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Nossos trabalhos de campo entre os índios craôs tiveram início em 1962 e visavam à coleta de dados que satisfizessem à realização de parte das tarefas previstas por dois projetos de pesquisa do Prof. Roberto Cardoso de Oliveira. O primeiro era o "Estudo Comparativo das Sociedades Indígenas do Brasil", que propunha o exame da organização social de vários grupos indígenas, entre os quais o dos craôs, tendo em vista a posterior comparação dos mesmos; tal projeto veio a se fundir com o "Harvard-Central Brazil Research Project", do Prof. David Maybury-Lewis, que tinha os mesmos objetivos, limitando-se, entretanto, aos grupos do Brasil Central, especialmente aos do tronco lingüístico macro-jê. O segundo projeto, "Estudos de Áreas de Fricção Interétnica no Brasil", tinha por objetivo o exame de vários casos de situação de contacto entre índios e brancos, inclusive o caso craô, visando também a um futuro estudo comparativo. As partes desses dois projetos que se referiam aos índios craôs ficaram a nosso encargo e foram realizadas simultaneamente.
O financiamento da pesquisa foi proporcionado, em sua maior parte, pela Sub-Reitoria de Ensino para Graduados e Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entretanto, também a patrocinaram a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e o Centro Latino Americano de Pesquisas em Ciências Sociais.
Tivemos cinco períodos de pesquisa de campo entre os índios craôs, assim distribuídos: a) de setembro de 1962 a janeiro de 1963; b) de setembro de 1963 a janeiro de 1964; c) de dezembro de 1964 a janeiro de 1965; d) de janeiro a março de 1967; e e) em julho e agosto de 1967. Esses cinco períodos somam cerca de doze meses em território craô.
Foi somente a partir do segundo período de campo que começamos a perceber que havia ocorrido, vários anos atrás, um movimento messiânico entre os craôs. A partir daí, procuramos, em todas as oportunidades, colher informações sobre o mesmo, as quais vieram a servir de base para a redação do presente trabalho.
Queremos agradecer aos Profs. Roberto Cardoso de Oliveira e Maurício Vinhas de Queiroz, por terem lido o trabalho, e pelas suas críticas e sugestões. Somos especialmente grato à Profa. Maria Isaura Pereira de Queiroz, que aceitou examiná-lo como tese subsidiária apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, incentivando-nos, em seu parecer, a introduzir algumas modificações. Tendo em vista todas essas sugestões, e refletindo mais sobre o que tínhamos escrito originalmente, resolvemos fazer uma nova redação do trabalho. Ampliamos a informação sobre a estrutura da sociedade craô e retiramos a parte final, em que fazíamos uma comparação dos movimentos timbiras com outros movimentos indígenas do Brasil, que julgamos dever se apoiar num exame mais demorado de todos os dados referentes a estes últimos, o que viria sobrecarregar um trabalho primordialmente interessado na análise do movimento craô. Nessa nova redação, muito nos ajudou, com sua crítica, a colega Eurípedes da Cunha Dias. Finalmente, queremos agradecer ao Prof. João Baptista Borges Pereira, a cujos esforços devemos sua publicação.
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