Em 1990, na Cimeira Ibérica, os primeiros-ministros de Portugal e de Espanha assinaram um convénio para a reconstrução da velha Ponte de Olivença (Ponte de N. Sr.ª da Ajuda) e para a construção de uma nova ponte rodoviária entre Elvas e Olivença, a empreender conjuntamente pelos dois países, o que pôs em perigo os direitos portugueses sobre Olivença ao poder ser entendido como um reconhecimento da fronteira no Guadiana.
Em Março de 1994, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, então presidido por Durão Barroso, bloqueou a execução do projecto. O Embaixador português Pinto Soares, Presidente da Delegação Portuguesa na Comissão Internacional de Limites, recusou-se a discutir o dossier da ponte, afirmando que «o Estado português não se pode envolver em nenhum projecto que envolva o reconhecimento do traçado da fronteira num local em que não há consenso quanto a ela».
Em Novembro de 1994, na Cimeira Ibérica do Porto, chegou-se a acordo para a nova ponte entre Elvas e Olivença ser construída por Portugal, sem intervenção da Espanha, de forma a não serem comprometidos os direitos portugueses sobre o Território de Olivença. A ponte de N. Sr.ª da Ajuda, obra do Século XVI, cujos arcos centrais foram derrubados em 1709 na Guerra da Sucessão, seria igualmente reconstruída por Portugal, sem intervenção espanhola.
A 7 de Janeiro de 1997 é assinado, em Elvas, entre a Comissão de Coordenação da Região Alentejo e a Câmara Municipal de Elvas, o protocolo para a reconstrução da nova ponte entre Elvas e Olivença, situada a cerca de 500 metros a jusante da velha Ponte de Olivença, hoje vulgarmente chamada Ponte da Ajuda ou de Nossa Senhora da Ajuda.
Para resolver definitivamente o problema diplomático suscitado pela pretensão espanhola de participar na concretização do projecto, o Estado Português assumiu o financiamento e a direcção da obra, cuja execução foi entregue à Câmara Municipal de Elvas. O empreendimento orçado em 1 milhão e 520 mil contos comporta a recuperação da antiga Ponte da Ajuda e a construção de uma nova ponte rodoviária. As verbas provêm em 75% da União Europeia, através do programa INTERREG II, sendo a restante parcela coberta pelo Estado Português. Ao transferir a execução do projecto para a Câmara Municipal de Elvas, o Governo Português afirmou que Olivença é parte integrante de Portugal e que a ligação entre estas duas cidades não tem uma dimensão internacional e transfronteiriça como a Espanha pretendia.
Em 14 de Julho de 1999, a Câmara Municipal de Elvas consignou à empresa Conduril a construção da nova ponte rodoviária sobre o Rio Guadiana, pelo valor de 780.000 contos, trabalho que deveria estar concluído no prazo de 9 meses.
A 18 de Outubro de 1999, a Câmara Municipal de Olivença bloqueia a continuação dos trabalhos de construção da ponte na margem esquerda do Guadiana exigindo um documento escrito onde sejam definidas as competências das duas autarquias, contrariando o habitual procedimento de tratar apenas verbalmente dos assuntos relacionados com o empreendimento por forma a não serem levantadas dificuldades diplomáticas entre Portugal e Espanha em resultado de continuar por resolver o problema da soberania sobre o Território de Olivença. Segundo várias informações confidenciais foram o Governo espanhol e a Junta de Extremadura que exigiram ao Alcaide de Olivença esta posição.
Estava prevista a inauguração da nova ponte em 21 de Setembro de 2000. Atrasos na conclusão da estrada entre Olivença e a ponte obrigam ao adiamento a inauguração. A data de 21 era confidencial e só em Olivença foi possível obter a informação. A Câmara Municipal de Elvas informava sempre que ainda não estava marcada a data.
Após o adiamento, continuou a ser segredo a data de inauguração. Para simplificar a questão diplomática, foi entendido diminuir a cerimónia ao mínimo possível. À Espanha interessa que a inauguração se faça sem a presença da comunicação social, para que não seja feita divulgação do problema jurídico-diplomático que está por trás da obra. O secretismo visa, também, impedir qualquer manifestação pró-portuguesa...
Agora que se concluiu a ponte nova, começa a falar-se no projecto de entrega à Espanha da Ponte de N. Sr.ª da Ajuda para reconstrução, o que vem contra todo o processo diplomático que ocorreu com a nova ponte. Quem e porquê está interessado neste escândalo e nesta traição?...