Companhia das Índias Orientais
Criada em 1602 sob o auspicio dos Estados Gerais e dirigentes das Províncias Unidas dos Países Baixos como uma empresa de corso, destinada para atacar navios mercantes do Rei Felipe II da Espanha e como Felipe I de Portugal e os domínios ultramarinos de ambas monarquias que desde 1580 estavam unificadas sob a coroa espanhola, em 1604 estiveram no Brasil com uma frota de sete navios comandada por Paulus Van Caarden hostilizando a Bahia durante quarenta dias, com a trégua de 1609 entre os Países Baixos e a Espanha de doze anos que suspendeu as hostilidades na Europa porém o mesmo não aconteceu no ultramar pois entre os anos de 1614 e 1615 uma frota sob o comando de Joris Van Spilberg esteve no Brasil desembarcando doentes na Ilha Grande e aportando em São Vicente e Santos aonde ocuparam, saquearam e incendiaram diversos engenhos de açúcar. A carreira aventureira da companhia com poucos anos de existência se impôs e distribuiu enormes dividendos aos seus acionistas e prestou inestimáveis serviços ao Governo das Províncias Unidas.
Companhia das Índias Ocidentais
Devido ao êxito nas operações da Companhia das Índias Orientais na Ásia e África os armadores holandeses em 1621 resolveram criar uma companhia nos mesmos moldes para agir na costa oeste da África e em toda América e no Pacífico até o estreito de Aniã, incluindo seu campo de ação no da Companhia das Índias Orientais. Com um capital de superior a sete milhões de florins e que teria uma duração de vinte e quatro anos e receberia dos Estados Gerais soldados e naus de guerra e a liberdade de construir fortes nas regiões conquistadas e de contrair tratados com príncipes e povos indígenas, nomear autoridades e funcionários e em troca daria parte de seus dividendos. Eram composta de cinco camarás que representava os seus acionistas e os seus diretores eram no número de dezenove que funcionariam alternadamente em Amsterdã e Midelburgo, e devido a riqueza de sua indústria do açúcar foi o Brasil o alvo inicial de sua ação, e para o norte brasileiro em 1624 foi enviada uma grande expedição.
Companhia Geral do Comércio do Brasil
Logo após a primeira batalha dos guararapes o Padre Antônio Vieira sugeriu a criação de uma companhia de comércio com uma frota bem aparelhada para contribuir na restauração do comércio luso-brasileiro e das condições econômicas da colônia e dos transportes transoceânicos. O capital inicial de um milhão e duzentos cinqüenta mil cruzados foi levantado pelo Padre Antônio Vieira junto aos comerciantes cristãos-novos que eram os judeus convertidos, em compensação pelo que obtiveram do rei devido a dispensa das penas de seqüestro e perdas dos bens nos processos de heresia e apesar dos protestos da inquisição. Os estatutos da companhia foi firmado em 8 de Março de 1649 aonde se definiram as atribuições, deveres e responsabilidades tendo o seu prazo de funcionamento estipulado em vinte anos prorrogáveis para mais dez anos e o monopólio para o comércio de pau-brasil e deveria colocar no mercado brasileiro os quatros produtos mais importantes de consumo e deveriam comboiar com seus navios de guerra todos os navios mercantes que navegavam de Lisboa para Pernambuco, era administrada por uma junta composta de nove diretores sendo que oito dos quais eram eleitos pêlos acionistas que tivessem mais de cinco mil cruzados de cota da companhia e oito conselheiros indicados pêlos comerciantes de Lisboa com mandatos de três anos. Apesar da inegável contribuição da companhia para a vitória definitiva contra os holandeses em 1654, desde logo surgiram reclamações acusando-se a companhia das seguintes irregularidade: por não enviar regularmente ao Brasil as suas frotas de navios, de que cobrava taxa de seguro marítimo, mas não pagava as indenizações devidas aos segurados quando estes sofriam danos em seus artigos e de não colocar na colônia a quantidade suficiente dos artigos que lhes competia trazer. E devido a suspensão em 1659 da importação dos quatros artigos monopolizado pela companhia a colônia gradualmente extinguiu as outras concessões que a companhia desfrutava, não obstante a isso a sua extensão definitiva só veio acontecer em 1720 depois de ter funcionado por longos anos como uma espécie de tribunal ou repartição publica.