A assistência à saúde das pessoas acima de 60 anos é uma preocupação cada vez mais relevante em toda a medicina. Da necessidade de serviços mais adequados até a capacitação de profissionais da área de saúde para atender a essa demanda são temas determinantes para obter maiores sucessos para idosos. Tudo isso pode ser discutido no 5º workshop de educação médica continuada, promovido pela Confederação das Unimeds do Estado de São Paulo. Foram debatidas questões ligadas aos processos de envelhecimento, farmacoterapia, patologias características da terceira idade e atualização médica em geriatria. Para elaborar um quadro das abordagens atuais em geriatria, o SOS Doutor convidou o Dr. Mark Monane, pesquisador da Harvard Medical International e um dos maiores estudiosos sobre terceira idade para comentar as novas abordagens médicas com idosos em todo o mundo. Como o senhor observa esse crescimento mundial da população na terceira idade? Realmente está crescendo, mas o conhecimento sobre as doenças em idosos e a quantidade de medicamentos para tratar as doenças mais freqüentes da terceira idade está aumentando a cada dia. Isso é um boa notícia para o mundo de hoje e para os médicos também. A relação médico-paciente deve ser diferente com essa população? Pela própria idade do paciente, esse relacionamento é muito importante porque você passa a precisar de bons diagnósticos do tratamento e não pode ter maus resultados. Isso é fundamental e determinante para todos os pacientes e para sermos mais bem-sucedidos também. Doenças como diabetes, hipertensão, osteoporose entre outras necessitam de uma terapêutica especial quando se refere aos idosos? Sem dúvida, principalmente pela interação das drogas utilizadas. Um problema sério vem a ser as reações dos medicamentos na terceira idade. Por isso é muito importante haver parcerias e troca de informações entre os médicos para se poder passar as últimas descobertas, em especial no que se refere às inovações das drogas e assim evitar riscos de efeitos colaterais e resultados não tão bons junto às experiências com a terceira idade. Transtornos psiquiátricos, como mal de Parkinson e Alzheimer, e mudanças de comportamento também são freqüentes na terceira idade. Como se poderia lidar melhor com esses problemas? Isso realmente é muito comum. O importante é o médico pensar que pode existir qualquer tipo de distúrbio, lembrar que isso é uma doença de terceira idade. Depois examinar, identificar e reconhecer no paciente o problema e propor um tratamento com medicamentos específicos. Ao lado disso, e tão importante quanto, é o trabalho com a família, com as pessoas que convivem com o idoso, que podem ajudar a cuidar dele, mas elas devem ser treinadas para isso. O uso de medicamentos em excesso ainda é muito comum nessa faixa etária. Quais seriam os critérios mais adequados para se prescrever drogas eficazes para esses pacientes? O médico deve revisar sempre a prescrição do seu medicamento para poder identificar drogas que já não sejam necessárias ou podem ser reduzidas. Outro ponto é que muitas vezes o médico precisa tirar as drogas, rever o tempo de uso, a dosagem adequada. Então ele deve analisar o que foi proposto, ou seja, dar e retirar os medicamentos e reavaliar o tratamento. Às vezes, devido a quatro patologias, por exemplo, existe a falsa intenção de se fazer uma droga para cada doença, o que na verdade isso nem sempre é necessário. Como a geriatria pode interferir com o tabagismo, sedentarismo, dieta inadequada entre outros fatores de risco? Nunca é tarde para se fazer uma intervenção nesses fatores de risco. É sempre interessante tentar de alguma forma melhorar a qualidade de vida do paciente. Estudos mostram que mesmo na terceira idade evitar o fumo aumenta o tempo de vida e melhora a saúde desses pacientes. Prevenir é sempre bem-vindo e nunca devemos nos esquecer de ensinar os pacientes a ter e adquirir bons hábitos. Para viver mais e melhor, qual seria a melhor recomendação que o senhor indicaria a todos nós? Primeiramente ter um bom diálogo com os médicos. Prevenir acidentes em casa, não oferecer medicamentos que você está usando a outras pessoas, levar suas prescrições de tempos em tempos para o médico rever e ter bons hábitos durante toda a sua vida ajudam a saúde como um todo. Danilo Tovo www.sosdoutor.com.br - nov/2000 |