A Bizarra História de Gregório Sampa
Uma vez Gregório Sampa acordou encascutado com uma idéia. Estava ele no dia anterior ouvindo uma discussão entre dois senhores muito bem vestidos, e a discussão não parecia levar a lugar algum. Pareceu-lhe que o único ponto em que os dois concordavam era: a culpa é do sistema.
Greguinho, como sua prima Alvira o chamava, ficou extremamente pensativo a este respeito. Como alguém pode ser tão criminoso? E se uma pessoa apenas é responsável por tanta coisa, e ninguém o prendeu ainda, deve ser porque ele é muito poderoso. Realmente, esse tal de sistema é muito poderoso, concluiu Greg.
Greg era uma pessoa curiosa por natureza, portanto resolveu investigar a fundo o problema. Foi à biblioteca pública, e perguntou a bibliotecária: Gostaria de tudo o que você tem sobre o sistema., ao que ela respondeu: Fileira 1AABBCC.
Greg, enquanto estudava, ficava cada vez mais assustado. O sistema
tomava várias formas e tamanhos: sistema de água e esgoto, de eletricidade, sistema de governo,
análises sistemáticas dos sistemas. Greg estava perdido e confuso.
Saiu da biblioteca e encontrou um hippie vendendo bugigangas, e no seu desespero pediu informações: O que é esse tal de sistema? o hippie replicou: É essa merda toda que está aí. Greg ficou apavorado! Fazia até sentido, Greg pensou lembrando do sistema de esgoto.
Greg viu ainda um cachorro se divertindo perto de um jardim. Greg não se conteve e gritou: Vejam! É o sistema saindo! Peguem o cachorro!
Quando chegou em casa, Greg lembrou que o seu vizinho era universitário, e deveria saber algo a respeito. O vizinho teve boa vontade de explicar: Sistema é toda a engrenagem da sociedade, que os Beatniks chamavam de Establishment, onde fazem parte a burguesia, os políticos, e até o proletariado, que faz o sistema funcionar sem questionar, lembrando as palavras de Trotski... Trote? Deve ser algo a respeito de cavalos, reforçando a teoria que o sistema fede.
Gregorinho, como o chamava sua tia Naíra, já estava na cama, perturbado pelas experiências do dia quando ouviu um bater na porta. Perguntou: Quem é? e veio uma voz grave: É o sistema.
Greg apavorou-se. Ele me achou! Devo me esconder! Negar tudo! Fale com meus advogados! Foi quando a porta se rachou com a força sintomática do sistema. Foi então que Greg viu o sistema de perto. Realmente fedia, e parecia com o sistema micro do cachorro, porém muito mais macro. O cheiro nauseabundo empestava o apartamento de Greg, que no seu desespero arremessou sua cama contra o sistema. Para seu espanto, o sistema absorveu a cama, ficando ainda maior, e foi engolindo todo o quarto do nosso herói. Quando se viu sem saída, tentou um combate corpo-a-corpo com o bolo marrom, e foi automaticamente digerido pela bolha. No dia seguinte, o síndico não pôde ser encontrado, mas os serventes sofreram muito para limpar o apartamento para o próximo inquilino. Quem lesse os jornais neste dia, poderia encontrar um pequeno texto com o cabeçalho: "Mais um que não pôde com o sistema."
Moral da História: se não pode com o bolo de merda, mande-o a merda.