Clique aqui para saber mais sobre mim... 
 
Pawel Keller é engenheiro químico.
Nas horas vagas, arrisca a vida como músico, cronista, webdesigner e compositor...
 
O Amor  |  Me transcende  |  Amor urgente  |  Maçã  |  A noite e o beijo  |  Adaga  |  O Pão  |
Minh'alma  |  Calor  |  Escuro  |  Estatelada no elevador  |  Dianna  |  Cereja  |  Salvação  |
 
 
O Amor 

O amor não existe 
É uma farsa triste cujo significado procuro em vão 
Pois há certeza em saber que a paixão nunca é cega 
Quando a gente se entrega, o erro está feito 
E então não há jeito de curar esta dor 

O amor não existe 
É uma valsa triste onde danço num altar em vão 
Pois o meu par é o chão 
E então vou de encontro a um mundo onde a graça 
É não saber o que se passa lá 

O amor é forte e adota como esporte 
Mil modos de nos derrubar 
O amor é a morte para quem não teve sorte 
E não aprendeu a amar 

Pode ser que eu esteja errado 
Tomara que sim, mas veja o meu lado 
Já cansei de amar sem ninguém reparar 

Maçã 

Esfregue-me pétalas cinzas 
Dê-me um banho de rum 
Esqueça as verdades mentidas no seu coração 
Escreva um poema sincero 
Com versos de puro carmim 
E o vento tocando os cabelos e sentindo bem 

O vazio que invade a carne se chama ilusão 
Porque nada é possível sem desilusão 
E é assim, não há paixão sem dor 

Entregue suspiros ardentes a quem você quer agradar 
Esqueça o pudor embutido no seu coração 
E cante um refrão depressivo com versos que falem de mim 
Pois hoje você me invadiu e eu fingi também 

Viver é poder decidir se é melhor ser feliz 
Ou tentar dividir a emoção em vão

Amor urgente 

Dor que invadiu meu corpo por sua causa 
Que não vai embora, não alivia, não salva 
Que me deixa fraco e sem vontade de ser 
Qualquer coisa que um dia poderia estar diferente 
Tal como um amor urgente 
Quem me extrai a força e só deixa em mim 
Suspiros sabor framboesa 
Suspiros sabor jambo 

Não há como suportar essa adaga 
Que me perfura e me deixa mole e com sono 
Negro, o cabelo e a morte 
Pena que eu não tive sorte e escolhi você pra gostar

Me transcende 

Penumbra envolvendo longos fios de cabelo ondulado 
Me lembra o passado que foi bom 
Mas o vento hoje é mais frio 
E o frio me faz te querer ainda mais 

Paixão de cerrar os dentes é aquela que a gente não esquece jamais 
A lua me disse que a vida tem disso 
Não se pode amar em vão nem viver sem afago e proteção 

Pequena, me diga por que é difícil saber se é de verdade o som 
Será que o meu suspiro não diz nada 
Enquanto lobos uivam ao luar e tentam chorar 

Será que é demais perguntar 
Se consegues sentir a batida do meu coração 
Que voa vermelho de tanto sofrer por você

A noite e o beijo 

A noite tem mistérios esvoaçantes 
Tem suspense em cada brisa 
Tem canção em cada olhar 
A noite tem um jeito diferente de querer e de amar 

O beijo tem perguntas conflitantes 
Tem resposta em cada instante 
Tem um cheiro de pureza 
O beijo tem um gosto de beleza no momento em que se dá 

Ah! A noite e o beijo 
Ao luar o meu gracejo 
Te pedindo pra ficar 
Ah! No teu leito o meu desejo 
De ficar o dia inteiro 
Te abraçando sem parar 

Rasga essa roupa molhada de sereno 
Me lambe na beira do mar 
Eu quero este dia marcado 
Como o dia em que em meus braços 
Conseguistes me beijar

Adaga 

Paixão cortante decepa minhas veias 
Me sangra e me banha envolvendo dentes cerrados 
Que conotam raiva, mas por você tenho a selvagem vontade 
De dominar-te e ter-te pra mim 

Você é minha de verdade só quando há sinceridade no olhar 
E não se consegue definir o amor 

Tristeza sorteia atitudes, a minha é normal 
Não tenho virtudes, sou mesmo diferente 
Transformo-me em gente pra te conquistar, mas sou mesmo bobo 
Não consigo 

O cérebro continua decifrando as mensagens vindas do seu sub-consciente Mas não descobre o mais importante: se há ao menos 
Alguma coisa de mim em você, pra pouco a pouco ir me injetando 
Nos seus seios 

Se há dias não consigo viver mais, é porque algo me toma o lugar do pensar 
E é você quem vem 

Subitamente habita o meu corpo uma forma estranha de medo 
Não sei se é bom, só sei que tento a todo custo me livrar 
E tentar te esquecer, mas aprendi e temo o pior: reconhecer 
Que é muito bom pensar em ti

Minh'alma 

Eu não sei o meu caminho, eu não sei por onde ir 
Eu não sei com quantas palavras direi que quero te ouvir 
O corpo que me comoveu foi o mesmo que me levou 
A tirar o medo das trevas, a deixar meus olhos alerta 
Verdade é que o amor fez e ninguém saberá porque 
Adornou minh'alma de sonho e encheu meu mundo de você 

Me leva daqui, eu quero sair 
Para um lugar bem quente aonde eu possa ir e fazer o que eu quiser 
Sem ter nada a dever, sem desculpas para dar 
Sem defeitos a assumir, sem ninguém a perdoar 

O meu mundo é só tristeza, eu não tenho convicção 
Não sabendo se é certeza o que vem do seu coração 
Eu não sei se é culpa sua, mas a verdade é uma só 
Esta vida é sem sentido se no fim todos somos pó 
O frio me fez lembrar o passado que me moveu 
E que esquentou minh'alma e seguro, sozinho, fiquei...

Calor 

Estou triste porque perdi o sentido de viver 
E é por isso que me deixam ver a desgraça que me aconteceu 
Sabe, tudo anda tão chato, quase tudo é um artefacto 
De defesa ou de prazer que me tomam ao te ver 
Sem desculpas ou perdão, mas a verdade é que não 
Há mais verdades no olhar, porque se esquecestes de estar 
Desnuda Cruel Indecisa Intacta Céu 
Cortando os cabelos do anjo mais puro e careca 

Estou alegre porque descobri um motivo de vida 
E é por isso que continuo a viver, apesar da vontade de não mais saber 
Do mundo ou das pessoas que são problemas de fato 
E me dixam num estado chato, mas agora recuperei-me 
Tenho vontade de amar e encontrar alguém diferente 
Que me trate como gente, me respeite e me dê valor 
Na verdade neste mundo onde a indiferença impera 
E subitamente a dor, o que mais falta é calor

Escuro 

Eu não quero ver o escuro que vem de você 
Por que eu não quero saber 
Sobre a sua vida escusa 
Cheia de enganos, cheia de culpa 
Só porque eu falo a verdade você me condena 
E esta é a minha pena: sofrer 
Atenta você me tortura sem perceber 

A alma mais pura que só você tem nos braços 
Implora um momento de paz, e mais: 
Cede ao cansaço um espaço, me chama de um traço 
E eu nem sei desenhar 
Sofre, o crepúsculo volta e vem te buscar 
E eu vou gostar, porque você nunca me amou 
Ou será que me amou e que ódio e amor se misturam 
Se for verdade eu me mordo até o meu sangue talhar

Estatelada no elevador 

Já sei que o futuro do passado chegou 
Está na hora de desintegrar os sonhos 
Se o medo passou enquanto gelava, o tempo não mudou 
Sobrou um pedaço de engano na palma da mão 

Ainda imprevisíveis os sonhos 
Ainda imprevisível a missão 

Senti frio o pulso cortado no chão 
Consenti com seus restos de desilusão 
Juntei os pedaços de mel e notei que era tudo em vão 
A sua poesia tão linda 
Estatelada no elevador 

Sentei ao redor da estátua 
Lembrei-me de você 
Mas tudo era tão estranho 
A vontade era de morrer

Dianna 

Você me deixou, roubou meu amor e agora eu estou só 
Minha Eva tão linda, minha amante querida, razão de viver 
Você é a minha deusa, minha vida é tua e por isso eu te adoro 
Subi as montanhas, mais íngremes, mais altas, só pra te enxergar 

Olha como o céu é lindo! Quero te beijar! 

Que errante ventura, tu seres tão pura e não me desejar 
Que o réu sou eu, por tanto querer ser teu e você a me condenar 
Que sina tão maldita, enquanto o mundo gira e eu a te esperar 
Que coisa tão macabra, o amor que não se acaba e eu continuo a te amar 

Continuo a por ti chorar, eu nasci pra te cortejar 

Meus olhos rubros pelam de pavor enquanto a rua aquece a minha dor 
Seus lábios carnos a ter outro dono e a cada dia eu mais me apaixono 
Minha língua arde de paixão no tesão louco da minha ilusão 
No final da noite eu roubo as estrelas e te dou de presente o meu coração

Cereja 

Não há poesia a fazer 
Tudo que refelete à minha frente é urgente 
E deve acontecer mal 
O medo de estar respirando é a coragem que faz bater 
O certo sino do coração que dobra azul 
Pois o pavor dos mares transparece marrom 
No meu cérebro verde 

Dentes à mostra 
A prova de que devem saber 
Que não é brincadeira nem jogo 
E que o doce e o bobo são eu 
Merecem o apoio? 
Mas nem isso eles sabem dar 
Que bando de homens fingindo lutar 
Enquanto no fundo o que querem é chorar de vergonha

Salvação 

Te recebo, salvação 
Vindes de lembranças remotas 
Antes que o pranto guardasse as suas rosas 
Com cheiro injetado no sangue de alguém 

Te agradeço, salvação 
Sempre que trouxeres a discórdia 
Pois o tempo se esqueceu do momento 
De guardar o medo no suspiro do andante 

Quem lembrar do amor 
E quiser saber do prazer 
Não vá se esquecer da incerteza 

Os que sonharam com a purificação 
Que se banharam com o corpo são 
Sempre almejaram a solidão 

Te enalteço, salvação 
Pelo primeiro choro que ofereceres 
À tristeza que ronda meu corpo e vem 
Jurar fidelidade em me deixar feliz 

Te mando ir agora, salvação 
Porque fizestes de mim um fraco 
Aceitando tuas desculpas e desrespeitando meu ego 
Findando em silêncio o calor do íntimo ousado 

Entre os frios e os fracos 
Existe um ponto de impacto 
Centrado nas racionais ações 

Entre os tristes e os mórbidos 
Existe um olho com lágrimas alvas 
Manchado de salvação

O Pão 

O pão me alimenta 
alimenta os meus desejos mais cruéis 
me ensina a aceitar o meu papel 
de irmão 

O pão me incita 
incita as minhas dúvidas primárias 
me ajuda a decifrar o que há de estranho 
em mim 

O pão é o troco 
O pão é pouco e é vivo tanto quanto eu poderia ser 
O pão é o soco 
O pão é louco e tenta me enlouquecer 

O pão me choca 
choca os meus olhos mostrando que 
me domina e termina no lado negro 
da escuridão 

O pão me fala 
grita as suas verdades como sendo minhas e 
me enforca sufocando minhas palavras, 
meu porta-voz 

O pão é a saída 
O pão é vida, quando não há nada além dele pra comer 
O pão é a sorte 
O pão é a morte, quando tem brometo a mais e não temos como saber

 
 
 
1