sábado — 18.11.2000

Acordamos tarde para ir ao Mosteiro dos Jerônimos Visita interessante, mas frustrada pela antecipação. Nah, é muito bonito mas, para variar, está em obras, em recuperação. E a diferença da área recuperada para a área ainda suja e cheia de líquens é brutal. É só ir até o páteo central do mosteiro para ver.

A igreja é bonita e tal, grande, com belas rosáceas e vitrais, mas o que impressiona é a riqueza de detalhes nas janelas e portas (do lado de fora) e nas colunas (dentro da nave). Parece até consurso de não repetir um padrão.

Os entalhes do coro alto são impressionantes. Por que será essas figuras meio andróginas? Esses torsos retorcidos e faces compungidas? Parece um clima de deixar todo mundo se sentindo mal, se sentindo culpado talvez. Das religiões, a católica parece ser a que mais aposta na culpa e no deus punitivo como forma de dominação. Eu, hein…

O mosteiro foi mandado construir por Manuel I, em 1501; a atração maior do lado de fora é a tal da porta sul, que dá de frente para a praça do império. Detalhes abundam, como os apóstolos e outras figuras do panteão cristão, além do próprio Manuel I. Dá para perder um tempinho aqui.

Lá dentro há alas e recônditos que mereceriam uma atenção e um cuidado melhor dos "administradores" do mosteiro: há muita interferência na arquitetura, muita mesmo. Havia até uma exposição que tapava a visão dos painéis de azulejos do antigo refeitório. Aliás, as obras expostas me lembraram do MoBA (Museum of Bad Art, montado por um quadrinhista americano que não lembro o nome). Shame.

Outras atrações são as arcas tumulares de Vasco da Gama e Luís de Camões. Não sei se os restos dos figurões estão ali, os guias não dizem.

O anexo onde ficavam os dormitórios virou Museu Nacional de Arqueologia, que será visitado em outra oportunidade. Por hoje ainda vamos ao Museu de Design.

Luciana se decepciona com o MD de Lisboa, e com a exposição de desenhos europeus dos séculos sei-lá-quantos. Mesmo com um original de Leonardo da Vinci. Cá entre nós, estava fraquinha messsss.

De Belém, vamos para o Amoreiras, ver Snatch (Porcos e Diamantes aqui). O filme não tem um grande roteiro, mas a forma de contar, os cortes e planos pouco usuais dão uma certa graça à narrativa. Mas tinha que mostrar o Brad Pitt sem camisa (e completamente fora de propósito — afinal de contas, eles tinham de arranjar dinheiro para rodar o filme, não é mesmo?)

And we call it a day.



1