Escolha uma notícia abaixo:

1. Revista Tribo
2. Rock Press
3. Trabalho Sujo
(11/04/1999)
4. Rádio Onze
(Entrevista)
5. MTV Lado B
(Apresentação)
6. Zine Automatic
7. Nova Demo
8. Coletânea "Em Órbita"




1. Revista Tribo (Fish Lips:"Try")
"Escutei e gostei prá caralho!! Puta sonzeira style, alguns chamam este tipo de som de "Guitar", outros de "Rock Alternativo". Não importa, o que interessa é que o som é muito bem gravado e de qualidade absurda de boa.
Lembra bem PIN UPS, só que não tão rápido (não que isso seja ruim). Destaque para as músicas "Batteries Not Included" e "Single Bell". Bela capinha."


2. Rock Press (Demos & Zines)
"Guitarras barulhentas e criativas e uma vocalista que é ótima (não, não a conheço pessoalmente e nem vi a foto). Banda que fácil, fácil, poderia estar estourando em qualquer parada de rádio college gringa. Aqui no Brasil, não, porque não se tem notícia de rádios universitárias que apoiem o novo..."

3. Trabalho Sujo (11/04/1999)
"Agora que a Alê tirou os Pin Ups completamente do noise, fazendo-os tomar banho no chuveiro da new wave, a vaga no pântano do barulho de São Paulo, capital, está aberta. Mas como cargas pesadas de microfonia estão fora de moda e a maioria das bandas paulistanas está voltada para os anos 60 dos Beatles, das bandas de garagem ou da soul music, poucos candidatos surgiram.
Um deles é o Fish Lips, que nem é de São Paulo, mas da cidade que o Edu K, o Rossi (lembram dele?) e uma explosão colocaram no mapa. Osasco é tradicionalmente referida, como quase todas cidades que fazem parte da região metropolitana de Sampa, como um reduto hardcore. Mas os Fish Lips provam que nem só de HC vive aquela cidade que parece começar na Marginal Pinheiros.

A maçaroca de som criado pelas guitarras de Rodrigs e Marianne, pelo baixo de Márcio e pela batera de Maurício é filha bastarda dos shows do Velvet Underground ao vivo. Ou seja, tem parentesco com o Jesus & Mary Chain, com o Sonic Youth, com o Galaxie 500 e com os próprios Pin Ups, por que não, nos anos Luiz Gustavo.
Mas a doçura derramada pelo vocal de Megssa é o diferencial. E ela não está cantando suavemente, apenas usa a arma que tem nas cordas vocais para cantar como se fosse Lou Reed, Jim Reid ou Thurston Moore. O detalhe é que a voz dela é doce e ela canta com vontade e aspereza, como Patti Smith e Exene Cervenka fazem (ou faziam?).
O que torna o Fish Lips uma banda pra ficar de olho. A gravação de sua primeira fita, Try (Slag), só reforça as qualidades da banda e colocam-nos sentados com certo conforto no antigo trono dos Pin Ups. Mas se eles se mexerem um pouco mais, arrumam um só pra eles, novinho, zerado. É o que tudo indica que vai acontecer. "

4. Rádio Onze (Entrevista)
A revista Showbizz do mês de abril publicou uma reportagem sobre as "garotas que arrombaram a porta do clube do bolinha do rock and roll no Brasil", como diz mais ou menos o texto da chamada veiculada pela Rádio Brasil 2000. A matéria fez um "who is who" das mulheres que tocam rock no Brasil, independetemente do estilo e abrangeu desde Rita Lee até Alê Briganti, da banda Pin Ups, passando por outros nomes. O texto teve esse mérito de falar não apenas de quem está no mainstream (ou quem vai estar, como a Penélope Charmosa, uma banda eminentemente de garotas), mas abordar também o trabalho de quem ainda está lançando seus trabalhos de forma independente, como pôr exemplo o grupo The Maybess, da vocalista Vanessa. Porém como tudo não pode ser perfeito, é claro que houve injustiças e esquecimentos. Faltou citar a Sabrina, que o amigo onzenauta já conhece da entrevista publicada nesta seção com a banda da qual era baixista, a finada (snif!) Sleepwalkers. Hoje ela se dedica ao bom Feedback Club.
Outro nome esquecido foi o da Megssa, vocalista do Fish Lips. Mas a página de rock da Rádio Onze vai ajudar a tentar reparar essa falha, como se pode notar na entrevista abaixo.
Mas antes, é melhor falar um pouco do Fish Lips. Apesar de 45% de seus integrantes morarem em Osasco, a banda tem uma cara tipicamente paulistana. Isso é curioso, pois poucos grupos conseguiram isso, um exemplo que vem à lembrança agora é o Fellini. No caso do Fish Lips, trata-se da banda certa, fazendo a trilha sonora para a cidade certa. Porém, isso não impede que eles tenham os seus horizontes restritos. Qualquer um, de qualquer lugar do mundo pode consumir sem problemas a música deles.
Quem pensar em Sonic Youth vai certamente sacar que tipo de som o Fish Lips faz. Mas engana-se quem pensar em cópia pela cópia. A matriz das duas bandas é a mesma (a sonoridade de guitar bands, para quem gosta de rótulos), porém o caminho que cada uma segue é completamente diferente.
Se o Fish Lips fosse um time de futebol, diria que eles jogam num esquema 2-2-1. Atrás, no equivalente a defesa, fazendo uma bela cozinha estão o Márcio no baixo e Maurício na bateria, que seguram as pontas muito bem. Um pouco depois, no que eqüivale ao meio-campo, estão as barulhentas, porém sublimes (o termo está desgastado pelo uso, mas é o que define bem) guitarras do Rodrigs e da Marianne. E na frente, no comando do ataque, empurrando as bolas para dentro do gol e correndo para os abraços, está a vocalista Megssa. E foi com ela que conversamos para falar um pouco mais dessa banda muito especial, chamando a atenção de publicações alternativas dedicadas a música. Outros assuntos tratados na entrevista foram os seus projetos paralelos na área musical e na imprensa alternativa. Leia a seguir a íntegra do bate-papo. (Rodney Brocanelli, outono de 1999)
Onzenet - Apesar de todo o burburinho da mídia especializada, poucos devem saber sobre o início do Fish Lips. Conte como tudo começou.
Megssa Fernandes - A banda fará 3 anos em novembro. Na verdade começamos quando, depois de passar em um "teste-tosco", eu e a Mari , que nos conhecemos da escola, entramos pra banda, que já contava com o Márcio ( baixo), Maurício(bateria) e Artur (guitarra). Passado um ano, o Artur resolve sair dando lugar ao Rodrigs (que acabei conhecendo em um chat de música). Apenas 5 meses depois começamos a gravação da demo "Try" e lançamos pela Slag! Records.
Onzenet - Agora, uma pergunta superoriginal que provavelmente nunca ninguém fez: de onde surgiu o nome da banda?
Megssa - O nome surgiu da necessidade de um nome! hehe. Meio que de improviso, entre a pressa de ter nome pra começarmos os shows e pra demo, sugeriram o nome FISH LIPS, que acabou ficando. Esse nome ficou mais por causa da sonoridade...significado não tem nenhum. ( Não tenho lábios de peixe e não é nenhuma referência ao Flaming Lips, como alguns pensam).
Onzenet - O que vocês da banda acharam do comentário feito pelo Alexandre Matias (Trabalho Sujo) sobre a demo de vocês? Ele disse que vocês podem ocupar o trono deixado pelos Pin Ups com a transição deles para um som mais new wawe. Isso aumenta a responsabilidade de vocês?
Megssa - Não apenas pelo comentário sobre nós, mas também pelo espaço que o Matias guarda para bandas independentes, ficamos muito felizes. É muito importante ser apoiado, seja uma banda, zine ou o que for. isso só valoriza o trabalho. Quanto ao Pin Ups, bem, não acho que tomamos trono de ninguém. Pra começar eu nunca vi o Pin Ups num trono...tantas bandas paulistas que são ou foram tão boas quanto eles. Acho que as comparações não aumentam, nem criam responsabilidade, já que estamos querendo conquistar o NOSSO público. O PIN UPS de HOJE tem o som dele, que é bem diferente do som do Fish Lips. Vamos continuar sendo o que sempre fomos e ninguém vai precisar gostar de Pin Ups pra gostar da gente.
Onzenet - E as comparações que ele fez do teu jeito de cantar com o de Patti Smith. Como as recebeu?
Megssa - Ah...!!!Claro que fiquei contente! Mas sinceramente, não vejo muita semelhança. Não gosto muito do meu vocal (acho que ele poderia ser mais "puro") por achar que misturo muito o que escuto: Sonic Youth, Mazzy Star, Salt, Mudhoney, Bettie Serveert e por aí vai. Patti Smith é maravilhosa, acho que estou longe de ser como ela ;-)
Onzenet - Como você sente o mercado para o tipo de som que vocês fazem?
Megssa - Nós da banda temos tido sorte até agora de estarmos sendo apoiados; pelo menos crítica e público tem vindo até nós, o que significa reconhecimento. Mas, essa história só acontece porque nós demos o primeiro passo e fomos atrás! Lógico que existem poucos lugares para shows, etc, mas ficar reclamando não adianta, tem que agir. Ainda mais aqui em São Paulo, onde existe um certo monopólio com algumas bandas, sobre os poucos lugares que temos pra tocar (o que, na minha opinião, acaba prejudicando a própria banda e o público, que está sempre em busca de coisas novas).
Onzenet - E a repercussão junto ao público? Fale um pouco dela.
Megssa - O público das nossas demos, shows, é basicamente o mesmo sempre. É muito bom saber que onde quer que você vá, ou faça, sempre terá gente te escutando. No começo foi difícil (como sempre é para qualquer um), mas principalmente porque eu não era aceita muito bem, graças aos shows onde eu pulo pra caramba, danço, deito...algumas pessoas não entendem que isso é forma de expressão. Ainda bem que isso foi superado pela maioria. Hoje não encontramos problemas com as pessoas que vão aos nossos shows. Um coisa engraçada é que, em sua maioria, o público é formado por homens, skatistas...
Onzenet - Você está miltando no mundo maravilhoso dos zines com o seu Popadelic. Fale sobre o conceito dele.
Megssa - Todo zine tem um rascunho. O POPADELIC é um rascunho publicado. Quando fiz o primeiro Pop, pensei 2 vezes antes de fazê-lo todo manuscrito, mas continuei. O que eu queria é exatamente o que ele é hoje: uma SÁTIRA aos zines (principalmente aos que gosto). Os trabalhos caprichados e informativos, deixo para o Vs., Mazga, Luna, Brujeria fazerem!
Onzenet - Eu sei que você tem alguns projetos paralelos. Dá para contar alguma coisa ou os nossos honrados leitores vão ficar com água na boca...
Megssa - Sim, eu não sou fiel à uma banda só...hehehe. Conseqüência disso, tenho o The Luos, que na verdade existe há 4 anos, mas nunca foi divulgado nem nada. É um som folk, muito influenciado por Mazzy Star, Varnaline, Flying Sauccer Attack. Pretendemos gravar algo até julho. Na gravação vamos ter convidados mais do que especiais. Outro projeto que estou prestes a começar, ainda não tem nome, mas será um som drum n'bass/trip-hop, junto com um DJ (o Rodrigo) que ainda está em aperfeiçoamento. Acho que o mais significativo é isso, o resto vocês verão daqui uns dias... :-) É isso! Agradeço o espaço. Que ele continue sempre baby desse jeito que é!!!!!!!!!

5. MTV Lado B (Apresentação)
Foi veiculado em agosto no programa "Lado B", um clip gravado ao vivo nos estúdios da emissora.
Para solicitar uma re-exibicao do clip "stereophonic" do fish lips, mande um e-mail para ladob@mtv.com.br

6. Zine Automatic! #06 Natal/RN
Demo de estréia do Fish Lips, apresentando cinco composições que circundam um pouco pelo Pós-Punk inglês e por guitarras noise que, às vezes, lembram Sonic Youth e até, porque não dizer, os catarinenses Sleepwalkers, banda já extinta, e Feedback Club.
A atenção da fita vai para "Space Sound", com um riff em alta velocidade junto a uma linha de baixo bem trabalhada, isso tudo em meio a certa estranheza inerente à própria canção.
Destaque também para o inquieto baterista e para a dupla de guitarras faiscando barulho em "Batteries not Included", "Star Song" e "Single Bell, deixando para a última faixa, "The Quest", um clima menos nervoso ( mas nem tanto!). O timbre de voz firme da vocalista Megssa até parece um pouco com o de Courtney Love, do Hole, só que bem melhorado e sem aquele "teatro" todo, procurando apenas expor sua música, eis aqui boa banda, longe da pretensão de alguns e perto de obter o interesse de tantos outros.

7. Nova Demo
O Fish Lips está preparando sua segunda demo, que deverá ser lançada em abril/2000.
Aguardem!

8. Coletânea "Em Órbita"
A primeira produção em CD do selo de Joinville 'Estellar Records' é a coletânea "Em Órbita", que traz duas faixas de cada banda, escolhidas à dedo, para integrarem a coletânea que melhor traduz o que está acontecendo dentro do cenário de rock independente nacional. Comprar uma coletânea é difícil, ainda mais quando trata-se de bandas desconhecidas para a grande maioria deste país, mas aí está uma oportunidade de você se dar bem! "Em Órbita" é uma coletânea fácil, uniforme, nova e muito boa. A escolha por bandas de estilos semelhantes foi o ponto à favor. Para quem gosta, há distorção nas guitarras, efeitos de instrumentos e vocais, melodias suaves e muita banda boa. Quem abre o álbum é o Vellocet, de Minas Gerais, que proporcionou uma bela introdução com suas duas ótimas canções "A Hundred Bugs" e "Inside My Mind". E prepare-se para o que ainda está por vir... Fish Lips, de Osasco vem com "Trip to Desert" e "Stereophonic", com guitarras que lembram Sonic Youth. Megssa mostra energia em seu vocal despojado e doce. A psicodelia do catarinense, Vacine está na ótima "Ill" e na engraçada "Frank" - 'por favor não manque'. Logo depois aparece os baianos Brincando de Deus, sumidos por algum tempo, a banda volta para um registro importante, mostrando maturidade na boa música que faz. O Spots, de Araras, fazem um rock básico, com guitarra, baixo e bateria, a banda parece inspirada, com gás para gastar. "Downtown Bells" e "Till Getting Dry" são as colaborações do Foolish, de Maringá. Vocais abafados, guitarras simpáticas fazem de "Downton Bells" uma canção pop de primeira. A bateria do Pan Cake abre "Nova" com uma gravação baixa em relação às outras bandas, mas sem problemas... aumente o volume que o que vem por aí é coisa boa! As cariocas do Pan Cake fazem canções fáceis de lembrar e daqui a pouco você já está cantando "Love Canal". E o álbum já está terminando. De Campinas, aparece o Astromato que manda "No Macio, No Gostoso" e "Não sei jogar", canções em português, com uma base trabalhada de guitarras e efeitos de produção. Os também catarinenses do Feedback Club dispensam comentários. Fecham a coletânea com categoria em "Muddy Humanizer" e "Hilton Dry". "Em Órbita" teve a missão de ser um dos melhores lançamentos do ano, fazendo as vezes de uma vitrine com parte do que está acontecendo do outro lado da rua: onde há bandas com vontade própria, que querem mesmo é tocar. Para adquirir o seu cd, entre em contato com a Estelar Records- Rua Porto Alegre, 222 - Guanabara - Joinville - SC - CEP 89207-680 ou pelo telefone 0xx 47 436 7050. .

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