -nem tampouco, por suposto, devido a quaisquer preconceitos ideológicos "anti-nacionalistas"-. A luita contra o independentismo burguês começa pola luita contra o bolchevismo.
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O independentismo existente tem umha focage reformista da luita de classe, tanto na táctica como nos princípios, desligando o programa mínimo do programa máximo, ou bem recaindo na interpretaçom trotskista das "medidas de transiçom". Isto é o que se oculta detrás das frases radicais e dos berros de "independência!!!", e isto é, tamém, o que realmente constitue a prática social deste movimento.
Certamente, o independentismo alenta a "combatividade" da classe obreira, mas somentes para ganhar o seu apoio e utiliza-la para ganhar posiçons nos sindicatos. Como qualquer partido, o seu objetivo é o poder para si, nom a libertaçom d@s proletári@s. A sua única particularidade, ideológica, consiste em negar o desenvolvimento do proletariado como sujeito revolucionário autónomo nom simplesmente substituindo a sua autoactividade consciente pola do partido, mas, ao mesmo tempo, mistificando a luita proletária contra a opressom nacional como umha luita da "naçom galega" contra a "naçom espanhola", mantendo deste modo a luita de classes encerrada dentro das fronteiras nacionais ou, mais exatamente, dentro do seu campo político de acçom de partido.
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A esquerda independentista galega forma-se como movimento político na década dos 70, a partir da radicalizaçom das posiçons pro-proletárias dentro do ámbito de influência do nacionalismo burguês, de tipo populista, da UPG. Coa derrota do ascenso proletário dos 70 e a reacçom "democrática", essas posiçons 'fixam-se', em lugar de proseguir a sua tendência evolutiva a rachar com toda forma de nacionalismo burguês. Deste modo, co crescimento subseguinte do independentismo, crescem tamém estes rasgos reaccionários e se reafirmam; o mesmo que se reafirma, tamém, a herdança leninista frente às tendências à autonomia que se expressam nas luitas obreiras mais avançadas. Igualmente, consolida-se o papel dirigente da intelectualidade radical, em lugar de ser ultrapassada e reduzida a um papel secundário pola acçom de massas proletária.
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As características burguesas do independentismo som a expressom, mediatizada pola criaçom de organizaçons políticas separadas da massa, da imadurez histórica da consciência do proletariado. Por conseguinte, nós nom consideramos o independentismo como umha mera ideologia política, mas como um movimento social; tampouco consideramos determinante do seu carácter de classe, ainda que tenha tamém a sua importáncia, a proporçom de proletári@s nas suas fileiras. O decisivo é a qualidade, nom a quantidade, a prática, nom a teoria. É no desenvolvimento histórico da luita de classes onde está a força propulsora da revoluçom, que inclue a superaçom das velhas formas de acçom, de organizaçom e de pensamento. Portanto, aparte de expôr claramente as nossas ideas, nom é em absoluto o nosso objetivo superar o independentismo actual meiante discusons teóricas ou a elaboraçom dumha "nova teoria". As nossas aportaçons devem considerar-se como umha reflexom mais sobre o curso histórico da luita de classes e o modo de encauzar as nossas aspiraçons emancipatórias.
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O concepto de "povo trabalhador" é umha concesom à pequena-burguesia que já nom se justifica de nengum modo. Hoje @s assalariad@s constituem o 70% da populaçom activa na Galiza, e continuarám a crescer. O concepto de "povo trabalhador" é umha expressom vulgarizada da consigna da "aliança do proletariado e do campesinado", aplicada extensivamente polo estalinismo à pequena-burguesia urbana e à intelectualidade. Do nosso ponto de vista, sem embargo, somentes o proletariado, os trabalhadores e trabalhadoras que para sobreviver se vem obrigad@s a entregar a sua força de trabalho ao capital, a submeter-se à produçom de plusvalor, tenhem no seu ser social a determinaçom necessária, como impulso e como experiência, para suprimir a explotaçom capitalista e libertar à humanidade de todas as formas de dominaçom e explotaçom existentes.
A pequena-burguesia aspira a um Estado que respeite a pequena propriedade individual e a divisom intelectual-manual do trabalho, combinando-os cumha grande industria estatizada posta ao seu serviço. Semelhante Estado somentes pode ser um Estado altamente autoritário, dado que a pequena-burguesia nom possue nengumha coexom social do género da do proletariado, criada polo próprio trabalho associado e pola concentraçom do capital. Esse Estado, convertido em capitalista geral, devirá, por necessidade, em representante da acumulaçom de capital, encumeando para este objetivo a um punhado de políticos e intelectuais privilegiados como nova classe dominante. Semelhante "socialismo" é um engano para o proletariado, e nem sequer suporá para el umha "libertaçom nacional", pois toda a sua vida "nacional" seguirá oprimida por esse Estado essencialmente totalitário. Se lograsse certa melhora no bem-estar material e na libertade nacional formal, seria somentes graças à sua própria explotaçom e opressom mais intensificadas e totais.
Em definitiva, o independentismo significa na prática a renúncia à centralidade do proletariado como classe revolucionária que arrastrará tras de si no seu movimento revolucionário às grandes massas da sociedade. No seu lugar, o independentismo defende a formaçom dumha frente popular cujo carácter de classe estaria supostamente garantido pola presência central dum "partido comunista". Deste modo, negam práticamente tanto o carácter proletário da revoluçom como o carácter comunista desse "partido" (que se nega teóricamente a si próprio como tal ao proclamar-se como partido comunista "de libertaçom nacional"). A teoria independentista da revoluçom socialista é a formulaçom mistificada da praxis da revoluçom burguesa num país subdesenvolvido e submetido a um Estado alheo.
Se @s proletári@s tenhem que buscar apoio n@ labreg@, n@ comerciante, no intelectual profissional, etc., entom significa que nom estám preparad@s para a sua auto-libertaçom, e que o mais necessário é que @s proletári@s revolucionári@s trabalhem, de acordo coas suas possibilidades, para promover a clarificaçom das condiçons e dos meios que precisam para libertar-se.
Mas, como temos dito, a explicaçom do carácter interclassista efectivo do independentismo nom consiste na análise da sua matriz ideológica, mas no facto histórico de que se desenvolve-se em separaçom do movimento proletario real. O interclassismo nom é o resultado dumha determinada composiçom social considerada estáticamente, senom do desenvolvimento práctico que alicerça toda a vida histórica das correntes políticas.
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@s nacionalistas pequenoburgueses tenhem que insistir contínuamente na dimensom cultural da vida nacional, pois é na vida cultural na que, aparentemente, os indivíduos podem ser autónomos baixo o capitalismo. A suposta liberdade cultural seria, portanto, umha realidade comum para todos os indivíduos independentemente da sua classe. Seguindo a mesma lógica democrático-burguesa, o independentismo nom entra nunca a considerar o carácter de classe da cultura nacional, nem a introduzir critérios de classe para resolver os problemas nacionais. Assi, por exemplo, defende-se o reintegracionismo por motivos histórico-filológicos, mas nom por um criterio internacionalista proletário. Assi, a sua posiçom sobre a opressom lingüística e cultural consiste em reempraçar a imposiçom cultural actual, espanholizante, por outra imposiçom cultural, galeguizante.
As ideas independentistas sobre a naçom e a libertaçom nacional, e por extensom sobre a organizaçom social, fundamentam-se na ideologia democrática burguesa, nom nas condiçons da emancipaçom proletária.
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O erro teórico fundamental do independentismo é que pretende lograr a unidade da libertaçom de classe e da libertaçom nacional pola via teórica. Isto é, meiante umha soluçom programática e organizativo-formal -um tipo de partido revolucionário nacional-, umha soluçom necessáriamente abstraida, portanto, do conteúdo social prático. A unidade da libertaçom de classe e da libertaçom nacional somentes pode realizar-se práticamente, através do desenvolvimento prático do movimento proletário mesmo. É autodeterminando-se como sujeito social através da luita de classes, como o proletariado se autodetermina tamém como comunidade nacional.
Em lugar de esforçar-se por este desenvolvimento do proletariado como movimento de classe revolucionário, o independentismo quere que seja o proletariado quem se amolde ao seu projecto de libertaçom nacional e se integre nas suas organizaçons. Trata-se de adoctrinar ao proletariado, nom de que desenvolva por si próprio através da sua experiência na luita e do seu despertar à reflexom. Em todo isto, o independentismo segue passo a passo as linhas fundamentais da teoria bolchevique.
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O independentismo concibe a naçom existente como o seu marco de acçom. O comunismo nom concibe outro marco que a classe obreira mundial. O independentismo quere preservar a naçom existente, defendendo-a nom só frente às agressons exteriores mas tamém na sua "integridade" histórica linguístico-cultural. Em lugar de partir da realidade do proletariado nacional para definir o seu projecto de naçom, pretende amoldar ao proletariado à sua concepçom da naçom como ente uniformizado cultural e linguísticamente, seguindo nisto a teoria clássica do nacionalismo burguês e do bolchevismo.
O nacionalismo proletário, entendendo por isto nom umha ideologia, mas somentes a defesa dos interesses do proletariado na sua forma nacional, significa tudo o contrário: a afirmaçom da multiplicidade cultural e linguística do proletariado, o esforço por umha nova comunidade nacional sem classes e criada a partir dessa multiplicidade de elementos, sem proscrever o facto de que formas culturais foráneas se tenham convertido, para umha parte da populaçom trabalhadora, em parte viva da sua cultura individual e colectiva.
A unidade da naçom proletária reside na comunidade consciente para satisfazer as necessidades e para desenvolver as capacidades e singularidades de tod@s, nom em qualquer identidade uniformizadora de tipo cultural ou supra-histórico.
Em resumo: @s comunistas revolucionári@s queremos a destruiçom da naçom burguesa para criar umha forma de comunidade nacional superior, que se convirta em parte constitutiva dumha comunidade do género humano entanto se extenda mundialmente a revoluçom comunista. O independentismo quere conservar a naçom burguesa e está imbuido dum espírito nacional burgués. Somentes no proletariado pode o nacionalismo voltar a ter umha significaçom revolucionária e emancipadora, mas de nengumha maneira no sentido "nacional" da burguesia.
Na comunidade humana mundial formada sobre a base da economia comunista as diferentes singularidades nacionais interactuarám livremente para chegar a umha forma de cultura humana realmente universal, superando o seu recíproco extranamento e extinguindo assi progressivamente qualquer "independência cultural" no estreito sentido actual.
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@s proletári@s nom temos pátria. O nosso objetivo nom é conservar a naçom capitalista mas constituir-nos nós mesm@s em naçom, suprimindo o capitalismo. Nesta elevaçom como classe nacional, a classe obreira autodetermina-se e luita contra a explotaçom nacional, que nom é mais que outra forma da explotaçom de classe. Esta luita nom pode prosperar isolada, necessita da unidade internacionalista activa co proletariado dos demais países, especialmente quando se incluem dentro do mesmo Estado. Nom basta coa simples solidariedade temporal. Mas tampouco esta unidade pode constituir-se na renúncia a necessária autonomia nacional no sentido mais pleno da palavra ("dar-se as próprias leis"). Acontece, deste modo, que no caso do proletariado galego a destruiçom do Estado capitalista nom pode ser abordada isoladamente, e precisa da unidade com todas as fracçons nacionais do proletariado que se ubicam dentro do Estado espanhol. Neste sentido, estamos frontalmente em contra da táctica independentista de "cada qual ao seu", que subestima o poder do inimigo assi como as dificuldades do processo revolucionário. O que esta tática expressa é umha falta de consideraçom séria do objetivo revolucionário, a sua reduçom a umha consigna sem significaçom prática na actividade real d@s independentistas.
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A unidade do proletariado como classe mundial é, como o proletariado mesmo, um produto do capitalismo e do seu carácter de economia mundial. Ainda que a luita de autolibertaçom do proletariado assuma em cada país rasgos diferenciais muito amplos e profundos na sua forma, segundo as distintas condiçons históricas e a posiçom que tem o país dentro do capitalismo mundial, o proletariado nom luita por libertar "à naçom", mas por libertar-se a si mesmo (como classe e como comunidade nacional) da naçom existente, da naçom burguesa, seja oprimida ou opressora, seja colonizada ou imperialista. A revoluçom social proletária significa, simultaneamente, a autoconstituiçom d@s proletári@s em naçom em todos os países e a transformaçom comunista-revolucionária total da vida nacional.
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Como o independentismo actual toma por base a naçom burguesa e nom a sua supressom revolucionária, concibe a independência nacional de acordo cos parámetros do capitalismo e do Estado-naçom, ou seja, de modo burguês. Umha concepçom da independência nacional sobre bases comunistas será radicalmente diferente da do nacionalismo burguês. Aqui tamém segue sendo absolutamente válido o princípio de que "o proletariado segue a ser nacional, mas de nengum modo no sentido burguês" (Marx). Esta concepçom comunista da independência nacional, inscrita dentro do marco dumha unidade mundial conscientemente integrada polas diversas comunidades nacionais proletárias, é o que nós queremos referir co concepto de «independência constituinte».
A revoluçom burguesa foi essencialmente umha revoluçom política, já que o seu objetivo foi permitir o desenvolvimento sem travas dum modo de produçom previamente existente. Assi, a burguesia realizou a independência política da naçom, recém formada como unidade económica durante o ascenso económico da burguesia baixo o absolutismo. Xurdiu assi o "Estado-naçom". A revoluçom proletária é essencialmente umha revoluçom económica, pois o seu objetivo fundamental é criar um novo modo de produçom, objetivo ao qual se subordinam todas as suas medidas políticas. O proletariado nom possue umha base económica própria independente do capitalismo, somentes conta consigo mesmo, organizado como força produtiva social consciente, e deve desenvolver as suas capacidades sociais além do nível em que o capital as confina dentro do régime de explotaçom. Por isso, a força da emancipaçom proletária nom consiste em nengumha forma exterior de poder político, que puidesse manter-se independentemente da autoactividade consciente da classe mesma, senom que consiste no próprio desenvolvimento d@s proletári@s como indivíduos totais e, por conseguinte, como sujeitos políticos, formando umha comunidade de luita que destrue o poder capitalista e transforma as relaçons sociais que subordinam a actividade humana à acumulaçom de riqueza excedente.
A independência política da naçom é um objetivo histórico da burguesia, nom só no sentido de que este corresponda aos seus interesses gerais como classe, mas tamém no sentido de que é a única forma de independência possível para as comunidades de carácter e cultura tomando por base a sociedade burguesa, o capitalismo. Incluso as naçons que actuam como imperialistas a escala mundial nom som económicamente independentes em realidade, e precisamente a sua dependência se amossa na dialéctica desenvolvimento-subdesenvolvimento, ou seja, no facto de que precisam ser imperialistas e precisam manter como coloniais a outras unidades económicas nacionais, regionais, locais, etc..
Dum ponto de vista económico, as naçons imperialistas nom som mais que os centros dominantes do processo de acumulaçom mundial de capital, a onde aflue o grosso da plusvalia extraida ao proletariado mundial. As naçons como tais nom "oprimem" ou "dominam" a outras, salvo no sentido de que umha burguesia imperialista seja capaz de dominar ao seu proletariado nacional até o ponto de que este sirva como carne de canom nas suas acçons colonizadoras. De igual modo, umha vez suprimidas realmente as formas de produçom pre-capitalistas -incluso quando podam subsistir em apariêência, encubrindo a proletarizaçom real-, a explotaçom dumha naçom por outra já nom é preeminentemente mais que umha forma da explotaçom de classe, dado que o proletariado constitue entom a clara maioria da populaçom trabalhadora.
Somentes coa revoluçom proletária mundial criam-se as condiçons para realizar a verdadeira independência económica das naçons, transformando todas as relaçons económicas internacionais. Dado o carácter mundial da economia capitalista, qualquer tentativa de realizar o desenvolvimento económico independente das naçons tem que levar ao fiasco ou à sua elevaçom a naçons imperialistas. Incluso nos chamados países "socialistas", a "burguesia de Estado" pode somentes opôr-se às tendências do capitalismo mundial temporalmente, e carregando nos lombos d@s proletári@s as conseqüências das suas arbitrariedades. Únicamente co establecimento dumha economia mundial planificada em funçom das necessidades sociais de toda a humanidade, integrando tanto o que estas tenhem de universal como todas as suas particularidades e singularidades, pode establecer-se a independência económica das naçons. Naturalmente, esta independência nom tem nada que ver coa "independência nacional" no sentido burguês: significa a mais plena liberdade de cada comunidade nacional para determinar permanentemente as suas relaçons coas outras naçons, o qual só é possível umha vez se tenhem suprimido as classes e os antagonismos de classe que dividem à sociedade e ao mundo.
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Se co desenvolvimento do capitalismo galego o proletariado passou, desde os anos 60-70, do 40% ao 70% da populaçom activa na actualidade, deixando anacrónica a perspectiva e o programa interclassistas do independentismo, paralelamente o capitalismo galego aparece cada vez mais claramente como umha economia amoldada às necessidades exteriores da acumulaçom de capital, associando à burguesia nacional coa burguesia estrangeira. Esta forma de capitalismo nacional, caracterizada na sua base pola sobreexplotaçom crónica do proletariado, em benefício tanto da burguesia nacional (tal e como existe, determinada pola sua posiçom internacional) como da burguesia estrangeira, é o que chamamos em termos genéricos capitalismo colonial.
O capitalismo colonial nom significa em modo algum que o antagonismo de classes adopte a forma do antagonismo entre a naçom oprimida, formada preeminentemente polo chamado "povo trabalhador", e a naçom opressora, representada pola burguesia estrangeira. Significa, ao contrário, que o antagonismo de classes adopta, para o proletariado, umha dupla forma: por um lado, a forma geral da luita de classes entre proletariado e burguesia nacionais, e polo outro a forma específica da luita de classes entre o proletariado e a burguesia estrangeira ou, melhor, num sentido mais amplo, contra a forma colonial das relaçons de produçom que determina, por umha parte umha sobreexplotaçom do proletariado em comparaçom cos países dominantes, e por outra parte a extroversom do processo de acumulaçom de capital através do binómio estructural capital nacional dependente-capital estrangeiro dominante.
Posto que na época da decadência aberta do capitalismo a perspectiva dumha saída do subdesenvolvimento é completamente utópica -e, de facto, assistimos hoje a um processo de recolonizaçom do mundo no que os países especializados na produçom agrária absorvem agora as formas de produçom industrial intensivas em mao de obra, antes localizadas nos países capitalistas mais avançados-, o antagonismo de classes na sua forma colonial específica nom pode em modo algum conduzir a umha aliança do proletariado com quaisquer sectores "progressivos" da burguesia, senom que tem que orientar-se, resolta e directamente, a suprimir o capitalismo nacional e a criar as condiçons para o livre desenvolvimento nacional sobre bases comunistas.
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O programa de capitalismo de Estado, que é o auténtico programa económico do bolchevismo, implica umha visom reducionista e ahistórica do problema da transformaçom económica que vai do capitalismo em declive ao comunismo desenvolvido. A decadência do capitalismo radica em que a produçom de plusvalor entra em contradiçom coa supressom crescente da parte do capital invertida em força de trabalho (capital variável) em comparaçom coa parte invertida em maquinária e materiais (capital constante). Chegado um ponto, somentes incrementando contínuamente a explotaçom absoluta do trabalho (produçom de plusvalia absoluta) pode o capital manter a sua rendabilidade ou taxa de benefício em ascenso, condiçom sem a qual a invesom se paralisa e a economia global se afunde na crise. Mas este incremento absoluto da explotaçom bate contra límites biológicos e sociais: por umha parte, a extensom da jornada laboral e a reduçom dos salários tenhem férreos limites na extenuaçom e inaniçom do proletariado; por outra parte, este mesmo processo deixa patente, de forma imediata, que o capitalismo se volta cada vez mais incompatível coa existência da classe obreira e da sociedade em geral.
Por conseguinte, a pretensom de transformar a economia capitalista meiante a simples estatizaçom e o establecimento de 'relaçons capitalistas modificadas' (um trabalho assalariado desprovisto de explotaçom de classe, umha produçom de mercadorias com preços regulados polo Estado, etc., etc.) somentes pode derivar, através da formaçom dumha burguesia de Estado, numha volta ao capitalismo convencional pola via da contra-revoluçom burocrática e da luita de classes (exceito no caso de que se produza umha revoluçom proletária consciente). Igual que aconteceu nos países "socialistas", umha fracçom da própria burocracia estatal foi quem acometeu a transformaçom do velho capitalismo de Estado numha forma de capitalismo "livre", com todas as conseqüências de descomposiçom da estrutura económica acarretadas pola impossibilidade dum verdadeiro desenvolvimento económico progressivo no marco do capitalismo mundial decadente. Pôr a um Estado "proletário" como capitalista geral somentes pode significar, na prática, criar as condiçons para reestablecer a divisom em classes da sociedade, que está já implícita na separaçom entre Estado e sociedade civil.
Em resumo, nas condiçons actuais o programa de capitalismo de Estado é absolutamente reaccionário e as suas consequências, no suposto de tentar aplicar-se, serám catastróficas para o proletariado. Isto deixando a um lado o facto de que, evidentemente, o capitalismo de Estado somentes pode superar o subdesenvolvimento nacional intensificando ainda mais a explotaçom do proletariado para competir co capitalismo exterior. O capitalismo de Estado será somentes umha continuaçom do capitalismo decadente baixo outra forma, que pretende fazer-se passar pola sua superaçom, mas que somentes poderá retardar o afundimento último da economia capitalista e descarregar assi, de modo mais concentrado, as suas consequências sobre o proletariado, colhendo-o desprevido (sirvam de exemplo os efeitos da restauraçom do capitalismo "livre" em Rússia). Ademais, o capitalismo de Estado, incluso se realizado a escala internacional, nom supera a divisom entre países coloniais e imperialistas, como se demonstrou no papel imperialista da URSS sobre os seus países satélites.
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Repetindo o dito no Manifesto Comunista: o derrocamento do capitalismo e a autoconstituiçom do proletariado em naçom som um mesmo movimento. Para o proletariado a revoluçom social é a consumaçom da sua independência de classe frente ao capital, do mesmo modo que a consumaçom da sua independência como comunidade nacional frente a todas as forças que o oprimem como tal. Ao desenvolver-se como movimento autónomo que engloba à maioria da sociedade, o proletariado constitue-se, à vez, em poder revolucionário e em comunidade social autónomos.
Tanto a libertaçom de classe como a libertaçom nacional, para ser verdadeiras, exigem a superaçom do bolchevismo e o abandono de todas as tácticas e concepçons reformistas e jacobinas. Isto significa, para o proletariado galego, ir além do independentismo actual para chegar a umha nova perspectiva que unifique práticamente ambos aspectos da autolibertaçom proletária.
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@s comunistas de conselhos galeg@s luitamos contra o frentismo nacional e qualquer aliança de classes. Nom queremos nengumha aliança coas forças reformistas e interclassistas organizadas. Reconhecemos como único marco de colaboraçom a participaçom de igual a igual como proletári@s na luita de classes real. Luitamos pola separaçom do proletariado de todas estas organizaçons e influências capitalistas, mantendo somentes umha coexistência pacífica temporal no contexto das luitas imediatas e sempre que nom se orientem efectivamente a suprimir a autonomia de classe. Meiante a agitaçom política, dirigida a subministrar elementos de autoclarificaçom teórica e prática, buscamos favorecer o processo de decantaçom e autoorganizaçom revolucionárias dos elementos mais avançados da classe.
Na luita contra o bolchevismo e o reformismo, apoiamos condicionadamente a aquelas tendências que desempenhem um papel progressivo frente às que som puramente conservadoras, vendo especialmente no parlamentarismo sindical e político, no estalinismo e no nacionalismo burguês, os mais fortes baluartes do submetimento do proletariado ao capitalismo.
Nós nom pretendemos aportar umha soluçom definitiva a todos os problemas formulados. Somentes queremos difundir umha proposta cuja funçom seja server como meio para a reflexom e discussom entre @s proletári@s avançad@s. Será através da luita prática como se clarificarám efectivamente todas estas questons, ainda que seja ao preço de graves derrotas. Sabemos que as nossas orientaçons som difízeis de assimilar no contexto actual, marcado pola falta dumha perspectiva revolucionária prática e pola influência da ideologia leninista e do nacionalismo burguês. Embora, somentes rachando com todas as concepçons dominantes poderá a classe obreira desenvolver-se como sujeito revolucionário e lograr a sua autolibertaçom.
«A revoluçom comunista é a ruptura mais radical coas relaçons de propriedade tradicionais, nada de estrano tem que o curso do seu desenvolvimento rache, do jeito mais radical, coas ideas tradicionais.»
Marx/Engels, O Manifesto Comunista, 1848.