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Legião Urbana

V - 1991


V - 1991

V, de 91, é o primeiro disco de uma fase triste que não terminou. Talvez porque Renato havia descoberto que tinha AIDS pouco antes de começar a grava-lo. Mas possui uma das mais belas canções : "Metal Contra as Nuvens". São deste disco também: "O Teatro dos Vampiros" e "Vento no Litoral".


1. Love Song
2. Metal Contra As Nuvens
3. A Ordem Dos Templários - Instrumental
4. A Montanha Mágica
5. O Teatro Dos Vampiros
6. Sereníssima
7. Vento No Litoral
8. O Mundo Anda Tão Complicado
9. L'âge D'Or
10. Come Share My Life - Instrumental

Love Song

Pois naci nunca vi Amor

e ouço d’el sempre falar.

Pero sei que me quer matar

Mais rogarei a mia senhor

Que me mostr’ aquel matador

Ou que m’ampare d’el melhor.

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Metal Contra As Nuvens 

1 - Não sou escravo de ninguém

Ninguém senhor do meu domínio

Sei o que devo defender

E por valor eu tenho

E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas

Por entre abismos e florestas

Por Deus nunca me vi tão só

É a própria fé o que destrói.

Estes são dias desleais.

Sou metal – raio, relâmpago e trovão

Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão

Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Reconheço o meu pesar:

Quando tudo é traição,

O que venho encontrar

É a virtude em outras mãos.

Mas minha terra é a terra que é minha

E sempre será minha terra

Tem a lua, tem estrelas e sempre terá.

2 - Quase acreditei na sua promessa

E o que vejo é fome e destruição

Perdi a minha sela e a minha espada

Perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei.

E, por honra, se existir verdade

Existem os tolos e existe o ladrão

E há quem se alimente do que é roubo.

Mas, vou guardar o meu tesouro

Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão.

3 - É a verdade o que assombra,

O descaso o que condena,

A estupidez o que destrói.

Eu vejo tudo que se foi

E o que não existe mais.

Tenho os sentidos já dormentes.

O corpo quer a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém

E sei que devo resistir –

Eu quero a espada em minhas mãos.

Sou metal – raio, relâmpago e trovão

Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão

Sou metal: me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar –

Tenho ainda coração.

Não aprendi a me render:

Que caia o inimigo então.

4 - Tudo passa, tudo passará

E nossa estória não estará pelo avesso

Assim, sem final feliz.

Teremos coisas bonitas para contar.

E até lá, vamos viver

Temos muito ainda por fazer.

Não olhe para trás –

Apenas começamos.

O mundo começa agora –

Apenas começamos.

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A Montanha Mágica

Sou meu próprio líder: ando em círculos

Me equilibro entre dias e noites

Minha vida toda espera algo de mim

Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde.

Minha papoula da Índia

Minha flor da Tailândia

És o que tenho de suave

E me fazes tão mal.

Ficou logo o que tinha ido embora

Estou só um pouco cansado

Não sei se isto termina logo

Meu joelho dói

E não há nada a fazer agora.

Para que servem os anjos?

A felicidade mora aqui comigo

Até segunda ordem

Um outro agora vive minha vida

Sei o que ele sonha, pensa e sente

Não é coincidência a minha indiferença

Sou uma cópia do que faço

O que temos é o que nos resta

E estamos querendo demais.

Minha papoula da Índia

Minha flor da Tailândia

És o que tenho de suave

E me fazes tão mal.

Existe um descontrole

que corrompe cresce

Pode até ser, mas estou pronto

pra mais uma

O que é que desvirtua e ensina?

O que fizemos de nossas

próprias vidas?

O mecanismo da amizade,

A matemática dos amantes –

Agora só artesanato:

O resto são escombros.

Mas é claro que não vamos lhe fazer mal

Nem é por isso que estamos aqui

Cada criança com seu próprio canivete

Cada líder com seu próprio .38

Minha papoula da Índia

Minha flor da Tailândia

Chega – vou mudar a minha vida.

Deixa o copo encher até a borda

Que eu quero um dia de sol n’ um copo d’água.

Topo


O Teatro Dos Vampiros 

Sempre precisei de um pouco de atenção

Acho que não sei quem sou

Só sei do que não gosto

E destes dias tão estranhos

Fica a poeira se escondendo pelos cantos.

Este é o nosso mundo:

O que é demais nunca é o bastante

E a primeira vez é sempre a última chance.

Ninguém vê onde chegamos:

Os assassinos estão livres, nós não estamos.

Vamos sair – mas não temos mais dinheiro

Os meus amigos todos estão procurando emprego

Voltamos a viver como há dez anos atrás

E a cada hora que passa

Envelhecemos dez semanas.

Vamos lá, tudo bem – eu só quero me divertir.

Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir

Já entregamos o alvo e a artilharia

Comparamos nossas vidas

E esperamos que um dia

Nossas vidas possam se encontrar.

Quando me vi tendo que viver comigo apenas

E com o mundo

Você me veio como um sonho bom

E me assustei

Não sou perfeito

Eu não esqueço

A riqueza que nós temos

Ninguém consegue perceber

E de pensar nisso tudo, eu, homem feito

Tive medo não consegui dormir.

...Comparamos nossas vidas

E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.

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Sereníssima 

Sou um animal sentimental

Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo

Tente me obrigar a fazer o que não quero

E você vai logo ver o que acontece.

Acho que entendo o que você quis me dizer

Mas existem outras coisas.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,

Tudo está perdido mas existem possibilidades.

Tínhamos a idéia, você mudou os planos

Tínhamos um plano, você mudou de idéia

Já passou, já passou – quem sabe outro dia.

Antes eu sonhava, agora já não durmo

Quando foi que competimos pela primeira vez?

O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe

Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Não estou mais interessado no que sinto

Não acredito em nada além do que duvido

Você espera respostas que não tenho

Não vou brigar por causa disso

Até penso duas vezes se você quiser ficar.

Minha laranjeira verde, porque está tão prateada?

Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada

Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço

Enquanto o caos segue em frente

Com toda a calma do mundo.

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Vento No Litoral 

De tarde quero descansar, chegar até a praia

Ver se o vento ainda está forte

E vai ser bom subir nas pedras.

Sei que faço isso para esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando tudo embora.

Agora está tão longe

Vê, a linha do horizonte me distrai:

Dos nossos planos é que tenho mais saudade,

Quando olhávamos juntos na mesma direção.

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo o tempo todo.

Quando vejo o mar

Existe algo que diz:

A vida continua e se entregar é uma bobagem.

Já que você não está aqui,

O que posso fazer é cuidar de mim.

Quero ser feliz ao menos.

Lembra que o plano era ficarmos bem?

Ei, olha só o que achei: cavalos marinhos.

Sei que faço isso para esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando tudo embora.

Topo


O Mundo Anda Tão Complicado 

Gosto de ver você dormir

Que nem criança com a boca aberta

O telefone chega Sexta-feira

Aperta o passo, por causa da garoa

Me empresta um par de meias

A gente chega na sessão das dez

Hoje eu acordo ao meio-dia

Amanhã é a sua vez.

Vem cá meu bem, que é bom lhe ver

O mundo anda tão complicado

Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador

E separar todas as ferramentas

A mudança grande chegou

Com o fogão e a geladeira e a televisão

Não precisamos dormir no chão

Até que é bom, mas a cama chegou na Terça

E na Quinta chegou o som.

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo

E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito

Agora que temos nossa casa

É a chave o que sempre esqueço.

Vamos chamar nossos amigos

A gente faz uma feijoada

Esquece um pouco do trabalho

E fica de bate-papo.

Temos a semana inteira pela frente

Você me conta como foi seu dia

E a gente diz um pro outro:

Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá meu bem, que é bom lhe ver

O mundo anda tão complicado

Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Quero ouvir uma canção de amor

Que fale da minha situação

De quem deixou a segurança do seu mundo

Por amor

Por amor.

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L'âge D'or 

Aprendi a esperar mas não tenho mais certeza

Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa

Contra a minha própria vontade sou teimoso, sincero

E insisto em ter vontade própria.

Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento

Não houve harmonia entre ação e pensamento.

Qual é teu nome, qual é teu signo?

Teu corpo é gostoso, teu rosto é bonito

Qual é o teu arcano, tua pedra preciosa –

Acho tocante acreditares nisso.

Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus

Tudo que já fiz foi por vaidade.

Jesus foi traído com um beijo

Davi teve um grande amigo

E não sei mais se é só questão de sorte.

Eu vi uma serpente entrando no jardim

Vai ver que é de verdade dessa vez

Meu tornozelo coça, por causa de mosquito

Estou com os cabelos molhados, me sinto limpo.

Não existe beleza na miséria

E não tem volta por aqui,

Vamos tentar outro caminho.

Estamos em perigo, só que ainda não entendo

É que tudo faz sentido.

E não sei mais se é só questão de sorte

Não sei mais não sei mais não sei mais.

Oh, oh

Lá vem os jovens gigantes de mármore

Trazendo anzóis na palma da mão.

Não é belo todo e qualquer mistério?

O maior segredo é não haver mistério algum.

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