Intervalo Amoroso



      O que fazer entre um orgasmo e outro,
      quando se abre um intervalo
      sem teu corpo?

      Onde estou, quando não estou
      no teu gozo incluído?
      Sou todo exílio?

      Que imperfeita forma de ser é essa
      quando de ti sou apartado?

      Que neutra forma toco
      quando não toco teus seios, coxas
      e não recolho o sopro da vida de tua boca?

      O que fazer entre um poema e outro
      olhando a cama, a folha fria?

      É como se entre um dia e outro
      houvesse o vago-dia, cinza,
      vida igual a morte, amortecida.

      O poema, avulso gesto de amor,
      é vão recobrimento de espaços.
      O poema é dúbia forma de enlace,
      substitui o pênis
      pelo lápis
                      - e é lapso.


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