Freejack e os quadrinhos no Cinema
Quem foi esses dias no Iguatemi assistir ao FREEJACK, com Mick
Jagger, talvez tenha se surpreendido com uma trama esquisita e
mal contada, com visual muito bem feito e estrutura fragmentada.
Quem procurava um bom filme de ação pode ter se decepcionado,
mas quem fã de quadrinhos (principalmente de ficção
científica) provavelmente se deliciou.
Os comics e o cinema possuem uma cumplicidade íntima desde o
começo. A começar pelos óbvios, como Dick Tracy e Batman. Os
leitores de X-Men que acompanharam a saga "Dias de um futuro
esquecido" de John Byrne e Chris Claremont certamente
tiveram uma sensação de "já vi isso antes" quando
assistiram o "Exterminador do Futuro". Outro filme que
pessoalmente eu acho uma obra-prima dos "comics like"
é o Darkman de Sam Reimi. Sam conseguiu uma fotografia escura
excelente, e os cenários são de tirar o fôlego de qualquer
quadrinhomaníaco.
Filmes de ficção científica são os que mais devem aos
quadrinhos. Desde Star Trek, até Aliens, o fator quadrinístico
está forte nas telas. Provavelmente isso se deve a facilidade
que estes diretores de papel têm de criar criaturas
fantásticas, lugares distantes, estilos de narrativa e até
mundos inteiros. Cinema é algo muito mais caro, e muitos
interesses estão em jogo. É mais fácil adaptar algo que já
funcionou nas bancas e que tem seu público fiel.
Apenas desejava que os quadrinhos no Brasil não fossem tão
discriminados como arte alternativa, mas encarados como
literatura. Quem tem essa idéia falsa dos quadrinhos, junte
alguma grana, corra até a banca mais próxima e procure algum
exemplar de Sandman, ou a minissérie de Moebius. A mensagem
está dada. É isso e torcer que o filme do Watchmen saia mesmo.