-Fale de amor- diz o repórter, como se falasse do assunto mais banal. -Do amor? -Me rio informal. Mas ele insiste: -Fale-me de amor- sem saber, displicente, que essa palavra é vendaval. -Falar de amor? -Pondero: o que está querendo, afinal? Quer me expor no circo da paixão como treinado animal? -Fala...-insiste o outro -Qualquer coisa. Como se o amor fosse - qualquer coisa - prá se embrulhar no jornal. -Fale bem, fale mal, uma coisa rapidinha -ele insiste, como se ignorasse que as feridas de amor não se lavam com água e sal. Ele perguntando eu resistindo, porque em matéria de amor e de entrevista qualquer palavra mal dita é fatal. ![]() ![]() ![]() ![]() |