Aprendizagem Colaborativa
 
 
 
“Diz-me eu esquecerei
Ensina-me e eu lembrar-me-ei
Envolve-me e eu aprenderei”
(Provérbio chinês)
Conceito 
A aprendizagem colaborativa assistida por computador pode ser definida como uma estratégia educativa em que dois ou mais sujeitos constróem o seu conhecimento através da discussão, da reflexão e tomada de decisões, e onde os recursos informáticos actuam (entre outros...) como mediadores do processo de ensino-aprendizagem. O objectivo principal é a aprendizagem, a aprendizagem especificamente colaborativa, e como pode ser suportada pelo computador – Internet, a qual é vista como um recurso. 

A Internet ajuda os alunos a comunicarem e a colaborarem em actividades comuns, fornecendo um prestimoso auxílio nos processos de coordenação e organização de actividades. A aprendizagem colaborativa destaca a participação activa e a interacção, dos alunos, dos professores e da família. O conhecimento é visto como um construtor social e, por isso o processo educativo é favorecido pela participação social em ambientes que propiciem a interacção, a colaboração e a avaliação. 

Papert, dá especial relevo às relações interpessoais entre aqueles que usam computadores Intenet para os seus próprios objectivos, sejam crianças ou adultos, pais, avós ou netos. Há pois que salientar os aspectos cognitivos (como se aprende), os axiológicos (que valores são importantes salientar) e os relacionais (que papel tem a interacção inter-individual e que efeitos pode ter em cada um de nós). 
 

Teoria sociocultural 

“O que educa os alunos é aquilo que eles realizam e não o que recebem: os alunos modificam-se unicamente através da sua própria iniciativa”.  

A teoria sociocultural de Vigotsky sobre a aprendizagem colaborativa enfatiza que a inteligência humana provém da nossa sociedade ou cultura, e que ocorre em primeiro lugar através da interacção com o ambiente social (ponto de vista interpessoal). 

Um outro aspecto desta teoria é a ideia de que o potencial para o desenvolvimento cognitivo está limitado a uma determinada zona a que chamou de “zona de desenvolvimento proximal” (ZDP). Isto é a distância entre o nível real e actual de conhecimentos de uma criança, determinado pela resolução independente de problemas e o nível de desenvolvimento potencial determinado pela resolução de problemas sob a orientação de adultos ou em colaboração com companheiros mais capacitados. A ZDP varia com a cultura, a sociedade e a experiência de cada indivíduo. Para que esta zona seja criada, deve existtir uma actividade conjunta que crie um contexto para a interacção entre alunos, professores e pais. 

Para Vigotsky, a interacção social é importante porque o professor pode modelar a solução apropriada, dar apoio estruturado na procura da solução e monitorar progresso do aluno, tendo em vista facilitar o crescimento e a aquisição de conhecimentos cognitivos individuais. A ZDP pode compor-se de diferentes níveis de experiência individual (alunos, professores e pais), e incluir artefactos como livros, programas para computador, Internet, materiais de caracter científico,... A sua principal finalidade é a de suportar a aprendizagem intencional. A aproximação sociocultural de Vigotsky à aprendizagem e muito em particular o conceito de ZDP podem, com sucesso, ser utilizadas no estudo da aprendizagem colaborativa. 

Para Alvim Toffler a informática e a Internet são as novas tecnologias da inteligência a que o saber dos nossos dias está inexoravelmente ligado. Assim, a tecnologia digital da inteligência significa o conjunto das técnicas computacionais que auxiliam o homem na sua capacidade de aprender, apreender e compreender. 

Construtivismo 

No construtivismo a noção central é a de que a compreensão e a aprendizagem são processos activos, construtivos, generativos e de auto-reorganização. As palavras do professor não ficam simplesmente gravadas directamente na mente dos alunos, pois elas agem depois de serem implementadas por eles. 

A contemporânea teoria construtivista da aprendizagem reconhece que as crianças são agentes activos que se comprometem com a construção do seu próprio conhecimento, integrando a nova informação no seu esquema mental e representando-a de uma maneira significativa. O paradigma construtivista conduz-nos a compreender como a aprendizagem pode ser facilitada através da realização de determinados tipos de actividades atraentes de construção. 

Segundo Gardner, uma forma de integrar os princípios construtivistas nas salas de aula é através da realização de projectos. O seu desenvolvimento envolve a observação da vida extra-escolar, propiciando aos alunos a oportunidade de organizar os conceitos e habilidades previamente estabelecidas, utilizando-os ao serviço de um novo objectivo ou empreendimento. 

Um elemento crucial da participação activa em actividades colaborativas é o diálogo nas experiências partilhadas, indispensável para suportar a negociação e a criação da significação e da compreensão. 
 
 

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