NÓS E OS OUTROS
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Os pobres - em casa num mundo globalizado ?
José Comblin
No Brasil, desde
janeiro deste ano (1999) sabemos o que é a globalização. Os mexicanos sabiam
desde 1994. Trata-se, porém, de uma ciência incomunicável, não se transmite de
um país para outro. Precisa ter feito a experiência em carne própria. Ninguém
acredita na experiência dos outros.
Durante 20 anos os
poderes dominantes do mundo financeiro celebraram as maravilhas da
globalização. Puderam contar com a colaboração de toda a mídia mundial. Conseguiram
conversões inumeráveis: inúmeros socialistas converteram-se à nova ideologia
que prometeu um futuro glorioso. A globalização traria por fim todos os
benefícios que os modernos tinham prometido.
Foram duas décadas
de chantagem que paralisaram as faculdades críticas da humanidade: no Brasil 4
anos de discursos do governo Fernando Henrique derramaram a ideologia nas
elites e nas massas. Quem não se converteu, ficou intimidado, quase que
envergonhado por não ter entrado na psicose coletiva.
Estas duas décadas
entrarão na história como o maior sociodrama da história da humanidade. Um
pequeno grupo de financistas de Wall Street e alguns outros lugares conseguiram
enganar 6 bilhões de seres humanos durante 20 anos. Nações inteiras
integraram-se aos sonhos: infelizmente não somente entregaram suas mentes, mas
também todos os seus bens e suas capacidades de desenvolvimento. Entregaram
mais ainda: a sua liberdade.
A chantagem da
globalização não foi inocente. Graças a ela, alguns acumularam riquezas
inauditas e bilhões ficaram mais pobres.
Quando caiu o
império soviético, a arrogância dos meios financeiros já não teve mais limites.
Eles se sentiram os donos do mundo: poderiam conquistar o mundo inteiro sem
encontrar nenhum obstáculo capaz de opor resistência.
A globalização não
é outra coisa a não ser a conquista do mundo, conquista econômica e cultural,
graças a imposição da superioridade política e militar dos Estados Unidos.
A conquista ainda
não está completa. Trata-se de um processo, porém o processo progride e invade
cada vez mais os últimos rincões da independência dos povos. A propaganda pela
globalização é uma das armas pelas quais os Estados Unidos se impõem ao resto
do mundo.
Claro está que as novas
tecnologias desempenham um papel importante nesse processo. As tecnologias de
comunicação permitem a multiplicação das mensagens pelo mundo inteiro de modo
quase instantâneo. Os meios de transporte permitem que a indústria componha
produtos feitos de milhares de peças fabricadas em dezenas de países
diferentes. As novas tecnologias permitem a reprodução imediata e sem limite de
bens culturais: os mesmos filmes, as mesmas canções, os mesmos ritmos, as
mesmas imagens simultaneamente no mundo inteiro. Sobretudo o primeiro bem
cultural atual que é a pornografia circula instantaneamente no mundo inteiro.
Os meios de
comunicação e de transporte forneceram às entidades financeiras e às
multinacionais a conquista rápida do mundo. Quem tira proveito, quem usa mais
as novas tecnologias, são justamente os poderes financeiros que estão
majoritariamente concentrados nos Estados Unidos. E sobre os outros, os poderes
econômicos dos Estados Unidos exercem uma superioridade tão grande que
arrastam-nos dentro dos mesmos movimentos.
Na América Latina a
globalização significa um novo colonialismo. A meados do século XX a penetração
do capital estrangeiro, a instalação das primeiras multinacionais e um pequeno
crescimento da dívida externa provocaram reações nacionalistas, populistas, as
vezes revolucionárias. Prevaleceu a teoria da dependência, seguindo as
primeiras colocações da CEPAL. Alguns intelectuais tornaram-se ilustres nessa
contestação daquilo que se denunciava como um novo colonialismo procedente dos
Estados Unidos.
Se comparamos a
dependência daquele tempo com a dependência de hoje, há um abismo. Hoje em dia
a dependência é muito maior. A dívida externa multiplicou-se por 50 ou por 100.
As decisões do governo federal são tomadas pelo FMI, o governo está forçado a privatizar
as empresas públicas para facilitar a sua aquisição pelo capital estrangeiro.
Este compra bancos, empresas, sobretudo o que está em plena expansão como as
comunicações. E a cultura norte-americana inunda o país. A penetração
norte-americana é tão forte que nem se nota mais: todos estão tão acostumados
que não reparam mais nela.
No entanto, a
oposição é muito fraca. Todos parecem convencidos pelo argumento de que não há
alternativa. O mundo entrega-se ao colonialismo quase sem resistência. Na América
latina, a resistência é mínima. Alguns países, como a Argentina, tornam-se
arautos da mensagem libertadora do colonialismo: a dolarização é oferecida como
a salvação dos povos.
A dependência
colonial, como sempre, divide as nações. Por um lado, as elites ficam cooptadas
pelo sistema e integram-se nele. Tornam-se os imitadores da cultura dominante e
os colaboradores dos quais as entidades financeiras e econômicas estão
precisando em cada país. As elites locais encarregam-se de ampliar, consolidar
e eventualmente defender os poderes colonizadores. Os governos locais estão
encarregados de manter a ordem para que o sistema colonial possa funcionar sem
sofrer reações nacionalistas.
A docilidade das
elites tem a sua recompensa: a potência colonial confirma e consolida os
privilégios dos seus fiéis colaboradores: alguns dependentes são chamados a
entrarem nos quadros do sistema. Facilitam a assimilação da cultura
norte-americana pelas elites de todos os países formando uma classe mundial
homogênea que governa o mundo inteiro em nome da superpotência única.
As elites
latino-americanas são particularmente sensíveis ao prestígio que lhes confere a
integração no sistema colonial. Todos estudaram nos Estados Unidos e
tornaram-se discípulos e propagandistas da ideologia que lhes foi inculcada.
Se as elites são
promovidas e têm acesso ao modo de viver ocidental, as grandes maiorias estão
excluídas. Não têm acesso, nem terão acesso a Internet, não terão ações na
Bolsa de Valores, não comprarão títulos na Bolsa de Valores de Tokyo ou de
Singapura, nem sequer poderão ser operários nas novas indústrias
ultra-sofisticadas. No melhor dos casos poderão ser guarda-costas ou empregadas
dos privilegiados, limpadores de vidros dos seus carros, porteiros dos hotéis
de grande turismo.
Para as massas o
desemprego aumenta, o arrocho salarial é constante, a repressão policial é o
único remédio ao crescimento da criminalidade. E as migalhas do festim dos
grandes: cestas básicas, água do carro-pipa. Para os seus filhos, escolas que
não ensinam nada, hospitais que não curam, aposentadorias de miséria. A fase da
globalização foi paga pelo aumento da pobreza em toda a América Latina. Mesmo
no Chile que seria a exceção, porque o número de pobres teria diminuído, a
distância entre ricos e pobres aumentou escandalosamente.
Os pobres
participam também do mundo globalizado, porém, como espectadores. Pela TV sabem
tudo o que acontece no mundo no qual nunca entrarão. Aliás, a TV consola-os e
os distrai: impede a inveja e o desejo de lutar contra a sociedade
estabelecida.
Na América Latina,
a resistência é fraca. 500 anos de submissão criaram mentalidades, hábitos,
estruturas mentais e comportamentos que não favorecem a luta. Nos problemas da
vida, a maioria ainda acha que a solução é o recurso a um patrão benevolente:
pedir ajuda ao vereador, ao prefeito, ao deputado ou ao vigário ou ao pastor, a
uma instituição estrangeira ou local. O sistema social está ainda baseado no
clientelismo, mesmo em grandes cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro. A doutrina
implícita é que é bom que haja ricos para que possam ajudar os pobres.
Espontaneamente os
povos latino-americanos são submissos e reverenciam toda autoridade, a do
vigário, a do prefeito, do patrão, do rico.
O clientelismo
justifica todo e qualquer colonialismo. Se os Estados Unidos mandam capitais
para o Brasil, só pode ser um benefício que merece respeito, admiração e
gratidão. Antigamente o benfeitor supremo, o grande distribuidor de benefícios
era o presidente da república, por intermédio dos pequenos benfeitores que são
os governadores, os membros de congresso e as autoridades locais. Agora há um
benfeitor mais poderoso ainda do que o presidente: é o presidente dos Estados
Unidos que distribui os seus favores mediante o FMI, o Banco Mundial ou os conjuntos
financeiros de Wall Street. É assim que se analisa a realidade e toda a mídia
confirma esta análise.
Por isso, o tema do
colonialismo tem pouca ressonância. Quem tem dinheiro, merece reverência e os
Estados Unidos têm muito dinheiro e, portanto, merecem muita reverência. Também
a mídia sempre apresenta os Estados Unidos com a maior admiração e os
representantes do FMI chegam no Brasil como Papai Noel. São aqueles que podem
derramar dinheiro no país e todos acham que receberão algumas migalhas.
Por ocasião dos 500
anos do desembarque de Cristóvão Colombo na América em 1492, Enrique Dussel
publicou em 1992 uma série de conferências sob o título de “1492: O
encobrimento do outro”.
Na realidade, o
encobrimento do outro continua até hoje e a recente globalização somente pode
aumentar esse encobrimento.
As nações
latino-americanas querem recuperar a memória dos chefes indígenas do passado
que lutaram contra a conquista. Celebram Benito Juarez no México, Tupac Amaru
no Peru, Atahualpa no Equador, Lautaro e Caupolican no Chile, Tibiriça em São
Paulo. Mas tal culto não tem consequência alguma no comportamento para com os
descendentes destes heróis. Glorificam-se os índios daquele tempo e a nação
adota-os como antepassados e símbolos da nacionalidade. Porém, os índios de
hoje são simplesmente encostados e, quando querem resistir, são duramente
reprimidos. Está sendo glorificado o índio místico, abstrato do passado, mas é
proibido evocar a memória dos índios que vivem hoje. Como se o papel dos índios
consistisse em fornecer símbolos de nacionalidade e depois cortesmente
desaparecer. O índio de hoje incomoda.
Para a mídia e a
cultura dominante, os índios devem esconder-se. A sua presença é desagradável.
Incomoda porque contraria o retrato que as elites querem dar do seu país: um
país civilizado, realmente ocidental, ocupando um lugar digno no mundo
globalizado, bem longe dos africanos ou dos asiáticos.
Quanto aos negros,
o encobrimento é mais radical ainda. Supõe-se que a abolição jurídica da
escravidão suprimiu o problema. Os heróis são os chefes brancos que tiveram a
grande generosidade de emancipar os escravos. Os heróis são a princesa Isabel,
Joaquim Nabuco, Castro Alves: não se cita nenhum negro. Zumbi não tem acesso á
cultura mediévica.
No Brasil que
oficialmente conta com 44% de negros, a presença negra é quase nula na
sociedade que se mostra e, por conseguinte, no retrato que os brasileiros se
fazem a sua nação. Oficialmente celebra-se a fusão das três culturas. Uma vez que
se chega na prática, na TV tudo é branco. Quando a TV mostra o carnaval de
Salvador, destaca todas as mulheres brancas. Igual no Rio de Janeiro: os negros
sempre na sombra e os brancos na luz.
Quantos estudantes
universitários negros ? Quantos professores negros ? Melhor não olhar as
páginas sociais do Estado de São Paulo ou dos diários locais como o Correio da
Paraíba: Quantos negros ? Nenhum.
Apesar da retórica
oficial, o encobrimento ainda é quase total. Você, por favor, entre no
aeroporto de Guarulhos ou do Galeão, ou mesmo de Salvador ou de Recife e veja
quantos negros há no aeroporto! Entre no avião: se pode contar dois ou três
negros, já dá para se admirar. Quantas aeromoças negras ? Pessoalmente já
encontrei centenas de aeromoças brancas e até agora encontrei duas negras num
vôo da Varig. Pode ser coincidência, mas duvido muito que seja pura
coincidência. Piloto de avião, ainda não encontrei nenhum negro, o que não quer
dizer que não existe nenhum.
A política do
encobrimento deu bons resultados. Índios e negros tornaram-se invisíveis.
A Igreja teria
evitado o encobrimento ? Daria aos índios e aos negros todo o espaço que a sua
importância demográfica, histórica ou cultural merece ? Infelizmente, não
parece que essa seja a situação. Tomemos um exemplo significativo: o sínodo da
América reunido em Roma em 1997. Foi publicado o documento que conclui o sínodo
da América, a exortação apostólica Ecclesia in America.
Este documento
consta de 135 páginas e a matéria está distribuída em 76 números. O texto
contem mais ou menos 25.000 palavras. Num texto tão breve fala-se de tudo e de
todos: todos os aspectos da vida da Igreja, todas as instituições e todas as
categorias que compõem o povo de Deus na América. Com essas condições pode-se
esperar que os problemas e os assuntos sejam tratados a nível de suma
generalidade. Em semelhantes documentos todos os grupos de católicos querem ver
mencionadas as suas atividades: precisa dirigir algumas palavras para todos,
ainda que seja para repetir as mesmas banalidades que se encontram
invariavelmente em todos os documentos eclesiásticos: são as exigências da
burocracia. Tudo isso é muito compreensível e faz parte das convenções sociais.
No entanto, alguns
fatos chamam a atenção. Na América moram entre 120 e 140 milhões de negros. Há
no território americano uns 40 milhões de indígenas que conservam as suas
culturas tradicionais. A cada grupo se dedica meia página dentro do no.
64, além de brevíssimas alusões no decorrer do texto global. Não deixa de ser
um espaço limitado. Sobretudo se se leva em conta que dois números e quase três
páginas são reservadas às Igrejas de rito oriental (no. 17 e 38).
Ora, os católicos de rito oriental constituem uma minoria muito modesta que nem
de longe se poderia comparar com os negros ou os índios.
Sobre a história
dos negros na América, história que ainda condiciona tão profundamente a
situação deles na atualidade, apenas uma alusão: “A recordação dos capítulos
cinzas da história da América, relativos à prática da escravidão e outras
situações de discriminação social, não deve deixar de suscitar um sincero
desejo de conversão que leve à reconciliação e à comunhão” (no. 58
a). Sobre os 400 anos de escravidão da qual os negros americanos ainda
não saíram na realidade apesar das leis oficiais, nada mais do que isto “os
capítulos cinzas”. Como se, além disso, fossem capítulos de um passado
superado! Nada mais do que isto para evocar a situação dramática dos
descendentes dos escravos, ainda radicalmente marginalizados e esquecidos!
No no. 64, dedicado aos negros e índios, a
respeito dos negros, diz-se o seguinte: “Desejaria lembrar aqui que também os
americanos de origem africana continuam sofrendo, em algumas zonas,
preconceitos étnicos, que constituem, para eles, um sério obstáculo para
encontrar a Cristo. Tendo em vista que toda pessoa, de qualquer raça e
condição, foi criada por Deus à sua imagem, sejam promovidos planos concretos,
em que não deve faltar a oração comunitária, que favoreçam a compreensão e a
reconciliação”. Nada mais ? Nada mais !
Por acaso existem na América zonas em que os negros não estejam sofrendo
“preconceitos étnicos”? Por acaso estão sofrendo simples “preconceitos étnicos”
ou uma completa marginalização, um esquecimento total?
Não haveria por
acaso diferenças culturais tão grandes entre os africanos e os ocidentais que
dificilmente se lhe pode impor o mesmo esquema de cultura religiosa ? Os
“orientais” podem conservar os seus costumes e os seus ritos próprios. Mas os
africanos que são muito mais diferentes do que os orientais, não têm o direito
de ser eles também “orientais”? Por acaso seria possível evangelizar a
população negra dentro das estruturas de uma Igreja tão marcadamente branca,
tão ocidental de cultura ? Nenhuma esperança para a pastoral negra! Terá que
ser branca!
No parágrafo sobre
as outras religiões presentes na América (no. 51) não há alusão às religiões africanas.
Simples esquecimento ? Porém, não se esquecem dos hinduistas, budistas,
muçulmanos. O esquecimento refere-se justamente por acaso aos africanos ? Ou
não seria encobrimento, ainda que inconsciente ?
De certo modo os
índios são tratados com mais atenção, mas somente um pouquinho mais. O sínodo
reconhece a existência de religiões “nativas”:
“A Igreja na América deve esforçar-se por incentivar o mútuo respeito e
as boas relações com as religiões nativas americanas” (no. 51 b).
No entanto, as
propostas pastorais oferecidas aos índios ficam aquém das expectativas, muito
aquém. “É preciso extirpar toda tentativa de marginalização” se os indígenas
ainda estão sendo roubados, destruídos, mortos e se a sua presença é objeto
constante de repressão: Ninguém ouviu falar de Chiapas em Roma ? Ninguém se
lembrou de Guatemala e das lutas dos povos indígenas desde o Chile até o México,
passando por Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá ? E a condição reservada
ao Paraguai guarani na América do Sul ?
“O que supõe, em
primeiro lugar, que se devem respeitar seus territórios e os pactos com elas
estabelecidos; da mesma forma, há que responder às suas legítimas necessidades
sociais, sanitárias e culturais” (no. 64 a). Infelizmente depois do
“primeiro lugar” não há “segundo lugar”. Nada sobre as aspirações à autonomia
das nações indígenas dentro das nações historicamente reconhecidas.
É verdade que há
muito espaço para saudar Nossa Senhora de Guadalupe, “o rosto mestiço da Virgem
de Guadalupe constitui desde o início, um símbolo da inculturação da
evangelização, da qual foi a estrela e a guia” (no. 70 b).
Por que o “rosto
mestiço” e não o rosto índio. O que há de mestiço na imagem de
Guadalupe ?
O texto fala de
“santa Maria de Guadalupe, um grande exemplo de evangelização perfeitamente
inculturada” (no. 11 d). Estranha expressão! A evangelização é obra
humana,
obra dos evangelizadores. Nossa Senhora de Guadalupe seria exemplo de
evangelização inculturada se tivesse sido criação dos evangelizadores, criando
a figura da Guadalupana para melhor inculturar o seu evangelho. Porém, segundo
a tradição local, Nossa Senhora de Guadalupe não foi uma invenção dos
missionários espanhóis com o afã de inculturação, foi milagre de Deus. E os
missionários ficaram longe de seguir o exemplo do milagre divino. A
inculturação não veio depois e tampouco até agora ela veio e nenhum caminha de
inculturação se mostra aos índios no texto final do Sínodo.
Enfim, a
perspectiva oferecida aos indígenas permanece muito reduzida. Quem trabalha com
os índios ficará frustrado. Quanto aos próprios índios, felizmente nem vão
tomar conhecimento de que houve um sínodo em que se aludiu um pouco a eles.
É verdade que a
propósito da formação dos sacerdotes nos seminários, se faz menção dos
indígenas. “Particular atenção será reservada às vocações provindas entre os
indígenas: ocorre proporcionar uma formação inculturada no seu ambiente. Estes
candidatos para o sacerdócio, ao receberem uma adequada formação teológica e
espiritual para o seu futuro ministério, não devem perder as raízes da própria
cultura” (no. 40 c).
Belo programa!
Infelizmente até agora todas as tentativas nesse sentido foram condenadas.
Perguntem ao sr. cardeal Echeverria do Equador, uma pessoa que certamente não
será acusada de progressismo!
Então, encobrimento
dos indígenas e encobrimento dos negros. Desde 1492 não se nota nenhum
progresso.
Neste final de
século a religião popular muda. Melhor dito: uma religião popular tradicional,
nascida e cultivada na cultura rural, está declinando. Hoje em dia 80% da população
brasileira mora em cidades e nos outros países latino-americanos a evolução
tende para uma situação semelhante. As tradições rurais mantêm-se ainda durante
alguns anos, mas influem pouco nas gerações nascidas nas cidades.
O protestantismo
conheceu sobretudo na década dos 80 a passagem do pentecostalismo para o
neopentecostalismo. Uma mudança semelhante ocorre hoje na Igreja católica. Aqui
o grande sinal da abertura de uma nova época histórica, a chegada de um novo
paradigma é a irrupção do fenômeno Marcelo Rossi em São Paulo e no Brasil
inteiro, pois em poucas semanas o padre Marcelo Rossi conquistou o Brasil
inteiro.
O que acontece com
o padre Marcelo Rossi não é um caso particular: é a entrada de uma nova
religião popular católica sem timidez e sem restrição. O fenômeno foi preparado
pela Renovação carismática católica, mas esta ainda tinha muitas lembranças do
passado rural e uma certa reserva no uso das técnicas de comunicação. Doravante
a época dos escrúpulos passou. Algo novo está surgindo.
A mensagem de padre
Marcelo Rossi responde diretamente às aspirações religiosas e à cultura do ser
urbano. Pois no mundo rural, os seres humanos faziam a experiência de Deus na
natureza, isto é de modo objetivo. Deus estava na frente deles, no céu estrelado,
no sol, na lua, na chuva, na terra, nas árvores, nas montanhas. Deus era como
objeto de contemplação: era conhecido imediatamente por todos.
Na cidade, o mundo
exterior fica dessacralizado, a natureza desaparece ou se transforma em bem de
consumo graças ao turismo e às saídas de final de semana: o turista não
encontra a Deus na natureza: encontra-se a si próprio.
A religião não
desaparece por isso, muito pelo contrário. As cidades latino-americanas
conhecem uma fermentação religiosa que lembra as civilizações antigas,
pré-cristãs. Porém, a experiência religiosa mudou. Agora a pessoa faz a
experiência de Deus no seu coração, nos seus sentimentos, nas suas emoções
religiosas. Sente a presença e o amor de Deus de modo sensível. A experiência
torna-se mais intensa pela comunicação com outras experiências. Se a mesma
experiência é vivida simultaneamente por milhares ou centenas de milhares de
pessoas, a experiência transforma-se numa plenitude de alegria: choram, gritam,
gesticulam como num orgasmo espiritual.
O padre Marcelo não
permanecerá só. Terá muitos imitadores e todas as paróquias vão ter que
inspirar-se nele se querem fazer sucesso. O sinal da passagem para um novo
paradigma é que a Rede Vida de TV resolveu transmitir as missas de padre
Marcelo: dizem que cederam ante a pressão do público. A Rede Vida tinha
começado com a transmissão das missas aborrecidas que ainda se mantém nas
paróquias, mesmo após as transformações dos carismáticos. Os conservadores
cederam ante a pressão do público. Sinal de que os bispos e os padres
conservadores logo mais entrarão no mesmo movimento. Vão descobrir que o
verdadeiro conservadorismo está no padre Marcelo apesar das aparências.
O padre Marcelo
representa a perfeita inculturação na cultura urbana. De saída, adota o modo de
expressão cultural básico da nova cultura urbana: o show. Adota o show
como meio de expressão religiosa. Os carismáticos praticavam o show de modo
inconsciente e involuntário e por isso mesmo nunca formalmente, nunca como tal.
Praticavam o louvor que era concebido como pura oração, puro contato com
Jesus sem mediação de um modelo cultural humano. Ilusão, naturalmente! Nunca se
prescinde de um modelo cultural. O drama da liturgia pós-Vaticano II é que não
sabia bem qual era o seu modelo cultural. A missa tridentina sabia muito bem:
era o modelo sacrificial do Antigo Testamento e das religiões antigas: o
sacerdote oferece o sacrifício e os leigos assistem com silêncio e admiração à
imolação e ao oferecimento do sacrifício.
Agora, como o padre
Marcelo, a Igreja adota o show. A própria missa integra-se no show e as pessoas
vêm pelo show, assistem a missa como suplemento sem saber exatamente o que é,
porque o show oferece um sentido completo.
O show fala por si
mesmo. Não precisa de muitas palavras: a experiência de Deus não depende das
explicações, pois não é abstrata. O show é sinal, é sacramento porque é
entendido imediatamente. Nota-se que todos aprendem os cantos imediatamente.
Milhares de pessoas que nunca cantaram os cantos da missa paroquial, de repente
aprendem e cantam. Os corpos movem-se, a emoção aflora, as lágrimas não se
deixam reprimir: Jesus está aqui e me ama, me salva, me conduz com Ele a uma
vida nova de puro amor. Jesus me dá saúde, paz, esperança, anula todos os
problemas e apaga todos os temores.
Estamos assistindo
ao começo da inculturação do catolicismo na cultura urbana. O show é a
procissão de ontem. Padre Marcelo é o novo frei Damião para a cidade. No show
as pessoas solitárias da civilização urbana sentem-se envolvidas numa grande
comunidade, experimentam o calor da multidão de milhares de pessoas, todos
irmãos e irmãs. No show está a resposta às frustrações da vida na cidade:
isolamento, solidão, falta de sentido, ao aborrecimento da multidão solitária,
das filas, das viagens de ônibus, em pé, do estresse no trabalho, da
insegurança, do medo de perder o emprego. O show não é espetáculo: é
incorporação no movimento da vida.
Nem todos sabem
dirigir um show. Nem todos têm o dom. Porém, os dons não faltam e aparecem
desde que se manifesta a procura. O show supõe muitas técnicas. Não se
improvisa. Nada tem de espontâneo.
Além disso, o padre
Marcelo inaugura a idade da TV na Igreja. É o primeiro representante da Igreja
que se torna estrela de TV, comunicando-se com a quase totalidade do povo brasileiro.
A mensagem dele na TV é também exatamente o que o público espera: cada um
encontra nele a resposta à sua religião pessoal urbana que muitas vezes não
tinha expressão: o padre Marcelo diz o que eu sabia, mas não sabia dizer, diz o
que eu pensava, mas não sabia que o pensava. Depois dele virão outros padres
Marcelo, talvez até mais brilhantes do que ele, mas ele terá a dignidade de ter
sido o primeiro.
Padre Marcelo
expressa e desperta, alimenta, fortalece a religiosidade popular urbana.
A religiosidade
popular corresponde maioritariamente
aquilo que os escolásticos chamavam de religião natural. A fé cristã
edifica-se sobre os fundamentos de uma religião natural. Não nasce nem vive
solitária, separada de toda a cultura como a tradição luterana sempre tendeu a
representá-la. Antigamente a fé popular repousava no fundamento da religião
cosmológica do Deus transparente no cosmos. Agora, a religião natural é a
manifestação de Deus nas emoções, isto é, na subjetividade.
Os conservadores
têm razão, não têm nada para temer. Pelo contrário, a nova religiosidade
popular é profundamente conservadora. Vai reforçar o clericalismo e o
triunfalismo. Reconstitui a figura sagrada do sacerdote com novas expressões.
Todos os sacerdotes vão aproveitar a sacralização da figura de padre Marcelo,
todos serão um pouco como companheiros de pe. Marcelo, da mesma família dele. E
as multidões voltarão para as Igrejas. Os shows não questionam em nada nenhum
aspecto do rosto tradicional na Igreja. Inclusive restauram vários elementos
tradicionais que estavam em declínio: a água benta, o incenso, a procissão do
Santíssimo... Nenhuma mudança nem na Igreja, nem na sociedade. A religião
popular está bem guardada em mãos clericais e não cometerá nenhum deslize.
E o evangelho em
tudo isso ? E a evangelização ? O evangelho e outra coisa. Porém, parece que já
não é mais a prioridade. A prioridade é a experiência natural de Deus, a
renovação do sentimento religioso, a redescoberta do prestígio sobrenatural do
padre e do prestígio social da Igreja. O evangelho é outra coisa. Menciona-se
com muita complacência na teoria, porém na hora da prática é outra coisa. De
uma preocupação pelo evangelho estamos passando para uma preocupação pela
religião natural, pela experiência religiosa.
O temor à conquista
das igrejas evangélicas pentecostais gera um sentimento de urgência. “Temos que
freiar esta expansão, lutar contra ela”. Como sempre para lutar contra um
adversário, recorre-se às armas dele. A Igreja católica está sendo aspirada
para o lado das igrejas pentecostais, sobretudo das neo-pentecostais, como a
Igreja Universal que são as mais agressivas. Para lutar contra elas, usemos as
armas delas. Lutando contra um inimigo, torna-se semelhante a ele.
A exortação
pós-sinodal diz: “A atividade de proselitismo, que as seitas e novos grupos
religiosos desenvolvem em várias regiões da América, constitui um grave
obstáculo ao esforço evangelizador. A palavra “proselitismo” tem sentido
negativo quando reflete um modo de conquistar adeptos não respeitador da
liberdade daqueles que são atingidos por um determinada propaganda religiosa. A
Igreja católica na América critica o proselitismo das seitas e, por esta mesma
razão, na sua ação evangelizadora exclui o recurso a tais métodos” (no. 73a). Com a maior cara de pau!
Que as Igrejas
evangélicas sejam “grave obstáculo ao esforço evangelizador” não deixa de
suscitar dúvidas. Pois, em muitos setores da população pobre e marginalizada na
América, os pentecostais são os únicos que evangelizam. Evangelizam e não são obstáculos
à evangelização. Que o seu evangelho seja incompleto, é de se lamentar. Mas não
é culpa deles que nunca receberam nenhuma formação, nenhuma ajuda ecumênica.
Que evangelizam, não pode haver dúvida e a acusação que se lhes faz, é uma
grave injustiça.
Agora que sejam os
católicos que venham acusar outros de não respeitar a liberdade, é espantoso. O
que foi que aconteceu durante 500 anos a não ser uma imposição da fé católica
com todos os meios de constrangimento, inclusive a Inquisição. A lembrança do
passado deveria inclinar para mais discrição. Que certas igrejas pentecostais,
sobretudo as neo-pentecostais, pratiquem métodos reprováveis, está claro. Porém
em muitos casos não fazem outra coisa a não ser renovar os métodos praticados
pelos missionários católicos até há poucos anos atrás.
Graças a Deus
muitos católicos continuam evangelizando. Grupos permanecem fiéis à orientações
de Medellin e Puebla. No entanto, distanciam-se cada vez mais as duas Igrejas
de que fala I. Gonzalez Faus. Como conciliar o evangelho com a nova religião
popular que parece ser a nova menina dos olhos da hierarquia americana? Eis o
desafio.
Poder-se-ia pensar
que a nova face da religião popular seria o sinal de um diálogo entre a Igreja e
os povos na sua religião. Na realidade, não há instâncias de diálogo. A nova
religião popular procede de sacerdotes, será controlada pelos padres e
reforçará o poder dos padres. Durante todo o século XX os padres conseguiram
controlar pouco a pouco todas as manifestações do catolicismo popular,
santuários, romarias, ritos, objetos religiosos, devoções. Não podem penetrar
na intimidade das pessoas, mas pelo menos podem controlar as expressões
exteriores. Quanto a nova religião popular, a conexão é mais forte, porque
desde o início ela tem origem clerical.
Que os pobres sejam
eminentemente “o outro”, foi o que repetiram incansavelmente os teólogos da
libertação, especialmente Gustavo Gutierrez e Jon Sobrino. Ora, aqui também há
uma evolução sensível.
O discurso
eclesiástico está sempre ligado pelo seu passado. Não se pode deixar de usar o
linguajar dos pobres. O discurso sobre os pobres está presente na exortação
pós-sinodal (no. 58).
Se comparamos com
os textos de Medellin ou de Puebla, o retrocesso é evidente. Em primeiro lugar
a palavra opção foi substituída pela palavra amor. Não há opção preferencial,
mas amor preferencial. Ora, a opção afetava toda a pastoral. Se a Igreja faz
opção pelos pobres, isto significa que toda a pastoral há de ser convertida,
reorientada em função da prioridade dos pobres. O amor preferencial não diz
isso. De fato a pastoral preconizada pela exortação, longe de dar prioridade
aos pobres, dá prioridade à recuperação do poder perdido, à reconquista do poder
eclesiástico. Daí a insistência particular nos instrumentos de poder: os
colégios e as Universidades católicas, que se dedicam essencialmente à classe
rica na América latina, os meios de comunicação de massa.
Medellin e Puebla
preconizavam uma Igreja mais pobres. Destacavam o tema da conversão total da
Igreja para poder realizar a opção pelos pobres. Agora não se fala mais de uma
conversão da Igreja, nem do sentido da pobreza da Igreja.
Puebla fala do
protagonismo dos pobres, do seu papel como sujeitos da própria libertação e
como questionamento da Igreja. Os pobres eram reconhecidos como evangelizadores
da própria Igreja.
O no. 58
da exortação faz dos pobres o objeto da pastoral da Igreja que se situa face a
eles. O texto não vai além do assistencialismo e não se vê como a prioridade
dos pobres obrigaria a Igreja a uma conversão radical dos meus métodos ou de
suas estruturas. Os pobres deixam de ser “o outro” que questiona e exige
mudanças de comportamento. Como “outro” o pobre fica também encoberto.
O documento
pós-sinodal não foi surpresa nenhuma. Na realidade veio confirmar uma evolução
que foi cada vez mais clara nas últimas décadas, sobretudo durante o presente
pontificado.
Na América latina a
Igreja transformou-se numa fortaleza de conservadorismo. Os restos da fase
anterior (Medellin-Puebla) estão escondidos, quase desapercebidos. Quando o
Papa dizia que a teologia da libertação está morta, ele dizia que ela não
exerce mais nenhuma influência na Igreja da América latina. Tornou-se
subterrânea. Ainda tem certo espaço no Brasil, mas isto mesmo vai desaparecer
em breve.
Roma reconquistou
América Latina e assim assegurou o seu futuro. Na América Latina já não há mais
nenhuma contestação. As normas romanas são recebidas com submissão total. E o
espaço eclesial está cada vez mais ocupado por movimentos ou instituições
fundamentalistas ou integristas. Ali o movimento carismático expande-se de modo
acelerado. Os movimentos mais antigos como Focolari, Schoenstatt,
Neo-catecumenais crescem e se espalham. Nascem institutos integristas como os
Legionários de Cristo com uma pujança tal que podemos prever que daqui a dez
anos a maioria será integrista na América Latina. Somente no Brasil nascem
centenas de institutos semelhantes, todos integristas. E o Opus Dei, o mestre
de todos, realiza suas melhores façanhas na América Latina. América Latina
fortaleza do conservadorismo onde renasce o espírito de Vaticano I !
No início do
pontificado o Papa manifestou algumas vezes que estava pensando numa nova
cristandade na Europa depois da queda do comunismo. Estas esperanças
desapareceram depois da queda do muro de Berlim. Então apareceu que o
capitalismo ocidental era muito mais perigoso do que o ateísmo comunista. Em
Roma já sabem que a Europa está perdida para a Igreja. As minorias que
permanecem ainda na Igreja católica, são críticas, questionam as estruturas
tradicionais e toda a maneira como a Igreja está sendo conduzida.
Ao invés, na
América Latina, todas as críticas desapareceram. Reina a calma total. Os
católicos latino-americanos já constituem a metade dos católicos do mundo e
numericamente a sua importância ainda vai crescer. Ali está doravante a força
da Igreja católica. África é fraca demais e muito dependente, entregue às
guerras e à instabilidade. Na Ásia os católicos são muito minoritários e não
têm condições para assumirem a continuidade do poder romano. Somente América
latina poderá assumir esse papel. A Igreja latino-americana está sendo
preparada para esse papel. Tudo indica que as esperanças da Cúria romana não
serão desmentidas. Sob os estandartes dos seus “Legionários” Cristo reinará no
mundo mediante a massa católica da América Latina.
O que acontecerá
com a Igreja que foi de Medellin e Puebla ? Com os que escolheram uma pastoral
dos índios, dos negros, dos pobres ? Constituirão minorias muito discretas,
pois não poderão contar com a TV, nem com a mídia em geral. Não se falará deles
na mídia e por isso a maioria nem sequer saberá que tais coisas ainda existem.
No entanto, continuarão nos subterrâneos com a ajuda de uma minoria de bispos,
sacerdotes, religiosas e religiosos, aqueles que não serão as estrelas da TV.
Justamente porque
serão tão fracos, serão tolerados: não perturbarão muito os triunfos da Igreja.
E uma Igreja triunfante pode dar-se ao luxo de ser mais tolerante.
Apesar de tudo
isso, o evangelho deve continuar clandestinamente, como sucedeu no passado da
Igreja. Durante toda a época colonial, tudo era mais difícil porque não havia
tolerância nenhuma. Quem discordava era preso e enviado à Espanha ou Portugal
para ser julgado, condenado à prisão ou à morte.
Voltamos à época
das minorias abraâmicas como diz dom Helder. Estas minorias devem manter o fogo
aceso no meio da “noite obscura”. A “noite obscura” não é quando a Igreja é
perseguida, mas quando é triunfante.
Até quando ? Quem manterá a chama acesa ? Por
enquanto devemos agüentar todo o tempo necessário. Também, América Latina não
pode permanecer muito isolada, como uma fortaleza bem protegida. Há movimentos
de discussão e de contestação na Ásia, na Oceania, na Europa, até na África. A
única Igreja que a cúria romana controla completamente é América Latina. A
comunicação com outras Igrejas do mundo pode arejar a abrir horizonte novos. A
noite não dura sempre. Lembremo-nos da perseguição ao franciscanismo no século
XIV, da perseguição aos erasmianos no século XVI, da perseguição aos padres
sociais entre 1860 e 1960. Tudo tem um fim e o evangelho, apesar de perseguido,
acaba manifestando-se.
Vida Pastoral, janeiro 2004: Pe. José Antônio de Oliveira.
"Dom Pedro Casaldáliga, por tantos anos pastor e profeta da Igreja que está em São Félix do Araguaia, que tanto nos ensinou e ajudou, foi muito feliz ao nos alertar:"São muitos os que estão cansados, dizem, de ouvir falar em opção pelos pobres. A isso eu respondo que certamente os pobres estão muito mais cansados de ser pobres".