Desde o início da revolução industrial, o cidadão
não foi educado para gerir, no seu cotidiano, as supostas benesses
que o novo paradigma lhe fomenta usufruir. Com a preponderância do
monoteísmo, os deuses, que outrora podiam ser responsabilizados
pelos problemas que afligiam os grupos humanos - porque tinham defeitos,
eram suscetíveis a
falhas - foram substituídos por
um deus perfeito. A partir do incremento das questões ambientais,
o cidadão vem sendo condicionado, a transferir a responsabilidade
por sua atuação ambiental, a entidades "abstratas" ou convenções
sociais (como o governo) Adaptando-se às mudanças sociais,
que se mantinham direcionadas ao modus vivendi capitalista, o cidadão
aprendeu a enfatizar o papel de consumidor, e a considerar válidas,
atitudes que há algumas décadas eram de pouca importância,
mas que, atualmente, são inaceitáveis, por terem um custo
ambiental
demasiado, e a transferir (ou diluir), a sua parcela de responsabilidade
aos "poderosos" (aos
governantes, aos grandes empresários, aos
"ecologistas"...), e a "justificar" a sua negligência, ao incluí-la
no ról das inevitáveis contingências do progresso.
Com a consolidação da condição de normalidade
de sua atitude, graças à cumplicidade do meio social, o cidadão
foi, gradativamente, "legitimando" a sua indiferença, em relação
às consequências de seus atos. Enquanto, aparentemente
(segundo estatísticas "oficializadas") evoluia para um modo mais
saudável de vida, foi se tornando cada vez mais dependente de um
número exagerado de componentes no seu cotidiano... uma quantidade
demasiada e, por isso, dificílima de administrar; algo similar à
dificuldade de se extrair, de uma só vez, um volume de areia contido
no interior de uma garrafa, por causa do gargalo , ou à tarefa
de se assimilar um volume fantástico de informações
que surgem de todos os lados (graças à crescente sofisticação
dos meios de comunicação) e inundam nossos sentidos com mensagens
variadas (em sua maioria, "corrompidas" por interesses comerciais). Paradoxalmente,
esse aumento do acesso à informação, proporcionado
ao cidadão-consumidor, graças ao "progresso", provocou a
gradativa perda de algumas capacidades, antigamente desenvolvidas por seres
considerados
primitivos (população de "selvagens",
de locais onde o "progresso" não chegou), ou aquelas realizadas
com facilidade, por seres considerados inferiores (de outra espécie
animal). A capacidade, por exemplo, de previsões meteorológicas,
poderem ser sentidas diretamente, sem a dependência de nenhum
aparato externo (instrumentos produzidos pela indústrias). Atualmente
é comum as pessoas manipularem artefatos diversos propiciados pelo
avanço
tecnológico - e este serve como ponto-chave quando se busca
um critério para a conceituação de
progresso.
Agora é possível se locomover centenas de quilometros sem
precisar usar as pernas, ou avistar um objeto situado a uma distância
que o torna invisível a olho nu. Porém, cresce, cada vez
mais, a dependência de mecanismos externos para que o organismo humano
realize as suas funções ou atividades em geral, desde as
mais simples como caminhar, correr ou qualquer outra que exija tonicidade
muscular; ou, então, enxergar algo próximo, sem o auxílio
de óculos; ou, ainda, saber tratar da própria saúde,
sem precisar seguir a receita (ou melhor, seguir instruções
ditadas em linguagem "enigmática") de um médico... Muito
pouca gente sabe, hoje em dia, como fazer fogo, encontrar água potável,
conseguir (coletar ou cultivar) o seu alimento... Tudo o que a maioria
dos homo sapiens atuais precisam saber está relacionado a
uma única atividade (profisssional), geralmente bastante desconectada
de suas necessidades vitais - cujo conhecimento depende da informação
fornecida por "especialistas", ou seja, está diretamente dependente
do seu poder aquisitivo (a quanto dinheiro pode dispor). Isso ocasiona,
automaticamente, uma associação da capacidade de adquirir
dinheiro à inteligência; e a posse deste, a ganhos, evolução,
realização, satisfação ... em suma, a progresso
pessoal! Todo esse comportamento social pode ser visto como uma espécie
de "brincadeira" de mau gosto porque gera injustiças. Além
disso demonstra uma falha do discernimento individual, considerar
essa condutoa como necessária à vida, enquanto que
as condições de vida estão sendo destruídas,
exatamente pelo mau uso de seus atributos de cidadão. O preço
desse "equívoco", portanto, é muito alto! Se, até
há algumas décadas atrás, havia uma boa porcentagem
de áreas com matas virgens (ecossistemas locais relativamente equilibrados,
ou na fase de clímax sucessional) e a condição
geral do bioma planetário se apresentava um tanto exuberante, atualmente
o panorama é bem oposto, e tende, assustadoramente, a acelerar e
a expandir, cada vez mais, o processo de desequilíbrio. Por causa
disso, costumes antigos e novos terão de ser reavaliados e adequados
à nova situação. Cortar uma árvore para produzir
papel, no início desse século, por exemplo, poderia ser uma
atitude de muito pouca importância, mas com a devastação
acelerada nas últimas décadas, adquiriu uma condição
de muita relevância. O papel, naquela época, era quase um
artigo de luxo, caro e escasso. Hoje em dia, ao contrário, é
consumido, em grande quantidade por qualquer cidadão, como se isso
fosse algo inóquo ou irrelevante do ponto de vista ambiental.
A banalização de atitudes como essa, formou uma "cultura
abusiva" em relação ao meio natural. Enquanto integrante
dessa sociedade de consumo, cada indivíduo é o elo de uma
cadeia de eventos, cujo somatório é predatório
-
ou seja, desequilibra o meio ambiente, por meio de uma crescente variedade
de impactos de origem antropogênica - porque, cada cidadão
tem a sua "quota" de responsabilidade, e é isso que determina a
manutenção do modelo (ou da conduta) adotado pela sociedade,
quando esse cidadão atua como
consumidor inveterado. Cada
indivíduo, portanto, tem a sua parcela de responsabilidade em relação
às mazelas que afligem a humanidade, pois contribui na determinação
do que é ou será produzido e - talvez o fator mais
importante - como é ou será produzido. Aliás,
esse é um processo muito simples: tudo o que é produzido,
a princípio, visa o consumo. Por causa disso o consumidor é
quem fomenta o poder destrutivo de qualquer meio de produção.
Talvez a maior revolução social ainda esteja por acontecer,
e provavelmente será o surgimento de uma nova postura: a de consumir
para viver, em vez de consumir para destruir a Vida.
O planeta Terra tem recursos (conhecidos e acessíveis) para
a manutenção de cerca de doze bilhões de seres humanos,
em condições de vida razoáveis. Atualmente não
podemos mais contar com essa fartura, porque a maior parte já
está comprometida em sua qualidade (ou seja, em sua utilidade efetiva)
e a nossa sobrevivência está ameaçada, apesar de que
a população se constitue, atualmente, em cerca de seis bilhões
de habitantes (humanos), simplesmente porque esses recursos foram e continuam
sendo mal utilizados pela humanidade. A taxa de desperdício
é inaceitável. A desigualdade na distribuição
também. Em ambos os casos, a visão de mundo consumista
- ou seja, a supervalorização do ter, em detrimento
do ser - é fator fundamental. No entanto, o enfoque que é
feito em debates e discussões - sobre um assunto de extrema gravidade
como é o de tratar da sobrevivência humana, além da
de outras espécies - sempre parte de um ângulo que prioriza
as questões financeiras, ou economico-sociais, em detrimento
duma ética mais abrangente (coerente com a Vida). Esta é
vista como uma espécie de assessório - não
só dispensável, mas também
indesejável,
porque, via de regra, vai de encontro aos interesses de classes ou indivíduos
que se submeteram a uma hierarquia mórbida que possibilita classificar
monstros
humanos como heróis - o que viabiliza a existência
de movimentos sociais com uma lógica absurda como a do
nazismo,
por exemplo, além de uma constante alternância de personagens
sociais ora considerados heróis, ora
malfeitores,
segundo os ângulos e pontos-de-vista determinados pelas políticas
econômicas, e aspiram galgar esses postos de poder - como uma forma
de ascenção na vida social - ou garantindo e mantendo esse
poder a esses
malfeitores (denominados de grandes empresários),
ao adquirir (comprar deles) inúmeros artigos (relativamente baratos)
supérfluos
e nocivos! Dentre outros: inúmeros produtos de "beleza" (ou
seja, de
disfarce), papéis em geral, pseudo-alimentos ("sobrecarregados"
de aditivos químicos, agrotóxicos, hormônios...) são,
costumeiramente, consumidos por cidadãos civilizados, integrados
ao "progresso" compondo um quadro social mórbido (autodestrutivo),
baseado na aceitação de mentiras (como as veiculadas diáriamente
por propagandas ou reclames publicitários), e do abuso a outras
formas de vida, segundo os caprichos humanos....
Quando alguém tenta se insurgir contra essa ética submissa
à lógica do mercado, logo é tachado, no mínimo,
de
leviano, de romântico, de conservador, de
reacionário...
em suma, de alguém que se posiciona contrariamente ao progresso.
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Que leviandade pode ser maior do que a de submeter / condicionar a nossa vida a uma convenção social (como a do dinheiro)?
Desde os primórdios do modelo consumista alguns poucos humanos tiveram sensatez suficiente para prever a triste decadência pela qual enveredou o comportamento social e o "desvio" do sentimento de pertencer, de fazer parte, e de ser grato ao Planeta. Um "selvagem" (chefe de uma tribo pele-vermelha), acossado pela ganância do grande chefe cara pálida, civilizado (enfim, de alguém admirado e obedecido por pessoas normais daquela época, por ser o governante da grande nação que se tornaria o maior defensor e representante do modelo social consumista) respondeu com afirmações simples e óbvias ao governo ianque que a Terra é nossa mãe e os animais, as plantas, o rio, a planície, etc são nossos irmãos. Ele tentou, inutilmente, mostrar ao branco invasor que a Terra é que nos possui, que nos mantém, que é benéfica e é uma maravilha (repleta de prazeres, como são os perfumes, sons e outras sensações e estados de espírito que a Natureza nos brinda). Todavia o grande chefe cara-pálida já tinha acorrentado a sua visão a um mundo muito mais pobre, cuja mediocridade era tamanha que o reduzia a uma espiral extravagante de excitações, onde estavam distribuídos desejos de posse de uma infinidade de bens supérfluos e nocivos, como uma espécie de "funil" apontando sempre para o dinheiro. Era difícil para o ser primitivo - também o é para mim - entender a preferência do civilizado por respirar a fumaça fedorenta que impregnava o interir dos saloons, ao invés de aspirar o perfume das flores ou da terra molhada pela chuva, por exemplo.
Desde há muito tempo, a idéia surrealista de que as criações humanas são um aperfeiçoamento do que é natural, nos conduz a uma realidade bizarra - a qual é aceita e acalentada por ser, sobremaneira, excitante dos sentidos (de modo cômodo), induzindo-nos à indolência. A meu ver elas são uma mera cópia reducionista e tacanha - a qual pode ser, mesmo assim, válida como um exercício para o desarrojo de nossas capacidades latentes. O comportamento normal assegura a validade de se ter o dinheiro como meta de quase toda a atividade. No final de contas o poder aquisitivo é o grande triunfo. E este não exige, necessariamente, que sejamos mais desenvolvidos, ou capazes. Talvez o requisito mais exigido na disputa social pelo dinheiro, seja a falta de escrúpulos. Por isso pessoas simplórias, medíocremente evoluídas ou dotados de pouco talento - e, muito menos, de ética ou de bom senso - são admiradas, unicamente, por terem a posse do vil metal.
A imitação do natural pode ser válida, mas
é a mesmo tempo, perigosa, na medida que se afasta, demasiadamente,
dele. A partir de um certo ponto, o novo torna-se
extravagante,
mas pode chegar a ser, por demais, grotesco ou sobrecarregado de
morbidez.
O sobrenatural é uma criação humana, portanto
uma imitação do natural só que distorcida, geralmente
tendendo a um aspecto macabro - da realidade (natural). Acho que
estamos criando imitações monstruosas da realidade
natural.
Por isso penso que estamos transformando o Planteta - o qual vejo como
um paraíso melhor do que o Jardim do Éden, já que
este é também uma obra da imaginação humana,
portanto uma criação, ou seja, uma imitação
do natural - num inferno!
Desde já se pode ver os sinais desse processo observando a depredação
da natureza e a sua substituição por um amontoado enorme
de lixo. Atitudes comuns, transformadas quase em obrigações
sociais, como dar presentes em determinadas datas, também têm
a sua parcela de participação nesse processo. Por exemplo,
se até recentemente os brinquedos mais artificializados (modernos
e "sofisticados") fornecidos à criançada, na época
do natal, se constituiam de inocentes carrinhos, agora assumem um
caráter de crescente morbidez: além de imitações
de armas sofisticadas, vêm acompanhadas de figuras de seres grotescos,
monstruosos, cópias de super-heróis das
porcarias
mostradas pela mídia. Além de se banalizar a morbidez - e,
com ela, uma certa indiferença ao assistir atitudes de violência,
elas criam uma espécie de (valorização da) estética
do horror.
Com o decorrer do tempo - e a continuidade desse comportamento social
- deuses macabros também integrar&atiilde;o o imaginário dos
povos, assim como os cada vez mais grotescos heróis de historietas
em quadrinhos, cinema, tv, Internet, desenhos em camisetas, etc.?
![]() ...nas
escarpas que ainda não foram depredadas
...nas
avenidas, tantas figuras estampadas
são
caricaturas descritivas do sucesso no suicídio,
Por
causa disso, em todos os cantos se ouvirão suspiros.
Sem
o seu brilho, haverá um imenso caos,
Monstros
humanos cuspirão bolas de pus,
Serão
caçadores que, dos outros são a caça;
Polirão
espelhos nos destróços de aeronaves.
Sobre
montes de lixo, em caóticos passeios,
Sempre
a mesma visão dum panorama rotineiro
onde
tudo é quase alguma coisa...
(parte do poema OCEANU) |
Por que o sol, a lua e outros astros magníficos - antigamente considerados divindades por povos que foram destruídos ou colonizados (ou catequisados) - foram substituídos por "heróis/semi-deuses" ou por um deus antropomórfico (ora por "matrizes", ora por "cópias" dos seres humanos), os quais estão se tornando cada vez mais monstruosos?
Nos transformaremos também em seres monstruosos, seguindo essa tendência?
Como será o futuro (nosso e de nossos descendentes)? Ao destruir com as condições de vida (sem termos tempo de, quiçá, nos adaptarmos às mudanças do meio - além de que essa adaptação poderia resultar em algo horripilante, indesejável e inevitável se quisermos sobreviver), estaremos nos condenando a mortes em massa (tragédias com grande número de vítimas)? Basta olharmos com atenção, para concluirmos que...
Esse é o futuro ao qual estamos nos dirigindo? (Por favor,
envie-me a sua opinião!)
Em relação às outras espécies, o que vem
sendo praticado - em nome do "progresso" - é um conjunto de atitudes
covardes,
"compensadas" por outras demagógicas. Alguns valores, consagrados
pelos costumes de todos os povos - como a maternidade - são
friamente desrespeitados. Diariamente é roubado o alimento destinado
aos filhotes de espécies (ditas inferiores) para satisfazer
- tanto a gula do público cconsumidor quanto a ganância
dos produtores - humanos.
Todos os filhotes de mamíferos mamam em suas mães, somente
até terem dentes para mastigar o próprio alimento... exceto
os humanos! A assimilação dos nutrientes do leite materno
exige, do organismo de um filhote de uma espécie qualquer de mamíferos,
uma atividade especializada (enzima específica, etc) - a qual é
produzida naturalmente durante o período de amamentação,
entretanto não o é mais, na fase da adolescência ou
na idade madura, ou melhor, não deveria ser!... Assim que
os dentes possibilitam a mastigação, se inicia a ingestão
de alimentos sólidos. Todos os processos orgânicos se voltam
para essa nova condição, relacionada com o crescimento, com
a vida adulta. Embora seja também um animal mamífero, o cidadão
comum (adulto), continua - normalmente!... não naturalmente!
- a ingerir leite (oriundo de outra esp&eacuute;cie animal) até a
velhice. Esse hábito acarreta modificações no processo
de crescimento e maturidade, devido à substituição
de um processo natural, por uma mudança de atividade
artificial.
Uma parte do organismo, encarregada do metabolismo do leite, fica comprometida
com a fase da infância. Apesar de comprometer a sua saúde,
com esse componente do cardápio diário - o qual exige a produção
/ ação da lactase no organismo - para muita gente
essa é uma simples opção de dieta... mas é
correto optar por algo que causa (também) o sofrimento alheio?!
O leite comercializado e consumido por humanos, é roubado de quem
não tem escolha ou defesa. Uma vaca deveria produzir a quantidade
de leite necessária para a sua cria. Todavia aumentou essa produção,
tornando-se dependente de que lhe retirem o excesso de leite produzido,
para que não adoeça, devido à interferência
humana. Inicialmente é permitido ao bezerro, começar a mamar
até que a vaca "solte" o leite para o ubre (espécie de bolsa
onde estão as tetas), então ele é afastado da mãe,
e o leite é retirado. Sem eufemismos, a vaca não
dá
leite a nenhum humano, este o tira na marra, pois ela não
tem mais como evitar isso, após "baixar", para o ubre, o alimento
que deveria ser destinado ao seu filhote. O bezerro reclama berrando, a
falta do leite e do contato com a sua mãe. A vaca então,
instintivamente, produz um leite emergencial (uma espécie
de sôro) com o qual tenta alimentar o filhote. Com a repetição
desse processo, ela tende a aumentar a quantidade de leite, além
do ideal, até esse aumento tornar-se uma "excentricidade" nociva
para ela, mas muito conveniente aos interesses comerciais dos que a exploram.
Algumas tribos nômades primitivas usavam o gado para a sua
subsistência (tiravam leite e comiam a carne), contudo não
chegaram a cometer os mesmos abusos que os
civilizados: castrar,
marcar com ferro quente, separar mães e filhotes, prender, predeterminar
toda a vida de cada indivíduo desde antes de seu nascimento, etc;
nem precisaram criar encenações demagógicas e hipócritas,
com finalidade
comercial,como é o Dia das Mães.
Outros povos caçavam animais que estavam soltos, livres, vivendo
a seu modo, aprendendo e desenvolvendo a sua consciência, de modo
semelhante a nós humanos... e, de caçadores, podiam
se tornar a caça a qualquer momento. Hoje em dia se prende,
se mutila, se usa como meio de obtenção de lucros financeiros,
etc, formas de vida indefesas. Alguns afirmam que é uma questão
de sobrevivência, já que os animais são uma fonte de
alimentos. Mas... e os vegetais? Por acaso não são uma fonte
de muito melhor qualidade? Somos animais omnívoros (isto
é, podemos comer praticamente de tudo), e não há nada
que determine que tenhamos de ingerir alimentos de origem animal. (Eu sou
uma prova viva disso!) Inclusive os nutrientes (proteínas,
etc) são de melhor qualidade e mais facilmente assimiláveis
quando de origem vegetal. De um ponto-de-vista prático e
econômico, uma mesma área de terra usada para criação
de gado, se for usada para produção de alimento vegetal,
rende dezesseis vezes mais!! Do ponto-de-vista ambiental, o cultivo (adequado)
de vegetais pode recuperar o solo, e reequilibrar um (micro)ecossistema,
enquanto a criação de gado, depreda-o! Atualmente se incrementam
pesquisas em função de aumentar a produção
de qualquer coisa - mesmo que esta seja viva!!! E muitos consideram
isso um sinal de progresso! Acho que é muita estultice considerar
quantidade
excessiva, (ou seja, desequilíbrios), além de
interferências
abusivas (ou seja, danos), como alguma vantagem. A violência
entre humanos é condenada (embora continue a ser praticada), entretanto
a que é praticada contra os animais tido como inferiores,
é aceita com "naturalidade", como se fora, realmente, algo
natural,
mas é apenas algo normal, isto é, segundo o modelo
social vigente, está correta, pois já existem "justificativas"
prontas, forjadas e mantidas por aqueles que negociam com os valores
sociais. Uma desculpa bastante comum é a de que, se atitudes
semelhantes são praticadas com seres humanos, por que não
poderiam ser com seres irracionais? Assim se prende e se tortura
qualquer ser "inferior" com a conivência das "flexíveis"
normas
sociais. Galinhas são transformadas em máquinas de
produção de ovos presas em cubículos que não
permitem nem que elas se movam, com luz e alimentação
artificializada
(contaminada por uma parafernália de compostos químicos).
Pássaros e outros animais de
estimação, são
presos e alterados para servir de enfeite e como deleite
dos
seus donos. (Que espécie de estimação
é essa!? Que tipo de lógica é essa, que admite a posse
de um ser vivo?! Como alguém se compraz em sentir-se dono
e tratar um ser vivo como uma propriedade sua?!) Por favor, observe
os animais que estão expostos nas lojas como se fossem um objeto,
uma mercadoria para uso do consumidor. Voce é capaz de perceber
o que eles sentem (e sofrem), ou eu estou tendo
alucinações
(ou sou um desajustado, como o personagem central do antológico
filme O Selvagem da Motocicleta)?
O que se planta, se colhe (mais cedo ou mais tarde). A síndrome
da vaca louca, que vem acossando o consumidor europeu, ilustra o fato
de que não somos senhores da Vida, nem temos controle da
situação.
Que tipo de "educação" é essa que nos ensina a ver com "naturalidade" a violência, após "classificá-la" como uma atitude normal?
Obs.- Se voce quer evitar de participar de toda a estupidez que é praticada com os animais, em função do comércio de produtos de origem animal, mas ainda gostaria de consumir alguns desses produtos, opte por consumir peixes marítimos, pois eles, provavelmente, são os menos abusados; certamente, puderam viver soltos, à sua maneira, no ambiente marinho, até o momento em que foram pescados. Que eu saiba, esses peixes não são criados em algum tipo de cativeiro para consumo humano (porque é desvantajoso, do ponto-de-vista econômico).
Se voce quer contribuir para uma melhoria significativa na condição de insalubridade da qual padece o Planeta, por conta da estupidez praticada pela humanidade, por favor, avalie o seu cotidiano e procure torná-lo mais sensato, mais coerente com a Vida. Sem estardalhaço (sem precisar chamar a atenção de ninguém, nem de dar satisfações...) aonde quer que voce esteja, voce pode optar por se importar ou não com o Planeta, com a sua própria vida, com a sobrevivência das próximas gerações, e com um possível retorno da beleza e bem-estar (que foram suprimidos pela degeneração do meio, sendo esta resultante dos maus costumes sociais, que constituem a normalidade, os quais são aceitos e praticados - apesar da sua nocividade - por falta de conhecimento ou de dignidade). O que voce possue de fato é a sua saúde, ou a sua condição de vida. Quanto ao restante, voce está sempre pagando a alguém por isso, e pode ser roubado a qualquer momento. Elimine uma carga inútil e nociva de bens de consumo que a falsa ética dessa sociedade do consumismo, lhe induz a considerar inócuos ou, de alguma forma, válidos. Evite qualquer desperdício. Torne-se mais leve, livre e de bem consigo próprio.
Mas... o que VOCE PODE fazer a respeito, já que voce não tem um grande poder de influência no meio social?
Simplesmente cumpra seu papel de consumidor de modo sensato, sem abusos (desperdícios). Não inverta os papéis, vivendo para consumir, nem consuma sem analisar o que está fazendo como se fosse um débil mental, que paga para ajudar na própria destruição, paga aos que geram as causas de sua má qualidade de vida, e da desgraça dos seus decendentes - os quais serão os herdeiros de um meio natural inóspito; sol, água, ar, alimentos, etc tudo desequilibrado, ou seja, feio, desagradável e nocivo (gerador de sofrimento e morte)... Certamente não é isso o que voce deseja, não é?
Certamente voce não está plenamente satisfeito com o modo de vida atual. (Como poderia?!) Com o aumento das taxas de todo tipo de violência, do desemprego, da massificação...enfim, com o incremento de antigas mazelas que afligem a humanidade, mais o acréscimo de outras tantas recentes, a sua saúde e bem-estar torna-se cada vez mais difícil de ser mantida como está ou (quem dera?) ser melhorada. Acredito que uma boa parte de nossos males atuais originam-se na "resposta" do Planeta às atuações dos seres humanos ditos civilizados. Mudança de clima, por exemplo, é um fenômeno que tem ocorrido periodicamente, entretanto, o mau uso da tecnologia está interferindo de modo inusitado, o que pode trazer consequências imprevisíveis (provavelmente funestas!). Embora possa trazer algum conforto (principalmente para alguns privilegiados no meio social), a má aplicação da tecnologia criou um leque de problemas - o qual tende a ampliar-se aceleradamente - para os quais não têm a solução. Esse é um processo cuja direção atual é um desastre, a única variável nesse caso, é o tempo em que demorará para ocorrer. A impressão que isso me traz, é de que a humanidade vive uma situação semelhante a que precede a uma tentativa frustrada. Ao se deparar com uma quantidade crescente de "espinhos" (dificuldades criadas por ela mesma), a humanidade reluta em "retroceder", em buscar outro caminho, e cada vez investe mais em reformas inúteis ("remendos", tapeações...) num círculo vicioso (um processo que se retroalimenta). O mais incrível, todavia, é que o cidadão luta, cada vez mais desesperadamente, para satisfazer pseudonecessidades (novos hábitos e vícios surgidos ou melhor, criados em função do consumo de alguns produtos supérfluos e nocivos, enfatizando a gula, a soberba e outros pecados capitais...), apesar disso comprometer a sua própria qualidade de vida - a começar pela sua saúde.
Vale a pena (empenhar-se em) manter uma vida medíocre, a fim de aderir ao consumismo? (Por favor, me envie a sua opinião.)
Eu acho que um mundo melhor é possível, POR ENQUANTO! Não se sabe até quando o Planeta vai agüentar" o tipo de tratamento que vem recebendo da humanidade, isto é, quando todo esse processo de desequilibro ambiental se tornará irreversivel! (Talvez isso não ocorra, mas... quem sabe?!) Por que ficarmos esperando, passivamente!?... O primeiro passo, a meu ver, é o de estancarmos essa "sangria". Num segundo momento, podemos dar mais ênfase ao debate sobre o aprimoramento de um novo mundo, quando tivermos recuperado um relativo equilíbrio nas condições de vida abaladas pelo modelo social atual. Então poderemos nos dedicar a questões secundárias. Quando os nossos cotidianos se tornarem menos problemáticos (menos impactantes em relação ao meio), será válido nos dedicar a questões mais particulares.Quando os agrupamentos humanos se tornarem menos dispendiosos e destrutivos do meio, poderemos, de modo sensato e digno, tratar de disputas em função dos interesses de grupos, etc. No momento, urge que tenhamos uma luta comum, considerando que - num nível mais fundamental, o qual está ameaçado - todos somos SERES VIVOS!
Portanto, todos dependemos das condições de vida que o Planeta nos propicia - independentemente de nossas aspirações (ou desejos) pessoais, ou do(s) grupo(s) social(is) ao(s) qual(is) pertençamos!...
Talvez falte apenas acender a sua chama interior, que o
liga
ao Planeta!! Rebele-se, a favor dele!!
Voce não tem que seguir o mesmo comportamento estúpido
das pessoas normais!!
Por favor, envie a sua opinião sobre TODOS os temas abordados (ou qualquer um deles), para:
Você pode participar de um grupo de debates (tipo um fórum permanente) sobre os temas aqui apresentados; para tanto basta enviar um e-mail para:
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