O ARCO PRIMITIVO |
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Túlio
Cícero de Castro Ottoni
Presidente
da ADEMPONTA - Associação Desportiva Meia Ponte de Tiro com Arco. Goiânia –GO.
O
arco e flecha tem atraído muito a atenção de jovens de 8 a 80 anos nos dias
de hoje. É fascinante ver como
brilham os olhos de uma criança ao ver alguém praticando tiro com arco. Quando estou treinado em nossa Associação, às vezes chega
um grupo de crianças de oito a doze anos e ficam de longe olhando com os seus
olhinhos fixos no alvo. Quando chegamos a fazer um bom agrupamento de flechas no
alvo ficam admirados, soltando exclamações próprias da idade.
Mas, em face do alto custo do equipamento utilizado hoje em dia, muitos tem
optado por fabricar o seu próprio arco. Mas o que tem levado muitos arqueiros a
optarem pelo arco primitivo ou mesmo nativo é somente uma: satisfação
pessoal. Há também o romance do esporte fazendo com que você retorne às
bases do arco primitivo. É claro que esta modalidade é muito mais difundida no
exterior, com associações próprias e inúmeros artigos e livros editados a
respeito.
Aqui no Brasil, o arco primitivo mais conhecido é o arco do nosso índio, o
índio brasileiro, o qual também é chamado de arco nativo. Interessante como o
estrangeiro tomou a iniciativa e estudou tais arcos. Existe até um livro
publicado sobre o arco do índio sul-americano, o que nada mais é senão o arco
do nosso índio, o arco nativo.
Por ocasião da primeira etapa do 1º Torneio da Federação Goiana de Tiro com
Arco, em março/2000, esteve aqui em Goiânia arqueiros do Estado do Mato
Grosso, disputando a modalidade do "Arco Nativo". É impressionante
ver aqueles arcos atirarem aquelas flechas enormes, as quais pareciam perdizes
assustadas alçando vôo no meio do pasto quando a gente delas se aproxima. Ali
estiveram expostas uma variedade de flechas dos índios de várias nações,
tais como Gavião, Xavantes etc., as quais chamavam a atenção pelo esmero e
beleza da sua confecção. Os arcos também eram notados pela aspecto primitivo
e madeira usada.
Contudo o arco primitivo ou o arco nativo não se restringe somente ao arco do
índio brasileiro. Temos que nos reportar ao passado do homem moderno para
verificar que vários tipos de arcos foram elaborados naqueles tempos. O que
caracteriza o arco primitivo é a sua total ausência de material sintético ou
moderno na sua elaboração. Podemos citar aqui o famoso "longbow"
inglês; o "flatbow" do índio norte-americano; os famosos arcos
recurvos e compostos da Ásia, Coréia, Turquia, e mesmo Egito, os quais eram
compostos de madeira, chifre de búfalo d'água e "sinew" (tendão da
pata de veados, búfalos, etc.), famosos
pela durabilidade e velocidade de seus tiros, dando especial fama aos turcos.
Não poderíamos esquecer aqui dos arcos japoneses, os quais são feitos de
bambu e tiras de outras madeiras em seu interior e moldados em sua forma
peculiar tão atraente.
Muito se poderia falar sobre a origem e elaboração de tais arcos até os dias
atuais, mas a finalidade precípua de nosso artigo é repassar a técnica do fabrico do arco primitivo, em dois modelos a escolher. Este
artigo vem também resgatar a falta do assunto em nossa língua portuguesa, já
que existem inúmeras páginas na Internet esgotando exaustivamente o assunto
sobre o arco primitivo.
Pessoalmente confeccionei três arcos primitivos, de Ipê Roxo, especialmente o
similar ao flatbow do índio norte-americano, por me parecer mais atraente. Fiz
um simples e outro com sinew aplicado em suas costas, o qual aumentou
substancialmente a sua força. No entanto, havia feito um protótipo com sinew o
qual em vez de fortalecer o arco, o sinew roubou metade de sua força. A
conclusão que cheguei foi que o sinew usado para o '"backing"
(colagem das fibras do tendão nas costas do arco) foi de gado confinado. Como o
gado confinado não faz exercício nenhum, a não ser comer, é claro que o
tendão do animal será fraco. Todos os três acabaram quebrando, em face de
falhas na sua elaboração. Mas enquanto estavam atirando deram-me enorme
satisfação não só no prazer da sua elaboração, como no próprio uso em si.
Desnecessário será dizer aqui o enorme trabalho despendido para a confecção dos arcos. No entanto, quando você tem o produto finalmente acabado e faz o primeiro tiro com ele, algo mexe com você. Talvez toda a nossa herança ancestral venha à tona nesse instante, quando o potencial de tal instrumento foi descoberto e as possibilidades de se conseguir, com mais facilidade, colocar o alimento na mesa para a mulher e os filhos, sem arriscar tanto a vida para conseguir encher a barriga faminta.
O LONGBOW
O
longbow é o arco que mais se aproxima do índio brasileiro pela sua forma.
Contudo, aqui iremos considerar o termo "longbow" o arco com pontas
retas fabricados pelos antigos arqueiros ingleses. Este arco tem, em geral, mais
ou menos 1,70 a 1,80 m de comprimento, cujas extremidades são finas, embora
mais "gordas" do ponto de vista do arco flatbow.
Em suma o arco é ligeiramente menor do que o arqueiro e sem qualquer
curvatura drástica nas suas lâminas. Na realidade, o que caracteriza o termo
"longbow" é a sua aparência e não os materiais com que ele foi
fabricado. O arco em causa pode ser construído inteiramente de madeira e
coberto de materiais tais como couro cru, ou sinew (tendão) ou ele pode ser
feito de laminações de madeira, fibra de vidro ou qualquer outra fibra
sintética.
O FLATBOW
O
flatbow é feito menor do que o longbow e quase sempre com as lâminas mais
largas. Para entender o princípio básico da madeira no flatbow temos ver o
arco através de um corte transversal. Quando
fazemos um corte transversal no arco verificamos que a sua espessura medindo das
suas costas ao seu ventre. A pergunta é : de que lado é a costa do arco e de
que lado é a seu ventre? Bem, se você segurar o arco em posição de tiro, com
o braço esticado à sua frente, o ventre do arco estará voltado para a sua
face e as costas, é claro, o lado oposto. Quando você puxa a corda de um arco
em posição de tiro, a costa do arco é esticada e o ventre é comprimido.
Quanto maior é a espessura do arco, maior é a força de quebra imposta ao
ventre. Muito se pode fazer para minimizar a força de quebra na costa de um
arco, através de fibra de sinew, couro cru, etc., mas pouco se pode fazer em
relação ao ventre do arco. Um bom bowyer (fabricante de arco) não ousaria em
fazer um arco de madeira com uma seção transversal muito grossa. Em arquearia
isto é chamada de "stacking", ou seja, empilhamento dos anéis de
crescimento da madeira no braços do arco. Os antigos longbows ingleses eram
conhecidos pelo seu elevado desenho de "stacking".
Por outro lado, um arco cuja seção transversal é relativamente fina das
costas ao ventre pode dobrar-se substancialmente sem quebrar-se. É o caso do
flatbow. Exemplo: você pode dobrar substancialmente uma régua de madeira, mas
nem de longe poderá dobrar um palito de dentes por causa da sua forma
arredondada. Ele dobrará somente um pouco antes de quebrar-se. O lendário Jay
Massey, famoso bowyer primitivista do Alaska, em seu livro The Bowyer's Craft,
menciona que o dilema do arqueiro que se aventura em fazer uma arco de
madeira é fazer um
arco grosso, o qual é difícil de puxar e se puxado, poderá, talvez,
quebrar ou fazer um arco fino, que poderá não ter força nenhuma. E, como o
próprio Jay recomenda, "...são limites dentro dos quais você terá que
trabalhar". E é justamente assim que o flatbow é feito: nem tão grosso,
nem tão fino – porém com suas lâminas mais largas. A largura das lâminas
é que o faz forte. Contudo não vá fazer um arco com lâminas tão largas que
possa parecer mais asas de um avião do que um arco! Você não poderá
vergá-lo.
A MADEIRA
Os arcos primitivos europeus e norte-americanos eram e são ainda confeccionados
por duas espécies principais de madeiras obtidas das seguintes árvores: o Yew
e a Osage Orange. Até o Sassafrás é usado para se fazer arcos. O Yew é o
preferido para os longbows e o Osage Orange para os flatbows. Como são árvores
não cultivadas no Brasil, recomendamos três madeiras relativamente fáceis de
se obter. A primeira é o Ipê Roxo, a segunda o Pau Brasil e a terceira é a
Aroeira (Gonçalo Alves). Esta última me foi recomendada pessoalmente,
juntamente com o Ipê, por Mike R. Rigazio (drawknif@TheRamp.net),
bowyer norte-americano.
O
Pau Brasil é o preferido pelos fabricantes de arco de violinos, pela sua
flexibilidade e beleza. O programa Globo Rural, da Rede Globo de Televisão
realizou uma reportagem excelente sobre esta árvore maravilhosa que deu origem
ao nome do nosso País. Em determinada parte da reportagem o locutor mostrou uma
das utilizações do Pau Brasil pelos nossos índios: o arco. Foi uma pena não
ter discorrido mais sobre esta utilização.
O
Ipê Roxo é, para mim, a madeira de primeira escolha, tendo em vista ser mais
fácil de encontrar e, sobretudo, de se trabalhar. Os índios brasileiros
utilizam muito o Pati, que é extraída da palmeira que leva o mesmo nome.
Também utilizam o Roxinho. Bem, por não ter experimentado qualquer madeira
extraída da palmeira Pati, não poderia sugeri-la na confecção dos arcos
deste artigo, pela simples razão da variação do seu desempenho, que é
diferente de madeira para madeira. Um arco confeccionado com Ipê Roxo pode ser
mais forte do que o Pati ou o Pau Brasil, ou vice-versa. Até mesmo arcos da
mesma madeira, com as mesmas medidas, podem variar de potência. No entanto,
caso queira experimentar, conte-me depois como foi.
O
arco é nada mais nada menos do que uma mola. Puxa-se a corda, o arco é
vergado. Solta-se a corda e o arco volta a posição de repouso
instantaneamente. É o princípio da mola. Quando se faz um corte transversal em
um tronco de árvore pode-se ver seus anéis de crescimento. Esses anéis são
formados anualmente e é utilizado para se verificar a idade provável da
árvore. Esses anéis são mais salientes quando a árvore sofre a ação dos
ventos frios do inverno. Quanto mais anéis tiver uma árvore, mais idosa ela
será. Quando os anéis de crescimento crescem mais perto uns dos outros, em
algumas árvores, melhor o seu efeito "mola". É o caso do Osage
Orange dos Estados Unidos. O Pau Brasil tem esta característica também. Não
tão saliente quanto o Osage Orange, mais é fácil de se ver no corte
transversal. O Ipê Roxo não tem esta característica mais saliente, mas
pode-se verificar também. Quando nos deparamos com uma árvore adulta, devemos
ter um sentimento de respeito por aquela espécie vegetal. Ela poderá ser muito
mais velha do que você. As vezes passo pela avenida Araguaia que passa entre o
Parque Mutirama e o Parque Botafogo, no setor central de Goiânia, em Goiás, e
ergo meus olhos para aquelas árvores centenárias que já estavam ali muito
antes da fundação da cidade, penso comigo mesmo por quanto tempo mais elas
irão resistir à poluição dos veículos que trafegam por aquela avenida e
quantas irão resistir a depredação pela mão do homem.
Outro aspecto a ser levado em consideração na madeira a ser utilizada para a
confecção do arco é o seu fator de umidade. Não se pode fazer um arco de
madeira verde, por razões óbvias. Por outro lado não se pode fazer um arco de
madeira muito seca, pois irá quebrar na primeira puxada da corda, não importa
quão bem foi confeccionado. A compra de um aparelho para se medir a umidade da
madeira será um bom investimento, principalmente se você optar por ser um
bowyer profissional (e porque não? Fred Bear, um dos pioneiros americanos
fabricantes de arco começou fabricando arcos para si e para os amigos!). Caso
não possa adquirir esse aparelho, a solução está nas mãos. Uma madeira
está pronta para ser trabalhada se estiver seca e aquecida ao toque das mãos e
imprópria para o trabalho se apresentar fria e úmida ao toque. Somente a
prática lhe fará hábil em identificar a madeira que estiver no ponto para ser
trabalhada. Por outro lado, se tiver o aparelho para medir a umidade da madeira,
esta deverá estar entre 8 e 13% de umidade para poder ser trabalhada. Outra
solução será conseguir madeira nova e estocá-la pelo período de dois anos
ou mais. Neste caso, você a corta
em pequenas toras cortadas ao meio, sentido transversal, semelhante ao aspecto
de se rachar lenha, só que será uma lenha maior, um pouco maior do que o arco
que deseja construir, tire sua casca e sele com algum material vedante, tal como
uma seladora, cola de sapateiro ou parafina, os lados extremos da madeira. Isto
evitará que rache, secando lentamente e por igual. O ambiente de secagem
deverá ser bem ventilado e a madeira não deverá se expor ao sol diretamente.
Outra forma de se obter uma madeira seca para se trabalhar é construir uma
caixa de secagem, com lâmpadas para aquecimento, a qual irá secar rapidamente
a madeira, porém a qualidade da madeira a ser trabalhada será um pouco
inferior, segundo dizem os melhores bowyers.
Partindo do pressuposto que você dispõe de uma madeira já seca para ser
trabalhada, deve observar os anéis de crescimento, os quais serão as costas do
arco, que ficará do lado oposto ao arqueiro quando estiver atirando. A parte externa da madeira, responsável pela condução da
seiva da madeira não será utilizada por ser muito fraca. Então você deve
voltar a sua atenção para a parte mais interna da madeira, ou seja próxima ao
cerne, de cor escura.
Mike R. Rigazio recomenda que, em se tratando de madeira dura, deve-se retirar a
parte externa do tronco que está diretamente abaixo da casca, mais clara e
voltar-se para a parte logo abaixo, que é mais escura, perto do cerne. Se a
madeira usada for branca, ou clara, não há necessidade de se excluir tal
parte.
Todo cuidado para com a madeira ao confeccionar o arco é pouco. Você pode
danificar, desbastar errado e enfraquecer o arco.
Os "nós" que aparecem na madeira também é um ponto crítico
para o arco. Se o nó da madeira ficar na extremidade lateral da superfície do
arco, ou seja, na beirada, com certeza o arco quebrará. No entanto se o nó
ficar no meio da lâmina, mesmo a parte central do nó saindo e deixando um
buraco, tem solução. Você tem que usar uma furadeira e tirar fora o nó. Se o
nó da madeira for maior do que o diâmetro de um giz de escola, esqueça. Não
use a madeira. No entanto se for do diâmetro de um giz de escola ou menos,
retire o nó com a furadeira e, a seguir, confeccione um "Dutchman plug",
ou seja um pedaço da mesma madeira, nas mesmas dimensões, com o anel de
crescimento voltado para o lado longitudinal à lâmina do arco, que é o lado
mais forte do "Dutchman plug" e cole-o no lugar com uma boa cola de
madeira ou de couro.
Embora haja caso de arcos com um buraco no lugar do nó que tenham tido vida
longa, com o tempo, se não fizer este reparo, irá levantar pequenas lascas de
madeira em volta que logo irá danificar o arco. Os turcos tiravam fora o nó e
colocavam no lugar uma pequena bucha de sinew (tendão de animal) colada com
cola de couro. Os turcos ficaram famosos pelos arcos compostos (madeira, sinew,
cifre de búfalo d'água) pequenos e potentes de até 110 libras de força, que
lançavam flechas especiais até 800 metros!
COMO FAZER
O
material que irá utilizar para confeccionar o arco será uma morsa grande
(nº4), guarnecida com um pedaço de tapete liso (desses que se usa para forrar
a carroceria de camionetas) de borracha ou um bom pedaço de couro para não
estragar a madeira ao prendê-la na morsa, fita métrica, uma régua de metal,
paquímetro (para as medidas de espessura), lápis de marceneiro ou uma boa
caneta ponta porosa, uma machadinha bem afiada para desbastar a madeira, uma
raspadeira, uma raspilha e lixas. Você também pode prender a madeira em um
banco comprido e sem encosto, com dois grampos de rosca chamado
"sargento" e trabalhar em cima da madeira com uma enxó.
Uma grosa e uma lima redonda também será de boa valia. Nos Estados
Unidos os bowyers usam uma ferramenta muito rara por aqui mas que é de extrema
valia: a "drawknife". Consiste em uma lâmina de aço, com um único
fio, bem afiada, com dois cabos nas extremidades. Pode-se fazer uma de forma
caseira, aproveitando a folha de uma lima de 20 a 30 cm. Para fazer o fio e o
lugar de se colocar o segundo cabo será necessário destemperá-la e depois
temperá-la novamente. É um trabalho
exaustivo, porém de extrema valia para quem estiver disposto e quiser ser um
verdadeiro bowyer. Acho mais simples importar uma. Já vem afiada e pronta para
uso. Muito provavelmente poderá ser achada em lojas especializadas em
ferramentas importadas de marcenaria, em São Paulo - SP.
Primeiramente você deverá trabalhar as costas do arco (a parte
oposta à face do arqueiro quando está atirando). Lembre-se de duas coisas de
extrema importância: 1) as fibras da madeira deverão estar no sentido
longitudinal para que o arco tenha força e não se quebre facilmente. 2) os
anéis de crescimento da madeira deverão estar como originalmente na madeira:
uma sobre a outra (efeito mola). Portanto não faça cortes transversais na
peça escolhida para o arco.
Caso não tenha uma peça em bom tamanho para se fazer um arco, você poderá
improvisar, com sucesso, o que se chama de junção em "cauda de
peixe", o que é nada mais nada menos do que a junção de duas peças de
madeira em recorte próprio semelhante à cauda de peixe, colando-as fortemente
e, para reforço, introduzindo um pinho de metal na parte central da junção.
Esta junção tem dois cortes próprios, os quais deverão ser efetuadas, para
melhor feitio, já que serão encaixadas entre si, em uma serra de fita. Após a
colagem das peças de madeira uma na outra, dá-se prosseguimento ao desbaste da
peça para se chegar à forma do arco. O punho deverá estar situado justamente
na junção das peças, e o pino de metal (o qual poderá ser um prego
destituído da cabeça e da ponta) colocado com cola somente após o desbaste
para se chegar ao punho.
Após tirar a parte abaixo da casca da madeira, você deverá chegar a uma forma
bem aplainada da madeira.
O
passo seguinte será, com um lápis de marceneiro ou uma boa caneta ponta
porosa, marcar as medidas do arco nas costas da madeira, primeiramente traçando
uma linha longitudinal central. Depois
marque o centro do arco no sentido transversal e, após, as medidas de
desbaste até a ponta das lâminas onde será feito o "nock" (parte
onde é encaixada a corda do arco). Com as medidas postas nesta parte da peça
de madeira, estará então desenhado o arco em si, pois unindo as medidas
chega-se ao desenho do arco na peça.
Após efetuar as marcas da medida, deverá virar a madeira e trabalhar o ventre
do que será o futuro arco. Marque o centro do futuro arco e comece a desbastar
a partir daí, uma metade de cada vez. Quando tiver chegado próximo a parte
mais grossa do futuro arco é hora de fazer as marcas das medidas de espessura.
Tire a madeira do suporte de sargentos ou da morsa e, aproveitando as marcas
feitas nas costas do futuro arco, marque as medidas de largura e espessura. A
partir daí, trabalhando o ventre e os lados do futuro arco, é melhor usar um
paquímetro, sempre auferindo as medidas para dar o caimento perfeito e
simultâneo de cada medida. O trabalho é maior quando se faz o desbaste com o
punho do arco na própria madeira (é a parte mais espessa do arco). Se o punho
for colado após, o trabalho de desbaste é mais rápido. Contudo, como o punho
colado é algo mais complicado, fixaremos nossa atenção no punho esculpido no
próprio arco.
Quando o desbaste está muito próximo das medidas de finalização e a madeira
já apresentar uma forma tosca do futuro arco, é hora de mudar para uma
raspadeira de metal ou vidro e ir, com paciência, fazendo os desbastes até
chegar a forma final do arco. É um trabalho muito especial e paciente, pois
qualquer erro nas medidas poderá enfraquecer ou arruinar o arco.
Com a forma tosca do arco, é hora de se fazer um nock (lugar onde encaixa as
cordas) provisório e, com uma corda de nylon, em tamanho maior do que o arco,
fazer uma amarra simples nas extremidades do arco e, segurando no punho do arco,
puxe levemente a corda e verifique se ambas as lâminas estão se curvando por
igual.
Caso tenha disponibilidade ou tenha intenção de se tornar um bowyer, pode
utilizar um ótimo método para auferir a curvatura das lâminas. Embora
simples, requer um certo trabalho. Se tiver uma garagem, ou mesmo um cômodo
onde você trabalha sua oficina de hobby, e dispor de um poste de madeira ou uma
pilastra, ou mesmo a própria parede do lugar, parafuse nela uma lâmina de
compensado de 1,90 m de largura por 1 m de altura e cole cartolina em toda a sua
extensão. A seguir, risque um quadriculado de em toda a sua extensão. Este
quadriculado poderá ficar a seu critério, dependendo do mais fiel possível
irá querer averiguar a curvatura das lâminas.
Eu creio que retângulos de 8x4 cm é mais do que suficiente para o
serviço. A seguir procure o centro exato do painel e parafuse ali, com dois
parafusos tipo nº 8 de rosca soberba, um suporte no formato de um triângulo
com a parte superior abaulada para assentar o punho do arco, na 2ª linha do
início superior do quadriculado. Após, umas duas linhas do quadriculado,
contando debaixo para cima, na parte central do painel, alinhado com o suporte
para o arco, fixe uma pequena roldana. Lembre-se de que a fixação destes
dispositivos deverá ser bem feito para não danificar o painel e, é claro,
não acontecer nenhum acidente, como a roldana se soltar pela ação da corda e
vier atingir seu rosto e, pior ainda - seus olhos.
Com o painel pronto, ponha o arco no suporte, amarre uma corda de nylon na corda
do arco e passe a extremidade da corda pela roldana. A seguir vá puxando
levemente e verificando a curvatura das lâminas. Se uma das lâminas do arco
não está curvando igual a outra, ou seja, uma estiver curvando mais do que a
outra, é sinal de que a que estiver curvando menos deverá ser mais desbastada
até curvarem por igual. Se isto acontecer desbaste até conseguir uma simetria
aceitável. Caso não use o painel auferidor de lâminas, o recurso é o
mencionado anteriormente, usando as mãos para vergar levemente as lâminas com
a mão e os olhos para discernir a simetria de curvatura.
Com as lâminas curvando por igual, é hora de se fazer o acabamento com uma
raspadeira de metal ou vidro, e após, passando a usar uma boa lixa para
finalizar.
Após este trabalho você já tem em mãos o que se pode chamar de um arco
semi-acabado. É hora de se colocar a corda no arco e verificar os pontos que
precisam ser mais desbastados. Após este procedimento, se o arco já estiver
bem desbastado, dobrando as lâminas, por igual, parte-se para o trabalho de
lixa. Comece com uma lixa de madeira grossa e finalize com uma de granulação
fina, a mais fina que puder encontrar. Nesta fase de acabamento o arco começa a
apresentar-se atraente e a vontade que temos é a de darmos uns tiros com ele.
Calma. Vá devagar. Contenha a sua vontade de puxar a corda do arco até o
queixo completamente, principalmente se você tem braços compridos. Lembre-se
que o padrão internacional de puxada para arcos simples é de 28 polegadas.
Outra coisa de que deverá se lembrar também que um arco sem nenhuma proteção
nas suas costas é um arco 80% quebrado. Assim sendo, a coisa mais sensata a
fazer é fazer uma aplicação de couro cru ou sinew (fibra de tendões) nas
costas do arco. Isto manterá as fibras da madeira fixas na madeira enquanto é
submetido ao "esticamento" pela puxada de tiro. Dos métodos citados,
o que mais dará segurança ao seu arco é a aplicação de fibras de sinew. O
couro cru é bom mas não tão bom quanto o sinew.
APLICAÇÃO DE SINEW
O
sinew, são fibras derivadas dos tendões de animais ativos. Ativos porque se
for extraído de animais em confinamento, tipo gado confinado, serão tendões
fracos e atuarão de forma inversa no arco, enfraquecendo-o. A função da
aplicação de materiais nas costas do arco, como mencionamos anteriormente, é
evitar o arco de quebrar, tendo em vista que o auxilia a manter as fibras da
madeira nas costas do arco - as quais estão sob tensão quando o arco está em
posição de tiro – evitando de se levantarem. Seria mais ou menos "um
arrepiar de fibras" tal qual os cabelos do braço quando se está com frio.
O
lendário Saxton Pope escreveu que quebrou vários arcos até atender o conselho
do último índio selvagem americano, cujo nome era Ishi, de aplicar fibras de
sinew no arco.
Mas atente para isso: uma simples
aplicação de sinew ou couro cru ou mesmo couro comum nas costas do arco não
irá garantir o arco de quebrar se você não estiver seguindo as linhas
longitudinais de crescimento na sua peça de madeira ao construir seu arco!
Os tendões do sinew mais usados são os da pata traseira do animal. São
maiores do que as das patas dianteiras e rendem mais. A lógica é que o animal
dispensa mais energia através de suas patas traseiras ao deslocar-se, em
corrida, por exemplo, todo o seu corpo para frente. O ideal seria usar tendões
de animais silvestres tais como o Veado.
Como a caça no Brasil está proibida, o recurso será apelar para sinew de
gado. O tendão de búfalo será ótimo. O tendão que procuramos está
localizado na parte traseira da pata do animal, logo acima do casco. Sua cor é
branca. Não use quaisquer outros tendões brancos ou amarelados do pescoço ou
outro local em que encontre tendão. Use somente o indicado ou o resultado do
trabalho lhe deixará frustado.
De posse dos tendões, limpe o mesmo de quaisquer resquícios de carne ou
gordura, os quais podem arruinar os tendões, deteriorando-os. Após esta
limpeza, coloque para secar durante algumas semanas. Depois de secos terão uma
consistência dura e uma aparência de âmbar transparente, os quais deverão
ser processados da seguinte forma para se obter as fibras. Com uma pedra de
forma achatada e um martelo de madeira, bata em cada tendão até ele se
desmembrar em filamentos. O martelo de madeira é a melhor opção para bater o
tendão, tendo em vista que não irá estragar os filamentos. Após malhar os
tendões, quaisquer sobras de tecido muscular ou gordura ficarão à parte dos
filamentos que terão a cor esbranquiçada.
O
passo seguinte será obter a cola para a aplicação do sinew. A cola que se
deve usar é a cola obtida do couro. Não compre cola de couro pronta, mesmo
porque é dificílima de se encontrar. Mas isto não é problema. Você poderá
obtê-la, fervendo em água pedaços de couro de gado abatido e alguns tendões
juntos. Poderá usar cabeças e caudas de peixe também. Demorará um pouco para
se chegar ao resultado, já que é uma operação que irá consumir certo tempo,
mas compensa. A grossa geléia que sobrar no fundo da panela é cola de couro.
A
aplicação do sinew não deverá ser algo imediato à confecção da cola de
couro. Deixe a cola secar e descansar na geladeira uns três dias antes de
processá-la para aplicação. Enquanto isto verifique se o arco está curvando
simetricamente, faça os devidos desbastes nos pontos que precisarem de ajuste.
Use sempre uma corda mais longa do que o que irá usar no arco quando pronto,
lembrando sempre de não puxar muito a corda, senão todo o trabalho estará
arruinado.
Quando tudo estiver pronto, coloque o arco em uma morsa forrada com um couro
grosso ou borracha (a borracha costuma deixar a madeira do arco manchada; dê
preferência ao couro grosso) com as costas voltadas para cima. Passe um pano
embebido em acetona para tirar quaisquer resquícios de gordura.
Misture as granulações de cola de couro em uma panela ou marmita velha que
tiver em casa com água quente e espere reconstituir a consistência de uma sopa
média, nem tão grossa, nem tão fina. Aqueça a cola de couro de forma que
você possa pegá-la confortavelmente com os dedos, o que deverá ser uma
temperatura em torno de 48 a 54 graus centígrados. Atenção! Se a cola estiver
quente demais irá cozinhar o sinew tornando em uma consistência emborrachada e
ficará imprópria para o uso!
Aplique, a seguir uma camada bem liberal de cola nas costas do arco. Se puder
conseguir algum amigo para ajudá-lo nesta tarefa, será muito bom, pois é um
serviço em que irá molhar ambas as mãos com a cola.
Pegue um dos sinews desfibrados e coloque-o na cola de couro quente, mexendo-os
na cola alguns segundos até que fiquem de consistência macia. Tire o sinew da
panela e, com os dedos, retire o excesso de cola. Aplique então sobre o arco
partindo do centro do mesmo, na altura do punho, para as pontas. Tome o cuidado
especial de aplicar o sinew em camada grossa, mas espalhe-o bem em camada fina
sobre as costas do arco. As rebarbas poderão ser lixadas após a secagem do
sinew. Ao chegar nas pontas,
envolva as pontas com um pouco de sinew para fixá-lo bem e evitar que descole,
em caso de alguma falha nessa área. Após aplicada a primeira camada de sinew,
pincele outra mão de cola de couro e, de imediato, passe a aplicar outra camada
fina de sinew. Após esta tarefa, deixe o sinew aplicado descansar alguns
minutos e então envolva cuidadosamente todo o arco com uma atadura. Este
procedimento não necessário, contudo, faz com que o sinew fique mais bem
assentado e tenha uma melhor aparência.
Agora aguarde a cola de couro e o sinew secar completamente uma ou duas semanas
e aplique uma terceira camada de sinew. Se duas camadas de sinew é o que você
quer então aguarde o arco secar duas semanas inteiras em um local bem seco e
ventilado.
Tendo secado o arco e o sinew por
duas semanas, retire a bandagem. Se a bandagem não quiser sair, lixe-a
totalmente com uma lixa grossa e ponha uma corda mais longa no arco para
verificar se as lâminas estão curvando simetricamente.
Se o arco não parece estar suficientemente forte, aplique outra camada
de sinew. Se estiver forte demais, retire mais madeira do ventre do arco (a
parte que fica voltada para sua face quando em posição de tiro) com uma
raspadeira.
Se o sinew estiver bem seco e as lâminas do arco estiverem curvando
simetricamente, você poderá encordoar o arco e fazer, com segurança, o
primeiro tiro. Após esta primeira série de tiros o sinew sofrerá uma certo
assentamento e o arco perderá um pouco a sua força, mas não muito.
Se você lixou o sinew nas costas do arco, você deverá cobri-lo para evitar
que as fibras do sinew se levantem como cabelo arrepiado. Qualquer espécie de
couro fino servirá. Couro cru, couro de cobra ou mesmo de algumas espécies de
peixe poderá ser aplicado. Contudo deverá atentar para a questão de se usar
sempre cola de couro e esperar duas semanas para secar completamente antes de
atirar com o arco. O que se precisa deixar bem claro aqui é que o processo de
elaboração do arco primitivo não é algo assim industrial. É primitivo mesmo
e como as coisas antigamente caminhavam de forma mais devagar do que os dias
hodiernos, demora certo tempo para submeter a nossa mente a um processo lento de
se fazer as coisas. Aliás, eu, pessoalmente usaria o termo mais apropriado para
deixar um arco com sinew aplicado descansar: cura. O arco tem que curar tal como
um bom queijo.
TOQUE FINAL NO ARCO COM SINEW APLICADO
Esta é uma parte de suma importância para que o arco tenha maior durabilidade.
Como é uma peça elaborada com materiais naturais e com aplicação de produtos
à base de água, a umidade é o seu maior inimigo. Os índios americanos
tornavam o arco resistente à umidade esfregando várias demãos de gordura de
urso ou outros tipos de gordura animal. Os europeus usavam o se chama de "French
polish", que a combinação de óleo de linhaça e goma-laca. Esta mistura
em igual parte de óleo de linhaça e goma-laca deverá ser esfregada no arco em
mais ou menos uma dúzia de vezes para se obter uma proteção satisfatória. Os
mais modernos bowyers, apesar de arqueiros primitivos, dão uma boa cobertura de
poliuretano. Especial cuidado deverá ser dispensado aos nocks (lugar onde
encordoa-se o arco).
Com o arco pronto talvez gostaria de dar um toque de classe no mesmo, calçando
o punho com couro. Uma vaqueta seria ótimo. O
couro poderá ser colado ou, de preferência, costurado, à mão, no
punho do arco. Isto lhe dará uma maior
confiança na empunhadura. A costura deverá ser efetuada com duas agulhas e
linha de sapateiro grossa, semelhante as que usam para costurar bolas de
futebol.
APLICAÇÃO DE COURO CRU
A
aplicação de couro cru segue um processo semelhante. Poderemos chamar de couro
cru para aplicação em arcos, não aquele couro de gado ou animal silvestre
seco. É uma espécie de couro especial clarificado, meio transparente muito
usado para confeccionar maletas de couro de excelente qualidade. Temos
informações de uso bem sucedido daqueles couros industrializados na forma
daqueles ossos grandes para cachorros fortalecerem seus dentes tentando
roê-los.
O
couro cru é um material inerte. Inerte pois não irá adicionar, como o sinew,
força alguma ao arco. Poderá até diminuir um pouco a força do arco. A
relação custo/benefício da sua aplicação é somente uma: irá manter as
fibras da madeira no seu devido lugar evitando de quebrar o arco, se, e somente
se, você seguir o sábio conselho de, ao desbastar a peça de madeira para
fazer o arco, seguir as linhas dos anéis de crescimento da madeira. Se você
cortou-a transversalmente ou em uma determinada parte do arco você desviou de
seguir esta recomendação, o couro cru pouco ou nada poderá fazer para salvar
seu arco e você ficará frustado. Portanto se você tem a intenção de fazer
uma aplicação de couro cru no seu arco – siga esta recomendação e o mais
importante: em face da perda de força do mesmo, altere as medidas do arco para
fazê-lo mais forte. Se ficar mais forte do que você possa vergá-lo, é só
desbastá-lo no ventre até chegar ao seu ponto ideal.
Você precisará de duas tiras do couro cru cortadas um pouco mais largas do que
o seu arco e pelo menos a 50% maior do que cada lâmina. Mergulhe as tiras em
água morna por uma meia hora para que amoleçam. Enquanto elas ficam de molho,
você pode ir preparando as costas de seu arco para receber a aplicação,
raspando e lixando com uma lixa grossa.
Fixe então o seu arco em uma morsa com a sua barriga para baixo e aplique a
cola de couro em toda extensão de suas costas. Não use epoxi. Não
funcionará. Use sempre cola de
couro elaborada naturalmente. Aplique
também uma demão de cola nas tiras de couro. Fixe o couro nas costas do arco e
aplique outra demão de cola por cima e retire o excesso com os dedos.
Semelhante à aplicação com sinew, envolva o arco todo em uma bandagem larga
para assentar perfeitamente o couro nas costas do arco. É uma operação bem
lambuzada, mas necessária. Os excessos de cola e couro poderão ser lixadas
depois. Lembre-se: a cola de couro leva cerca de uma semana ou mais para ficar
completamente seca!
A
finalização do processo é a mesma da aplicação do sinew.
A vantagem de se fazer um arco maior do que o normal é a seguinte: se o
arco ficar muito fraco e não se puder desbastar muito o seu ventre, você tem
ainda uma última alternativa: poderá remover uns três ou seis centímetros
das pontas. Com isto ele ficará mais forte.
Outro ajuste importante que poderá ser feito no arco é a correção da
lâmina. Se a lâmina do arco, quando o mesmo estiver encordoado, estiver
virando para um lado, deslocando a corda fora do eixo central do arco, retire um
pouco de madeira na lateral oposta. A lâmina do arco torcerá para o lado mais
fraco. Faça isto com moderação até a corda voltar ao eixo central, um pouco
de cada vez e vá checando até conseguir a correção desejada.
A CORDA DO ARCO
Os antigos arqueiros ingleses e índios americanos usavam para elaborar a corda
de seus arcos o sinew torcido, couro cru, seda, e outros estranhos materiais,
até mesmo algumas raízes fibrosas. O índio sul-americano também usa fibras
muito parecidas com o sisal. Hoje confeccionar uma corda para um arco primitivo
é um trabalho extremamente cansativo (o próprio arco o é) e somente
compensará palmilhar por esse caminho se você for extremamente
fundamentalista, um purista. Por outro lado é bem mais simples optar para
materiais mais modernos neste caso, como o Dacron B50, um derivado do polyester.
O material mais moderno é o Fast Flight. Contudo para arcos primitivos é um
autêntico destruidor de nocks, quebrando as pontas dos arcos. Outra opção
seria o Kevlar. Contudo, o ideal é você pedir a um amigo arqueiro que possua
um Jig (gabarito) para se confeccionar cordas para arco para, quando aprender,
você fazer sua própria corda. Porque batemos nesta tecla? A razão é simples.
Se confeccionamos um arco fraco, uma corda de poliester será o suficiente.
Contudo em arcos de 35 libras de força em diante, este material será
impróprio para o uso, sendo esticada demais pela força do arco e irá, com
certeza rebentar, e o encordoamento de arco com cordas mais grossas não
deixará você encaixar o nock da flecha. Portanto, nada melhor do que usarmos uma corda confeccionada
com material moderno.
CONCLUSÃO
Se você quiser pular as etapas de extrair da árvore a madeira do seu próprio arco, poderá importar a madeira Osage Orange já semi-acabada e aparelhada (lixada) através da Internet. O bowyer Kevin Chatellier (Chief Paduke Longbows) vende a madeira nessas condições, livro de instruções e ainda fornece a corda, por apenas US$65.00. Você pode escolher comprar só a madeira ou só o livro. Sua página na Internet é acessada no endereço http://www.geocities.com/Yosemite/meadows/2870/.
Outra página excelente sobre construção é a http://snt.student.utwente.nl/campus/sagi/. O autor do projeto dos arcos é Rob McNeur (General Bow Construction FAQ). Bons planos também são encontrados na página www.users.nac.net/. O autor é L.E. Stemmler, sob o título "Essentials of Archery". O artigo traz até como fazer corda, flechas e acessórios à moda antiga. Excelente página de arquearia primitiva é a do PRIMITIVE ARCHER MAGAZINE ( www.primitivearcher.com/.) Contém excelentes artigos extraídos da revista que merecem ser conferidos. Divirta-se!
Veja
um plano de se construir um arcoatravés do link abaixo, por motivo do tamanho
da figura não a colocamos em nosso site: http://www.paulsarcherywebsite.co.uk/images/bowplan.gif
Bibliografia
Para se fazer um
arco primitivo, com mais detalhes, infelizmente, o que existe a respeito é
literatura estrangeira, sobretudo em língua inglesa. Alguns autores e seus
trabalhos, caso você deseje pesquisar algo mais relacionado ao assunto:
·
Jay Massey, The Bowyer's Craft,
Bearpaw Publications, 1987, Girwood, Alaska
·
Jay Massey, The Book of Primitive
Archery, Bearpaw Publications, 1989, Girwood, Alaska.
·
The Traditional Bowyer's Bible, V.1
e 1, Bois d'Arc Press, 1992 e 1993, Azle, Texas.
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