Este é um Estado diferenciado, graças a uma colonização atribulada, marcada por disputas entre portugueses e espanhóis pela posse do território, e à implantação de bolsões de cultura européia, trazida pelos imigrantes alemães e italianos ali instalados a partir de 1824. Donos de linguajar peculiar, os gaúchos são vistos como povo reservado, valente e apegado às tradições.
A economia baseia-se, desde tempos coloniais, na criação de gado bovino. Desenvolveram-se as indústrias de couro, pele e calçado. É forte a agricultura, em que destacam-se as culturas de soja, trigo e arroz, além da produção de vinho.
Revoltas separatistas ocorrem ao longo da República Velha. E até hoje surgem movimentos do gênero. A partir da Revolução de 1930, o Estado participa dos principais episódios da história do país.
Formação Histórica – Em 1627 jesuítas espanhóis criam missões na margem oriental do Rio Uruguai, mas são expulsos pelos portugueses. Estes criam, em 1680, a colônia de Sacramento, às margens do Rio da Prata. Em 1687 os religiosos instalam povoados, os Sete Povos das Missões Orientais. Em 1737 os portugueses iniciam a colonização do território. Cinco anos mais tarde, fundam Porto dos Casais, atual Porto Alegre. Disputada entre portugueses e espanhóis, a região é incorporada ao Brasil em 1801.
A partir de 1824 chegam de imigrantes alemães e italianos. A economia, assentada no latifúndio (as estâncias) e na criação de gado de corte para a produção do charque, diversifica-se.
No século XIX o Rio Grande do Sul vive diversas rebeliões, como a Revolta dos Farrapos, que dura dez anos. Os gaúchos lutam contra o ditador argentino Juan Manuel Rosas, quando este tenta impor o monopólio comercial para seu país, participam também da Guerra do Paraguai. Com a República, surgem novas revoltas e o Estado só se pacifica durante o governo de Getúlio Vargas.
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Em 1494, o Tratado de Tordesilhas dividia o continente demarcando as terras que pertenciam à Espanha e a Portugal. Uma linha imaginária descia da Ilha de Marajó até a Baía da Laguna, em Santa Catarina. A região hoje ocupada pelo Rio Grande do Sul não era habitada naquela época.
No início do século XVII, os jesuítas começaram a povoar esta área, entrando por terras uruguaias e iniciando a catequese dos índios. Na mesma época, bandeirantes paulistas iniciaram incursões ao sul do país. Antônio Raposo Tavares foi um dos principais líderes destas expedições predatórias, que destruíram as províncias do Guairá e do Tape, na região central do Rio Grande, em 1637. O objetivo era arrasar as aldeias e capturar os índios para o trabalho escravo nas lavouras.
Acossados pelas Bandeiras, os jesuítas se transferiram para a margem direita do Rio Uruguai, atual estado do Paraná.
Em 1687, os jesuítas retornaram às terras do sul para criar os Sete Povos das Missões (São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luís Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio). Esta segunda fase da ocupação tinha um objetivo bem definido: enquanto no início do século predominava o zelo evangelizador, naquele momento impunha-se o fundamento econômico, com os grandes rebanhos de gado.
Em 1801, já desintegradas, as colônias foram absorvidas pelo Império brasileiro.
Indiferente ao Tratado de Tordesilhas, a Coroa Portuguesa reclamou para si o território que hoje compreende o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Era a Capitania d'el Rei, que já figurava num mapa datado de 1562. Consolidando a presença portuguesa na região, o então governador do Rio de Janeiro, Manuel Lobo, construiu a Colônia do Sacramento no estuário dos rios Paraná e Uruguai. Em oposição, o governador de Buenos Aires na época, José de Garro, deu início a um conflito que só terminaria 150 anos depois, com a criação da República Oriental do Uruguai.
Habitante gaúcho
Área: 282. 062 km²
Capital: Porto Alegre
Localização sul da região Sul
Relevo planície litorânea com restingas e areiais; planaltos a O e NE, depressões no centro
Vegetação campos (campanha gaúcha) a S e O; floresta tropical (L); mata das araucárias, a N; e mangues litorâneos
Clima: subtropical
Rios principais: Uruguai, Taquari, Ijuí, Jacuí, Ibicuí, Pelotas, Camacuã
Municípios: 427
População (1995) 9,6 milhões hab.
Densidade (hab./km²) 32,40
População urbana:: 76,56%
Crescimento demográfico: 1,47%
Mortalidade infantil: 19,20 por mil
Analfabetismo: 10,10%
Matrículas no 1° grau: 1. 674. 942
Matrículas no 2° grau: 270. 526
Matrículas no ensino superior: 137. 742
Leito por habitantes: 282
Médico por habitantes: 620
Governador Olívio Dutra (PT)
Eleitores: 6.296.021
Receita (em R$): 5.166.601
Despesa (em R$): 5.351.017
ICMS (em R$): 3 bilhões
Participação no PIB Brasil 6,6%
Exportação (em US$): 5,21 bilhões
Importação (em US$): 1,92 bilhão
Agricultura: arroz, soja, milho, laranja, trigo, mandioca, erva-mate, maçã, uva, pêra, pêssego, batata, fumo,
Mineração: cobre, ouro, água mineral, calcário, granito, areia, gemas, caulim, carvão
Pecuária e criação: bovinos, eqüinos, suínos, ovinos, leite, ovos de galinha, mel de abelha
Extrativismo vegetal: erva-mate, pinhão
Rodovias 138.448 km
Rodovias pavimentadas: 6,46%
Ferrovias: 3.359 km
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