Clube dos Escritores

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Caminhada Pela Arte II

Pesquisadora: Rosângela Scheithauer



Continuando a nossa caminhada, gostaria de dar atenção à arte italiana que, sem dúvida, se destaca como uma das mais importantes da história da arte.


Giotto


Uma das delícias de viajar pela Itália (e, no meu caso, de já ter morado lá) é a de descobrir importantíssimos trabalhos de arte numa igreja deserta e escura ou a escultura de algum artista famoso na pequena praça de uma cidadezinha qualquer. Quase todas as pequenas cidades tem algo a oferecer. Ver uma obra de arte "in loco" é uma característica típica italiana.

Os três maiores centros de pintura italiana estão em Florença, Roma e Veneza. Entretanto, em tempos e modos diferentes outras grandes escolas de arte surgiram em diversas cidades italianas, razão porque decidi incluir pequenas introduções sobre as maiores e mais importantes delas.


Giorgione


Florença, uma cidade dominada pela família Medici, foi o maior centro de desenvolvimento artístico no século XV; outras áreas como Siena, Umbria e Urbino responderam em outras áreas artísticas. Desenvolvimentos independentes aconteceram em Pádua e também em Mantua e Ferrara ao norte da Itália. Foi no século XVI que Correggio trouxe importancia a Parma.


Michelângelo


No princípio do século XVI Roma tornou-se dominante através de esplêndidos trabalhos de Michelangelo e Rafael e continuou a atrair artistas de toda Europa até o século XVII. O estilo barroco também cresceu em novos e importantes centros como Milão, Nápoles, Gênova e Bolonha.

A pintura veneziana do século XVI desafiou a florentina e permaneceu importante até o século XVIII. Entretanto, o crescimento do rococó trouxe nova glória a Veneza e também a Nápoles. Em meados do século XVIII Roma tornou-se o centro do movimento Neo-Clássico - o escultor Antonio Canova trabalhou lá a partir de 1779.

O declínio arte italiana aconteceu no século XIX sob a influência de Macchaioli, uma escola de "plein-air" dominada por Giovanni Fattori e totalmente direcionada ao Impressionismo Frances. Mais originais são as esculturas impressionistas de Medardo Rosso. A timidez da pintura italiana foi atacada pelos Futuristas (1905-15) que demandavam uma arte nova e radical. Esta nova arte expressou-se na velocidade e no glamour de um novo meio-ambiente criado pela força das máquinas.



Arte em Bérgamo e Bréscia



No século XVI, Moretto e seu aluno, Moroni, pintaram portraits realísticos com um pouco do calor e do estilo da arte veneziana. De 1640 a 1740 pintores conhecidos como "pintores lombardos da realidade" especializaram-se em portraits e natureza-morta. Baschenis pintou elegantes arranjos com instrumentos musicais; Frau Galgario pintou portrais humanos calorosos; Giacomo Cerutti produziu pinturas sórdidas de mendigos e aleijados.




Arte florentina


Mosaccio


No princípio do século XV Florença, uma cidade mercante próspera e estável dominada pela família Medici, tornou-se o mais importante centro da Renascença. Os traços retos e a graça do Gótico Internacional foram destruídos pelas figuras energéticas de Masaccio e do escultor Donatello, apresentando um novo estudo do corpo humano e a descoberta das leis matemáticas da perspectiva. No final do século XV os artistas se preocuparam menos com a solidez e mais com o movimento (Pollaiuolo) e com as belezas da linha (Boticelli).


Botticelli


A pintura do século XV é radiantemente fresca e viva perante à beleza redescoberta do mundo natural. A arte de menores mestres como Gozzoli e Ghirlandaio, com suas festivas descrições da vida cotidiana, é um prazer aos olhos. No comeco do século XVI Florenca alojou, por curto tempo, grandes pintores da Alta Renascença - Da Vinci, Michelângelo e Rafael.


Leonardo Da Vinci


Arte romana

Roma substituiu Florença como o centro artístico da Europa Ocidental do século XVI. O Papa Júlio II (um dos grandes patrões da arte) contratou Michelângelo em 1505 e Rafael em 1508: por mais de 10 anos os ideais de harmonia e balanço da Alta Renascença adquiriram o que se pode chamar de perfeição absoluta.

A partir de 1527 os trabalhos de Rafael e Michelângelo tornaram-se mais dramáticos e suas distorções propositais anticiparam as abstrações do Maneirismo. A Contra-Reforma foi um período de austeridade, porém no começo do século XVII os artistas procuraram voltar à natureza e a expressar novamente profundas verdades emocionais. Caravaggio conseguiu trazer à arte o mundo do pobre e do oprimido; o afresco de Annibale Carraci no Palácio Farnese voltou aos ideais de Rafael. A partir de 1630 os artistas do Alto Barroco, patrocinados pelos papas, mostraram com paixão a renovada confiança na igreja católica romana. Esta era foi dominada por Bernini: seu uso do ilusionismo e sua intenção em unir arquitetura, pintura e escultura com efeitos de esplendor até então jamais adquiridos foram típicos do Barroco. Roma atraiu artistas de toda a Europa, sendo que os artistas da Europa do Norte desenvolveram novas maneiras para novos temas: paisagens e natureza-morta. Os estilos clássico, barroco e realístico permaneceram lado a lado durante todo o século.

Roma reassumiu importância nos meados do século XVIII quando tornou-se o centro do movimento Neo-Clássico: Antonio Canova, um dos primeiros e mais influenciais escultores neo-clássicos, chegou em Roma em 1779.



Cidade do Vaticano

Este pequeno e independente estado, centro da igreja católica romana, possui alguns dos maiores tesouros artísticos. Muitas vezes cansativa e frustante de ser visitada, entretanto uma obrigação aos amantes da pintura. O lugar de maior destaque é sem dúvida a Capela Sistina construida para Sixtus IV, com trabalhos de Ghirlandaio, Pinturicchio, Roselli, Signorelli, Boticelli (Moisés no Egito). No centro da capela está "A criação do Homem", por Michelângelo, dando vida à beleza de Adão. Importantíssimas também no Vaticano são as salas de Rafael (que foi trazido a Roma por Julio II em 1509 para pintar uma suite de 4 salas).

As quatro salas são: "Stanza della Segnatura" - caracterizada pela força do intelectual humano. "Stanza d`Eliodoro" - com afrescos ilustrando intervenções miraculosas para proteger a Igreja. Stanza dell`Incendio" (1517) e "Stanza do Costantino" (1517-28) que foram pintadas por alunos de Rafael. Muito controversial até hoje a participação do próprio mestre nestas salas.



Siena

Os mais importantes artistas sienenses trabalharam na primeira metade do século XIV. Duccio pintou algumas cenas sobre painéis de madeira; trabalhos de Simone Martini mostrando todo seu esplendor e elegância; afrescos de Ambroggio combinando a elegância sienense com um conhecimento do trabalho de Giotto e surpreendentes forças de invenção.


Duccio


Úmbria


Piero Della Francesca


O mais importante pintor da Úmbria foi Perugino (1445-50) ; suas cenas religiosas gentis e suaves em sentimento e vivas à calma beleza da natureza, foram típicas da escola de Úmbria. É possível que ele tenha absorvido um sentimento de claridade de Piero della Francesca, que foi herdado por seu aluno Rafael.



Arte Veneziana


Titian


Veneza, a mais ligada ao Leste Europeu, respondeu bem mais devagar ao novo estilo da Renascença do que as outras cidades italianas. Uma grande paixão pelo decorativo e pela suntuosidade persistiram por todo o século XV; as famílias Vivarini e Crivelli produziram complexos altares. O naturalismo novo de Florença gradualmente se extendeu ao norte, porém o interesse predominante da escola veneziana foi em luz e cor. Uma atmosfera calorosa e contagiante preenche as pinturas de Giovanni Bellini; pequenos detalhes naturais são observados; suas Madonnas são sérias e gentís, imagens frágeis de tranquilidade. A nova beleza de sua cor dependia do uso da tinta óleo pura; Messina, que havia visto os óleos holandeses, veio a Veneza por redor de 1475. Giorgione pintou pequenas pinturas, estórias idílicas da literatura clássica que introduziu uma nova veia de poesia melancólica. O mundo de Titian, por outro lado, foi dinâmico e heróico; ele pintou altares, portraits, poesias; sua pintura pagã são radiantes viões da beleza perdida da Antiguidade. As pinturas de Tintoretto, tensas e estranhas, são dependentes dos dramáticos efeitos da perspectiva. A pintura do século XVII foi bem menos interessante, apesar de que Fetti, Liss e Strozzi trabalharam em Veneza.



O século XVIII viveu muitas cenas de Longhi e as visões de Veneza por Canaletto e Guardi. O mundo de Canaletto é um corte duro e claro, fortemente revelado em cada detalhe pela luz brilhante do sol; Guardi é bem mais evocativo, a luz obscura e as formas meramente rabiscadas.

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