Cazuza
História
O nome de batismo, Agenor, só foi aceito depois que descobriu que era xará de Cartola. Para os amigos, Caju; para os íntimos desconhecidos, sempre Cazuza. O nome dado pelos pais ficou restrito a documentos e contratos.
Geografia e urbanismo foram os primeiros interesses na infância. Ao mesmo tempo, as influência musicais passavam pelo sofá de sua sala. Seu pai, João Araújo, na época divulgador da Som Livre, recebia em casa artistas como Elis Regina, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Durante uma época, hospedou toda a trupe dos Novos Baianos, que acampou em sua casa. Cazuza se divertia vendo Baby Consuelo correr pela casa com um farol aceso pendurado na cabeça.
O primeiro holofote virado na direção do menino foi aos 22 anos, fazendo parte do grupo de
teatro de Perfeito Fortuna, idealizador do Circo Voador. Na montagem de Pára-quedas do Coração só cantava. Sua atuação chamou a atenção do cantor Leo Jaime, que o levou para conhecer uns amigos que ensaiavam uma banda, ainda sem vocalista, o Barão Vermelho.
A empatia imediata com Roberto Frejat, guitarrista do Barão, deu coragem a Cazuza de mostrar o resultado de noites e mais noites com o quarto trancado batendo à máquina. Levou suas letras ao ensaio e, logo na primeira semana, selou cinco parcerias com Frejat.
A estréia aconteceu no bar Calipso. Seu pai, que até aquele dia não sabia que o filho havia virado cantor, foi convidado em cima da hora pela mulher, Lucinha Araújo. Não gostou do show e nem das músicas. Só passou a ver com outros olhos depois de passar por uma lavagem cerebral promovida por Guto Graça Mello e Ezequiel Neves. Já ocupando cargo de presidência da gravadora, foi convencido a lançar o primeiro disco do grupo. Gravado em pouco mais de duas madrugadas, o disco chegou às lojas em 27 de setembro de 1982, sem grandes acolhidas de público nem de crítica.
No ano seguinte, Cazuza garantiu seus convites para a estréia da temporada do show Uns, que Caetano Veloso apresentaria no Canecão. O grande susto foi ver o seu ídolo de infância cantando uma composição sua, Todo amor que houver nessa vida e fazendo no palco elogios rasgados à banda, reservando suas críticas às rádios que deixaram o trabalho passar em branco.
A primeira vez em um top ten aconteceu pelas mãos de outro ídolo. Cazuza ainda estava dormindo quando Ney Matogrosso entrou em seu quarto dizendo que queria gravar Pro dia nascer feliz. O sucesso com Ney logo despertou a curiosidade das rádios, que começaram a tocar a versão original do Barão na mesma época do lançamento do segundo disco, Barão Vermelho 2.
Pela primeira vez com infra-estrutura profissional, lançam o LP Maior abandonado. O disco vendeu cerca de 80 mil cópias, bem mais que a média de dez mil exemplares dos primeiros. O sucesso leva o grupo a se apresentar na primeira edição do Rock in Rio em janeiro de 1985. Em agosto, Cazuza e Barão passam a seguir carreiras distintas. Com Frejat assumindo os vocais, o Barão se tornou a maior banda de rock no Brasil.
A história de Cazuza solo é revista agora em uma caixa lançada pela PolyGram com todos os seus trabalhos. O mais recente, Cazuza por aí... (1991) é formado por sobras de estúdio do álbum duplo Burguesia (1989). Nesse, além do sucesso Burguesia, trazia parcerias importantes para Cazuza como Cobaias de Deus (com Angela Ro Ro) e Perto do Fogo (com Rita Lee).
Do mesmo ano, O tempo não pára, foi gravado ao vivo no Canecão durante os shows do seu disco de maior sucesso, Ideologia (1988). Grande obra de Cazuza, trouxe sucessos como Faz parte do meu show e Brasil, que ganhou fama via abertura de novelas das oito na voz de Gal Costa.
Em 1987, Só se for a dois marcava a estréia de Cazuza na PolyGram. Expulso da Som Livre, quando a gravadora resolveu acabar com seu cast para se dedicar exclusivamente as trilhas sonoras, lançou sucessos como O nosso amor a gente inventa e Solidão que nada, conhecida também com gravação do Kid Abelha.
O disco de estréia na carreira solo, Exagerado, foi gravado ainda pela Som Livre em 1985. Por um raro acordo entre grandes gravadoras, está na caixa lançada pela PolyGram. Os primeiros hits aparecem neste CD, como Codinome beija-flor, Mal nenhum e a faixa-título. Como brinde extra, um CD só com composições de Cazuza interpretadas por artistas como Luiz Melodia, Ney Matogrosso e Kid Abelha. Fechando, uma gravação inédita de Doralinda, de João Donato, numa dobradinha de Cazuza com o autor, que dá canja ao piano. Essa faixa limpa a poeira nas prateleiras da gravadora e fica a pergunta: O que mais de novo vem por aí?
Se foi em 07/07/1990, "... mas o poeta não morreu, foi ao inferno e voltou ..."