Estado espanhol
ANO E MEIO DE CONFLITO NOS ASTELEIROS
ESTATAIS
Í n d i
c e :
1. A modo de introduçom
2. As luitas dos obreiros de auxiliares e a divisom
entre trabalho garantido e trabalho precarizado
3. Umha derrota anunciada
5. Crise, que crise?
6. A lógica do capital e a lógica do proletariado
7. Conclusons e perspectivas
1. A modo de introduçom
A meiados
do 2003 a plantilha de Izar começava umha série de mobilizaçons e paros para a
negociaçom do seu convénio de empresa e em luita por carga de trabalho. Um ano
depois fazia-se público que Izar teria que devolver as enormes subvençons
estatais recebidas de mao do PP. O cámbio de governo serviu-lhe à burguesia
como anel ao dedo, permitindo-lhe apresentar umha nova reestruturaçom como algo
económicamente inevitável e políticamente responsabilidade do governo anterior.
A ameaça
da reestruturaçom nom é nova. Todas as chamadas reconversons nom som outra
cousa que passos adiante na precarizaçom do trabalho, no crescimento da
subcontrataçom e reduçom das plantilhas com trabalho garantido. Em realidade,
som a forma em que o capital, ante as enormes dificultades que teria umha
privatizaçom directa dos grandes asteleiros, busca traspassar o sector naval a
maos privadas: meiante o desmantelamento progressivo da empresa pública em
favor das empresas subcontratistas. Por outra parte, durante a luita pola
negociaçom do convénio, a resistência da SEPI às actualizaçons salariais
defendidas polos sindicatos, afirmando que era necessário reduzir custes e
bloqueando a negociaçom durante messes, mentres a carga de trabalho se ia
esgotando sem novos contratos, era um signo claro do que se estava a preparar
já antes do cámbio de governo.
Nessas
condiçons, os obreiros de Izar permaneceram maioritariamente passivos e seguirám
as directrizes dos seus chefes sindicais. O enorme peso do sindicalismo tem a
sua base subjectiva no conformismo co trabalho garantido, que vai acompanhado
dum estancamento da consciência de classe, fortalecendo a identidade co
trabalho assalariado e as ilusons reformistas. Este peso actuou como um potente
freo ao desenvolvimento da luita; com poucas exceiçons, as mobilizaçons tiveram
um carácter meramente corporativo, nom incluindo aos obreiros de auxiliares.
A adesom
aos sindicatos -apesar das numerosas críticas aos seus dirigentes, apesar das
iniciativas de base que os sobrepassaram e deram lugar isoladamente a cortes de
tráfico e sabotages em contraposiçom ao inicial pacifismo sindical-
convertiria-se num lastre para o movimento de classe e, até o de agora, num
lastre impossível de superar.
2. As luitas dos obreiros de auxiliares e a
divisom entre trabalho garantido e trabalho precarizado
A divisom
existente entre os obreiros da empresa principal e os das auxiliares nom é algo
novo nem se explica pola falta de organizaçom ou consciência dos últimos. Ao
contrário, a unidade tem existido, mas como umha unidade pontual subordinada e
controlada polos sindicatos, da que os obreiros precários tiraram a leiçom de
que essa "unidade de acçom" nom incluia os seus próprios interesses.
Neste processo, paralelo à vissível complicidade dos sindicatos e comités de
empresa coa subcontrataçom e o mantenimento das condiçons de sobreexplotaçom
dos obreiros de auxiliares, madurou a consciência de classe nas companhias
auxiliares e tendeu a expressar-se práticamente em folgas autónomas que
chocaram de frente co colaboracionismo e a paz sindicais (como as folgas de
auxiliares em Izar-Fene e Izar-Ferrol).
O
significativo é que, salvo certas esceiçons nos asteleiros civís -onde estám
mais sujeitos à competência-, em geral a divisom entre garantidos e precários
mantem-se como um rasgo permanente. Esta falta de solidariedade de classe
sustenta-se nos privilegios relativos que, em relaçom coa maioria da classe
obreira, permite o trabalho público e fixo, sobretudo no sector naval militar
onde umha parte importante da produçom é para o próprio Estado espanhol. Depois
de décadas tolerando a sobreexplotaçom do proletariado subcontratado, nom se
pode atribuir meramente aos sindicatos a responsabilidade por esta divisom,
senom que resposta a causas mais profundas.
Por outra
parte, as sucessivas "traiçons" sindicais jogaram o papel de promover
a corrupçom geralizada, de modo que umha parte das plantilhas de Izar vem sendo
comprada meiante as prejubilaçons e as indemnizaçons para levar adiante as
sucessivas reestruturaçons. Esta realidade nom pode ocultar-se, como pretendem
certos pseudo-revolucionários. Por contra, nós pensamos que a verdade é
revolucionária, e que é preciso atacar frontalmente esta forma de corrupçom1 social-demócrata do proletariado em
todos os campos -económico, político/sindical e ideológico-.
Independentemente da questom da devoluçom das ajudas ou da falta de
quota de mercado suficiente, todas as medidas para "sanear" as arcas
do Estado capitalista ou as das empresas privadas tenhem sempre como base o
critério da maximizaçom do benefício e a sua aplicaçom intensificando a
explotaçom obreira. Como todas essas medidas, a reestruturaçom do sector naval
obedece tamém à estrategia económica capitalista de incrementar a explotaçom do
proletariado através das privatizaçons e da precarizaçom (aparte da questom de
se as privatizaçons consistem em "regalar" as empresas públicas aos
"amigos" do partido governante).
Umha vez
efectuada a reestruturaçom, quem suportará o peso principal de quaisquer
dificultades económicas do capital será o proletariado precarizado. Porque, nos
asteleiros, é a extensom da jornada laboral e a degradaçom das suas condiçons
de trabalho nas companhias auxiliares, nom os despidos da empresa principal, os
que constituem a maior fonte de reduçom de custes laborais. Por isso, a divisom
dentro do proletariado revela duas cousas de importáncia determinante para a
luita de classes: a falta de consciência de classe de parte importante dos
obreiros da empresa principal, tanto dum ponto de vista económico como
político, e o facto que todas as luitas pola defesa dos postos de trabalho que
mantenhem esta divisom som essencialmente luitas corporativas, cujo único
objectivo real é garantir o futuro
dos trabalhadores despedidos da principal com substanciosas prejubilaçons e
idemnizaçons e garantir o emprego para os que quedem. Umha vez que,
reestruturaçom tras reestruturaçom, os obreiros da empresa principal nom rompem
com esta divisom, é que nom se trata simplesmente dumha manipulaçom dos
aparelhos sindicais, senom dumha adesom a esses aparelhos.
3. Umha derrota anunciada
A unidade
cos obreiros precarizados teria sido essencial para lograr os objectivos de
classe. Isto, tanto pola sua importáncia económica e numérica, como porque som
maioria numha área enteira de actividade como som as reparaçons. A unidade,
quando existiu nas luitas actuais, nom foi umha verdadeira unidade, senom
simples adhesom temporal ou solidariedade, porque baixo a direcçom e controlo
dos sindicatos dos asteleiros a verdadeira unidade nom é possível.
Os
sindicatos tenhem pouca ou nengumha presência organizada entre os trabalhadores
de auxiliares porque o sindicalismo nom pode, objectivamente, fazer frente à
sobreexplotaçom do proletariado em que se sustenta a subcontrataçom. Em
primeiro lugar, porque carecem da independência material para enfrentar-se ao
capitalismo, ou ainda quando podam possuir certa independência (sindicatos
ultraminoritários) nom tenhem nem o poder nem o discernimento necessários para
elevar a autoactividade do proletariado até o ponto de constituir-se em poder
organizado frente ao capital, o qual por outra parte significa um salto
revolucionário insustentável sobre a assunçom sindicalista do capitalismo como
algo dado e perdurável. Em segundo lugar, porque os sindicatos ligam-se
fortemente, e mais no contexto do capitalismo decadente, aos sectores de
trabalho garantido -por mui relativas que sejam quaisquer "garantias"
no capitalismo e toda a existência do proletariado na sociedade burguesa se
poda definir como "precária"-. Isto acontece porque som os únicos
sectores onde os sindicatos tenhem ainda marge para apresentar-se e interpretar
o papel de representantes dos interesses da classe obreira, já que a dinámica
regressiva das condiçons laborais nom se fai tam patente, ou se encontra acolchonada por dous
factores: objectivamente, polas importantes conquistas do passado -sem as quais
o trabalho garantido nom teria nunca realidade algumha-, e subjectivamente,
pola ameaça vissível da precarizaçom e polos mecanismos de corrupçom
mencionados anteriormente.
O que os
sindicatos nom representem realmente os interesses da classe obreira, nem
sequer do seu sector aristocrático (o emprego público fixo com grandes
conquistas históricas), somentes queda patente quando a pressom de massas é
inexistente e a burocracia sindical pode campar às suas anchas. Mas, ainda
entom, o carácter capitalista dos sindicatos apresenta-se como um problema de
"burocracia" ou de direcçons "oportunistas". Os delegados
sindicais seguem actuando formalmente como os representantes da classe obreira,
ainda quando realmente consintam em subordinar os interesses da classe obreira
aos do capital. A confiança nos
sindicatos segue aquí fortemente arraigada. Em cámbio, alí onde se fai
manifesto que os sindicatos nom questionam a degradaçom do trabalho, alí onde
se demonstram incapaces de assumir nengumha luita consequente contra a
sobreexplotaçom, alí o proletariado encontra-se rápidamente em oposiçom aos
sindicatos. Nada de casual é que as luitas autónomas actuais tendam a ter como
protagonista ao proletariado precarizado.
Os
sindicatos nom unem à classe obreira, senom que a unem ao Estado capitalista.
Por isso, a funçom dos sindicatos pode combinar-se perfeitamente coa táctica
divisória empregada polos sindicatos "nacionalistas". A questom de
cómo se subordina ao proletariado à burguesia, ou de a qué fracçom nacional da
burguesia se pretende subordinar, nom é a luita do proletariado, senom a luita
d@s burócratas sindicais entre si. Incluso os sectores "críticos", as
fracçons esquerdistas dos sindicatos, tenhem que reduzir-se às declaraçons de
intençons, já que a ruptura aberta na prática coa direcçom oficial suporia a
sua expulsom. O proletariado nom pode ter, pois, outra expectativa que a
formaçom de núcleos autónomos capazes de impulsar a luita de classes e dar-lhe
umha orientaçom independente.
Sem a
organizaçom autónoma do proletariado nom é possível superar o corporativismo, a
atomizaçom, a minimizaçom e o isolamento das acçons mais contudentes. Mas para
isso o próprio proletariado tem que superar a consciência sindicalista, que o
ata aos mecanismos e instituiçons do capitalismo, tem que romper conscientemente
cos sindicatos. Quando nom o fam o resultado é o que vemos: em lugar dumha
luita unificada cos obreiros de auxiliares com objectivos comuns, em lugar de
transformar a luita polo convénio de empresa numha luita geral do sector e das
localidades afectadas, os obreiros de Izar estiveram inactivos na maior parte
dos asteleiros mentres a carga de trabalho se reduzia -ou seja, mentres
empioravam as condiçons para lograr avanços-. O cesse das mobilizaçons coa
excusa de esperar ao cámbio de governo lhe funcionou mui bem à burocracia
sindical, que assí lograva duas cousas à vez: livrar-se da pressom da classe
obreira e dar ar ao governo do PP ou, se este perdesse as eleiçons, fomentar as
ilusons de que o PSOE seria, quando menos, "menos máu".
Este processo
de integraçom servil da luita proletária no capitalismo, junto coa divisom
preexistente cos obreiros precários, criou as condiçons para a derrota actual,
fazendo económicamente ineficaces os esforços do proletariado e
impossibilitando que a luita se extendese e se elevasse a umha luita política
contra o Estado capitalista. Somentes a geralizaçom e unificaçom autónoma
poderiam ter feito eficaces as luitas. É mais, o mantenimento do controlo
sindical é umha garantia para os capitalistas de que as luitas nom suponhem
umha ameaça importante, que será possível anular fazendo passar a derrota por
vitória, os recortes por concesons, co discurso de que, ainda que tenhamos que
"apretar-nos o cinto", se conseguiram "garantias" de
emprego.
Em
qualquer caso, o curso das luitas em Izar confirma que o "trabalho
garantido" segue sendo um pontal objectivo da ofensiva capitalista dentro
do proletariado, dividindo ao proletariado e socavando a luita e a
solidariedade de classe do seu sector melhor pago. A divisom dentro deste mesmo
sector no caso de Izar, entre o sector da industria militar e o sector da
industria civil, que salvo umhas exceiçons foi marginado e condeado por Estado
e sindicatos à privatizaçom, é umha demonstraçom acrescentada disto. Co plano
de reestruturaçom, os asteleiros civís quedam condeados à ultraexplotaçom ou à
quebra, por nom falar das futuras condiçons laborais que agardam aos obreiros
de auxiliares nos asteleiros civís umha vez privatizados.
Em todas
as luitas que se desenvolveram nos distintos asteleiros do Estado contra a
reestruturaçom, a autonomia de classe ou estivo ausente, ou foi incapaz de
rebasar as directrices sindicais. Os momentos de autonomia estiveram sempre
subordinados à estrategia da negociaçom sindical, porque todas as acçons eram
concebidas desde o prisma dessa estratégia ainda polos próprios obreiros. E nom
se pode confundir o "radicalismo" do contenedor e da barricada coa
autonomia proletária -mui apesar de que estas medidas podam ser, às vezes e ao
começo, umha iniciativa de classe-; estas práticas som facilmente manipuláveis
polos sindicatos e, como no caso actual das luitas do naval, este radicalismo
aparente é convertido polos sindicatos numha táctica de desgaste para conter ao
proletariado2. Alí onde a classe
obreira arrastrou à acçom aos aparelhos sindicais, fixo-o dentro do marco da
estrategia sindical de luita subordinada à negociaçom. Mas a autonomia de
classe e os mecanismos de actuaçom do sindicalismo som essencialmente incompatíveis:
a autonomia de classe enquadrada realmente numha prática sindical nom é
autonomia de classe, senom como muito autonomia "da base" dos
sindicatos. @s proletári@s somentes se constituem em classe quando se organizam
independentemente e em oposiçom ao capital, e isto nom pode dizer-se das luitas
em Izar. Incluso quando, nas luitas dos asteleiros de Sevilla e Puerto Real,
existiram momentos de autonomia nas assembleas e nas acçons levadas a cabo,
estes nom passaram de ser umha tendência subordinada à tendência reformista
geral. Nom nos esquezamos agora de que os asteleiros públicos som um sector cum
grao de sindicalizaçom e organizaçom sindical mui por acima da meia.
Por outra
parte, as ideas pseudo-radicais de que os métodos de luita violentos ou ilegais
som irrecuperáveis confunde por
completo forma e conteúdo. Ainda que toda forma de radicalizaçom da acçom de
massas esteja em antagonismo essencial coa representaçom sindical, pois
significa umha elevaçom da autoactividade e da consciência da classe, ainda que
toda radicalizaçom ponha em tensom as relaçons classe-sindicatos e pressione
aos sindicatos no sentido contrário à sua tendência natural de assumir
efectivamente a lógica do capital, isto nom significa que a radicalizaçom da
dinámica de luita sobrepasse o enquadramento sindical. Por outra parte, que a
autonomia de classe somentes poda expressar-se na luita real violando o direito
e a autoridade establecidos pola burguesia, nom significa que toda violaçom da
legalidade burguesa constitua umha acçom autónoma ou irrecuperável. As folgas
ilegais, as barricadas, os cortes de tráfico, podem ser subordinados por
completo à estrategia sindical, convertidos em instrumentos para encauzar a
luita de classes evitando "máis" maiores. Isto é: os métodos de luita
podem rachar formalmente coa orde capitalista e, nom obstante, ter um conteúdo
colaboracionista e legalista, apresentando-se como acçons obrigadas polas
circunstáncias. Os casos nos que os sindicatos culpam aos patronos de ter que
iniciar, ou mais bem que apoiar, e tomar a direcçom, deste tipo de medidas, nom
som poucos.
A
autonomia de classe nom consiste em métodos de luita radicais, senom na
capacidade d@s obreir@s de dirigir-se a si mesmos actuando como classe, em
antagonismo co capital. Igual que as formas sindicais podem ser a cobertura
inicial da autonomia proletária quando ficam reduzidas a umha mera apariência
–inclusive quando o próprio proletariado nom foi ainda além da visom
sindicalista da luita de classes-, do mesmo modo as formas da autonomia
proletária podem converter-se em meras apariências quando se integram na
estrategia sindical. A explicaçom disto é bem simple: o proletariado tende
sempre a actuar autónomamente, e de facto, todas as suas organizaçons som a
expressom contraditoria desta tendência, junto cos factores que a limitam; a questom nom é se o proletariado actua
autónomamente no curso imediato da sua acçom, senom se é capaz de assumir
colectivamente a direcçom da sua luita -tema aparte de que a consciência do
proletariado tenha que madurar para que esta direcçom seja umha expressom
correcta dos seus interesses-. Pola mesma razom de que o sindicalismo pode
existir baixo a cobertura da "democracia directa" interna (como no
caso do anarcosindicalismo ou do "sindicalismo de base"), pode
existir baixo a cobertura da democracia directa e das acçons directas que se
desenvolvem na luita de classes e pode integra-las na sua lógica de
mercantilizaçom da força de trabalho.
A
autonomia real implica um nível tal de autoactividade individual e colectiva e
de consciência de classe, que começa a sobrepassar práticamente a condiçom
social de classe dominada. E esta condiçom social é total, polo que a sua
ruptura nom se reduz, nem consiste essencialmente, no alçamento proletário
contra a legalidade capitalista. A ruptura do proletariado coa orde capitalista
fundamenta-se no desenvolvimento da capacidade transformadora do proletariado,
na sua capacidade para ir além das leis económicas e políticas do capitalismo e
da consciência dominante que lhes
corresponde, tendendo espontáneamente a orientar-se cara novos
princípios sociais baseados na sua própria comunidade de interesses. Em luitas
como as dos obreiros de Izar, orientadas a buscar um acordo co capital, à
conciliaçom de classes, prisioneiras dos aparelhos, mecanismos e ideologia
sindicais, a autonomia de classe nom pode existir.
A
autonomia proletária somentes passa de ser umha tendência temporal e parcial
quando se dota dumha estrutura organizativa independente do capital e hai um
esforço constante para que a sua vida interna esteja fundamentada em novas
relaçons sociais e no desenvolvimento dos indivíduos como indivíduos totais.
Esta organizaçom pode ser meramente para fins imediatas, mas tem que constituir
o meio polo que o proletariado se dirige a si mesmo. Por isso o assemblearismo,
entanto se inscreve nas pautas do sindicalismo, nom constitue umha prática
autónoma, senom um resorte dos sindicatos.
A
independência do capital, concretada na acçom do proletariado, na unidade viva
entre os seus interesses como classe e as suas formas de organizaçom e acçom,
constitue o que chamamos autonomia de
classe; a oposiçom ao capital sem esta independência, somentes pode
consistir numha oposiçom de forma, ou
seja, umha oposiçom a formas particulares do capital (patronos particulares,
governos particulares, etc.) e nom umha oposiçom ao capital em si mesmo, como
relaçom de produçom e como classe.
Esta
oposiçom de forma, ainda quando desenvolvida baixo práticas aparentemente
radicais, nom pode na prática suster
nengumha oposiçom ao capital que nom esteja sujeita a condiçons externas às
necessidades e à decissom consciente do proletariado. Porque na sua luita
como classe o proletariado tem ainda que libertar-se da subordinaçom subjectiva
às leis do capital, tem que formar a sua própria organizaçom independente,
nessas condiçons a sua autonomia, que nom é outra cousa que a autoorganizaçom
da sua própria actividade colectiva, depende ainda unilateralmente do
curso objectivo do antagonismo de classes, de que este force ao proletariado à
acçom colectiva. Entom a autoactividade proletária é fundamentalmente um
reflexo reactivo e inconsciente ante determinaçons externas, económicas ou
políticas, de carácter particular ou de carácter geral, e a sua autonomia tem
que ser portanto parcial e temporal, nom se pode falar de autonomia de classe real. De facto, quando as formas de
autoorganizaçom do proletariado limitam a sua existência à duraçom da luita,
ainda que constituam umha prática autónoma consolidada devemos falar como muito
de autonomia formal, que ainda nom
descubriu o seu conteúdo positivo e próprio, que ainda existe somentes pola
contraposiçom vital ao capitalismo e nom como expressom das aspiraçons próprias
do proletariado a transformar a sociedade -em resumo, devemos falar de luitas autónomas, diferenciando-as da
autonomia organizada-. Sem este criterio pode-se chegar a chamar autonomia a
qualquer acçom assembleária do proletariado controlada polas direcçons
sindicais, somentes polo feito de que poda utilizar métodos violentos e
defender tenazmente os interesses de classe. Ou seja: que a autonomia da acçom
proletária seria compatível coa consciência alienada dos indivíduos.
5. Crise, que crise?
Existe
crise de produçom nos asteleiros públicos pola impossibilidade de lograr novos
contratos? Ou trata-se dumha manobra política para justificar a reestruturaçom?
Reduzirá-se o volume da produçom, ou se tratará meramente dumha contracçom
temporal?
O que está
claro é que a finalidade da reestruturaçom é incrementar a taxa de benefício
capitalista, meiante o incremento da proporçom de trabalho sobreexplotado nas
companhias auxiliares e, simultáneamente, flexibilizar mais os custes laborais
suprimindo gastos "supérfluos", o que permitiria reduzir objectivamente
os custes totais de produçom e incrementar a competitividade internacional. Em
ambos aspectos, e independentemente de que a produçom total se veja reduzida ou
volte a umha tendência ascendente, do que se trata é de dar um salto adiante na
subcontrataçom. As solicitudes de ajudas económicas ao governo por parte das
empresas auxiliares só podem justificar-se no contexto de adequar-se às
esigências deste incremento da sua participaçom na produçom naval, mais que a
limitar os efeitos dumha eventual reduçom a longo praço do volume total de
produçom. Contudo, esto última possibilidade é, à luz da estrategia capitalista
adoptada, umha questom de segundo plano: se a produçom estiver condeada a
estancar-se suprimiria-se qualquer inversom de capital em tecnologia e infraestrutura,
e nom é assi (caso da antiga Astano, o que nom quita que determinados
asteleiros quedem perjudicados por um reparto desigual da produçom). Do que se
trata, em definitiva, é de reflotar em termos capitalistas os asteleiros, para
poder avançar na sua privatizaçom.
Desde o
começo nos anos 80, todas as reestruturaçons de plantilha nos asteleiros
públicos se tenhem justificado pola crise do sector naval e se tenhem
"resolto" meiante a flexibilizaçom do trabalho. Ou seja, meiante o
incremento da subcontrataçom e a reduçom da plantilha directa. O que, em termos
económicos, vem a significar: o incremento absoluto da explotaçom graças ao
crescimento do volume de trabalho subcontratado, no que os custes laborais som
menores, a jornada mais prolongada e os ritmos de trabalho mais intensos.
Todo isto
tem umha base histórica. A construiçom naval é um sector que require umha
elevada inversom em capital: terreos, infraestruturas, maquinária, qualificaçom
da mao de obra. Por esta razom foi durante décadas um sector com elevadas
inversons e subsídios estatais ou directamente nacionalizado, pois os
capitalistas privados ou nom podiam ou nom lhes interessava acometer estas
inversons. Em cámbio, o capitalismo de Estado serviu para que, com dinheiro
público, se desenvolvera a indústria privada, principalmente a indústria
compradora de barcos, que obtinha assí meios de transporte ou plataformas de
explotaçom petrolífera baratos. Umha vez que o capitalismo de Estado deixou de
ser rendável à burguesia, os asteleiros públicos deixaram de ter sentido e
começou a sua privatizaçom efectiva meiante a subcontrataçom e ulterior
traspasso a maos privadas.
Dito em
poucas palavras, a "crise" persistente dos asteleiros, aparte das
eventuais crises comerciais derivadas da competência, é fundamentalmente umha
expressom da crise terminal do
capitalismo. Por isso esta crise é irresoluvel baixo este sistema, salvo
transitoriamente, meiante um incremento ilimitado da explotaçom de classe -cujo
único limite é que o proletariado trabalhe gratis-.
Mentres os
sindicalistas e similares dedicam-se a discutir sobre se os asteleiros públicos
som ou nom rendáveis, manejando estatísticas ou mantendo confontaçons
ideológicas sobre os critérios económicos dos "planos de futuro" que
se seguem um tras outro, a realidade nos diz, simples e claramente, que todas as "reconversons" serviram
para incrementar a subcontrataçom. A questom da "carga de
trabalho", que se converteu no primeiro objectivo dos sindicalistas,
demonstra ser umha falsa focage de começo, porque o verdadeiro conflito nos
asteleiros nom é sobre o volume de produçom, senom sobre a composiçom
da força de trabalho empregada (em número, em grado de precarizaçom geral,
e na proporçom entre trabalho precarizado e garantido). Ou seja, o problema som
os custes laborais. A estrategia capitalista para "resolver" a
"crise" dos asteleiros consiste em incrementar a flexibilizaçom da
força de trabalho quantitativa e qualitativamente. Isto, e nom a "carga de
trabalho", deve ser o objectivo principal da luita da classe obreira.
Mas esta
formulaçom enfoca a luita de classe desde o prisma da precarizaçom do trabalho,
que o sector de trabalho garantido dos asteleiros nom experimenta
significativamente. Certamente, sofrem congelaçons salariais e certos retrocessos
nas condiçons laborais, mas som completamente insignificantes em comparaçom coa
sobreexplotaçom que sofrem os trabalhadores precarizados. As reestruturaçons
nom significam para a maioria deles umha precarizaçom, senom maiormente
prejubilaçons ou altas indemnizaçons. Por essa razom nom saem na sua maioria da
focage sindical-capitalista e as suas luitas tenhem um carácter corporativo, em
lugar de adoptar um verdadeiro enfoque de classe, baseado no reconhecimento do
processo real, e em buscar a unidade cos obreiros de auxiliares, que como muito
queda em algo efémero.
As
condiçons laborais amplamente superiores à meia, e as velhas tradiçons
sindicais, som o que sustenta o apoio do estrato
superior e minoritário do trabajo garantido -a aristocracia obreira- aos
sindicatos, sem questionar o seu verdadeiro carácter de agentes do capitalismo.
Isto fai que as suas luitas estejam condeadas ao fracasso desde o começo e que
os sindicatos tenham nelas um papel dirigente. Neste jogo representativo, no
que o capital aturde ao proletariado, todas as fracçons da aristocracia obreira
tendem a posicionar-se DENTRO dos sindicatos, em lugar de luitar contra eles,
reconhecendo-os como inimigos. A base última disto é que os sindicatos servem,
aparentemente, para manter umhas condiçons de existência bastante melhores que
as da ampla maioria do proletariado; em realidade, os sindicatos somentes
conservam -e só até certo ponto- estas condiçons porque lhe servem ao capital
para impedir ou frear luitas por avanços superiores e, o que é mais importante,
para manter dividido ao proletariado entre o sector de trabalho garantido e o
de trabalho precário.
O carácter
dos sindicatos como organizaçons obreiras é um espelhismo, sustentado neste
papel de enquadradores da luita obreira nos limites establecidos polos
capitalistas. O seu papel nas luitas nom é progressivo, senom conservador, e a
sua utilidade somentes existe em relaçom aos proletários como indivíduos
separados e impotentes, ou mentres estes actuem como tais e dependam dos
sindicatos. Em realidade, a autoorganizaçom obreira, a luita autónoma, nom
controlada polos sindicatos, é muito mais potente que qualquer mobilizaçom
convocada polos sindicatos, até o ponto de que, alí onde se conseguem melhoras
importantes, é meiante luitas autónomas que nom se deixam enquadrar polo
capitalismo (no caso do naval, as 4 folgas de auxiliares na ria de Ferrol desde
fins dos 90 som um exemplo disto). E, o que é mais importante, somentes as
luitas autónomas servem para que o proletariado madure na sua consciência de
classe revolucionária. A consciência sindicalista, reformista, que reduz a
luita de classes ao aglutinamento em torno aos aparelhos sindicais, às
asembleas controladas pola burocracia, à dinámica de mobilizaçom-negociaçom, a
formular objectivos "razonáveis" para o capital, é um factor
enormemente reaccionario e fai que o proletariado se divida em funçom das suas
perspectivas imediatas e da sua filiaçom sindical e ideológica. Assi, em lugar
da luita aberta contra a burocracia sindical, temos as luitas
"internas" contra cada burocracia particular en cada sindicato e umha
traiçom continua dos interesses de classe, que permite o avanço, um tras outro,
dos planos de reestruturaçom e da degradaçom do trabalho.
6. A lógica do capital e a lógica do
proletariado
Se
luitamos contra a flexibilizaçom capitalista do trabalho, o que hai que
"discutir" cos capitalistas, neste caso co governo capitalista de
turno, nom é acerca da rendabilidade ou da privatizaçom. A crise do capital
sempre se mide em termos de rendabilidade da produçom e de rendabilidade no
mercado (competitividade) -nom de "carga de trabalho"-. Se esta
rendabilidade consiste, por um lado na nossa explotaçom como tal, e polo outro
no maior ou menor incremento dessa explotaçom para competir no mercado, nengum
posicionamento de classe pode assumir como próprios os argumentos económicos
baseados na relaçom do capital. Este economicismo é o reflexo da integraçom da
consciência obreira no capitalismo. A posiçom proletária nom opóm à estratégia
da rendabilidade dos capitalistas outra estratégia de rendabilidade
"obreira", senom um programa baseado na oposiçom de classe ao
capitalismo: subordinar o incremento dos benefícios à melhora das condiçons de
vida da classe obreira e opôr a planificaçom com critérios sociais à competiçom
intercapitalista.
Os
argumentos de que a produçom naval global se incrementa, de que -em contra do
argumento da competência coreana- a reduçom da quota de mercado europea no
sector naval é relativa, mantendo-se a pesar disso cifras de produçom mais ou
menos constantes3, podem ser instrumentos
úteis para os reformistas, mas nom para o desenvolvimento da consciência de
classe. Conducem ao enquadramento capitalista da luita de classes. Ademais,
este tipo de argumentos económicos basea a luita proletária em elementos
conjunturais, em condiçons sectoriais para um período limitado, e nom na
consolidaçom da autonomia de classe –que, por outra parte, os reformistas som
incapaces de conceber práticamente-.
O
objectivo dos sindicatos e fracçons sindicais é sempre conservador, porque
parte da base da defesa das empresas e da economia capitalista. A luita obreira
fica assí pechada no economicismo, quando do que realmente se trata é dumha
luita política, porque a dominaçom capitalista está a manter a sua base
económica meiante o incremento contínuo da degradaçom do trabalho assalariado e
das condiçons de vida da classe obreira. Mas como esta focage leva
necessáriamente à ruptura total coas organizaçons do velho movimento obreiro,
que actuam como freno incondicional da luita política de massas e que reforçam
as ilusons reformistas de que todos os retrocessos acabarám cum cámbio de
dirigentes e/ou de governo, todos os sindicalistas e dirigentes de partido
tenhem que opôr-se frontalmente a ela. Pois a conclusom necessária, e prática,
desta focage, é pôr em claro que todos os sindicatos e partidos políticos som
agentes do capital contra o proletariado, que todas as suas
"traiçons" e "desviaçons" som em realidade a expressom da
sua natureza burguesa e que é necessário construir novas formas de organizaçom.
No fundo,
os pseudo-revolucionários sabem isso, mas som incapaces de compreender o
potencial revolucionário do proletariado. Por isso tenhem sempre que defender o
velho movimento obreiro e amoldar-se às leis do capitalismo. Se os dirigentes
sindicais vam por detrás da luita de classes, todos os esquerdistas vam por
detrás do curso da consciência da classe. Así, sem sair do caso do naval e da
ria de Ferrol, os mesmos que antes viam nos trabalhadores de auxiliares umha
massa amedrentada e impotente tiveram, coas folgas dos últimos anos, que
"esquecer" rápidamente todas as suas opinions anteriores e
apressurar-se a cambiar de rumo para recuperar aos "obreiros combativos"
para os diversos sectores "críticos" dos sindicatos ou para os
sindicatos minoritarios.
Por outra
parte, o discurso do "nom à privatizaçom", como o de "carga de
trabalho sem limitaçons", passa por riba o facto de que a situaçom real
dos asteleiros define-se, precisamente, pola contínua privatizaçom e
sobrexplotaçom do trabalho. A ideologia reformista anti-privatizadora pressupom
que o sector público industrial, em geral e por sí mesmo, constitue umha
conquista para a classe obreira, quando na realidade é somentes um benefício
corporativo para umha minoria do proletariado, relativamente apartada assi dos
efectos da lei da maximizaçom do benefício e da competiçom conseguinte. Todas
as ilusons reformistas no "sector público" sustentam-se materialmente
neste benefício corporativo e, ideológicamente, na oposiçom da
"propriedade privada" à "propriedade pública", sem
reconhecer que o capitalismo de Estado é somentes umha forma transitória que
adoptou a acumulaçom capitalista por próprio interesse, em determinadas
condiçons e determinada fase histórica de desenvolvimento.
Em
realidade, a propriedade do Estado é somentes umha forma da propriedade privada
gerida pola burocracia estatal em representaçom dos interesses do capital, e o
seu carácter público é somentes jurídico, nom social. A existência dum sector
público industrial nom significou nunca por si mesma nengumha melhora para o
proletariado em geral -incluido o empregado neste sector-, que tivo que
conseguir todas as suas conquistas sociais polos seus próprios esforços e no
campo da luita de classes. Esta falsificaçom da realidade por parte dos
reformistas e da sua fracçom pseudo-revolucionária somentes serve, na prática,
para fortalecer a ilusom de que é possível reformar o capitalismo meiante umha
política de estatalizaçom dos meios de produçom.
7. Conclusons e perspectivas
«Em
quanto ao triunfo final das teses do Manifesto, Marx confiava exclusivamente no
desenvolvimento intelectual da classe obreira, que devia resultar
inevitavelmente da acçom conjunta e
da discusom. Os acontecimentos e as
vicisitudes da luita contra o capital, as derrotas mais ainda que as vitórias,
nom podiam deixar de revelar aos combatintes a insuficiência de todas as panaceas em que até entom tinham crido, e faze-lhes mais capazes para penetrar até as verdadeiras condiçons da emancipaçom obreira.» (Engels, Prólogo à ediçom alemá de 1890 do Manifesto Comunista.)
O futuro
dos asteleiros nom queda garantido coa reestruturaçom actual, como tampouco o
está o futuro de nengumha empresa capitalista em nengumha parte do mundo. Em
todo o mundo os trabalhadores e trabalhadoras temos que fazer frente à ofensiva
capitalista, justificada pola falta de rendabilidade, pola competência
internacional, polo déficit público, pola falta de "flexibilidade" na
legislaçom laboral, etc., etc.. Nom existem diferências de fundo na verdadeira
luita dos obreiros do naval público e do privado, nem coas de outros sectores
económicos e países. Todas as luitas que se situem dentro da lógica do capital,
que assumem as ameaças de peche, quebra ou relocalizaçom, sem plantejar umha
luita de alcanço político, estám condeadas ao fracasso e a aceitar a reduçom
dos salários, a extensom da jornada laboral, a supressom de direitos. Todas as
ameaças do capital, que apresentam a situaçom como um conflito sem saida, no
que a classe obreira teria que ceder para conservar os seus postos de trabalho,
somentes som o reflexo ideológico de que o capitalismo mundial se encontra na
sua fase de decadência e que a única esperança do proletariado está na luita
revolucionária, em saltar por acima de todas as normas, leis, marcos,
representaçons, instituiçons e ideas do capitalismo, incluidas as velhas
organizaçons "obreiras" concebidas para a luita por reformas, em
desenvolver a sua luita incondicional polos seus interesses de classe que o
conduzirá, por própria experiência, cara a perspectiva da transformaçom
revolucionária da sociedade.
A luita
por "carga de trabalho" (polo trabalho assalariado), polo
"futuro" dos asteleiros (pola empresa), é umha luita inserida no
capitalismo decadente. Estas luitas nom tenhem futuro, especialmente quando a
actual forma descentralizada de organizaçom da produçom -os complexos
flexíveis de produçom-distribuiçom- basea-se na divisom do proletariado
através da distribuiçom desigual da
explotaçom entre o trabalho garantido e o trabalho precarizado, estando
ambos à sua vez escindidos em diversos graos de precarizaçom4. Somentes a luita política autónoma,
antagónica cos sindicatos e partidos, a acçom política de massas extraparlamentar,
pode obrigar ao Estado a abortar a reestruturaçom do naval.
A
alternativa proletária para a crise
comercial do naval passa por pôr em prática o internacionalismo a nível
europeu, por luitar por umha política económica única para o sector naval, que
distribua a produçom de modo proporcional às plantilhas e que aplique medidas
de protecçom do sector e de restricçom do comércio exterior de buques5. Ou seja, medidas contra a maximizaçom
do benefício e a livre competência, para a subordinaçom da produçom às
necessidades sociais. Isto, naturalmente, teria profundas implicaçons políticas
na luita de classes, pois somentes poderia impôr-se pola força aos governos
capitalistas, fazendo tambalear-se ao imperialismo europeu. Suporia tamém um
enfrentamento directo coa "globalizaçom" capitalista, isto é, co
poder do capitalismo mundial, situando como umha questom vital a luita unitária
do proletariado de todos os países contra as próprias leis da economia
capitalista.
Para
chegar a isto queda um treito mui longo,
mas que, na medida em que o capitalismo intensifica o antagonismo de classes,
tende cada vez mais a percorrer-se num
período mais curto, saltando aceleradamente da luita económica à luita política, das luitas parciais à luita
geral, da luita por reformar o capitalismo à luita por aboli-lo. Nada de
surpreendente seria que, "de repente" e num breve período, o
proletariado bota-se a um lado os obstáculos que arrastra e que passe
directamente das luitas locais a umha luita internacional. O futuro, para @s
proletári@s, está no desenvolvimento da nossa autonomia de classe, do conjunto
das nossas capacidades individuais para transformar a sociedade, da organizaçom
necessária para despregar toda a nossa energia revolucionária; este é o eixo
fundamental que permitirá o crescimento em poder e consciência do movimento de
classe.
Ainda que
entre os obreiros do naval actualmente impere a derrota, esta é umha derrota
assinada, nom umha derrota real. Depende do proletariado conformar-se com isto.
Para os obreir@s dos asteleiros civís e da industria auxiliar, que constituem a
maioria do proletariado naval, o conflito nom está -nem estará num futuro
próximo- nem muito menos pechado, porque o "acordo" assinado polos
sindicatos e o governo capitalista é a todas luces um acordo minoritário e
completamente anti-proletário.
Esmaguemos a "New Izar" e os seus
planos de divisom e precarizaçom!
Para luitar contra o capital hai que luitar
contra os sindicatos!
1 «Os demócratas
pequeno-burgueses consideram, ademais, que é preciso opôr-se à dominaçom e o rápido crescimento do capital (...), em
parte pondo em maos do Estado o maior
número possível de empresas. Polo que
toca aos obreiros, é antetudo induvitável que devem seguer sendo obreiros
assalariados, mas ao mesmo tempo os pequenos burgueses democráticos desejam que
aqueles tenham salários mais altos e umha existência melhor assegurada; e
confiam em lograr isto fazilitando por umha banda trabalho aos obreiros através
do Estado, e por outro com medidas de beneficência. Numha palavra, confiam em corromper aos obreiros com esmolas mais ou
menos veladas e quebrantar a sua força revolucionária cum melhoramento temporal
da sua situaçom.
«...Os nossos interesses e tarefas consistem em fazer a revoluçom permanente até que seja descartada a dominaçom das classes mais ou menos poderosas, até que o proletariado conquiste o poder do Estado, até que a associaçom dos proletários se desenvolva, e nom só num país, senom em todos os países dominantes do mundo, em proporçons tais que cesse a competência entre os proletários destes países, e até que polo menos as forças produtivas decisivas estejam concentradas em maos do proletariado. Para nós nom se trata de reformar a propriedade privada, senom de aboli-la; nom se trata de paliar os antagonismos de classe, senom de abolir as classes; nom se trata de melhorar a sociedade existente, senom de establecer umha nova.» Marx/Engels, Menssage do Comité Central à Liga dos Comunistas (Março de 1850).
2 Ver artigo publicado por UHP em
Arde nº 6, Maio 2004 (www.nodo50.org/crimental).
Neste artigo (cujo
autor nom é membro de UHP), defende-se claramente a idea de que a autonomia
proletária equivale a um movimento prático de oposiçom ao capital, afirmando
que nas luitas de Izar pode ver-se ao "proletariado constituido em classe antagónica e, portanto, autónoma respeito à burguesia" (A
cursiva é nossa).
Para nós autonomia de classe e oposiçom frontal ao capital nom som
equivalentes. O proletariado está sempre em antagonismo, consciente ou nom co
capital, e as suas acçons som antagónicas co capital enquanto defende realmente
os seus interesses. A autonomia, por outra parte, significa que existe umha
consciência desse antagonismo e que as acçons expressam já umha oposiçom
verdadeiramente irreconciliável co capital, constituindo um movimento de classe
que somentes poderá ser freado de modo transitório, meiante a derrota na luita.
O proletariado somentes se constitue em classe quando é capaz de actuar como
força independente, e é nesta medida -pois a autonomia está tamém sujeita a um
desenvolvimento-, só nesta medida, que é capaz de actuar realmente como classe
nom submetida ao poder do capital. Neste sentido, a teoria do Grupo Comunista
Internacionalista, defendida polo autor do artigo citado, de que o proletariado
pode constituir-se em classe "implícitamente", sem ter consciencia
disto, é umha mera justificaçom ideológica para apoiar movimentos que, ainda
que expressam as necessidades d@s proletári@s como indivíduos separados
(privados) e que se enfrentam em massa a formas particulares do capital (ou dos
seus poderes), nom tenhem nengumha tendência revolucionária dum ponto de vista
comunista.
Nom se podem
confundir as formas -a acçom do
proletariado contra formas particulares do capital, os métodos ilegais, a
subversom da orde actual- co conteúdo do movimento de classe do
proletariado -a acçom do proletariado
contra o capital como classe, a ruptura coas instituiçons capitalistas e a
tendência a reempraçar as relaçons sociais existentes por outras novas fundadas
nos princípios comunistas-. A consciência da necessidade de autonomia tem
que existir para que esta poda desenvolver-se práticamente; esta consciência
pode ser umha compreensom espontánea e instintiva, baseada directamente na
experiência acumulada, ou pode expressar-se ademais dumha forma intelectual, mas,
de qualquer modo, sem consciência disto ("implícita" ou
"explícita", mas si real) o proletariado nom pode actuar
autónomamente salvo de modo temporal e parcial (assembleas corporativas ou
semicontroladas polos sindicatos, autonomizaçom das bases dos sindicatos
respeito das cúpulas, etc.).
De qualquer modo, que a
consciência de classe poda existir, e exista, baixo formas instintivas; que
incluso madure baixo umha cobertura temporal de inconsciência, até que chega o
momento de fazer-se valer na prática; todo isto para nada significa que, a
acçom prática do proletariado como classe,
poda desenvolver-se sem umha consciência de classe
real. Se esta consciência nom existe o que temos é, como muito, umha
autonomia parcial e temporal subordinada às Direcçons reformistas. Confundir
isto coa autonomia de classe real leva a correr o risco de criar-se falsas
esperanças e valorar equivocadamente o nível de maduraçom do proletariado.
3
Documento do sector crítico de CCOO de Izar-Ferrol, dirigido polos trotskistas
de El Militante.
4
Para nós "precarizaçom" é um conceito directamente relacionado co
grao de explotaçom no seu aspecto absoluto. A precarizaçom do trabalho serve
como meio formal para incrementar a produçom de plusvalia absoluta
meiante a reduçom dos salários, a extensom da jornada, etc. (a diferência do
incremento da produçom de plusvalia relativa graças ao incremento da
produtividade técnica do trabalho, e que ocasiona o empobrecimento relativo da
classe obreira porque os salários nom crescem em proporçom aos benefícios).
Por outra parte, a
precarizaçom nom depende necessáriamente do carácter "temporal" ou
"estável" dos contratos laborais, senom das condiçons totais em que
se inscreve a relaçom laboral, que determinam diferentes grados de estabilidade
e de explotaçom. A precarizaçom apresenta-se, na sua forma absoluta, no trabalho temporalizado e mais explotado, mas
tamém existe na sua forma relativa no
próprio trabalho garantido, no entanto todas as suas "garantias" vam
sendo relativizadas pola ofensiva geral do capital, que ao mesmo tempo
intensifica ainda mais a degradaçom do trabalho precário. A divisom entre
trabalho precário e garantido reproduce-se assi como um meio para intensificar
a explotaçom geral, estratificando ao proletariado e favorecendo o avanço do
processo de precarizaçom geral do trabalho e da vida social.
5
Este tipo de medidas som medidas de transiçom que, sem ser em si mesmas
revolucionárias, orientam-se nom obstante a questionar as relaçons de produçom
capitalistas. Respostam a que o comunismo auténtico se convirte cada vez mais
numha necessidade imediata no capitalismo em declive. Estas medidas somentes
poderam ser logradas e mantidas coa organizaçom do proletariado como poder
político frente ao capital, isto é, meiante a formaçom, quando menos a nível
difuso e embrionário, de conselhos obreiros, de órgaos capaces de unificar e
dirigir a luita autónoma do proletariado contra o capital. Nós nom ocultamos
isto, nem fazemos demagogia sobre a possibilidade de aplicar umha política "socialista"
dentro do capitalismo, como a maioria dos grupos trotskistas.