O Amor
O amor não existe
É uma farsa triste cujo
significado procuro em vão
Pois há certeza em saber
que a paixão nunca é cega
Quando a gente se entrega,
o erro está feito
E então não há
jeito de curar esta dor
O amor não existe
É uma valsa triste onde
danço num altar em vão
Pois o meu par é o chão
E então vou de encontro
a um mundo onde a graça
É não saber o
que se passa lá
O amor é forte e adota
como esporte
Mil modos de nos derrubar
O amor é a morte para
quem não teve sorte
E não aprendeu a amar
Pode ser que eu esteja errado
Tomara que sim, mas veja o
meu lado
Já cansei de amar sem
ninguém reparar |
Maçã
Esfregue-me pétalas cinzas
Dê-me um banho de rum
Esqueça as verdades
mentidas no seu coração
Escreva um poema sincero
Com versos de puro carmim
E o vento tocando os cabelos
e sentindo bem
O vazio que invade a carne se
chama ilusão
Porque nada é possível
sem desilusão
E é assim, não
há paixão sem dor
Entregue suspiros ardentes a
quem você quer agradar
Esqueça o pudor embutido
no seu coração
E cante um refrão depressivo
com versos que falem de mim
Pois hoje você me invadiu
e eu fingi também
Viver é poder decidir
se é melhor ser feliz
Ou tentar dividir a emoção
em vão |
Amor urgente
Dor que invadiu meu corpo por
sua causa
Que não vai embora,
não alivia, não salva
Que me deixa fraco e sem vontade
de ser
Qualquer coisa que um dia poderia
estar diferente
Tal como um amor urgente
Quem me extrai a força
e só deixa em mim
Suspiros sabor framboesa
Suspiros sabor jambo
Não há como suportar
essa adaga
Que me perfura e me deixa mole
e com sono
Negro, o cabelo e a morte
Pena que eu não tive
sorte e escolhi você pra gostar |
Me transcende
Penumbra envolvendo longos fios
de cabelo ondulado
Me lembra o passado que foi
bom
Mas o vento hoje é mais
frio
E o frio me faz te querer ainda
mais
Paixão de cerrar os dentes
é aquela que a gente não esquece jamais
A lua me disse que a vida tem
disso
Não se pode amar em
vão nem viver sem afago e proteção
Pequena, me diga por que é
difícil saber se é de verdade o som
Será que o meu suspiro
não diz nada
Enquanto lobos uivam ao luar
e tentam chorar
Será que é demais
perguntar
Se consegues sentir a batida
do meu coração
Que voa vermelho de tanto sofrer
por você |
A noite e o beijo
A noite tem mistérios
esvoaçantes
Tem suspense em cada brisa
Tem canção em
cada olhar
A noite tem um jeito diferente
de querer e de amar
O beijo tem perguntas conflitantes
Tem resposta em cada instante
Tem um cheiro de pureza
O beijo tem um gosto de beleza
no momento em que se dá
Ah! A noite e o beijo
Ao luar o meu gracejo
Te pedindo pra ficar
Ah! No teu leito o meu desejo
De ficar o dia inteiro
Te abraçando sem parar
Rasga essa roupa molhada de
sereno
Me lambe na beira do mar
Eu quero este dia marcado
Como o dia em que em meus braços
Conseguistes me beijar |
Adaga
Paixão cortante decepa
minhas veias
Me sangra e me banha envolvendo
dentes cerrados
Que conotam raiva, mas por
você tenho a selvagem vontade
De dominar-te e ter-te pra
mim
Você é minha de
verdade só quando há sinceridade no olhar
E não se consegue definir
o amor
Tristeza sorteia atitudes, a
minha é normal
Não tenho virtudes,
sou mesmo diferente
Transformo-me em gente pra
te conquistar, mas sou mesmo bobo
Não consigo
O cérebro continua decifrando
as mensagens vindas do seu sub-consciente Mas não descobre o mais
importante: se há ao menos
Alguma coisa de mim em você,
pra pouco a pouco ir me injetando
Nos seus seios
Se há dias não
consigo viver mais, é porque algo me toma o lugar do pensar
E é você quem
vem
Subitamente habita o meu corpo
uma forma estranha de medo
Não sei se é
bom, só sei que tento a todo custo me livrar
E tentar te esquecer, mas aprendi
e temo o pior: reconhecer
Que é muito bom pensar
em ti |
Minh'alma
Eu não sei o meu caminho,
eu não sei por onde ir
Eu não sei com quantas
palavras direi que quero te ouvir
O corpo que me comoveu foi
o mesmo que me levou
A tirar o medo das trevas,
a deixar meus olhos alerta
Verdade é que o amor
fez e ninguém saberá porque
Adornou minh'alma de sonho
e encheu meu mundo de você
Me leva daqui, eu quero sair
Para um lugar bem quente aonde
eu possa ir e fazer o que eu quiser
Sem ter nada a dever, sem desculpas
para dar
Sem defeitos a assumir, sem
ninguém a perdoar
O meu mundo é só
tristeza, eu não tenho convicção
Não sabendo se é
certeza o que vem do seu coração
Eu não sei se é
culpa sua, mas a verdade é uma só
Esta vida é sem sentido
se no fim todos somos pó
O frio me fez lembrar o passado
que me moveu
E que esquentou minh'alma e
seguro, sozinho, fiquei... |
Calor
Estou triste porque perdi o
sentido de viver
E é por isso que me
deixam ver a desgraça que me aconteceu
Sabe, tudo anda tão
chato, quase tudo é um artefacto
De defesa ou de prazer que
me tomam ao te ver
Sem desculpas ou perdão,
mas a verdade é que não
Há mais verdades no
olhar, porque se esquecestes de estar
Desnuda Cruel Indecisa Intacta
Céu
Cortando os cabelos do anjo
mais puro e careca
Estou alegre porque descobri
um motivo de vida
E é por isso que continuo
a viver, apesar da vontade de não mais saber
Do mundo ou das pessoas que
são problemas de fato
E me dixam num estado chato,
mas agora recuperei-me
Tenho vontade de amar e encontrar
alguém diferente
Que me trate como gente, me
respeite e me dê valor
Na verdade neste mundo onde
a indiferença impera
E subitamente a dor, o que
mais falta é calor |
Escuro
Eu não quero ver o escuro
que vem de você
Por que eu não quero
saber
Sobre a sua vida escusa
Cheia de enganos, cheia de
culpa
Só porque eu falo a
verdade você me condena
E esta é a minha pena:
sofrer
Atenta você me tortura
sem perceber
A alma mais pura que só
você tem nos braços
Implora um momento de paz,
e mais:
Cede ao cansaço um espaço,
me chama de um traço
E eu nem sei desenhar
Sofre, o crepúsculo
volta e vem te buscar
E eu vou gostar, porque você
nunca me amou
Ou será que me amou
e que ódio e amor se misturam
Se for verdade eu me mordo
até o meu sangue talhar |
Estatelada no elevador
Já sei que o futuro do
passado chegou
Está na hora de desintegrar
os sonhos
Se o medo passou enquanto gelava,
o tempo não mudou
Sobrou um pedaço de
engano na palma da mão
Ainda imprevisíveis os
sonhos
Ainda imprevisível a
missão
Senti frio o pulso cortado no
chão
Consenti com seus restos de
desilusão
Juntei os pedaços de
mel e notei que era tudo em vão
A sua poesia tão linda
Estatelada no elevador
Sentei ao redor da estátua
Lembrei-me de você
Mas tudo era tão estranho
A vontade era de morrer |
Dianna
Você me deixou, roubou
meu amor e agora eu estou só
Minha Eva tão linda,
minha amante querida, razão de viver
Você é a minha
deusa, minha vida é tua e por isso eu te adoro
Subi as montanhas, mais íngremes,
mais altas, só pra te enxergar
Olha como o céu é
lindo! Quero te beijar!
Que errante ventura, tu seres
tão pura e não me desejar
Que o réu sou eu, por
tanto querer ser teu e você a me condenar
Que sina tão maldita,
enquanto o mundo gira e eu a te esperar
Que coisa tão macabra,
o amor que não se acaba e eu continuo a te amar
Continuo a por ti chorar, eu
nasci pra te cortejar
Meus olhos rubros pelam de pavor
enquanto a rua aquece a minha dor
Seus lábios carnos a
ter outro dono e a cada dia eu mais me apaixono
Minha língua arde de
paixão no tesão louco da minha ilusão
No final da noite eu roubo
as estrelas e te dou de presente o meu coração |
Cereja
Não há poesia
a fazer
Tudo que refelete à
minha frente é urgente
E deve acontecer mal
O medo de estar respirando
é a coragem que faz bater
O certo sino do coração
que dobra azul
Pois o pavor dos mares transparece
marrom
No meu cérebro verde
Dentes à mostra
A prova de que devem saber
Que não é brincadeira
nem jogo
E que o doce e o bobo são
eu
Merecem o apoio?
Mas nem isso eles sabem dar
Que bando de homens fingindo
lutar
Enquanto no fundo o que querem
é chorar de vergonha |
Salvação
Te recebo, salvação
Vindes de lembranças
remotas
Antes que o pranto guardasse
as suas rosas
Com cheiro injetado no sangue
de alguém
Te agradeço, salvação
Sempre que trouxeres a discórdia
Pois o tempo se esqueceu do
momento
De guardar o medo no suspiro
do andante
Quem lembrar do amor
E quiser saber do prazer
Não vá se esquecer
da incerteza
Os que sonharam com a purificação
Que se banharam com o corpo
são
Sempre almejaram a solidão
Te enalteço, salvação
Pelo primeiro choro que ofereceres
À tristeza que ronda
meu corpo e vem
Jurar fidelidade em me deixar
feliz
Te mando ir agora, salvação
Porque fizestes de mim um fraco
Aceitando tuas desculpas e
desrespeitando meu ego
Findando em silêncio
o calor do íntimo ousado
Entre os frios e os fracos
Existe um ponto de impacto
Centrado nas racionais ações
Entre os tristes e os mórbidos
Existe um olho com lágrimas
alvas
Manchado de salvação |
O Pão
O pão me alimenta
alimenta os meus desejos mais
cruéis
me ensina a aceitar o meu papel
de irmão
O pão me incita
incita as minhas dúvidas
primárias
me ajuda a decifrar o que há
de estranho
em mim
O pão é o troco
O pão é pouco
e é vivo tanto quanto eu poderia ser
O pão é o soco
O pão é louco
e tenta me enlouquecer
O pão me choca
choca os meus olhos mostrando
que
me domina e termina no lado
negro
da escuridão
O pão me fala
grita as suas verdades como
sendo minhas e
me enforca sufocando minhas
palavras,
meu porta-voz
O pão é a saída
O pão é vida,
quando não há nada além dele pra comer
O pão é a sorte
O pão é a morte,
quando tem brometo a mais e não temos como saber |