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Jamile Mário
Martins A
prisão da operadora de máquinas Raquel Pinto Godoy, 29, realizada
quinta-feira à tarde no Jardim Esplanada pode possibilitar à Polícia
Civil de Ponta Grossa um substancial enriquecimento do inquérito
instaurado para apurar o desaparecimento da estudante Jamille Aparecida
Cristina Godoy, 9, ocorrido em 29 de novembro de 1999. Mãe da criança, Raquel teve a prisão temporária decretada pelo juiz da 2ª Vara Criminal, Raul Portugal da Silva. Essa ordem judicial tem validade por 30 dias podendo ser prorrogada por mais 30. Por questão de segurança, a mulher encontra-se recolhida na ala feminina do presídio Hildebrando de Souza, na vila Santa Tereza. |
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Em 6 de outubro deste ano fora detido, também por ordem da Justiça, o vigilante Ismail Pereira Sutil, 30, companheiro de Raquel. O casal, na visão da Polícia, está no epicentro de um processo instaurado em função da existência de suspeitas da prática de crime de extorsão mediante seqüestro. SUMIÇO O
caso Jamille tratar-se-ia de uma trama diabólica que desafia a Polícia
ponta-grossense. Apesar de todas as iniciativas tomadas, das freqüentes
notícias publicadas pela imprensa nacional e principalmente pela local,
da distribuição de cartazes em pontos de grande concentração de
pessoas, durante todo esse tempo não surgiu nenhuma única pista sobre
o paradeiro dela. Jamille
teria sumido à noite, durante ausência do padrasto Ismail, que
justamente nessa data teria ido à Münchenfest. Raquel, por seu lado,
estaria no local de trabalho. Quarenta e oito horas depois,
aproximadamente, o casal registrou queixa de desaparecimento na 13ª SDP.
À época, ainda na condição de adjunto, o delegado Noel Muchinski da
Motta começou as investigações. Várias denúncias foram feitas à
Polícia, mas nenhuma capaz de proporcionar algo de relevante para o
desfecho do caso. CONTRADIÇÕES Na
entrevista de ontem à tarde no auditório da sede da Polícia Civil, o
delegado Marcus Vinícius Sebastião primeiramente fez questão de
esclarecer alguns pontos acerca da prisão de Raquel. Segundo ele, a
decisão de privá-la da liberdade deve-se à necessidade de conduzir as
investigações sem a ocorrência de obstruções. Não significa,
contudo, que esteja incriminando-a. “Estou à busca da verdade e
principalmente de subsídios que me conduzam ao desfecho do caso”,
explicou. A
prisão de Raquel acentuou, não se trata de uma medida arbitrária
tomada sem fundamento legal. “Se assim fosse o Ministério Público e
o Poder Judiciário não acatariam o pedido”, ressaltou. Há, conforme
Marcus Sebastião, fortes indícios da pretensa intenção desta mulher
de omitir informações à Polícia. Além disso, complementou,
investigações produzidas na sexta-feira foram decisivas para o pedido
de prisão dela. “Não posso me adiantar, mas garanto a vocês que
obtive informações importantíssimas nesse dia”. Marcus
foi mais além nessa sua explanação. Ele disse que Raquel prestou de
forma oficial quatro depoimentos e sempre apresentou versões
diferentes. “Ela nunca falou a mesma coisa”, asseverou. A mulher
também omitiu a informação da existência de um seguro de vida feito
pelo o ex-marido João Godoy, morto há dois anos em acidente de trânsito,
beneficiando-a juntamente com as filhas. “É uma atitude no mínimo
suspeita”. PREVENTIVA O
delegado disse também que logo ao desaparecimento da menina, Raquel foi
a primeira a levantar fortes suspeitas sobre Ismail. Ela, inclusive,
acentuou, “foi quem me avisou que ele estaria fugindo da cidade”.
Para a estranheza do delegado, Raquel “mudou de opinião” e depois
de ele estar preso passou a considerá-lo inocente. A mulher fez mais
que isso. Talvez por compaixão ou pelo grande amor que nutre por Ismail
o visitava todos os dias na delegacia. A
prisão de Ismail termina no próximo dia 6, mas a Polícia estuda a
possibilidade de requerer à Justiça a preventiva dele. Ontem, no final
da tarde, ele foi comunicado da prisão da Raquel. Deveria, também
prestar novo interrogatório. O delegado informou que na próxima semana
todas as pessoas citadas neste inquérito serão submetidas à acareação.
O
delegado, em razão do grande tempo que já se passou, não descarta a
hipótese de Jamille ter sido morta. Trabalha também com a
possibilidade de ela ter sido seqüestrada ou até mesmo vendida.
“Tudo é possível”, concluiu. As outras duas filhas de Raquel foram
encaminhadas ao Conselho Tutelar. ATT: A
foto anexada é de Jamille Aparecida Cristina Godoy, 9, que desapareceu
em 29 de novembro de 1999 Entenda
o caso Jamille Dia
29 de novembro de 99 – O vigilante Ismail Pereira Sutil, 30,
foi à Münchenfest. Jamille e as duas irmãs mais novas de 6 e 7 anos
teriam sido deixadas trancadas no quarto. Dia
30 de novembro de 99 – Com sintomas de embriaguez e bastante
sujo, Sutil retorna à casa por volta das 14, sendo informado pela
companheira Raquel Pinto da Silva, 29, mãe de Jamille, que ela havia
desaparecido. Dia
1º de dezembro de 99 – A família registra queixa de
desaparecimento na 13ª SDP. Dia
15 de dezembro de 99 – Raquel procura o delegado Noel
Muchinski da Motta, então responsável pelas investigações, para
dizer que está sendo extorquida. De um telefone público um homem,
segundo ela, pede R$ 100 para dar informações sobre a criança. O
autor da tentativa de extorsão cita o detalhe de que Jamille gostaria
de ser dentista. Ela, realmente, sempre manifestou à família esse
desejo. Dia
22 de dezembro de 99 – A Polícia recebe a informação de que
Jamille estaria sendo escondido em uma chácara nas imediações de uma
subestação da Copel, na região do bairro Santa Mônica. Dia
27 de dezembro 1999 – Preocupada e sem perspectivas de reaver
a criança, a família decide espalhar cartazes com fotos de Jamille em
vários locais da cidade Dia
6 de janeiro de 2000 – Sutil, o padrasto, é ouvido
oficialmente pela primeira vez. Negou qualquer envolvimento com o
desaparecimento da menina. As investigações, a partir de então, foram
suspensas. Dia
29 de setembro de 2000 – O delegado operacional Marcus Vinícius
Sebastião assume o caso, atendendo um pedido do delegado-chefe Noel
Muchinski da Motta Dia
6 de outubro de 2000 – O vigilante Ismail Pereira Sutil é
preso pela Polícia no posto São Sebastião mas continua alegando inocência. Dia
17 de outubro de 2000 – A Polícia realiza a reprodução
simulada dos fatos. TELEFONES
PARA CONTATO Raquel,
mãe da menina: (0**42) 236-3891 |
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