Uma parceria entre as disciplinas de radiologia e neurologia da Unifesp possibilita atender pacientes no Hospital São Paulo utilizando a técnica da embolização de aneurismas por GDC (Guglielmi Detachable Coil). Até o momento, é o único local a oferecer esse serviço para pacientes do SUS, pois os custos são elevados e há dependência de médicos treinados para fazer esse tipo de tratamento para aneurismas cerebrais. Três casos bem sucedidos já foram feitos no Hospital, que há 5 meses dispõe do serviço e conta com aparelhos de angiografia digital de última geração e médicos especializados nessa técnica. "Queremos atender mais casos e que o Hospital São Paulo se torne um centro de excelência na técnica de embolização por GDC", diz o neurocirurgião e neurorradiologista da Unifesp Michel Frudit, que estudou a técnica na Faculdade de Medicina Petié Salpêtrière, em Paris. Estima-se que até hoje foram feitas 40.000 cirurgias por GDC em todo o mundo. Só no Brasil, a técnica foi usada em cerca de 400 aneurismas. "Desde que se use bons critérios e diagnóstico preciso, a técnica é segura evitando que a cirurgia em si não deixe seqüelas para o paciente", afirma o médico. A embolização trouxe uma evolução no panorama dos tratamentos endovasculares dos aneurismas cerebrais. O resultado são melhorias significativas para os pacientes, os quais são submetidos a microcateterismo via punção femural, fazendo com que a recuperação seja mais rápida que as craniotomias tradicionais. 90% de chance de oclusão completa Segundo Frudit, a decisão para o emprego dessa técnica também depende de critérios específicos a serem analisados caso a caso por equipes multidisciplinares. Em geral, a embolização por GDC deve obedecer a alguns requisitos, tais como: pequeno tamanho dos aneurismas e de seu colo, anatomia favorável, pacientes com grau clínico grave e maior morbi-mortalidade cirúrgica, além da preferência por aneurismas da circulação posterior do sistema vértebro-basilar e da artéria comunicante anterior. "Com essa técnica, o índice de oclusão completa dos aneurismas é por volta de 90% e favorece pacientes com patologias sistêmicas, idade avançada, além de ausência de transfusões sangüíneas e menores riscos de infecção", diz o médico. Entretanto, em casos de aneurismas grandes (acima de 20mm) a embolização não é indicada, isso sem falar dos problemas financeiros que dificultam sua ampla utilização no Brasil. O custo unitário das espirais de platina é de R$1.600,00 e várias podem ser utilizadas nas cirurgias. Mesmo assim, a comprovação científica e o sucesso com os pacientes reforçam as reais necessidades médicas. "Hoje em dia, recomenda-se tratar com GDC o aneurisma na fase hiperaguda, recuperando pacientes com sangramentos e evitando complicações de uma hemorragia meníngea", afirma Frudit, que também acredita na aplicação do GDC em outras doenças endovasculares cerebrais. Danilo Tovo www.connectmed.com.br - abr./2000 |