PENSAMENTOS

SUMÁRIO

Baseado no trabalho do Gen R1 Júlio de Oliveira (1984), o qual apresenta uma esmerada coleção de pensamentos e frases ligadas ao cavalo, esta seção tem a finalidade de apresentar algumas idéias e Aforismos sobre a nobre arte.

Esta seção também pode ser chamada de EQUITAÇÃO EM PÍLULAS.

 

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EQUITAÇÃO ENSINO E APRENDIZAGEM
O CAVALEIRO FACULDADES DO CAVALO
DESBASTE E ENSINO ANDADURAS
EQUILÍBRIO AJUDAS LATERAIS E DIAGONAIS
RECUAR TRABALHO EM DUAS PISTAS
SALTO CAVALO DIREITO
LEMBRETES EQÜESTRES  

 

 

 

 

EQUITAÇÃO

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- "O verdadeiro paraíso terrestre reside sobre o dorso de um bom cavalo." (Máxima Árabe).

- Andar a cavalo é estar em contato com um ente cheio de vida e de energia, sensível e delicado, que responde aos nossos mais ligeiros movimentos a que nós dirigimos facilmente, quando somos capazes de o compreender.

- A prática de equitação não exige da parte do cavaleiro meios físicos excepcionais; nem a má conformação, nem o temperamento constituem um obstáculo para impedir a sua prática. Com o exercício higiênico, como ginástica física e mental, tem utilidade manifesta para todos (homens e mulheres, velhos e novos, magros e gordos, altos e baixos).

- A equitação é, sem dúvida, uma autêntica arte e não uma ciência exata, como a matemática, e por isso é um verdadeiro absurdo pretender demonstrar por meio de fórmulas algébricas ou de cálculos de mecânica, os problemas eqüestres.

- O conhecimento da locomoção, das leis de psicologia e da fisiologia animal ajuda muito todos os que se dedicam ao ensino de cavalos ou à sua utilização, mas não pode, por si só, resolver todas as dificuldades eqüestres.

- É necessário evitar aos novos as indigestões da literatura eqüestre. Há indivíduos que lêem tudo, mesmo o que está fora do seu alcance; a sua falta de prática não lhes permite tirar proveito dessa ciência, de modo que essa literatura lhes é mais prejudicial do que útil.

- Em equitação, os bons princípios, bem como os melhores métodos, não tem valor senão pela forma como são postos em prática.

- Em equitação, muitas vezes as explicações que se dão são um amontoado de argumentos sem lógica, que ninguém entende, nem mesmo aqueles que as dão, mas que todos fingem compreender.

- Um cavaleiro, qualquer que seja o seu valor, não é tido como bom pelo público ignorante senão quando se classifica nos primeiros lugares e os jornais citam muitas vezes o seu nome; mas é também conveniente lembrar-nos de que hoje, para alcançar os primeiros prêmios nas competições públicas, é necessário montar muito bons cavalos.

- Não é entre as quatro paredes dum picadeiro que se formam os caracteres audaciosos de que o Cavalaria tem necessidade; é no exterior, montando na dificuldade, em obstáculos e na velocidade, que se adquire a indiferença do perigo, o hábito de dominar as suas emoções, de tomar decisões rápidas, que se adquire sangue-frio, sinal evidente duma vontade forte que nos põe a coberto de qualquer desfalecimento de surpresa.

- Manejar um cavalo é incomparavelmente mais difícil e mais interessante do que guiar um automóvel ou avião. O cavalo é um ser vivo, dotado de vontade própria, de personalidade e de iniciativa e não uma máquina simples, passiva.

- "Em equitação começa-se a saber alguma coisa quando já é demasiadamente velho para poder aproveitar ou tirar proveito disso" (General Domio).

- "Na arte eqüestre, nunca se acaba de aprender." (C. Hanins).

- A equitação violenta da exterior (cross-country, concurso hípico, corridas planas e de steeple) é um desporto verdadeiramente atlético, cuja prática exige ginástica e homens decididos e não mangas de alpaca ou maricas. Sem um bom coração, sem grande espírito de decisão não é possível ser um bom cavaleiro de obstáculos ou jóquei de corridas.

 - Em equitação, tal e qual como na medicina, tudo quanto se sabe é em comparação com o que resta para aprender.

 

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ENSINO E APRENDIZAGEM

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- Não é estudando gramática que se aprende a fazer versos como não é lendo tratados de equitação que se aprende a montar a cavalo.

- "Só mestres de equitação possuidores de algum virtuosismo a cavalo e com uma certa formação científica de homem de cavalo serão capazes de, no ensino, servir de exemplo e de forma professores, por sua vez. Só quem tiver recebido uma tal formação e tiver demonstrado, por meio dum exame, que possui as qualidades referidas, deve, no futuro, ser admitido como mestre de equitação e como instrutor." (C. Von Heydelheche).

- "Pode-se afirmar que, se só com cavalos bem ensinados se podem fazer cavaleiros finos, também só homens peritos na condução do cavalo, isto é, só bons cavaleiros São capazes de bem ensinar cavalos e bem montar a cavalo." (Blaque Belair).

- "Qualquer que seja a clareza duma teoria e a exatidão dos seus princípios, o professor não pode dar a todos os seus discípulos e contelha do fogo sagrado que denota a aptidão; a vocação é que conduz ao sucesso." (Baucher).

- Não é possível fixar no papel os detalhes duma arte primores de execução estão não tanto no conhecimento como na graduação exata e na oportunidade, que passa em um quinto de segundo." (Botin).

- Na aprendizagem da equitação, o cavalo bem ensinado representa um papel tão importante, senão maior, do que o professor.

- Sem uma doutrina e sem um método, aprende-se ou ensina-se a montar a cavalo; fazem-se ou podem-se fazer cavaleiros desembaraçados, capazes de realizar percursos de salto, mas não se fazem artistas ou equitadores.

- "Na aprendizagem da equitação, o trabalho a galope dá uma grande solidez e flexibilidade, sem os inconvenientes do trabalho a trote, sobretudo quando é completado com o trabalho de saltos, que São exercícios magníficos para dar solidez e fazer desaparecer a rigidez a cavalo, isto tanto para homens como para mulheres." (Molier).

- O cavaleiro não está ligado ao cavalo como um centauro; o cavaleiro deve ligar-se aos movimentos do cavalo pelo amortecimento dos seus ângulos articulares. O peso do cavaleiro nunca deve estar em atraso sobre o movimento do cavalo.

- "A solidez a cavalo não é mais do que equilíbrio e flexibilidade, isto é, boa colocação, habilidade e sangue-frio." (A Botin)

- "Em equitação não há receitas, o que há a fazer é muitíssimo simples. A dificuldade principal reside na maneira de o fazer, porque entre fazer bem e fazer mal a diferença muitas vezes é mínima." (Botin)

- "Em equitação, a exibição de complicadas teorias muito científicas é sempre sinônimo pedantice." (Botin)

- "Não se pode ensinar teoricamente uma arte que é essencialmente prática e experimental." (A Botin)

- O trabalho sem estribos, na aprendizagem da equitação, tem grandes vantagens quando é praticado por cavaleiros ou principiantes que já tenham uma certa confiança e flexibilidade, para poder suportar o trote sentado sem grande fadiga e apreensão.

- A principal preocupação do mestre de equitação, com principiantes, é evitar que eles caiam, para perderem o medo ou apreensão, isto é, para adquirirem confiança.

- "A rotina, no que diz respeito ao ensino da equitação e às práticas eqüestres, sobretudo, é imensamente difícil de desenraizar!" (Gen L. Hotte)

- O bom mestre de equitação possui uma doutrina, segue um método e tem o sentimento das possibilidades. Sabe o que está a fazer e por que o faz. Nas suas exigências emprega tanto paciência como firmeza. Inspira confiança aos alunos. Sabe dar-lhes o gosto do cavalo e do obstáculo, evitando com maior cuidado os acidentes e as causas de indisponibilidade.

- O bom mestre sabe dar um caráter atraente à instrução, retifica as faltas dos alunos sem aspereza nem maus modos; a instrução de equitação é mais um recreio do que uma formatura militar, em que se está na posição de sentido. A sua principal preocupação, no princípio, é evitar quedas que desmoralizam o principiante.

- O trabalho sem estribos contribui muito para a solidez dos cavaleiros, mas só deve começar a ser empregado, primeiro a passo e depois nos andamentos vivos, depois de os cavaleiros demonstrarem, pela sua atitude, que já não tem medo de cair.

- É conveniente fazer abandonar as rédeas sobre o pescoço com bastante freqüência, para que os principiantes não tomem o mau hábito de se servir delas para se agüentarem em cima dos cavalos. As rédeas servem para dirigir o cavalo, não são meios de firmeza.

- A instrução eqüestre da mocidade, na sua função educativa, não deve Ter a pretensão de formar equitadores ou acadêmicos; o seu fim é fazer cavaleiros enérgicos e desembaraçados e, portanto, é pela prática da equitação larga de exterior, por meio da equitação desportiva, que se desempenha a sua missão educadora de cultivar o desembaraço físico e moral da juventude.

 

 

 

 

 

 

O CAVALEIRO

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- O trabalho de picadeiro dá ao cavaleiro mais correção na sua posição, mais precisão nas suas ajudas e reflexão sobre o emprego das forças do cavalo.

- "A espora é um reforço da ação da perna; quer como ajuda, quer como castigo, não deve ser aplicada com crueldade com que os magarefes cortam a carne no açougue." (Botin)

- As esporas nunca devem ter as rosetas afiadas, de forma a poderem anavalhar os flancos do cavalo e enchê-los de sangue, como fazem os nossos cavaleiros tauromáquicos. 

- Os estribos muito curtos, embora dêem fixidez às pernas do cavaleiro, comprometem a sua solidez; em paragens bruscas, corre-se o risco de sair pelas orelhas; os estribos muito compridos comprometem a fixidez das pernas e abrem demasiadamente os ângulos do tornozelo e do, joelho, tirando-lhes a elasticidade.

- É sempre preferível pressentir e prevenir as resistências do cavalo do que ter necessidade de as combater; mas isto só é possível ao cavaleiro com o tato apurado obtido à custa duma longa prática no ensino.

- Considerar-se como axioma que um cavaleiro verdadeiramente bom não se faz em menos de 5 anos e que um cavalo de obstáculos não pode ser um autêntico craque antes de 3 anos de prática.

- Mãos sem pernas e pernas sem mãos é uma regra fundamental da equitação corrente ou utilitária. Na impossibilidade de conseguir de cavaleiros de aptidões e recursos modestos um perfeito acordo de ajudas, a única forma de evitar o seu desaturdo é adaptar este princípio fundamental.

- "O grande mal das opiniões dos cavaleiros categorizados é sempre eles julgarem que São os únicos detentores da verdade, que os seus métodos e processos São os únicos bons e os outros todos ignorantes e desajeitados." (Rau)

- "Todos aqueles que praticam uma equitação muito complicada não tem probabilidade de triunfar." (Rau)

- "Desde que deixa de aprender, o cavaleiro começa a esquecer; a capacidade para continuar sempre a prender é que indica o verdadeiro talento." (A Botin)

- "Há muitos cavaleiros que em cima dos cavalos procedem muito mais irracionalmente do que suas cavalgaduras." (A Botin)

- A posição do cavaleiro deve ser natural e fácil, isenta de pretensão, de dureza e de rigidez; a colocação a cavalo deve ser caracterizada por uma grande flexibilidade geral e pela elástica adaptação aos movimentos do cavalo; a rigidez do cavaleiro só pode causar prejuízos à sua solidez e lesar o próprio cavalo, fatigando-o e ferindo-o.

- Para chegar a ser um verdadeiro equitador ou autêntico acadêmico, é necessário não só Ter muita aptidão natural, muito amor ao trabalho e tenacidade, muitos anos de meditação e de observação, mas também saber escutar o que nos ensinam os mestres, as pessoas com mais experiência e prática do que nós; e é necessário também não se entusiasmar ou envaidecer com os elogios que nos dirigem os ignorantes ou os sabichões, isto é, os que tem pretensões a grandes entidades, cujas lisonja o nosso amor-próprio nos predispõe aceitar.

- "Na equitação acadêmica, as deslocações do assento São proscritas em todas as circunstâncias; o cavaleiro deve manter manter-se sempre ligado ao cavalo. As operações das mãos e das pernas devem ser bastante sempre senetas, de modo a não se dar por elas à vista." (Gen L. Hotte)

- O cavaleiro que se dedica ao ensino de cavalos tem absoluta necessidade de ser firme sem violência, de ser enérgico sem rudeza, de ser paciente e perseverante.

- O homem que ensina cavalos tem necessidade de ser paciente e, por vezes, de proceder com vigor, sem nunca ser brutal, de possuir um grande domínio sobre si próprio, tão comedido nas suas exigências como nas correções que aplica.

- O tato eqüestre, que é, como foi magnificamente definido pelo G.L. HOTTE, o sentimento seguro do propósito e da medida no emprego das ajudas, adquire-se apenas à custa duma grande prática e não a estudar nos livros doutrinas científicas. É uma qualidade feita de finura na percepção de sensações que revelam tanto o começo das resistências do cavalo como a sua submissão. Só tato permite pressentir ou adivinhar a menor resistência e pôr em prática o grande princípio do ensino "ceder, desde que o cavalo cede".

- A melhor qualidade física do cavaleiro é a sua flexibilidade ou descontração geral, pois só lhe pode assegurar uma completa independência das ajudas e lhe dá o tato necessário para combater as reações do cavalo.

FACULDADES DO CAVALO

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- O cavalo é tímido por natureza, talvez um pouco em conseqüência de ter má visão.

- O cavalo tem medo de tudo quanto lhe seja desconhecido. O potro que acompanha a mãe nunca se espanta e passa por todos os pontos por onde passa a mãe sem se espantar.

- "Os cavalos árabes, educados na família, compartilham da sua tenda; camaradas das crianças, que brincam entre suas pernas, e como os antigos centauros, não tendo nunca recebido dos donos senão carícias e boas palavras, São duma inexcedível mansidão." (F. Blanchod)

- "Um dos característicos sinais da raça pura (árabe) é a maneira de trazer a cauda horizontal durante marcha." (F. Blanchod)

- O cavalo tem sido desde os mais remotos fiel colaborador do homem nos árduos trabalhos da paz e o seu mais heróico companheiro nas lides guerreiras, consagrado pelos poetas como símbolo da nobreza e da bravura e instalado em todas as épocas da História com monumentos grandiosos.

- "Está muito generalizada a crença de que os cavalos curvos são muitos perigosos, porque caem freqüentemente; mas afinal de contas não caem nunca, ao contrário do que sucede com os transcursos, que muita gente supõe seguros e que tropeçam freqüentemente." (A Botin)

- O cavalo não é naturalmente mal-intencionado; quando se torna agressivo para o homem, é sempre por culpa deste o ter tratado com brutalidade e brutalidade e violência escusadas.

- "O cavalo, contrariamente ao homem, não reflete; pelo contrário procede por associação de sensações recebidos e isto em função da prodigiosa memória de que é dotado." (R. de Wech)

- Qualquer que seja a raça, o cavalo não está normalmente feito antes de completar 6 anos de idade.

- "O cavalo é um animal pacífico, nada voluntarioso, que se engana muito facilmente. Se algumas vezes chega a comportar-se como herói é sempre por medo, como alguns homens." (A Botin)

 

DESBASTE E ENSINO

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- Mau humor, azedume, importância, falta de domínio de si próprio tornam impassíveis todos os professores no ensino do cavalo.

- Os meios de que pode dispor o cavaleiro para se assenhorar das forças do cavalo são numerosos; daqui resulta que os métodos de ensino são também em grande número. Os processos próprios de cada um destes métodos de ensino variam na sua aplicação, segundo o grau de submissão que se pretende atingir e são determinados pelas exigências do serviço ao qual o cavalo se destina.

- O cavalo bem ensinado tem sempre os seus movimentos elásticos e suaves.

- "O cavalo bem alimentado desde tenra idade pode ser bem cedo submetido ao trabalho, antes mesmo de ter adquirido o seu completo desenvolvimento. Os músculos do antebraço alargam-se, a articulação do joelho desenvolve-se, o osso da canela torna-se mais denso e mais volumoso; mas é sobretudo o tendão que se alarga e se destaca em notável proporção; o boleto e quartela torna-se mais fortes e mais bem articulados. O cavalo que trabalha todos os dias acostuma-se a grandes fadigas, tem os membros mais fortes do que aquele que trabalha levemente, que está abandonado na pastagem ou fechado dentro da cavalariça. A cavalariça mata mais cavalos do que o trabalho. O repouso é a pior condição para a criação de cavalos. Exercícios e boa alimentação, eis o meio de fazer bons cavalos. Nunca um cavalo trabalha novo demais, quando o trabalho a que se submete é proporcional às suas forças, desenvolvimento físico e quando uma alimentação conveniente separa os desperdícios que experimenta." (Curso de Ciência Hípica, Prestig du Cheval)

- A antemão do cavalo está sempre subordinada ao pós-mão; o pescoço não impõe a direção, da mesma forma que o leme não a impõe a um barco parado.

"As ancas do cavalo são o foco da impulsão, ao mesmo tempo que constituem um autêntico leme, que preside as mudanças de direção, na pós-mão reside o foco de todas as resistências importantes; por isso mesmo a submissão das ancas deve ser pronta e absoluta e deve manifestar-se por uma estrita obediência às pernas do cavaleiro". (B Belair)

- As ancas do cavalo são o foco da impulsão e de todas as resistências que pode apresentar ao cavaleiro. É, pois, tão indispensável poder facilmente provocar e regular a impulsão como alcançar o fácil e completo domínio das ancas, seja qual for o fim a que o cavalo de sela se destina: passeio, caça, concursos hípicos, torneio ou escola.

- "A utilização das pernas do cavaleiro como agente de direção ou de disposição do corpo impõe-se no princípio do ensino e durante o decorrer deste; mas a substituição progressiva dos efeitos das rédeas aos efeitos das pernas, com este fim, deve ser uma preocupação constante do cavaleiro, de modo que as mãos sirvam para canalizar o esforço impulsivo e às pernas caiba apenas a manutenção ou desenvolvimento da impulsão." (Gen Decarpentry)

- O desbaste de um cavalo novo deve ser feito em bridão. Por mais suave que o freio seja, este castiga sempre muito mais a boca do poldro do que um simples bridão, que se presta muito melhor para que o animal se habitue ao contato de ferros e aos movimentos de mão do cavaleiro, para que se encoste, como se diz entre nós em linguagem eqüestre.

- É evidente que um cavalo pode ser ensinado em menos de 2 anos; mas este espaço de tempo para que o animal possa atingir o seu completo desenvolvimento e chegue progressivamente e sem taras à idade em que possa produzir um trabalho útil e apurado.

- "As encurvaturas do pescoço do cavalo São tanto mais fáceis quanto mais baixo este estiver; São muito difíceis quando o pescoço está elevado. As saliências ósseas de cada vértebra cervical vêm embater contra a vértebra seguinte e por isso impedem a incurvação." (Licart)

- "Sendo uma lei geral a reação a qualquer ação, o cavalo tem tendência natural para responder a uma tensão de rédeas por traição em sentido inverso." (Licart)

- É um disparate de marca maior supor que o emprego da gamarra pode impedir o cavalo de se empinar. Se é fixa ou está muito curta, atua de cima para baixo, o cavalo resiste à sua ação procurando levantar ainda mais a cabeça e, além disso, impede as ações da rédea de abertura, dificultando a execução das voltas; se está comprida, a única ação útil que pode exercer é limitar a elevação da cabeça a um animal que encurva ou bate na mão, e evitar que o cavaleiro receba na cara ou no peito alguma cabeçada.

- "Fazer incidir o peso do corpo sobre o lateral esquerdo, pesando sobre a nádega esquerda, favorece as saídas a galope para a direita." (Licart)

- "Todas as combinações de ajudas que retardam o jogo do lateral esquerdo aliviam o lateral direito e acentuam o seu movimento para a frente; e por isso São próprias para determinar as saídas a galope." (Licart)

- Diz um velho ditado que as palavras suaves e diretas abrandam a ira e a cólera. Foi naturalmente por esta razão que Plutarco, o célebre historiador grego, afirmou que os cavalos se governam com o freio e a ira e paixões dos homens se abrandam com as boas palavras.

- "Desde que se obtém do cavalo uma prova de obediência, testemunhar-lhe o nosso contentamento afagando-o dando-lhe um momento de repouso." (Xenofonte)

- O ensino de um animal como o cavalo, que é simultaneamente tão vigoroso como pouco inteligente, não constitui uma questão de força, pois é, sobretudo, um problema de observação de reflexão, de paciência e de método.

- "É um disparate pretender elevar a força o pescoço e a cabeça do cavalo antes de ser capaz de fazer avançar os posteriores para debaixo da massa. A elevação correta do pescoço e cabeça é a capacidade da pós-mão para suportar o peso. A antemão é aligeirada pela pós-mão, isto é, pelo avanço dos posteriores. A elevação do pescoço deve fazer-se progressivamente no decorrer do ensino, à medida que a pós-mão se torna apta para dobrar e portanto para se abaixar. Não é a elevação do pescoço, é o abaixamento das ancas que constitui o fim a atingir." (Decarpentry)

- " Não confundir dominar com brutalizar. Pode-se dominar um cavalo sem nenhum ato de brutalidade, ao passo que se pode atuar brutalmente sem por isso dominar." (Cel Joussame)

- "Não há cavalos com a boca dura, o que há é cavaleiros com a mão pesada." (Licart)

- "É sempre o absurdo da mão que provoca resistência ou defesas." (Licart)

- "Com cavalo que não conhece ainda a ação das pernas, levá-lo para diante com a chibata e a voz. Para forçar o movimento para diante em caso de hesitação, para corrigir uma falta ou uma defesa, é preferível utilizar a chibata que não provoca o efeito irritante da espora." (Baille)

- "Numa certa altura convém utilizar, no trabalho de picadeiros, quase simultaneamente as rédeas de oposição, especialmente a rédea contrária que equilibra o cavalo sobre a pós-mão e facilita a volta atirando a cabeça do cavalo do lado oposto (gesto natural do cavalo)." (Baille)

- "Preceito fundamental do ensino: pedir muitas vezes, contentar-se com pouco, recompensar muito." (Faverot de Reshello)

- "É indispensável dar ao cavalo o refluxo do movimento para a frente, isto é, a obediência imediata à ação simultânea das duas pernas. A preocupação do movimento para a frente durante todo o ensino, e particularmente no princípio, deve ser constante. Portanto, há necessidade de criar no cavalo o reflexo instantâneo que permitirá a verdadeira impulsão e eliminará o espírito de revolta." (Cel Joussame)

- "Para que o cavalo trabalhe alegremente é indispensável não o fatigar. É preferível dar duas lições por dia de 30 a 35 minutos, a dar uma só de 1 hora. Os progressos são muito mais rápidos." (Cel Joussame)

- "Se um cavalo pesa na mão, o remédio não é exercer tração sobre as rédeas. Recusar em todos os casos ao cavalo apoio exagerado que ele solicita. Efetuar rupturas de contato sucessivas." (Licart)

- "Os vícios da boca do cavalo estão sempre nas mãos de quem o monta ou de quem o montou antes." (A. Botin)

- Para que o cavalo perceba claramente as indicações ou ordens do cavaleiro e para que este possa sentir o movimento e possa atuar no momento conveniente, é indispensável que o cavalo aceite francamente a ação da mão do cavaleiro, isto é, que se encoste.

- no ensino do cavalo e indispensável haver uma sábia progressão muito graduada; para atingir sem lutas o fim que se pretende, é sempre preferível prevenir as faltas a ter de combatê-las; e quando é necessário corrigi-las, a correção deve ser aplicadas com peso, conta e medida.

- "As lições de picadeiro devem ser de curta duração, o cavalo deve entrar na cavalariça tão alegre como saiu; o trabalho exterior deve, porém, prolongar-se com vantagem para as forças do cavalo e de sua saúde." (L' Hotte)

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ANDADURAS

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- Não é possível obter um passo largo sem deixar ao cavalo uma grande liberdade de pescoço, de modo que o possa colocar baixo e estendido e permitir-lhe as suas características oscilações.

- "Para forçar o cavalo a alargar o passo, o cavaleiro deve permitir-lhe uma completa extensão de pescoço." (General J. de Benoist)

- Ao passo, o abaixamento do pescoço corresponde à elevação de um músculo anterior; a sua elevação corresponde à elevação de um posterior.

- " O cavalo deve ser conduzido a passo de rédeas juntas ou tensas em 3 casos: perto de um objeto que pode assustá-lo, quando marche sobre uma estrada escorregadia, ou quando está muito fatigado." (R. de Weck)

- Descer e subir rampas ásperas ao passo é um exercício magnífico para ginasticar e equilibrar um cavalo novo; nas descidas, praticar paragens freqüentes e prolongadas; descidas e paragem obrigam o cavalo a entrar fortemente com os curvilhões para debaixo da massa e a agüenta-se com os anteriores sob a antemão e a produzir um esforço muscular grande de posteriores.

- As andaduras verdadeiramente úteis dos bons cavalos de sela são: o passo naturalmente largo, o trote curto e o galope corrente, fácil e amplo.

- As andaduras de escola são as andaduras naturais concentradas, portanto curtos, com acentuada flexão das ancas e sobrecarga da pós-mão, no equilíbrio sobre as pernas. 

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EQUILÍBRIO

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- Há uma diferença muito grande entre o equilíbrio estático do cavalo parado ou imóvel e o equilíbrio dinâmico do cavalo em movimento.

- O equilíbrio é, para o cavalo em movimento, o domínio da sua massa, que lhe dá a possibilidade de acelerar ou demorar o andamento, de fazer uma volta apertada, de bem dispor das suas passadas para enquadrar o obstáculo, isto é, para chegar bem, ou seja, na passada justa ou ótima.

- A estabilidade é permanente; o equilíbrio é um estado sem cessar variável e que não vale senão na medida e para a duração da entrada dos posteriores abaixo da massa. Esta estrada dos posteriores é, pois, o ponto crucial do cavalo de sela.

- "O equilíbrio ao galope é a entrada dos posteriores para debaixo da massa. Um cavalo com mais espáduas pode ser um bom saltador, mas com curvilhões francos que não permitam a fácil entrada dos posteriores, nunca pode sê-lo." (Comte Brousset)

- O trabalho exterior, sobretudo a passo e a galope, e através de terreno acidentado, obrigando o animal a mudança de equilíbrio contínuas, é uma magnífica escola para ginasticar e equilibrar um cavalo.

- Quando o cavalo tropeça ou põe uma mão mal posta, é necessário soltar-lhe as rédeas, permitindo-lhe que se equilibre com os movimentos do pescoço, e não agüentá-lo ou levantá-lo com o emprego das rédeas, pois isto só pode contribuir para que ele caia mais depressa.

- Obrigar o cavalo a trabalhar em bases curtas e em bases compridas é um dos melhores processos para o equilibrar; alongar e aumentar alternada e freqüentemente os andamentos é a melhor ginástica para conseguir a flexibilidade da coluna vertebral no sentido longitudinal para o confirmar na obediência às ajudas e para lhe cadenciar os andamentos. Nos encurtamentos de andamentos deve-se procurar obter uma diminuição da passada sem diminuir a cadência nem a impulsão. Nos alargamentos deve-se procurar o alargamento da passada e não a sua precipitação. A aceleração e o encurtamento dos andamentos devem ser sempre feitos progressiva e suavemente, sem reflexões, com graça e elasticidade.

- "Com todos os processos que colocam o instinto de conservação a serviço do ensino (L. de Sevy), o trabalho sobre descidas produz excelentes resultados: obriga o cavalo a entrar com os posteriores sem resistências possíveis." (Licart)

- "O ensino do cavalo tem por objeto principal o restabelecimento das proporções naturais de peso entre a antemão e a pós-mão. Este resultado não se pode obter senão pela entrada dos posteriores para debaixo da massa e pela elevação da base dos pescoço, duas coisas que jogam ou estão a par." (Licart)

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AJUDAS LATERAIS E DIAGONAIS

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- "São mais aparentes do que reais as distinções estabelecidas por diversos autores entre a equitação lateral e a equitação diagonal. Quando à colocação lateral da cabeça do lado da mão para que se trabalha, em conseqüência do emprego da ajuda diagonal, cômodo para produzir mas impraticável nos andamentos rápidos, julgamos que se deve renunciar a isso, como um erro do passado inaplicável na equitação de exterior." (Favorot Rerbrecht)

- "As ajudas diagonais são empregadas momentaneamente para submeter as molas e chegar à posição direita. As ajudas laterais são, a maior parte das vezes, ajudas determinantes. As ajudas diagonais, mais raramente empregadas a apenas depois que o cavalo começa a concentrar-se, servem para obter efeitos de concentração. As ajudas laterais são ajudas de impulsão, as ajudas diagonais são delicadas e arriscam-se a extinguir a impulsão; é necessário servir-se delas com grande prudência." (P. Crrant)

- "As ajudas laterais, ampliando as ondulações vertebrais naturais, favorecem a propulsão, tração dos membros, extensão dos gestos, desenvolvem a amplitude dos andamentos. As ajudas diagonais, pelo contrário, contrariam as ondulações vertebrais naturais, prejudicam a extensão dos gestos e propulsão nos andamentos simétricos (passo e trote), prolongam o apoio das diagonais, encurtam os andamentos, colocam o cavalo sobre as pernas, contribuem para a concentração de forças." (Licart)

- "As ações diagonais, conseqüência dos efeitos que produzem, contrariam a posição direita do corpo do cavalo e, portanto, não devem Ter um emprego habitual. O seu emprego é momentâneo e pode, de fato, contribuir para chegar à posição direita, mas desde que aparece uma resistência e que é necessário dominá-la, é indispensável o emprego da ajuda lateral, rédea e perna do mesmo lado." (Gen L'Hotte)

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RECUAR

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- Como ginástica, o recuar é quase tão importante como o exercício "espádua adentro"; no entanto, oferece o perigo de predispor os animais para recuar e para ensiná-los a defenderem-se, quando não é feito com o maior cuidado. Durante o desbaste, é preferível não o executar senão à mãos. Montado, só deve ser exigido mobilizadora das pernas do cavaleiro.

- As vantagens do recuar não resultam do grande número de passos seguidos que se executam em marcha retrógrada. A magnífica ginástica que o recuar representa para o rim do cavalo e para a sua pós-mão é dada, principalmente, pela freqüência de alternar a marcha retrógrada como movimento para a frente, reduzindo o número de passos que se dão para trás e para diante.

- O cavalo deve recuar pronto a passar instantaneamente ao movimento para a frente e os seus membros não devem arrastar-se.

- O recuar por pequenos passos precipitados indica acuamento e apresenta dificuldades no retomar o movimento para a frente.

- O recuar mal executado traz quase sempre como conseqüência colocar o cavalo atrás da mão e predispô-lo para se defender; desde que, ao recuar, o cavalo não se mostra sempre pronto a ir para diante à ação das pernas, está no melhor caminho para se defender.

- "O recuar correto constitui um dos meios mais eficazes para o desenvolvimento da flexibilidade do rim e da pós-mão, ao passo que o seu emprego, quando é praticado em más condições de execução, é, pelo contrário, pernicioso para esse desenvolvimento." (Gen Decarpantry)

- Em geral, os cavalos saem mais facilmente ao trote do recuar do que da paragem, por isso que quando o recuar é fácil e correto se faz por diagonais associadas.

- No recuar correto ou em equilíbrio, o cavalo recua por passadas amplas e nitidamente diagonalizadas, quando recua assim, a saída para diante não tem dificuldades.

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TRABALHO EM DUAS PISTAS

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- Trabalho de duas pistas, nos 3 andamentos, é o elemento básico da alta escola clássica.

- "Os exercícios de duas pistas devem fazer parte integrante da ginástica hípica. Contribuem para o aperfeiçoamento no sentido do equilíbrio." (B. Langlois du Fen)

- "A espádua adentro, escreve La Gueriviere, é um movimento oblíquo e circular, mas a sua obliqüidade é o elemento novo na progressão do ensino, ao passo que a incurvação ou curvatura é a conseqüência da ginástica prévia do cavalo sobre as curvas, de que a espádua adentro é, para La Gueriviere, inseparável (Gen Decarpentry)

- Desde que o cavalo, no decorrer de qualquer trabalho, procura tomas um apoio exagerado sobre a mão, colocá-lo no movimento de "espádua adentro" fá-lo aligeirar, porque a sua massa desloca-se de lado, isto é, em sentido diferente da direção geral do movimento, não pode utilizá-la para pesar sobre a mão e torna-se ligeiro.

- O trabalho de duas pistas a galope, desde que o cavalo o execute facilmente a passo e a trote, não tem dificuldade alguma, visto que naquele andamento o cavalo se desloca lateralmente sem necessidade de cruzar os membros, que é a única dificuldade (maior) do trabalho de duas pistas.

- "As espáduas adentro correta deve considerar-se a base do ensino do cavalo." (Steirhrechet)

- "Os andamentos livres e estendidos, no trabalho de duas pistas, constituem uma insensatez, porque não permitem a flexão necessária para este trabalho. Na espádua adentro correta, o movimento, em lugar de ser livre e estendido, é levantado quanto o permite o grau de concentração." (Steirhrechet)

- "A utilidade prática dos andamentos de lado é tão grande que se pode avaliar completamente o ensino dum cavalo segundo o seu grau de perfeição. A correção da sua execução permite considerar como terminado o trabalho de baixa escola, porque exige uma obediência completa à mão e à perna e me grau de flexão e de concentração suficiente para colocar o cavalo em equilíbrio sobre as pernas." (Steirhrechet)

- "A espádua adentro correta, base do ensino, dá às espáduas e ao mesmo tempo a todos os membros do cavalo, a sua liberdade; mas não é em conseqüência do movimento lateral, é em conseqüência da flexão e da concentração que ela comporta obrigatoriamente." (Steirhrechet)

- "É necessário que a espádua adentro constitua a lição inicial e fundamental não somente dos movimentos de duas pistas, mas em geral de todos os exercícios corretos de baixa e alta escola, por isso que é unicamente por ali que se estará seguro de obter, duma forma progressiva e perfeita, a flexão das costelas e dos posteriores." (Steirhrechet)

- A incurvação lateral sobre o círculo "é a base de exercício espádua adentro". (Gen Decarpentry)

- A espádua adentro é não só o exercício ginástico mais completo para obter a flexibilidade da espinha dorsal e dos posteriores, como o mais seguro processo de domínio sobre o cavalo.

- "É na verdade espádua adentro que se realiza o supremo grau de flexão das costelas e de flexibilidade do posterior interno, sem prejuízo algum para a correção do movimento para a frente." (Steirhrechet)

- "Entre os efeitos desse precioso exercício que é "a espádua adentro", deve considerar-se como principais a aproximação dos membros do lado em que o cavalo está curvando e que conduz à concentração (rassembler) e a flexão da sua espinha dorsal desenvolve a flexibilidade lateral do seu corpo." (Gen Decarpentry)

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SALTO

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- " muito garanhões saltadores transmitem freqüentemente aos seus filhos a aptidão para obstáculos." (Chassey)

- " Sem dúvida alguma, consultando as listas dos ganhadores em obstáculos nos últimos anos, nós constatamos que, entre eles, figuram em larga escala os anglos-árabes ou os que tenham essa ascendência." (Chassey)

- Entre os cavalos de concurso é freqüente encontrar bastantes que correm loucamente sobre os obstáculos, o que é conseqüência duma preparação apressada e pouco cuidada, e muitas vezes também dos animais começarem a fazer percursos antes do tempo.

- Para corrigir ou atenuar este defeito, é necessário saltar obstáculos pequenos, sobretudo ao trote, parando entre cada obstáculo, não saltando senão quando o animal estiver calmo e equilibrado. Sempre que ele procura apoderar-se da mão, é necessário parar diante do obstáculo, recuar, até que se acalme e se descontraia. Habituar o cavalo a, entre dois obstáculos, aceitar demoras no andamento ou paragens progressivas, sem exercer grandes brutalidades com a mão.

- "Saltar em galope curto dá confiança ao cavalo novo. Saltar em galope largo em cavalos novos e inexperientes, provoca-lhes uma grande excitação e nervosismo." (P. Suryttse)

- Todo cavalo brando acaba por correr sobre os obstáculos com o tempo e a prática. Ter cavalos a querer engolir os obstáculos é fácil; o que é difícil é tê-los a saltar em galope curto.

- "Não se deve entrar em concurso com um cavalo prematuramente preparado; se não está ainda em boas condições, não deve entrar, de contrário isso só serve para o prejudicar." (Rau)

- "O cavalo de obstáculos necessita possuir, em obstáculos complicados, um poder de apreciação e um sentimento da distância acima do vulgar. Percursos que comportem muitos duplos e triplos exigem cavalos superiormente rotinas; não basta Ter um grande poder a saltar, é necessário possuir uma grande dose de calma e sangue-frio". (Rau)

- Antes de entrar na pista, o cavalo de concurso, sobretudo quando é novo e excitável, tem de ser bastante aquecido, sobretudo com trabalho de obediência e de flexibilidade.

- Exatamente como os atletas humanos, os cavalos de concursos necessitam possuir uma grande flexibilidade. É essencial dar-lhes um trabalho aturado para que se tornem compreensivos, obedientes e elásticos.

- "Saltar a trote obriga o cavalo a levantar as espáduas e a bascular, ao mesmo tempo contribui para acalmar os animais ardentes e violentos (G. de Vallerin)

- No ensino do cavalo de obstáculos, tem uma importância fundamental as extensões do pescoço, os alargamentos e encurtamentos de andamentos e o trabalho das voltas com as rédea contrária.

- O trabalho de picadeiro é indispensável ao cavalo de obstáculos, para lhe dar flexibilidade e submissão. Mas só o trabalho sobre obstáculos fixos (em liberdade e à guia sobretudo) com todos os inconvenientes que comporta, lhe pode dar o respeito do obstáculo

- É um axioma elementar afirmar-se que o cavalo salta melhor qualquer obstáculo sem ter nada sobre o seu dorso, do que quando suporta o peso do cavaleiro, mesmo que este seja um autêntico virtuoso do hipismo. Por isso mesmo há sempre conveniência em começar a instrução do cavalo destinado a concursos hípicos com saltos em liberdade ou à guia, sem o cavaleiro em cima.

- Ao cavalo de obstáculos não basta conhecer bem o mecanismo do salto. É-lhe necessário adquirir as qualidades morais indispensáveis a todo o cavalo de concurso a calma, a impulsão, a franqueza, o respeito do obstáculo, desenvolvendo ao mesmo tempo a sua agilidade e a faculdade de dispor em todas as circunstâncias do seu peso e do seu cavaleiro.

- A mocidade atual nega a necessidade do ensino. Para ela, basta apenas saltar a torto e a direito, qualquer que seja a sua inexperiência e a falta de maneabilidade dos seus cavalos. Esta doença não é nova.

- O Conde d'Aure já escrevia: "Não é andando em correrias loucas, saltando a torto e a direito numerosos obstáculos, que se fazem cavaleiros ousados e hábeis. Com este sistema fazem-se casse-cou, não tendo a menor idéia da condução e que arruinam cavalos em pura perda."

- Não virá à idéia de nenhum atleta treinar-se para qualquer desporto sem a prática diária da educação física.

- O ensino do cavalo não é senão ginástica destinada a temperar as suas forças, ginástica as suas articulações, fortificar as suas partes fracas, para obter uma perfeita harmonia no esforço, desenvolvendo as suas faculdades morais de forma a obter com prontidão e ligeireza uma obediência absoluta às menores indicações do cavaleiro.

- "É a repetição de esforços insignificantes, mas múltiplos, que muscula o cavalo e cria os reflexos úteis, únicos, capazes da instantaneidade e, por conseqüência, da destreza". (Gen Douro - Prertige dudieval)

- Nos concursos hípicos, as dificuldades acumuladas desde o início até o fim das provas obrigam o cavalo a estar constantemente em equilíbrio, para realizar verdadeiras acrobacias, que impõem ao cavaleiro uma suprema tensão de espírito e de músculos, exigindo tenacidade, espírito de decisão e saber.

- A prática dos obstáculos exige não somente um equilíbrio permanente em todos os andamentos, mas um grande poder sobre os obstáculos, indispensável para afirmar as boas qualidades do cavalo de sela.

- O jogo do balanceiro cervical tem uma importância capital.

- A dureza da mão do cavaleiro provoca sempre uma rigidez geral; a utilização de embocaduras violentas ou sistemas de rédeas muito severas, bem como intervenções brutais da mão do cavaleiro, prejudicam os gestos do balanceiro, contrariam os seus movimentos de extensão e provocam psiquicamente a criação de reflexos instintivos do cavalo para se servir do pescoço.

- Sobretudo quando o cavalo aborda o obstáculo na passada justa ou ótima, se o gesto de extensão do pescoço não é nele um reflexo instantâneo, o salto é sem dúvida prejudicados gravemente.

- O objetivo fundamental do ensino de obstáculos é conseguir do cavalo montando o equilíbrio do cavalo em liberdade. O exercício de saltar em terreno acidentado pequenos obstáculos dá magníficos resultados.

- "O cavalo rápido em concursos é o que se fica ao abordar o obstáculo; é aquele que há necessidade de empurrar com as pernas e não aquele que a gente tem necessidade de moderar, que tem tendência para forçar a mão e para fazer as voltas largas." (Gudin de Vallerin)

- Os cavalos não nasceram acrobatas nem contorcionistas; se alguns chegam a ser saltadores magníficos e outros a executar brilhantes exercícios de equitação de fantasia, nem todos podem atingir essa craveira, por falta de qualidades naturais, assim como nem todos os homens podem ser poetas, doutores, músicos ou campeões olímpicos. Há cavalos muito bem conformados sem qualquer aptidão para saltar, como há alguns de conformação pouco perfeita que se saem maravilhosamente bem de todas as dificuldades.

- No princípio do ensino dos cavalos destinados a concursos, faze-los debutar sobre os obstáculos fáceis e com anteparas, de modo a evitar recusas, ou negas, causas sempre de desordens e de lutas; ao princípio, é sempre conveniente com cavalos novos mostrar-lhes primeiro os obstáculos.

- "A teoria de saltar regularmente obstáculos grandes é má, fatiga os cavalos e não lhes ensina nada. Uma vez por outra, para se habituar a ver um obstáculo maior e não se impressionarem quando lhes aparecer um percurso, é conveniente saltarem um obstáculo de 1,50 a 1,60m" (D'Orgeix)

- A primeira qualidade de um cavalo de obstáculos é a franqueza; por isso o melhor é nunca lhe dar ocasiões de fazer fintas ou recusas; há, pois, vantagem nos primeiros tempos só saltar obstáculos com anteparas e em os mostrar primeiro ao discípulos antes de saltar.

- Os fossos e vales de treino devem ser pequenos, isto é, não devem ser largos nem Ter grande profundidade.

- Em geral, em concursos, muito cavaleiros tomam mal as valas e por isso cometem muitas faltas, abordam-nas com grande velocidade, com os animais muito apoiados na mão, de onde resulta que estes as tomam de largo; ora é necessário soltar-lhes a cabeça, dando-lhes a possibilidade de fazer uma pequena passada, e é necessário, para sair de perto.

- É impossível empurrar bem um cavalo com as pernas com o assento levantado do selim e o corpo muito inclinado para diante. O cavaleiro deve abordar o obstáculo com o corpo apenas ligeiramente inclinado para a frente, para poder empregar as suas pernas.

- "A maior parte dos cavalos que se param, fazem-no com medo do obstáculo, tanto assim que em geral São limpos e não querem tocar; vendo-se em dificuldades, o cavalo prefere parar. A primeira coisa a fazer é não abordar com dificuldades e me seguida demorar ao abordar o obstáculo, mantendo as pernas e impulsão e dando às mãos um apoio fixo." (D'Orgeix)

- Cada cavalo tem uma velocidade normal acima da qual ele se desequilibra. (D' Orgeix)

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CAVALO DIREITO

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- Exatamente como sucede com os homens, há cavalos direitos e cavalos esquerdos, isto é, alguns animais tem a sua coluna vertebral com uma inflexão para a esquerda e outros com essa inflexão para a direita; é, normalmente, um defeito congênito.

- No entanto, convém saber que entre os cavalos predominam os esquerdos, como entre os homens predominam os direitos.

- A posição rigorosamente direita é indispensável para que os movimentos sejam igualmente fáceis para os dois lados, para que a impulsão seja igualmente repartida pelos dois posteriores, para que o peso da massa seja igualmente distorcido e para que o jogo recíproco das espáduas e ancas seja harmônico.

- a curvatura da coluna vertebral tem por efeito sobrecarregar uma espádua e fazer descair a garupa para o lado contrário; esta disposição da espinha favorece as resistências do cavalo e ação das ajudas do cavaleiro.

- Se, na equitação corrente ou utilitária, uma pequena desigualdade não tem importância maior, na equitação acadêmica ou de escola esse defeito assume um aspecto grave, porque prejudica imensamente a simetria dos andamentos naturais, e esta só é possível quando o cavalo está rigorosamente direito.

- Pode-se, no entanto, afirmar que ter um cavalo rigorosamente direito é uma das maiores dificuldades da equitação.

- O caso mais freqüente é o cavalo estar encurvando para a esquerda, isto é, com a cabeça e a garupa para a esquerda e as espáduas descaindo para a direita. Um animal nestas condições volta facilmente para a direita, resiste à perna esquerda e à rédea direita de oposição.

- Para o corrigir , convém insistir com o trabalho de espádua adentro para a direita, trabalho este que coloca a cabeça do cavalo para a direita, obriga as espáduas a descaírem para a esquerda, eleva a garupa para a direita; isto é,. Coloca o cavalo numa curvatura contrária à que apresenta normalmente.

- Nas voltas para a esquerda, o emprego da rédea esquerda direita da oposição impede a garupa de fugir para a esquerda; convém colocar a mão bastante alta para impedir que o pescoço se possa infletir. Nas voltas para a direita empregar a rédea direita de oposição ou intermediária que lançam as espáduas para a esquerda e colocam a cabeça do cavalo a direita, ao mesmo tempo que a garupa se inclina para a direita. Estas ações tendem a corrigir a encurvação defeituosa da espinha do cavalo para a esquerda.

- A correção deste defeito deve ser feita com o emprego da ação das rédeas, procurando obter a translação do peso numa para outra espádua; a ação das pernas apenas para manter a impulsão, elevar o animal francamente sobre a mão.

- "O cavaleiro deve evitar o mais possível a intervenção das pernas endireitar o cavalo; só deve empregar a sua ação simétrica para conservar a impulsão." (Gen Decarpentry)

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LEMBRETES EQÜESTRES

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Nas provas por equipes, é sempre preferível agrupar ou reunir o lote de cavalos mais homogêneos e regulares, isto é, aqueles que no conjunto de provas se comportam com maior regularidade; as provas de equipes São sempre ganhas não por uma outra individualidade brilhante, mas pelo grupo de cavalos e cavaleiros maios regulares e não por um ou dois.

- "Deve-se distinguir a impulsão de propulsão. A impulsão, essência do movimento (Gal. L'Hotte) jato de vapor (Cap. De Brisac), é o influxo nervoso, a energia que aciona a máquina animal. A propulsão é o movimento para a frente produzido por esta energia." (Licart)

- Dá muito trabalho e leva bastante tempo ensinar bem o cavalo, tanto para simples passeios, como para concursos hípicos ou alta escola; escangalhá-lo é extremamente fácil, bastante às vezes 5 minutos de mau trabalho para o desafinar completa e definitivamente.

- O trabalho de picadeiros não constitui um fim em si próprio, é apenas um meio de que nos servimos para preparar o cavalo para a sua melhor aplicação prática.

- Os cavaleiros velhos e experimentados, os verdadeiros equitadores preferem sempre trabalhar na solidão, sem público, que os não arraste com os seus aplausos e incitamentos e exigir dos seus cavalos coisas que não devem nem querem fazer.

- Escolher cavalos apenas pelo seu modelo é um autêntico disparate. As teorias sobre conformação são verdadeiramente enganadoras. Há cavalos muito bem conformados, teoricamente, e que na prática são inaptos para obstáculos ou para trabalhos de escola; outros, pelo contrário, com imperfeições de conformação saem-se maravilhosamente bem de todas dificuldades. Com os homens acontece exatamente a mesma coisa.

- A boca do cavalo é um agente de transmissão das ordens do cavaleiro; quando a boca está contraída, não é possível ter grande ação sobre a massa do cavalo.

- Em equitação, fixidez não significa imobilidade, significa apenas ausência de movimentos inúteis e involuntários.

- "Quaisquer que sejam as resistências e o centro delas, é pela contração do maxilar que elas se manifestam. A boca do cavalo é sempre o centro delas." (Cel Joussaume)

- "É preferível dar duas lições por dia de trinta a trinta e cinco minutos e dar uma só hora. Os progressos são mais rápidos e o cavalo trabalho mais alegremente." (Cel Joussaume)

- Ter um cavalo verdadeiramente direito constitui uma das maiores dificuldades da equitação.

- "Existe um perigo real de estragar cavalos começando a ensinar-lhes movimentos ou ares artificiais antes de estarem completamente sujeitos e elásticos. Todos os que tentam antes do tempo a alta escola, vão mais tarde encontrar dificuldade enormes. Todo o cavalo de escola deve ser, primeiramente, um bom cavalo de exterior confirmado." (Gen Decarpentry)

- O cavalo é fisicamente muito mais forte do que o homem e numa luta de tração sai sempre vencedor; se o cavalo se apoia fortemente na mão, não é exercendo tração para a retaguarda com as rédeas que se domina, o que é preciso é enganar rompendo o contato.

- Todas as manqueiras do cavalo se reconhecem mais facilmente a trote do que a galope; como o trote é um andamento com os movimentos simétricos, dá-se mais pela desigualdade.

- A imobilidade e o repouso excessivo são tão prejudiciais para a saúde e rendimento do cavalo como o trabalho exagerando.

- "Sem boas pernas não há bons cavaleiros, mas sem boa mão não há cavaleiros." (D. Orgeix)

- Em equitação, como em todas as artes, há indivíduos que nascem dotados de uma habilidade rara e com uma intuição maravilhosa; com a prática, e a despeito muitas vezes de pouca cultura, tornam-se de um virtuoso estupendo.

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