Legião Urbana
No início de 1992 resolvemos que, em vez de produzirmos um "videoclip" para o lançamento do disco "V", iríamos aceitar o convite da MTV para a gravação do então "novo programa" acústico. -"Jóia! Não temos que fazer clip!", ouvia-se em coro, o que definitivamente se transformou em mais um estimulante desafio. Pensávamos em imagem, um mega videoclip se estendendo por mais de uma hora no ar, suprindo, assim, nossa dificuldade em cumprir obrigações em relação à promoção de nosso trabalho. Naquele momento, a marca "acústico" estampada na capa de um disco não tinha o "sentido" que tem hoje, não cogitávamos a possibilidade de se transformar o programa de televisão em disco. Felizmente não perdemos a oportunidade de registrar na íntegra o áudio da apresentação, o que nos traz de volta a Legião interpretando ao vivo, espontânea e surpreendentemente à vontade, as inesquecíveis canções também inéditas versões com apenas dois violões, bateria, percussão e uma grande e inigualável voz.
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Mas você viu esse filme também.
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.
Nós assistimos televisão também
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa Ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais, por não Ter nada a dizer.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Só maldade então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda assim pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.
Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?
Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?
Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?
Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como eu penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares
(e todos os índios foram mortos).
Estátuas e cofres e paredes pintadas ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar. Nada é fácil de entender.
Dorme agora: É só o vento lá fora. Quero colo. Vou fugir de casa.
Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três.
Meu filho vai Ter nome de santo Quero o nome mais bonito.
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, Na verdade não há.
Me diz porque é que o céu é azul? Me explica a grande fúria do mundo.
São meus filhos que tomam conta de mim.
Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar.
Eu moro na rua, não tenho ninguém. Eu moro em qualquer lugar.
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais. Eu moro com meus pais.
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, Na verdade não há.
Sou uma gota dágua. Sou um grão de areia.
Você me diz que seus pais não entendem, Mas você não entende seus pais.
Você culpa seus pais por tudo E isso é absurdo: São crianças como você.
O que você vai ser quando você crescer?
(Hoy Me Voy Para México : A. Monroe Fernandez / C. Villa de La Torre / Versão: Carlos Colla)
Ela passou do meu lado
"Oi amor" - eu lhe falei
"Você está sozinha"
Ela então sorriu pra mim
Foi assim que eu a conheci
Naquele dia junto ao mar
As ondas vinham beijar a praia
O sol brilhava de tanta emoção
O rosto lindo como o verão
E um beijo aconteceu
Nos encontramos à noite
Passeamos por aí
E num lugar escondido
Outro beijo lhe pedi
Lua de prata no céu
O brilho das estrelas no chão
Tenho certeza que não sonhava
A noite linda continuava
E a voz tão doce que me falava
O mundo pertence a nós
E hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Não sei onde ela está
Hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Onde está meu amor?
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que não tenho
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, porque está tão prateada?
Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Sempre precisei de um pouco de atenção
Fica a poeira se escondendo pelos cantos.
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Os assassinos estão livres, nós não estamos.
Vamos sair mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
Vamos lá, tudo bem eu só quero me divertir.
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Nossas vidas possam se encontrar.
Quando me vi tendo que viver comigo apenas
Você me veio como um sonho bom
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo não consegui dormir.
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.
Neil Young John Lydon / Nill Laswell
When the dream came I held my breath with my eyes closed
I went insane, like a smoke ring day When the wind blows
Now I won't be back till later ron If I do came back at all
But you know me, and I miss you now. In a strange game
I saw my self as you knew me
When the change came, and you had a chance to see through me
Though the other side is just the same
You can tell my dream is real Because I love you can you see me now
Though we rush ahead to save our time We are only what we feel
And I love you, can you feel it now.
I could be wrong I could be right.I could be black I could be white
I could be right I could be wrong I could be white I could be black
Your time has come your second skin The cost so high the gain so low
Walk through the valley The written work is a lie
May the road rise with you Anger is an energy
William Reid / James Reid
As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
I get an eletric charge from you
That second hand living it just won't do
And the way I feel tonight
I could die and I wouldn't mind
And there's something going on inside
Makes you want to feel makes you want to try
Makes you want to blow the stars from the sky
I can't stand up I can't cool down
I can't get my head off the ground
As soon as I get my head round you
I come around catching sparks off you
And all I ever got from you
Was all I ever took from you
And the world could die in pain
And I would't feel no shame
And there's nothing holding me to blame
Makes you want to feel makes you want to try
Makes you want to blow the stars from sky
I'm taking my self to the dirty part of town
Where all my trobles can't be found
Joni Mitchell
The last time I saw Richard was Detroit in '68,
And he told me all romantics meet the same fate someday
Cynical and drunk and boring someone in some dark cafe
You laugh, he said you think you're immune, go look at your eyes
They're full of moon You like roses and kisses and pretty men to tell you
All those pretty lies, pretty lies When you gonna realise they're only pretty lies
Only pretty lies, just pretty lies He put a quarter in the
Wurlitzer, and he pushed Three buttons and the thing began to whirr
And a bar maid came by in fishnet stockings and a bow tie
And she said "Drink up now it's gettin' on time to close."
"Richard, you haven't really changed," I said It's just that now you're
romanticizing some pain that's in your head
You got tombs in your eyes, but the songs
You punched are dreaming Listen, they sing of love so sweet, love so sweet
When you gonna get yourself back on your feet?
Oh and love can be so sweet, love so sweet Richard got married to a figure skater
And he bought her a dishwasher and a Coffee percolator
And he drinks at home now most nights with the TV on
And all the house lights left up bright I'm gonna blow this damn candle out
I don't want Nobody comin' over to my table
I got nothing to talk to anybody about
All good dreamers pass this way some day
Hidin' behind bottles in dark cafes Dark cafes
Only a dark cocoon before I get my gorgeous wings
And fly away Only a phase, these dark cafe days
1 - Não sou escravo de ninguém
Sou metal raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.
Mas minha terra é a terra que é minha
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá.
2 - Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei.
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas, vou guardar o meu tesouro
3 - É a verdade o que assombra,
Tenho os sentidos já dormentes.
Eu quero a espada em minhas mãos.
Sou metal raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.
E nossa estória não estará pelo avesso
Teremos coisas bonitas para contar.
Parece cocaína, mas é só tristeza, Talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
E o descompasso e o desperdício herdeiros são agora da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho não me lembro não me lembro.
Tua tristeza é tão exata e hoje o dia é tão bonito.
Já estamos acostumados a não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos vão. O resto é imperfeito.
Disseste que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes
teu grito acordaria não só a tua casa mas a vizinhança inteira.
E há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade.
Há tempos são os jovens que adoecem.
Há tempos o encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos
e só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção
Meu amor, disciplina é liberdade. Compaixão é fortaleza.
Ter bondade é Ter coragem.
E ela disse: - Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa.
Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também
Eu sei
Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas
A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças e estórias
Somos pássaro novo longe do ninho
Eu sei
Não tinha medo, o tal João de Santo Cristo,
Era o que todos diziam quando ele se perdeu.
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu.
Quando criança só pensava em ser bandido,
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu.
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar.
Sentia mesmo que era mesmo diferente
E sentia que aquilo ali não era o seu lugar.
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria escolheu a solidão.
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado pro reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.
Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe ou sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar.
Dizia ele: - Estou indo pra Brasília,
Neste país lugar melhor não há.
Estou precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar.
E João aceitou sua proposta e num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes da Natal.
Meu Deus, mas que cidade linda,
No ano-novo eu começo a trabalhar.
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga.
Na Sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô:
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar.
E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa e decidiu que,
Como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E, sem ser crucificado, a plantação foi começar.
Logo logo os malucos da cidade souberam da novidade:
Tem bagulho bom aí!
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
Fez amigos, frequentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
Vocês vão ver, eu vou pegar vocês.
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal.
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general.
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os pecados ele se arrependeu.
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele
Pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter.
O tempo passa e um dia vem a porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta.
Uma resposta de João:
Não boto bomba em banca de jornal, nem em colégio de criança
Isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cú na mão.
E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião.
Mas antes de sair, com um ódio no olhar, o velho disse:
Você perdeu sua vida, meu irmão.
Você perdeu a sua vida meu irmão. Você perdeu a sua vida meu irmão.
Essas palavras vão entrar no coração
E eu vou sofrer as consequências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
E seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro trabalhando em sue lugar.
Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina.
Mas acontece que um tal de Jeremias, traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois que Jeremias começasse a brigar.
(O Jeremias, maconheiro sem-vergonha,
organizou a Rockonha
E fez todo mundo dançar.)
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar.
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
Eu vou embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo de a gente se casar.
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia, Jeremias se casou
E um filho nela ele fez.
Santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia, em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor
Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter na televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão
No Sábado então, às duas horas, todo o povo
Sem demora foi lá só pra assistir
Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir.
Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali.
E se lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
Se a via-crucis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu.
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu.
Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é.
E não atiro pelas costas não.
Olha pra cá filha da puta, sem-vergonha,
Dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o seu perdão.
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor.
E o povo declarava que João Santo Cristo era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na estória que eles viram na TV
E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o Diabo ter
Ele queria era falar pro presidente,
Pra ajudar toda essa gente
Que só faz sofrer.